19.4.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXXI) - António Borrego


Malditos tiranos 

Para além de sobreviver

pouco mais fazemos!

tantas vezes oscilamos...

como as bolsas...manipuladas!

por poderosos que, nas sombras...controlam tudo!

até as guerras!

também elas lhes servem de negócio

o que mais utilizam?! é o medo!

enchem os canhões de carne, mas, os filhos deles...

não morrem na guerra?

(só os filhos dos sacrificados morrem, e vão para o céu, embalados pela canção das armas...(atestado por um capelão!)

oh infância, ecoada pela velhice voraz...

das raízes que enlaçam a memória que

viaja desde ontem...até agora...

em que me vejo em ausência presente...

estes muros acesos pelas estrelas do crepúsculo

cada vez mais ultrapassáveis...

cada vez mais infames...

andam as depressões persistentes

e os deuses moribundos...orquestrados...

por dementes que...impuseram o medo divino...

o entardecer da vida...traz este cansaço...

esta saudade do jovem que sonhava

este medo...do último sopro...

onde a angústia e a ansiedade...imperam!

nos minutos finais, neste curto tempo...vacilante...

vão surgindo as imagens de contemplação

da miséria adivinhada...

estanho pranto este que tento criar...

para me recriar...nas tempestades que existem em mim.

A.B. 2026.

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