17.8.26

CÂMARA DE NISA: Contenção a quanto obrigas…


A comunicação do executivo da Câmara de Nisa é truculenta. Expansiva, quando se junta à propaganda das imagens, em que abunda forte adjectivação glorificando a atribuição do subsidiozinho  e o paternalismo dos dois Zés, sempre presentes nas fotos - que nem todos podem ver-  , ainda assim as pessoas não se esqueçam que são eles e não outros, a ocuparem os gabinetes da Praça do Pelourinho.

Quando o assunto é mais sério e merecedor de informação detalhada, a norma é o silêncio ou o recurso ao léxico das palavras que nada dizem e apontam, quase sempre, para a insegurança.  Tomam os munícipes por estúpidos, no estilo “quanto menos souberes, melhor!” e assim “constroem um manancial de desinformação.

Vem a propósito referir o Aviso sobre a interdição de alguns percursos pedestres “por motivos de segurança”. Assim mesmo, liminarmente, sem mais explicações. Situações que levantam algumas dúvidas. O que se passa com esses Percursos? No Pr 7 Nis “Entre Azenhas” e no PR 8 Nisa “Trilhos do Moinho Branco”, o que aconteceu? Há lobos à solta? Passagens interrompidas? Falta de água no Sever? Falta de vontade de explicar a situação nos seus devidos contornos? A poucas semanas das Festas da Vila, em Montalvão, os montalvanenses estarão impedidos de percorrer os caminhos da sua infância e de dá-los a conhecer a amigos e familiares? Ou irão caminhar por sua conta e risco, apenas porque a senhora Câmara, com os “motivos de segurança” lava daí as suas mãos?

E no percurso PR 11 Nisa “Trilho da Barca d´Amieira, o que se passa? O trilho fugiu? Os carrinhos de ferro sobre os carris deixaram de funcionar ou o terreno – o que não seria caso único na gestão municipal – não foi devidamente legalizado para o efeito? Ah! E a barca que dá nome ao percurso… Onde é que ela pára? Por que não é utilizada sendo, segundo as parangonas da inauguração, factor de enorme progresso e desenvolvimento  para a freguesia e para o concelho– sic.

Onde anda, afinal, a barca do Tejo? Porque estão os habitantes do concelho e visitantes impedidos de percorrer, visitar e apreciar as belezas do Tejo, quando este percurso foi sempre apontado como o “salvador da pátria turística” do concelho?

Anomalias há em toda a parte. Explicá-las de forma clara, rigorosa e coerente, sem recurso a chavões como a “segurança”, seria uma obrigação das entidades que gerem esses percursos, neste caso, a Câmara Municipal de Nisa.

Não o fazendo, é motivo para se lhe perguntar: do que é que têm medo?

Mário Mendes