No dia em que o enviado e genro de Donald Trump, Jared
Kushner, reuniu com o líder do Hamas no Egito para discutir o desarmamento do
grupo e em que países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Egito,
Jordânia, Catar, Indonésia, Turquia e Paquistão condenaram a postura do governo
de Israel de rejeitar o roteiro para a paz proposto por Washington, o ministro
da Segurança Interna israelita Itamar Ben Gvir voltou a defender a política de
limpeza étnica em Gaza.
Numa conversa com Rom Braslavski, que foi refém do Hamas na
Faixa de Gaza, Itamar Ben Gvir disse não estar de acordo com a redução dos
ataques a Gaza durante a primeira quinzena de agosto, justificada pelo
primeiro-ministro Netanyahu para permitir o avanço do plano de Trump.
Ben Gvir foi mais longe e apelou ao reforço dos assassinatos em Gaza. “Acho que deveriam ser levados a cabo assassinatos seletivos em Gaza, eliminando entre 30 e 40 pessoas todas as noites. Não apenas aqueles que representam uma ameaça imediata; há pessoas lá que não merecem viver. Não deviam viver. Nem sequer são pessoas”, afirmou o ministro, reiterando a defesa da “migração massiva” dos palestinianos de Gaza para que Israel possa colonizar o território palestiniano. Palavras semelhantes às do ministro, incluindo ditas pelo mesmo Ben Gvir, têm sido apresentados ao Tribunal Penal Internacional como prova da “intenção genocida” do governo de Israel em Gaza.
“Considero que toda a
Faixa de Gaza é nossa (...) Devíamos ter colonatos não só em Gush Katif (a
colónia israelita na Faixa de Gaza desmantelada em 2005), mas em toda a Faixa
de Gaza, promovendo a maior emigração possível, enviando-os para os seus países
de origem; e, no que diz respeito aos terroristas, nada de emigração, nada,
simplesmente matá-los um a um”, prosseguiu Ben Gvir, também ele colono nos
territórios ocupados ilegalmente por Israel na Cisjordânia e que no governo
tutela as prisões onde milhares de palestinianos são torturados.
O plano de paz colocado pelos EUA em cima da mesa em julho
tem 15 pontos e propõe o desarmamento da Hamas em troca da retirada completa
dos militares israelitas da Faixa de Gaza, com uma transição de poder para uma
comissão independente. Mas Netanyahu já fez saber que recusa o plano e não
aceita retirar o exército antes que esse desarmamento ocorra. “E quando digo
desarmamento do Hamas, refiro-me a armamento pesado, armamento ligeiro, todo o
tipo de armamento”, referiu o primeiro-ministro que enfrenta novas eleições a
27 de outubro. Por seu lado, os dirigentes do Hamas dizem que a entrega do
armamento pesado depende do fim de “todas as formas de agressão” e da retirada
das tropas israelitas de Gaza, que têm atacado diariamente o território desde o
início do suposto cessar-fogo em outubro passado.
In www.esquerda.net –
17 Agosto 2026
IMAGEM: Itamar Ben Gvir. Foto publicada na sua página
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