A conclusão,
que não é surpreendente, é mais uma chamada à ação para inverter um declínio
que se acentua. "Os tempos mais perigosos" como descreveu o vocalista
dos Da Weasel, estão a adubar-se na palma das nossas mãos.
O radialista
Nuno Markl publicou uma imagem de um casal interracial. Escrevia que a família
era alvo de racismo. Acompanhou a fotografia de Jessica com o marido e o filho
com uma série de cópias de mensagens insultuosas, criminosas, mas de pessoas
que não tinham qualquer problema em dar a cara. "São pessoas para quem o
racismo está tão normalizado e empoderado, que já não têm qualquer pudor em
insultar uma mãe, um pai e uma criança", escreveu, proibindo os seus
próprios seguidores de comentar a partilha.
É deste
espaço público que falamos, de um lugar que, também em Portugal, se encolheu
nas liberdades com o crescimento da extrema-direita, embalada por redes sociais
e algoritmos manhosos, coniventes com os crimes.
No relatório
de que falava, feito pelo Fórum Cívico Europeu e o Observatório do Espaço
Cívico, apontava-se para a "crescente influência da extrema-direita",
para as desenfreadas campanhas de desinformação e para o aumento dos crimes de
ódio. Passos do declínio da liberdade que vão "enfraquecendo a ação
cívica, a organização coletiva, a responsabilização do Estado e a participação
pública". Passos perigosos que se dão à luz do dia, até com o manto da
imunidade parlamentar.
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Joana Almeida Silva - 23 de julho, 2026
