Começa a jornada pela tardinha no Festival do Crato, com jantar no
intervalo das “melodias de sempre”. No dia 27, logo pela manhã, estará na
Câmara de Nisa para observar e juntar-se à novela da Ponte de Cedillo. Aqui
ouvirá os autarcas falar da autêntica odisseia que tem sido fazer um desenho e
tirar montanhas de selfies desde 2017 como bandeira eleitoral, a enaltecer o
feito socialista. Não têm nada a apresentar, a não ser alguns milhões de euros
de pagamentos de máquinas, fora das autorizações para o arranque da obra. Que
está parada, não avança, uma decepção para a pipi das meias altas que prometeu inaugurá-la
em 2025, como a cereja no topo do bolo e trunfo eleitoral.
A ponte de Cedillo tem uma história de mais de 60 anos. Era compromisso
de Espanha construí-la como contrapartida por terem implantado uma barragem
assente em território nacional. Nunca a fizeram e deixaram que a empresa
(espanhola, tá claro) que administra a barragem passasse, também a “gerir” a passagem como se fossem polícias
de uma fronteira fictícia, mas que sempre permitiu, com maior ou menor
dificuldade, a passagem de portugueses e espanhóis. Agora, não. Só quando a “senhora
Iberdrola” resolve abrir a passagem no coroamento, em tempo de festas. Aboliram-se
as fronteiras, mas uma empresa privada gere, a seu gosto, uma passagem internacional
e limita as relações de dois povos, dos mais isolados na península ibérica.
Na Câmara – o tempo não dará para mais, além das praxes do costume –
José Luís Carneiro não ouvirá falar da urgente necessidade de requalificação
das minas de urânio. Ninguém ousará apontar-lhe os malefícios e insegurança
devido ao prolongamento do prazo de funcionamento da central nuclear de Almaraz,
que há mais de 30 anos devia ter sido encerrada.
Ninguém lhe dirá que a sede do concelho (Nisa) tem deficientes ligações
rodoviárias ao IP2, mormente no sentido Barragem do Fratel - Nisa e que urge criar
as condições para que todos os habitantes do concelho possam transitar nos dois
sentidos sem impedimentos.
Não ousarão questioná-lo sobre
as medidas tem preparadas para , no caso de vir a ser governo, transformar o
interior do país, dando-lhe as mesmas possibilidades de trabalho e emprego das regiões
do litoral. Tampouco o importunarão com essa coisa “mesquinha” que é a
transformação do território e paisagem alentejana, como campo “livre” e sem
travões para as culturas sobre-intensivas, os “campos” a perder de vista de
painéis solares. Nem falo na saúde, das condições impróprias e precárias a que
estão sujeitas as populações alto-alentejanas, envelhecidas pelo peso dos anos
e pelo abandono a que foram sujeitas por sucessivos governos do “bloco central”.
Seria uma ocasião, soberana , para perguntar-lhe que medidas vai propor
ao governo sobre a Barragem de Póvoa e Meadas, arrastando-se a indefinição
quanto à construção da Barragem do Pisão que – é irónico e quase absurdo dizer
isto – vai ser contemplada com uma verba da CIMAA para plantar árvores… As
mesmas ou menos, até, do que aquelas que foram arrancadas, ilegalmente, antes
da aprovação da construção da barragem do Pisão.
E, por último, não ficaria mal, perguntar-lhe, o que pensa da Regionalização.
Todos estes considerandos não esgotam, nem de perto, a panóplia de
problemas do concelho e da região, e por isso não ficaria mal ao executivo apresentar
ao líder socialista, um documento, uma espécie de caderno reivindicativo e plano
de acção.
Conhecendo como julgo conhecer, o “marrafinha”, temo que as representações do folclore e do beija-mão, demorem mais tempo, muito mais, do que a apresentação de problemas e situações reais.
Mário Mendes
