2.4.26

OPINIÃO: Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas israelitas


A sensação de déjà vu é assustadora. Há pouco mais de quatro anos, víamos uma suposta potência global a cometer um erro de cálculo gigantesco, com uma "operação militar especial" rápida e eficaz para derrubar o Governo de Kiev. Ainda não acabou e a Ucrânia está a transformar-se num laboratório fantástico para a indústria da Defesa, pela experiência em novas táticas e técnicas low cost.

Mais a sul, um mês volvido sobre o início do conflito no Irão, uma "excursão", nas palavras de Donald Trump que claramente não percebeu o briefing que lhe fizeram, não há luz ao fundo do túnel que indique como se vai sair de um buraco cujo tamanho a administração americana ainda não percebeu. Agora, aguarda-se pelas operações terrestres. O mundo está em suspenso à espera do próximo passo de Donald Trump nesta guerra onde não parece haver uma rampa de saída óbvia e que está a minar os interesses de Trump e dos EUA na região. Uma lição de relações internacionais. O único ponto positivo é que parece que está a destruir as hipóteses eleitorais dos republicanos, nas eleições intercalares de novembro.

Enquanto isso, Israel aproveita para expandir território na Cisjordânia com violência e atitudes de regime totalitário de fazer inveja ao iraniano e ao norte-americano. Mortes, agressões, ultimatos, até jornalistas abatidos no Líbano e um repórter da CNN imobilizado com uma chave de pescoço, sob ameaça de armas. De Gaza, já pouco se lê. Curiosamente, só houve indignação geral no Ocidente por Telavive ter impedido a missa de Dia de Ramos. Prioridades... Mas não se esqueçam que criticar Israel é ser antissemita e é preciso ter cuidado. Ou pelo menos é essa a ladainha de sempre.

·     * Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 31 de março, 2026 

F   FOTO: UNICEF/Eyad El Baba