24.4.26

TRANSPARÊNCIA: Parlamento aprova obrigatoriedade de publicação das deliberações das autarquias

 


A Assembleia da República aprovou, sem votos contra, a proposta do Governo de alteração ao Regime Jurídico das Autarquias Locais (RJAL), que torna obrigatória a publicitação das deliberações autárquicas nos órgãos de comunicação social regional e local.

A medida visa reforçar a transparência das decisões dos órgãos autárquicos e, simultaneamente, apoiar a sustentabilidade da imprensa de proximidade, num contexto de fortes desafios económicos no sector.

Durante o debate parlamentar, a iniciativa reuniu amplo consenso, sendo apontada como um instrumento relevante no combate aos chamados «desertos noticiosos” e no reforço do escrutínio democrático junto das populações.

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, classificou o momento como «um dia muito bom para a comunicação social regional e local», sublinhando o papel essencial destes meios para uma democracia «livre, profissional e independente».

No plano político, o diploma recolheu o voto favorável do PSD, Chega, PCP, CDS-PP, Livre, PAN, Bloco de Esquerda e JPP, enquanto o PS e a Iniciativa Liberal optaram pela abstenção.

Pelo PSD, António Rodrigues destacou o «raro unanimismo» em torno de uma solução que reforça a transparência e cria uma rede de apoio à comunicação social local. Já o socialista David Amado considerou tratar-se de uma «opção certa e progressista», sublinhando, contudo, a necessidade de salvaguardar a autonomia local e o equilíbrio financeiro das autarquias.

Patrícia Carvalho e Jorge Galveias, do partido Chega, vêem «com agrado sincero» a aprovação da proposta, que visa «acabar com a injustiça que já vigorava há demasiados anos».

Também Rodrigo Saraiva, da Iniciativa Liberal, reconheceu que a proposta segue «no sentido certo», embora tenha defendido a necessidade de garantir um modelo exequível e adaptado à realidade digital. Do lado do PCP, Paula Santos considerou a medida “justa” e relevante para o esclarecimento dos cidadãos.

Entre as restantes bancadas, João Almeida (CDS-PP) destacou a importância da comunicação de proximidade na vida democrática, enquanto Paulo Muacho (Livre) alertou para os riscos dos desertos noticiosos e defendeu o reforço do financiamento ao sector. Já Filipe Sousa, do JPP, considera que «esta proposta vem corrigir, simplifica, moderniza e aproxima, adaptando as obrigações à realidade de cada território».

A reacção do sector foi marcada pelo entusiasmo da Associação Nacional da Imprensa Regional (ANIR), que considerou a aprovação uma vitória há muito aguardada. Em comunicado, a associação sublinha que o diploma «reconhece, finalmente, que a sustentabilidade da imprensa de proximidade é um pilar fundamental da democracia», destacando também o contributo da medida para a transparência da gestão autárquica.

A ANIR recorda ainda o percurso de vários anos de trabalho e diálogo institucional que conduziu a esta alteração legislativa, envolvendo diferentes governos e responsáveis políticos, considerando que este é “mais um passo importante” após outras medidas de apoio ao sector.

Também a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) valorizou a proposta, sublinhando que as alterações reforçam a transparência e reconhecem o papel vital da imprensa regional e local.

In “Alto Alentejo” – 23.04.2026