12.4.26

FERREIRA DO ALENTEJO acolhe Festival Terras Sem Sombra


Entre O Carnaval dos Animais e um mar alentejano do Miocénico

O Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e Orquestra, de Camille Saint-Saëns, um passeio à volta de Pedreirinhos e um mergulho no mar alentejano do Miocénico. Esta é a proposta para mais um fim de semana, nos dias 18 e 19 de Abril, do Festival Terras sem Sombra, que volta ao concelho de Ferreira do Alentejo.

Tudo começa no sábado à tarde, com a atividade de Património ­denominada «Dos Pedreirinhos a São Pedro: Histórias da Vila de Ferreira do Alentejo» –, numa visita à memória tangível e intangível da sede de concelho.

Prossegue à noite, com o concerto O Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e Orquestra, de Camille Saint-Saëns, numa produção que junta excecionais músicos, teatro e comunidade local.

E culmina na manhã de domingo, 19 de abril, com uma viagem no tempo, guiada pela Paleontologia, até ao período em que o território do atual Baixo Alentejo era um imenso mar raso: «Ontem um Oceano, Hoje um Rio: Tubarões e Raias Fósseis na Bacia de Alvalade».

Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.

Um concerto a convocar a participação da comunidade local

Numa noite mágica, «O Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e Orquestra, de Camille Saint-Saëns» convoca uma dimensão cénica que envolve músicos experientes, crianças e jovens de diferentes origens e as suas famílias, também a comunidade sénior, assim como elementos da Universidade Popular, chamados a participar na construção e na fruição do espetáculo.

A este quadro junta-se a singularidade do edifício onde decorre o concerto. Projetado pelo arquiteto português Ricardo Bak Gordon, o Lagar do Marmelo afirma-se como uma intervenção de grande clareza formal, onde a horizontalidade, o uso do betão e a relação com a luz estruturam um espaço pensado em continuidade com o olival envolvente.

O concerto conta com a direção musical da belga Eliane Reyes que, ao lado da portuguesa Luísa Tender, assume igualmente o piano.

A formação congrega ainda Alexandra Mendes e Luís Santos (violinos), António José Pereira (viola), Irene Lima (violoncelo) e Adriano Aguiar (contrabaixo), aos quais se juntam Katharine Rawdon (flauta), Carlos Alves (clarinete) e André Dias (percussão), num conjunto que cruza experiência solística e trabalho de câmara.

Acresce que, nos últimos meses, crianças e jovens das escolas locais, com origens e histórias diversas, estudaram os animais e desenharam-nos, contribuindo para o universo visual do espetáculo; algumas participam em cena e dão corpo a essas figuras. Liga-os um território comum: o da música, onde as diferenças se esbatem.

A presença em palco de executantes magistrais desta obra oitocentista e a participação do Grupo de Teatro Ritété – responsável pela narração do texto de Francis Blanche –completam um projeto singular, que reúne música, teatro e comunidade.

Descobrir o património material e imaterial de Ferreira do Alentejo

A anteceder a noite de grande música, a tarde de sábado, 18 de abril (15h00), convoca todos os interessados a participar na atividade de Património Cultural, intitulada ​«Dos Pedreirinhos a São Pedro: Histórias da Vila de Ferreira do Alentejo».

Com ponto de encontro na igreja de Nossa Senhora da Conceição​​, em Ferreira do Alentejo, a visita é orientada por Maria João Pina, historiadora e diretora do Museu Municipal de Ferreira, António Ramos, comerciante, Jorge Colaço, editor e tradutor, e ainda José António Falcão, historiador de arte e investigador do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta.

A atividade estrutura-se como um percurso que cruza memória rural, organização comunitária e transformação do território.

O topónimo Pedreirinhos remete para um dos núcleos mais antigos da vila, ligado à extração de pedra e às primeiras formas de fixação populacional, enquanto a ermida de São Pedro surge como outro eixo fulcral da vida religiosa e social, complementar da presença da igreja matriz e das dinâmicas paroquiais que marcaram gerações.

Nessa ermida, conserva-se a imagem de Nossa Senhora que, segundo velha tradição, foi doada por um navegante, o fidalgo Cristóvão Estribeiro, que acompanhou Vasco da Gama no primeiro périplo à Índia.

Entre estes dois pontos constrói-se uma narrativa feita de trabalho agrícola, circulação de pessoas e adaptação às mudanças económicas do Baixo Alentejo.

Um mergulho, guiado pela Paleontologia, num mar alentejano do Miocénico

O domingo, 19 de abril (9h30), propõe um olhar sobre o passado remoto. A ação dedicada à biodiversidade assenta no tema «Ontem um Oceano, Hoje um Rio: Tubarões e Raias Fósseis na Bacia de Alvalade».

Com ponto de encontro, mais uma vez, na igreja de Nossa Senhora da Conceição​​, esta iniciativa corre a cargo de Ausenda Balbino Cáceres, paleontóloga e professora da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora.

A «Bacia de Alvalade» conserva vestígios de um passado geológico em que a região esteve submersa por mares pouco profundos.

Os sedimentos aí depositados, sobretudo do Miocénico (entre 23 e 5 milhões de anos), revelam a presença de uma fauna marinha diversificada, incluindo tubarões e raias cujos dentes fossilizados são hoje os testemunhos mais frequentes.

Estes achados permitem reconstituir ambientes costeiros antigos e compreender a evolução das espécies ao longo de milhões de anos.

O TSS prossegue a sua programação a 2 e 3 de maio, no concelho de Grândola, com um concerto do ensemble vocal polaco Art’n’Voices: «Fragmentos do Eu: Oito Vozes, uma Alma».

Abril 8, 2026 - Sul Informação