A frase tem um tom apocalíptico e não é dita por um
qualquer. É um alerta. Um aviso do cardeal português José Tolentino de Mendonça
para os riscos que a inteligência artificial (IA) pode trazer, caso as
sociedades não encontrem equilíbrio entre o avanço tecnológico e o bem comum.
Vale a pena refletir sobre as palavras do prefeito do
Dicastério para a Cultura e a Educação proferidas, no Vaticano, durante um
encontro com jornalistas. Vivemos uma "transformação do Mundo",
parecida com a que "se experimentou na transição das sociedades orais para
a sociedade da escrita", com um "potencial que excede tudo aquilo que
tínhamos previsto". O cardeal defende, por isso, que é necessário
"falar efetivamente das coisas". Tanto da "vantagem
extraordinária que não podemos perder", como "da ameaça terrível à
qual não nos podemos conformar".
A Igreja não está isenta de críticas, longe disso, mas ao
colocar o tema da IA nas suas prioridades (é expectável que a primeira
encíclica do Papa Leão XIV aborde os desafios da tecnologia), não só dá uma
lição aos governantes, como deixa claro que as escolhas tecnológicas são também
decisões políticas, económicas e sociais que vão alterar radicalmente a forma
como hoje vivemos.
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Manuel Molinos – Jornal de Notícias -24
de abril, 2026
