Durante três dias, o Parque da Liberdade será o ponto de
encontro entre mineração, património, música e cultura popular, com concertos,
conferência, exposição, cante alentejano, provas de vinhos, tasquinhas e
iniciativas para diferentes idades. A entrada no festival é gratuita.
Organizado pela Câmara Municipal de Castro Verde, em
parceria com a Boliden Somincor, o festival pretende ser, segundo a
organização, um «espaço de celebração da forte ligação histórica do concelho à
atividade mineira», valorizando simultaneamente o património, a cultura e as
tradições de um território profundamente marcado pela mineração.
A história dessa relação será um dos pontos fortes logo na
sexta-feira, dia 4. Às 15h00, o Museu da Lucerna recebe a conferência «Neves-Corvo:
Tesouros Arqueológicos de um Território Mineiro», com Samuel Melro, Ricardo Vaz
e Cidália Matos, dedicada aos vestígios arqueológicos encontrados naquele
território, da Idade do Ferro ao período romano.
Às 18h30, será inaugurada, no Parque da Liberdade, uma
exposição fotográfica com o mesmo nome, que permanecerá patente durante o
festival
Também a tradição musical das terras mineiras terá espaço
próprio. Na sexta-feira, «Cantares de Terras Mineiras» junta o Grupo Coral
Guadiana, de Mértola, e o Grupo Coral Os Cardadores da Sete.
No sábado, o cante estará entregue ao Grupo Coral Feminino
Flores do Campo, de Almodôvar, e ao Grupo Coral Os Ganhões, de Castro Verde. A
programação cultural inclui ainda Joana Gonçalves e Terra Forte, David Garcez e
Linhas Cruzadas, além de momentos de humor com Algarvie Marafade e João
Caçoilas.
A mineração contemporânea estará particularmente em destaque
no sábado, 5 de setembro, com o Dia Aberto na Mina de Neves-Corvo, sob o lema
«Raízes na Terra. Olhos no Futuro». A iniciativa decorre entre as 9h00 e as
12h00, mediante inscrição e com lugares limitados, aproximando a comunidade da
realidade do complexo mineiro.
O programa inclui ainda um passeio de comboio turístico pelo
Couto Mineiro e atividades educativas.
Já às 16h00 desse sábado, no Parque da Liberdade, o Grupo de
Intervenção da Somincor fará uma demonstração de resgate, dando a conhecer ao
público uma vertente menos visível, mas essencial, da segurança associada à
atividade mineira. Para as famílias haverá também espaço infantil e
insufláveis, enquanto o Parque de Campismo e as Piscinas Municipais são outras
opções para quem passar o fim de semana em Castro Verde.
A música assume outro dos papéis principais do Castro
Mineiro. Na sexta-feira, às 22h30, atuam os Sonido Andaluz, num espetáculo que
cruza flamenco, rumba e sevilhanas com o cancioneiro alentejano, celebrando o
encontro das culturas portuguesa e espanhola.
No sábado, também às 22h30, sobe ao palco Soraia Ramos, com
uma fusão de morna, kizomba, R&B e pop contemporânea. O programa musical
encerra no domingo, 6 de setembro, às 19h00, com Celina da Piedade, cantora,
compositora e acordeonista cuja música cruza o Cante Alentejano e outras
sonoridades de raiz com folk e pop.
Mais do que um programa de animação, o Município pretende
que o Castro Mineiro dê a conhecer «a realidade de um concelho cuja identidade
foi moldada pela atividade mineira», promovendo o encontro entre «cultura,
património, inovação e comunidade».
A iniciativa procura ainda sublinhar o papel económico e
social que a mineração continua a desempenhar em Castro Verde e no Campo
Branco, território onde se encontra a Mina de Neves-Corvo, uma das mais
relevantes explorações mineiras europeias.
Entre a arqueologia de um território onde a mineração
atravessa séculos de história e a atividade industrial dos nossos dias, o festival
procura, assim, ligar passado e presente.
Durante três dias, Castro Verde transforma essa relação com
a terra e o subsolo numa festa coletiva, convidando residentes e visitantes a
participar numa programação que a organização define como «pensada para todas
as idades, num ambiente de partilha, convívio e valorização da identidade
local».
Setembro 1, 2026 - Sul Informação
