Grove interessou-se pelo tema de Jason Arday e tentou contactar o
professor via correio eletrónico, para o ouvir sobre as acusações de plágio que
subiam de tom online. Trabalho básico de milhares de jornalistas diariamente.
Não conseguiu, mas meses depois foi contactado pela polícia britânica a
informá-lo que estava a ser investigado por assédio e que não deveria voltar a
contactar Jason Arday, devido à saúde mental do professor, que teria sido
afetada pelas questões dirigidas por email. A investigação ao jornalista a
fazer o seu trabalho demorou quatro meses, num caso que agora foi considerado
pelas próprias autoridades como um erro.
Mais do que uma questão pontual, é sintoma de um constante desprezo do
trabalho jornalístico, considerado obsoleto por muitos tecnoligarcas, que não
gostam de ser questionados. Este sentimento anti "legacy media"
alastrou para muitos grupos envoltos em bolha, que de forma egocêntrica se
julgam arrogar ao direito de não serem questionados, por a isso não estarem
acostumados. E a pergunta é a base do trabalho jornalístico, principalmente
quando incomoda e melindra, porque é daí que nasce o esclarecimento.
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Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 10 de
agosto, 2026
