No “Jornal de Nisa”, na contracapa publicava uma “secção”
chamada Postais do Concelho. Fotos, antigas ou actuais, acompanhadas de uma
descrição, quando tal era possível. Não era mais que um pequeno contributo para
darmos a conhecer as gentes, locais, histórias e memórias de cada terra.
O nosso concelho tem património valiosíssimo, nem é preciso
repeti-lo. Precioso e variado. Ler numa placa toponímica, numa rua humilde e
asseada de uma aldeia, a identificação “Travessa dos Amores” transporta-nos para a
pureza, a essência dos nomes. Ou, na mesma freguesia, deparar com outra
designação “Rua da Redondona” (entretanto substituída, mal, por Luís de Camões”)
leva-nos a pensar nas suas origens.
A toponímia faz parte desse património imaterial que pinta, qual cal branca ou amarela, a beleza de cada aldeia. Por isso, não devem
os nomes das ruas ser tratados com ligeireza ou como se fossem o quintal de
qualquer dirigente autárquico. É património e do mais sublime que as terras
acolhem no seu seio e por isso a lei estipula a existência em cada município de
uma Comissão Municipal de Toponímia.
A de Nisa, não existe. Mas faz falta, nem que seja para
acabar, de vez, com abusos autoritários de quem não conhece a urbe e julga
poder rebaptizar o nome de ruas à imagem da sua ignorância. Fiquemos por aqui…
Legendas para as fotos
1 – Já lhe chamei a rua mais bonita do concelho. Hoje já não
tem o nome original, mas é possível mencioná-lo depois da designação “oficial”,
de mau gosto, com que a rebaptizaram. Rua da Redondona, no Pardo, na “rua mais
bonita”… O que quereria dizer Redondona? Um objecto utilitário de forma
redonda? Uma saia ou peça de traje usada antigamente? Nos “Montes de Baixo” haverá,
ainda, alguém que possa dar uma informação sobre a designação desta rua? Para
mim, haja o que houver, tal como na canção dos Madredeus” será sempre Redondona,
a rua mais bonita do concelho.
2 – Conheci-os nos anos 70, aquando das electrificações nas
aldeias da freguesia (Pardo, Duque e Arneiro). Era um casal simpático que nos
acolhia na sua taberna, onde sobre a mesa estendíamos a toalha e expúnhamos a
refeição do dia. Sempre ali fomos bem tratados e este pequenino texto (e foto)
é uma singela lembrança, doce e melancólica do casal que há anos partiu do nosso
convívio… Que estejam em paz.
3 – Ali bem perto da taberna onde almoçávamos, escondido,
num cantinho, entre duas construções, o forno comunitário. Da comunidade que
quase desapareceu mas, menos numerosa, ainda se junta em dias festivos, no ano.
4 – A placa é quase inexpressiva, mármore branco em terras
de xisto, mas está lá, perceptível, a designação “Travessa dos Amores”. Haverá
amor maior que uma aldeia possa ter?
5 – Um recanto da mesma Travessa. O quotidiano de uma
aldeia, mostrado à luz do trabalho, das canseiras e das flores. Do singelo que,
muitas vezes, aprimora o artista…




