28.9.26

Privados fecham as portas: Olaria pedrada de Nisa ameaçada por falta de quartzo


O Centro de Artes e Ofícios de Nisa acolheu uma reunião técnica dedicada ao esgotamento das jazidas tradicionais de quartzo branco e caulino. Estes minerais constituem a matéria-prima essencial para a olaria pedrada de Nisa, arte secular em que fragmentos rochosos desenham motivos florais sobre o barro vermelho. Contudo, o acesso aos filões situados em propriedades particulares encontra-se actualmente comprometido.

As últimas oficinas artesanais do concelho dependem da recolha manual destes inertes específicos em parcelas rurais privadas. Todavia, vários proprietários começaram a vedar os caminhos de passagem e a exigir compensações financeiras informais a título de exploração de inertes. Por conseguinte, a escassez do mineral coloca em risco a continuidade operacional dos mestres oleiros locais.

Vedação de terrenos trava colheita de quartzo branco

A técnica característica da olaria pedrada de Nisa exige pedras de quartzo com elevado grau de pureza e dureza reduzida. Esta consistência permite aos artesãos partir os blocos com martelos específicos até obterem pequenas arestas finas. Em seguida, essas lascas são cravadas à mão no barro ainda húmido, antes da cozedura final em fornos tradicionais.

No entanto, a dispersão dos veios geológicos em propriedades florestais e agrícolas gerou conflitos entre artesãos e detentores do solo. Segundo os alertas transmitidos durante a sessão técnica, os constrangimentos físicos impedem o abastecimento regular das oficinas activas no concelho. Além disso, a cobrança informal de valores pelo acesso aos solos sobrecarrega os custos de produção das pequenas unidades familiares, que operam com margens comerciais bastante reduzidas.

Município de Nisa avalia reserva pública de matérias-primas

Perante este cenário, a Divisão de Acção Cultural e Património do Município de Nisa estuda alternativas para salvaguardar o aprovisionamento dos artesãos. Entre as soluções em análise encontra-se a identificação cadastral de veios minerais em terrenos públicos municipais, bem como o estabelecimento de acordos formais de cedência com proprietários privados.

Paralelamente, a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas acompanha o processo para garantir a preservação do saber-fazer tradicional. A classificação da técnica como património cultural exige salvaguarda urgente, dado que a interrupção no fornecimento de quartzo paralisaria a feitura das peças genuínas. Dessa maneira, as entidades envolvidas procuram criar um banco municipal de matérias-primas que assegure a estabilidade produtiva das oficinas locais nos próximos anos.

 * oregioes.pt - 25.09.2026