Uma
semana após o início da polémica em torno da reorganização da Unidade de
Oncologia do Hospital de Portalegre, as explicações do Conselho de
Administração da ULS Alto Alentejo revelam-se cada vez mais inconsistentes.
Depois
de ter negado qualquer redução da resposta assistencial e afirmado que a
contratação de um novo oncologista visava reforçar o Serviço, verifica-se agora
que o período de consultas assegurado pelo atual oncologista foi reduzido para
cerca de metade da atividade que desenvolvia até ao mês de agosto. É difícil
compatibilizar esta redução objetiva da capacidade assistencial com o discurso
de alegado reforço da resposta.
Mas
a questão essencial é outra: porquê alterar um serviço que funcionava bem? A
Unidade de Oncologia de Portalegre era, muito provavelmente, um caso único no
Serviço Nacional de Saúde, sem tempos de espera para primeira consulta nem para
o início de terapêutica oncológica. Os seus resultados clínicos encontravam-se
ao nível dos melhores do país, não existiam queixas relevantes quanto ao seu
funcionamento e a mobilização espontânea de centenas de cidadãos em sua defesa
demonstra a confiança que os utentes depositavam neste serviço. Quando um
modelo produz resultados desta qualidade, a obrigação da Administração é
explicar, de forma objetiva, quais os problemas que pretende resolver e quais
os ganhos concretos que espera alcançar. Até ao momento, essa explicação
continua por dar.
Mais difícil de compreender se torna esta opção quando a ULS Alto Alentejo enfrenta problemas muito mais graves noutras áreas. A Ortopedia continua sem conseguir assegurar regularmente a escala de urgência, funcionando apenas em parte dos dias da semana, enquanto a Maternidade do distrito mantém constrangimentos que obrigam grávidas a serem encaminhadas para outras unidades hospitalares. Perante este cenário, é legítimo perguntar por que razão o Conselho de Administração escolheu concentrar esforços precisamente num dos serviços que melhores resultados apresentava.
A
defesa do Serviço Nacional de Saúde exige que se corrija aquilo que está mal e
que se preserve aquilo que funciona. A reorganização da Oncologia de Portalegre
não foi, até ao momento, acompanhada de qualquer demonstração de ganhos para os
doentes. Pelo contrário, os factos conhecidos apontam para uma redução da
capacidade assistencial existente. A população do Alto Alentejo merece, por
isso, uma explicação clara sobre as razões desta decisão e sobre o verdadeiro
objetivo desta reorganização.
O
PCP exige o esclarecimento público da atual situação.
Portalegre,
5 de Setembro 2026
O
Secretariado da DORPOR do PCP
