14.4.26

CASA BRANCA (Sousel): Associação Era Uma Voz assinala o 25 de Abril com poesia e memórias do Alentejo


A aldeia de Casa Branca, no concelho de Sousel, celebra o Dia da Liberdade com uma noite cultural intensa, organizada pela associação Era Uma Voz, que junta declamação poética e uma tertúlia sobre a memória da Revolução dos Cravos no Alentejo.

No número 22 da Rua de Évora, em Casa Branca, a noite de 25 de Abril promete ser de evocação e reflexão. A programação, inserida no ciclo “Era um Serão na Associação“, arranca às 21:30 horas, com a declamação do poema “FMI“, de José Mário Branco, na voz do actor José Coelho.

Escrito “de rajada” em 1979, no rescaldo da Revolução, e gravado em 1981, num ambiente político e social difícil e incerto, o poema utiliza uma linguagem coloquial, directa e sarcástica para reflectir sobre o clima de desconfiança face às instituições financeiras internacionais e alertar para o risco das conquistas sociais serem postas em causa por condições de ajustamento económico. Uma obra que denuncia, com ironia cortante, a submissão a estruturas de poder globais e que, décadas depois, mantém uma actualidade inquietante.

Quem o diz é José Coelho, actor com um percurso já sólido nos palcos. Iniciou a sua ligação à cena em 2001, como vocalista em bandas de bares, mas foi em 2012 que abraçou definitivamente o teatro, sob a direcção de Manuel Jerónimo, com quem interpretou várias adaptações de Shakespeare. Passou depois pelo “Intervalo Grupo de Teatro”, dirigido por Armando Caldas, onde contracenou com Pedro Beirão em peças como “12 Homens em Fúria” e “Fedra”, e deu ainda vida a Lennie Small em “Ratos e Homens”, de Steinbeck, e ao Marquês de Pombal em “A Ceia do Marquês”. Em 2024, ingressou na associação Era Uma Voz. O “FMI” é, nas suas próprias palavras, um texto que já disse muitas vezes e em todas “com toda a paixão“.

Às 22 horas, o espaço abre-se ao debate com a tertúlia “25 de Abril 74 – Histórias do Antes e do Depois no Alentejo“, uma conversa aberta com José Espanhol, Margarida Fernandes, João Simas e João Richau, com moderação de Clara Fonseca Borges, da Era Uma Voz. A iniciativa propõe um mergulho nas memórias e vivências da região antes e depois da Revolução dos Cravos – como se vivia antes, como foi vivido aquele dia e o que mudou depois – dando voz a quem a viveu ou cresceu à sua sombra. A tertúlia não ficará fechada entre os convidados: a plateia será também chamada a partilhar as suas próprias histórias e memórias, numa mesa redonda descontraída sobre o passado e sobre o futuro, no Alentejo e não só.

A entrada para a declamação poética tem o custo de 5 euros, com bilhete reduzido a 3,50 euros para sócios, sendo a tertúlia de acesso livre.

Uma noite que confirma Casa Branca como um pólo cultural vivo no interior alentejano, capaz de celebrar a liberdade com memória, arte e participação colectiva.