25.4.26

OPINIÃO: O fim da Humanidade e a nova civilização


Andamos fascinados a ver vídeos nas redes sociais sobre robôs que fazem tudo e mais alguma coisa. Uns correm ao lado de humanos, e até os superam em provas de atletismo, outros fazem demonstrações de artes marciais ao vivo e outros ainda entregam encomendas em postos de distribuição. E, de repente, o scroll interrompe a nossa diversão com uma visão de um futuro inquietante. O risco do "fim da Humanidade e o nascimento de uma nova civilização em que a maioria de nós será escravo".

A frase tem um tom apocalíptico e não é dita por um qualquer. É um alerta. Um aviso do cardeal português José Tolentino de Mendonça para os riscos que a inteligência artificial (IA) pode trazer, caso as sociedades não encontrem equilíbrio entre o avanço tecnológico e o bem comum.

Vale a pena refletir sobre as palavras do prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação proferidas, no Vaticano, durante um encontro com jornalistas. Vivemos uma "transformação do Mundo", parecida com a que "se experimentou na transição das sociedades orais para a sociedade da escrita", com um "potencial que excede tudo aquilo que tínhamos previsto". O cardeal defende, por isso, que é necessário "falar efetivamente das coisas". Tanto da "vantagem extraordinária que não podemos perder", como "da ameaça terrível à qual não nos podemos conformar".

A Igreja não está isenta de críticas, longe disso, mas ao colocar o tema da IA nas suas prioridades (é expectável que a primeira encíclica do Papa Leão XIV aborde os desafios da tecnologia), não só dá uma lição aos governantes, como deixa claro que as escolhas tecnológicas são também decisões políticas, económicas e sociais que vão alterar radicalmente a forma como hoje vivemos.

·         Manuel Molinos – Jornal de Notícias -24 de abril, 2026