Vale a pena relembrar esta tragédia, quando o que domina as notícias é a situação em Ceuta, cidade norte-africana que o antigo colonizador manteve em sua posse. Dezenas de milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e Espanha em dois ou três dias. Ao que se vai sabendo, com a conivência (e até o empurrão) das autoridades marroquinas e a impotência das espanholas. Vários morreram na tentativa de chegar à terra prometida. E a grande maioria voltou entretanto para trás, tal era a evidência de que, numa cidade de pouco mais de 80 mil habitantes, a única coisa que podiam esperar era Mas nada disto interessa aos extremistas que agora dominam o espaço público e, cada vez mais, o desenho das políticas. Para a extrema-direita, incluindo a portuguesa, está em curso uma invasão. E a solução é fechar fronteiras. Sabem tudo sobre redes sociais, mas faltaram às aulas de História. A fortaleza Europa é um mito. E pagar centenas de milhões de euros a regimes corruptos ou ditatoriais, como o turco e o marroquino, é inútil. Não se consegue tapar o vento com as mãos, mesmo quando estão cheias de notas. um outro tipo de miséria.
Rafael Barbosa – Jornal de Notícias - 2 de agosto, 2026
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