No número 22 da Rua de Évora, em Casa Branca, a noite de 25 de Abril
promete ser de evocação e reflexão. A programação, inserida no ciclo “Era um
Serão na Associação“, arranca às 21:30 horas, com a declamação do poema “FMI“,
de José Mário Branco, na voz do actor José Coelho.
Escrito “de rajada” em 1979, no rescaldo da Revolução, e gravado em
1981, num ambiente político e social difícil e incerto, o poema utiliza uma
linguagem coloquial, directa e sarcástica para reflectir sobre o clima de
desconfiança face às instituições financeiras internacionais e alertar para o
risco das conquistas sociais serem postas em causa por condições de ajustamento
económico. Uma obra que denuncia, com ironia cortante, a submissão a estruturas
de poder globais e que, décadas depois, mantém uma actualidade inquietante.
Quem o diz é José Coelho, actor com um percurso já sólido nos palcos.
Iniciou a sua ligação à cena em 2001, como vocalista em bandas de bares, mas
foi em 2012 que abraçou definitivamente o teatro, sob a direcção de Manuel
Jerónimo, com quem interpretou várias adaptações de Shakespeare. Passou depois
pelo “Intervalo Grupo de Teatro”, dirigido por Armando Caldas, onde contracenou
com Pedro Beirão em peças como “12 Homens em Fúria” e “Fedra”, e deu ainda vida
a Lennie Small em “Ratos e Homens”, de Steinbeck, e ao Marquês de Pombal em “A
Ceia do Marquês”. Em 2024, ingressou na associação Era Uma Voz. O “FMI” é, nas
suas próprias palavras, um texto que já disse muitas vezes e em todas “com toda
a paixão“.
Às 22 horas, o espaço abre-se ao debate com a tertúlia “25 de Abril 74
– Histórias do Antes e do Depois no Alentejo“, uma conversa aberta com José Espanhol,
Margarida Fernandes, João Simas e João Richau, com moderação de Clara Fonseca
Borges, da Era Uma Voz. A iniciativa propõe um mergulho nas memórias e
vivências da região antes e depois da Revolução dos Cravos – como se vivia
antes, como foi vivido aquele dia e o que mudou depois – dando voz a quem a
viveu ou cresceu à sua sombra. A tertúlia não ficará fechada entre os
convidados: a plateia será também chamada a partilhar as suas próprias
histórias e memórias, numa mesa redonda descontraída sobre o passado e sobre o
futuro, no Alentejo e não só.
A entrada para a declamação poética tem o custo de 5 euros, com bilhete
reduzido a 3,50 euros para sócios, sendo a tertúlia de acesso livre.
Uma noite que confirma Casa Branca como um pólo cultural vivo no interior
alentejano, capaz de celebrar a liberdade com memória, arte e participação
colectiva.
