O empreendedorismo que floresce nos territórios mais
longínquos, que se tornaram habitat para quem só precisa de um computador
ligado à Internet para trabalhar, não basta para que esse Interior atraia com o
grau de intensidade com que perde. E não é só no Interior profundo que o declínio
é palpável, não é preciso um grande afastamento dos maiores centros urbanos
para ser cada vez mais difícil encontrar vida nova em substância.
Os programas de natalidade, a creche gratuita, os vales de
material escolar, entre outras medidas, revelam-se insuficientes para dinamizar
territórios onde o rejuvenescimento é oásis.
Ontem, assinalou-se o Dia Internacional da Juventude, mas os
jovens em Portugal são uma fatia exígua. Entre 1981 e 2025, dados da Pordata, o
país perdeu um milhão de jovens, quarenta anos em queda. Nesse pouco mais de um
milhão que sobrou, escolarizado e digital, abundam os problemas com habitação,
precariedade laboral (só metade tem contrato efetivo) e baixos salários. Um
terço desses jovens ganha perto de mil euros. E se comprar casa é um projeto
traçado com rigor matemático ao nível das finanças pessoais, constituir família
ainda exige maior cálculo. Talvez sejam essas contas negativas que nos fazem
ter dificuldade em ver crianças em tantas ruas do Interior, mas também em artérias
largas plantadas à beira das metrópoles. São cada vez mais os locais onde não
vejo crianças e esse é o reflexo de uma escolha nacional, no Interior e no
Litoral.
E se não há jovens, que futuro há?
Joana Almeida Silva – Jornal de Nisa - 13 de agosto, 2026