4.4.26

Exposição revela o legado do Arquivo Leisner e a riqueza arqueológica de Reguengos de Monsaraz

 



Partindo do arquivo dos investigadores alemães Georg e Vera Leisner, o Município de Reguengos de Monsaraz vai mostrar os primórdios da arqueologia no concelho na exposição “O Casal Leisner – Entre Antas e Arquivos”, que vai estar patente de 2 de abril a 2 de maio, no Auditório António Marcelino da Biblioteca Municipal de Reguengos de Monsaraz. A mostra destaca a relevância que este casal de arqueólogos teve no estudo do património megalítico do Alentejo durante a primeira metade do século XX e pode ser visitada de segunda-feira a sábado, entre as 10h e as 12h30 e das 14h às 17h30.

Com esta exposição, a autarquia assinala o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrando a proteção e a divulgação patrimonial, assim como na manhã do dia 18 de abril, com a projeção do documentário “Paisagem Ancestral: Recintos Cerimoniais de Terras do Guadiana”, da ERA Arqueologia, que parte do Complexo Arqueológico dos Perdigões para uma viagem por outros recintos de fossos cerimoniais e de agregação comunitária constituídos durante o Neolítico e a Idade do Cobre. Após a visualização do documentário, haverá uma visita à exposição, para explorar e desvendar curiosidades sobre o património arqueológico do concelho.

Mais do que um conjunto de documentos e fotografias, o Arquivo Leisner constitui um testemunho único de um olhar pioneiro sobre a paisagem arqueológica da região. Através do seu trabalho sistemático, foram fixados no tempo monumentos, contextos e interpretações que continuam a ser essenciais para o conhecimento atual da História de Reguengos de Monsaraz.

O percurso expositivo constrói-se a partir de registos fotográficos, explorando não só o processo de registo e interpretação desenvolvido pelos Leisner, mas também a relação estabelecida com os entusiastas locais, evidenciando como estas dinâmicas contribuíram para moldar o presente e o futuro da Arqueologia reguenguense. Na mostra podem também ser vistas placas de xisto gravadas, típicas dos contextos funerários megalíticos de Reguengos de Monsaraz, que pertenceram à coleção de Pires Gonçalves, aproximando-nos do universo simbólico e religioso das comunidades pré-históricas que povoaram a região durante milénios.

A exposição abre ainda caminho à descoberta da riqueza arqueológica do território, materializada em produções bibliográficas, onde a presença humana se manifesta de forma contínua ao longo de milénios, afirmando Reguengos de Monsaraz como um verdadeiro “Paraíso Megalítico”. Ao cruzar o passado da investigação com o conhecimento atual, esta mostra propõe uma reflexão sobre o papel da Arqueologia na valorização do património e na construção da identidade coletiva, destacando o Arquivo Leisner como ponto de partida para compreender o que já foi estudado, mas também o que permanece ainda por revelar.