Um leve sabor de flor oclusa
com perfume entranhado...salgado...
oh ténue mistério, só captado por quem urdiu
o trama num céu estrelado
delineando horizontes nos espasmos
selvagens, serenos, mágicos e mansos
oh química, torrente vertiginosa...nas veias...
oh Sacrário de hóstias apaziguadas...
(consagradas por um possível pedófilo)
fogueira proibida da Inquisição
onde há oferendas...jamais vítimas...
Catedral de todos os génios
porta aberta, a todos os gritos que apelam à liberdade...
deixem escorrer!
todos os clamores...
todos os amores...
todos os hinos...
que fervam as pedras do coração
que venha o menino que trago na alma...
onde estou?!
se vejo as estrelas cá de cima?...do cimo astral...
onde a lógica do amor é intemporal!
beijo (ou mordo?) a tua boca...furiosamente....
esquecer as faturas da luz, do gás, da água e dos impostos que
a corja inventa...
arremessar a calculadora contra a parede...estilhaçá-la
em mil bocados...
acendo um cigarro, peço pizza pelo telefone...
(penso num ramo de flores para a jarra)
ainda me lembro do teu perfume "Chanel nº 5"
mas tu?!
nem estás aqui!
como poderias estar?! se és pura imaginação?!
mas sei, que és esse corpo que adivinhei e, bebo sorvo a sorvo
porque és água da minha sede...
para redescobrir-te? já é tarde!
para te perder...é muito cedo!
A.B. 2026