Quando o assunto é mais sério e merecedor de informação detalhada, a
norma é o silêncio ou o recurso ao léxico das palavras que nada dizem e
apontam, quase sempre, para a insegurança.
Tomam os munícipes por estúpidos, no estilo “quanto menos souberes,
melhor!” e assim “constroem um manancial de desinformação.
Vem a propósito referir o Aviso sobre a interdição de alguns percursos
pedestres “por motivos de segurança”. Assim mesmo, liminarmente, sem mais
explicações. Situações que levantam algumas dúvidas. O que se passa com esses
Percursos? No Pr 7 Nis “Entre Azenhas” e no PR 8 Nisa “Trilhos do Moinho Branco”,
o que aconteceu? Há lobos à solta? Passagens interrompidas? Falta de água no
Sever? Falta de vontade de explicar a situação nos seus devidos contornos? A
poucas semanas das Festas da Vila, em Montalvão, os montalvanenses estarão
impedidos de percorrer os caminhos da sua infância e de dá-los a conhecer a
amigos e familiares? Ou irão caminhar por sua conta e risco, apenas porque a
senhora Câmara, com os “motivos de segurança” lava daí as suas mãos?
E no percurso PR 11 Nisa “Trilho da Barca d´Amieira, o que se passa? O
trilho fugiu? Os carrinhos de ferro sobre os carris deixaram de funcionar ou o
terreno – o que não seria caso único na gestão municipal – não foi devidamente
legalizado para o efeito? Ah! E a barca que dá nome ao percurso… Onde é que ela
pára? Por que não é utilizada sendo, segundo as parangonas da inauguração,
factor de enorme progresso e desenvolvimento para a freguesia e para o concelho– sic.
Onde anda, afinal, a barca do Tejo? Porque estão os habitantes do
concelho e visitantes impedidos de percorrer, visitar e apreciar as belezas do
Tejo, quando este percurso foi sempre apontado como o “salvador da pátria turística”
do concelho?
Anomalias há em toda a parte. Explicá-las de forma clara, rigorosa e
coerente, sem recurso a chavões como a “segurança”, seria uma obrigação das
entidades que gerem esses percursos, neste caso, a Câmara Municipal de Nisa.
Não o fazendo, é motivo para se lhe perguntar: do que é que têm medo?
Mário Mendes
