Se é tão fácil pessoas de diferentes gerações apontarem músicas e estrofes que se tornaram banda sonora para a vida, é porque Jorge Palma encontra palavras certeiras para traduzir a complexidade. Os lugares incertos onde nalgum momento acabaremos por nos descobrir. As horas junto à tempestade, a vida no fio da navalha. A solidão e o riso. A esperança ou, como ele insistentemente referia, a resistência de continuar a andar e, melhor ainda, de sentir prazer na estrada. Ele canta a fragilidade sem azedume - e que bálsamo, em tempos de tremenda acidez.
A
música permanece e convida à plena liberdade. Não necessariamente a liberdade
gritada e que a todo o momento se faz anunciar, mas a escolha permanente de uma
forma de estar que não teme as margens. A liberdade que não receia a
imperfeição. E de quem acredita que a cultura é um caminho essencial para a
ação, inspirado e inspirador. Que nos faz acreditar e querer habitar na terra
dos sonhos, onde toda a gente trata a gente toda por igual.
Inês
Cardoso – Jornal de Notícias - 23 de setembro, 2026
