Com a queda do ultranacionalista, que nos últimos anos tem minado por
dentro o sistema democrático húngaro, de tal forma que há organizações que já
não colocam Budapeste na lista das democracias plenas, Trump perde um
representante europeu. E Putin deixa de receber telefonemas a revelar segredos
das reuniões em Bruxelas.A importância de Orbán é tal que Trump, tal como
fizera com Milei, na Argentina, prometera ajudas económicas ao país, caso
mantivesse o amigo no poder. Não que Magyar seja um incrível democrata e fã dos
direitos humanos. Quando muito, um mal menor no contexto europeu atual. Muito
possivelmente, um Cavalo de Troia em potência. Para a UE, este é o momento de
implementar rapidamente reformas para garantir um sistema de defesa comum,
tendente à independência da NATO e de uns periclitantes EUA. Continuar a luta
pela responsabilização das gigantes tecnológicas norte-americanas, na regulação
das redes sociais. E preparar-se para a mais do que possível chegada da
extrema-direita ao poder em países fundamentais, como França ou Alemanha. Antes
que seja tarde demais e surjam novos líderes com alianças ainda mais duvidosas.
Quanto a Trump, ainda a tentar apanhar os cacos de uma desastrosa
guerra no Irão, certamente deixará cair o amigo e focar-se-á noutros cavalos
para apostar. Tudo isto, enquanto tenta fazer com que o povo americano se
esqueça do que tem feito durante este mandato quando chegarem as intercalares
de novembro.
·
Luís
Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 13 de abril, 2026
