20.4.26

ZECA AFONSO: Trovador da Voz d’Ouro Insubmisso


É de murta e de mar a tua voz

Com algas de canção estrangulada.

Aberta a concha da trova malsofrida

Saíste como sai a madrugada

Da noite, virginal e humedecida.

 

É de vinho e de pinho a tua voz

Com pranto de insofríveis flores banidas.

Mas é pela tua garganta que soltamos

As eriçadas aves proibidas

Que no muro do medo desenhamos.

 

(Natália Correia)