Ao longo do mês, o histórico teatro eborense recebe ainda o
FIDANC – Festival de Dança Contemporânea de Évora e a abertura do CONTANÁRIO –
Festival de Contos e Formas de Contar.
A programação arranca já esta quarta-feira, 2 de setembro, às 19h00, no Salão Nobre, com «Pontes sobre a Distância – Todos quantos somos», recital de Ana Filipa Luz, ao piano, e Óscar Oré, tenor, que inaugura o Ciclo Deslocar. Música e conversa cruzam-se para abordar as experiências dos dois artistas enquanto estudantes e profissionais a viver fora de Portugal e refletir sobre distância, migração, partidas, regressos e encontros.
Logo no dia seguinte, 3 de setembro, às 19h00, chega à Sala
Principal «Coro dos Amantes», a primeira peça de teatro de Tiago Rodrigues.
Interpretada por Cláudia Gaiolas e Tónan Quito, numa criação da HomemBala, a
obra coloca um jovem casal a contar, a duas vozes, uma situação de vida ou de
morte.
As versões são quase iguais, mas não completamente, num
texto que acompanha a passagem do tempo e celebra a força do amor. Estreada
originalmente em 2007, a peça foi revisitada pelo autor em 2021.
O cinema entra em cena no dia 7, às 19h00, através do Ciclo Take1, dedicado à programação da Nitrato Filmes. «O Jacaré», de Basil da Cunha, leva o espectador até à Reboleira, onde o desaparecimento de 180 mil euros desencadeia uma caça ao tesouro feita de alianças, traições, violência e humor. Pelo meio, espalha-se pelo bairro um rumor insólito: há um jacaré à solta.
Dois dias depois, 9 de setembro, às 18h30, o Salão leva ao
Salão Nobre uma conversa sobre «Ciência e Arte», com Telma Santos e Diogo Lobo.
A participação é gratuita e quem não puder estar presente
poderá acompanhar a transmissão em direto através da página de Facebook do
CENDREV.
O o Ciclo Deslocar regressa a 11 de setembro, às 21h30, com «Bela Nafa», de José Braima Galissá. A expressão significa «Benefício Comum» em língua mandinga e dá nome a um projeto liderado pelo mestre griot da kora que cruza os sons da Guiné-Bissau e da África Ocidental com guitarras elétricas, baixo, bateria e percussão. O resultado propõe um encontro entre tradição e contemporaneidade num concerto de caráter festivo.
A dança e o teatro encontram-se no dia 15, às 19h00, com a companhia espanhola Karlik Danza-Teatro e «Lucia Joyce. Um pequeno drama em movimento», de Itziar Pascual.
A criação recupera a história da filha de James Joyce, apaixonada pela dança e testemunha do nascimento da dança moderna, mas também confrontada com o peso de um apelido célebre e com uma sociedade que reservava à mulher sobretudo o lugar de «musa» e não o de artista.
A dança contemporânea ganha ainda maior protagonismo com o
FIDANC, organizado pela Companhia de Dança Contemporânea de Évora.
A 17 de setembro, às 21h30, Tales Frey apresenta «Tapete Vermelho», onde dois intérpretes partilham um único traje e transformam os corpos numa espécie de construção escultórica para explorar questões relacionadas com diferença, poder e classes sociais.
A 19 de setembro, à mesma hora, Nélia Pinheiro leva à Sala
Principal «A vida feral na luz, sem desviar o olhar», uma reflexão sobre a
memória da violência humana, a repetição dos ciclos de destruição e a
possibilidade de sobreviver.
No dia 22, às 21h30, é a vez de olhar para cinco décadas de
trabalho de Manuel Dias. O documentário «Manuel Dias – Variações em redor dos
meus Eus», de José Coimbra e Tiago Guimarães, interroga a relação entre o
marionetista e as suas marionetas e marca a abertura do CONTANÁRIO – Festival
de Contos e Formas de Contar. A sessão, organizada pela associação É Neste
País, tem entrada gratuita.
E uma marioneta volta a assumir o protagonismo nos dias 23 e
24, às 21h00, mas desta vez para se revoltar contra quem decide a sua vida. Em
«Pouvoir», da companhia belga Une Tribu, a personagem está cansada de repetir
sempre o mesmo espetáculo e de permanecer entregue aos seus manipuladores.
Decide então «tomar o poder» e escolher o próprio destino, envolvendo os
espectadores numa reflexão sobre liberdade, poder e a possibilidade de imaginar
outro sistema. A iniciativa é organizada pela Associação Évora 2027.
A música regressa em grande plano no dia 25, às 21h30, com
Pedro Burmester. Em «Chopin & Janáček»,
o pianista interpreta Nas Brumas, de Leoš Janáček, e várias obras de Frédéric Chopin,
incluindo os célebres Noturnos e a Polonaise-Fantaisie. Produzido pela Artway,
o concerto propõe uma viagem musical pelas «brumas» e pelos mistérios da noite.
Setembro termina no Garcia de Resende com uma proposta para
os mais novos. «Quero um Piano», de Ana Madureira e Vahan Kerovpyan, sobe ao
palco nos dias 27 e 28, às 10h30, integrado no projeto Ver&Aprender. Com
música ao vivo, palavras e personagens inesperadas, o espetáculo procura criar
pontes entre línguas, culturas e realidades aparentemente distantes.
A primeira sessão destina-se às famílias e ao público em
geral, sendo gratuita para crianças até aos 12 anos e custando 4 euros para os
restantes espectadores. No dia seguinte, será apresentada a grupos escolares e
outros públicos organizados, com bilhete único de 3 euros.
À exceção de «Pontes sobre a Distância» e da conversa do
Salão, que ocupam o Salão Nobre, os espetáculos decorrem na Sala Principal.
Os bilhetes para a programação têm preços entre 4 e 8 euros,
de acordo com os descontos aplicáveis e salvo condições específicas de algumas
iniciativas, ficando disponíveis durante a primeira semana de setembro na
bilheteira do Teatro Garcia de Resende e online.
A bilheteira funciona de segunda a sexta-feira, das 9h00 às
12h30 e das 14h00 às 17h30, abrindo também duas horas antes de cada espetáculo,
salvo indicação em contrário. Assim, depois da reabertura das portas, setembro
traz ao Garcia de Resende praticamente todas as linguagens do palco — e
propostas que vão da infância ao público adulto.
Setembro 1, 2028 - por Sul Informação




