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1.9.26

Castro Mineiro celebra raízes, memória e futuro de Castro Verde

 


A identidade mineira de Castro Verde volta a sair à rua entre 4 e 6 de setembro, com a quinta edição do Festival Castro Mineiro.

Durante três dias, o Parque da Liberdade será o ponto de encontro entre mineração, património, música e cultura popular, com concertos, conferência, exposição, cante alentejano, provas de vinhos, tasquinhas e iniciativas para diferentes idades. A entrada no festival é gratuita.

Organizado pela Câmara Municipal de Castro Verde, em parceria com a Boliden Somincor, o festival pretende ser, segundo a organização, um «espaço de celebração da forte ligação histórica do concelho à atividade mineira», valorizando simultaneamente o património, a cultura e as tradições de um território profundamente marcado pela mineração.

A história dessa relação será um dos pontos fortes logo na sexta-feira, dia 4. Às 15h00, o Museu da Lucerna recebe a conferência «Neves-Corvo: Tesouros Arqueológicos de um Território Mineiro», com Samuel Melro, Ricardo Vaz e Cidália Matos, dedicada aos vestígios arqueológicos encontrados naquele território, da Idade do Ferro ao período romano.

Às 18h30, será inaugurada, no Parque da Liberdade, uma exposição fotográfica com o mesmo nome, que permanecerá patente durante o festival

Também a tradição musical das terras mineiras terá espaço próprio. Na sexta-feira, «Cantares de Terras Mineiras» junta o Grupo Coral Guadiana, de Mértola, e o Grupo Coral Os Cardadores da Sete.

No sábado, o cante estará entregue ao Grupo Coral Feminino Flores do Campo, de Almodôvar, e ao Grupo Coral Os Ganhões, de Castro Verde. A programação cultural inclui ainda Joana Gonçalves e Terra Forte, David Garcez e Linhas Cruzadas, além de momentos de humor com Algarvie Marafade e João Caçoilas.

A mineração contemporânea estará particularmente em destaque no sábado, 5 de setembro, com o Dia Aberto na Mina de Neves-Corvo, sob o lema «Raízes na Terra. Olhos no Futuro». A iniciativa decorre entre as 9h00 e as 12h00, mediante inscrição e com lugares limitados, aproximando a comunidade da realidade do complexo mineiro.

O programa inclui ainda um passeio de comboio turístico pelo Couto Mineiro e atividades educativas.

Já às 16h00 desse sábado, no Parque da Liberdade, o Grupo de Intervenção da Somincor fará uma demonstração de resgate, dando a conhecer ao público uma vertente menos visível, mas essencial, da segurança associada à atividade mineira. Para as famílias haverá também espaço infantil e insufláveis, enquanto o Parque de Campismo e as Piscinas Municipais são outras opções para quem passar o fim de semana em Castro Verde.

A música assume outro dos papéis principais do Castro Mineiro. Na sexta-feira, às 22h30, atuam os Sonido Andaluz, num espetáculo que cruza flamenco, rumba e sevilhanas com o cancioneiro alentejano, celebrando o encontro das culturas portuguesa e espanhola.

No sábado, também às 22h30, sobe ao palco Soraia Ramos, com uma fusão de morna, kizomba, R&B e pop contemporânea. O programa musical encerra no domingo, 6 de setembro, às 19h00, com Celina da Piedade, cantora, compositora e acordeonista cuja música cruza o Cante Alentejano e outras sonoridades de raiz com folk e pop.

Mais do que um programa de animação, o Município pretende que o Castro Mineiro dê a conhecer «a realidade de um concelho cuja identidade foi moldada pela atividade mineira», promovendo o encontro entre «cultura, património, inovação e comunidade».

A iniciativa procura ainda sublinhar o papel económico e social que a mineração continua a desempenhar em Castro Verde e no Campo Branco, território onde se encontra a Mina de Neves-Corvo, uma das mais relevantes explorações mineiras europeias.

Entre a arqueologia de um território onde a mineração atravessa séculos de história e a atividade industrial dos nossos dias, o festival procura, assim, ligar passado e presente.

Durante três dias, Castro Verde transforma essa relação com a terra e o subsolo numa festa coletiva, convidando residentes e visitantes a participar numa programação que a organização define como «pensada para todas as idades, num ambiente de partilha, convívio e valorização da identidade local».

Setembro 1, 2026 - Sul Informação

23.9.25

Al Mossassa celebra as raízes de Marvão numa viagem ao século IX


De 3 a 5 de outubro, Marvão celebra a 18.ª edição do Festival Al Mossassa e as raízes árabes da vila, com uma programação pensada para toda a família e que promete uma viagem histórica até ao século IX, data da sua fundação por Ibn Marwan.

O programa de animação engloba recriações históricas, espetáculos de música, dança, fogo, O artes circenses, artesãos a trabalhar ao vivo, cavaleiros em duelos de espadas, encantadores de serpentes e falcoeiros, bobos, trapezistas, acampamentos militares (cristão e árabe), uma exposição de armas, oficinas de esgrima e tiro com arco, jogos para crianças e muito mais.

Como habitualmente, na parte alta da vila de Marvão, vai ser reconstituído o Mercado das Três Culturas, com um vasto leque de produtos, saberes e sabores das culturas islâmica, judaica e cristã.

Um dos grandes destaques desta edição vai para o espetáculo “O Voo Enamorado das Águias”, que conta a história de um guerreiro vindo do Saara e uma donzela cristã que desafiam a fé, a tradição e uma guerra, para se entregarem a um amor impossível e que se torna numa lenda eterna.

A ilustração do espetáculo nas muralhas do castelo, com recurso ao vídeo mapping, complementada pelo sincronismo da pirotecnia, música e dança, em vários momentos da encenação, promete surpreender. Esta viagem mágica começa às 21h30 de sexta-feira e sábado.

Outras das novidades, vai ser a construção de uma escultura de Ibn Marwan. A peça, com cerca de meio metro de altura, será uma criação artística única e trabalhada ao vivo, ao logo dos três dias, para quem queira assistir.

Uma vez mais, o Festival Al Mossassa volta a ter o estatuto de EcoEvento VALNOR, pela adoção de boas práticas ambientais. Para esse efeito, vão ser colocadas ilhas de reciclagem no recinto, de forma a incentivar à correta separação dos resíduos, e disponibilizados copos reutilizáveis, que podem ser adquiridos nas tabernas, por um valor simbólico.

A entrada custa 2 euros, é gratuita para menores de 12 anos e tem uma vertente solidária: a totalidade da receita de bilheteira reverte a favor de instituições particulares de solidariedade social do concelho de Marvão.

24.5.25

NISA: Conheça os poetas do concelho (XXV) - António Borrego


Raízes 

Quando o sol da meia tarde

corta as esquinas

(como um laser)

suspendo as mágoas

ponho-as a flutuar

para se tornarem leves

e, este brilho que tenho nas mãos

não são pirilampos

é o teu espírito

que veio até mim

com a luz, que te veste

se não te inventar...

a "trama do dia"...desfaz-me

as estátuas tremem de abandono

se não te recordar

uma "angústia que envelhece"

restringe a visita da luz

dessa luz que invoco

em todas as madrugadas

no inicio das preces

só depois me entrego

aos momentos que te reclamam

e, confirma-se!

Deus fez tudo perfeito!

depois, "fecho a consciência"

tento ter paz...

sentir a brisa...

polvilhada de todos os perfumes

e, descortinar, cada um deles

neste silêncio...

em que, ressoa a nostalgia da utopia

que faz esquecer

os momentos insuportáveis

de um quotidiano

demasiado violento

demasiado trágico

esta oscilação entre a ignomínia e o sublime

faz pensar numa Babel feliz

onde as línguas coexistem

e as palavras cantam

(sem desfigurarem)

revestidas por luz intensa

como a mensagem...

nelas inculcada.

A.B.---2017