As últimas
oficinas artesanais do concelho dependem da recolha manual destes inertes
específicos em parcelas rurais privadas. Todavia, vários proprietários
começaram a vedar os caminhos de passagem e a exigir compensações financeiras
informais a título de exploração de inertes. Por conseguinte, a escassez do
mineral coloca em risco a continuidade operacional dos mestres oleiros locais.
Vedação de
terrenos trava colheita de quartzo branco
A técnica
característica da olaria pedrada de Nisa exige pedras de quartzo com elevado
grau de pureza e dureza reduzida. Esta consistência permite aos artesãos partir
os blocos com martelos específicos até obterem pequenas arestas finas. Em
seguida, essas lascas são cravadas à mão no barro ainda húmido, antes da
cozedura final em fornos tradicionais.
No entanto,
a dispersão dos veios geológicos em propriedades florestais e agrícolas gerou
conflitos entre artesãos e detentores do solo. Segundo os alertas transmitidos
durante a sessão técnica, os constrangimentos físicos impedem o abastecimento
regular das oficinas activas no concelho. Além disso, a cobrança informal de
valores pelo acesso aos solos sobrecarrega os custos de produção das pequenas
unidades familiares, que operam com margens comerciais bastante reduzidas.
Município de
Nisa avalia reserva pública de matérias-primas
Perante este
cenário, a Divisão de Acção Cultural e Património do Município de Nisa estuda
alternativas para salvaguardar o aprovisionamento dos artesãos. Entre as
soluções em análise encontra-se a identificação cadastral de veios minerais em
terrenos públicos municipais, bem como o estabelecimento de acordos formais de
cedência com proprietários privados.
Paralelamente,
a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas acompanha o processo para
garantir a preservação do saber-fazer tradicional. A classificação da técnica
como património cultural exige salvaguarda urgente, dado que a interrupção no
fornecimento de quartzo paralisaria a feitura das peças genuínas. Dessa
maneira, as entidades envolvidas procuram criar um banco municipal de
matérias-primas que assegure a estabilidade produtiva das oficinas locais nos
próximos anos.
