5.3.26

OPINIÃO: A luta das mulheres continua


A pergunta vai sendo feita à medida que nos aproximamos da data. Porque é ainda preciso celebrar o Dia da Mulher? Há respostas positivas, de celebração, das conquistas das últimas décadas, mas assinalar o 8 de Março é também lutar contra a desigualdade. Vamos a cinco pontos. Primeiro, fosso salarial. Em média, as mulheres em Portugal ganham menos 240 euros por mês que os homens, e a diferença agrava-se com a progressão na carreira. Nos cargos mais elevados, a diferença ascende a 760 euros mensais, de acordo com o último relatório da Pordata. Isto quando elas chegam ao topo, o que só acontece em 17% dos casos. Segundo, desemprego. O número de mulheres no desemprego é maior que o dos homens e apenas 44% delas têm acesso a proteção social de desemprego, contesta a CGTP, que vai mais longe ao dizer que a reforma laboral que o Governo propõe é mais penalizadora para as trabalhadoras. Terceiro, precariedade. Mais de meio milhão de mulheres tinha vínculo precário, num estudo de 2024 da central sindical, que traça uma situação ainda pior no caso de jovens mulheres a entrar no mercado de trabalho - mais de metade tinha vínculos precários. Quarto, reformas. A diferença entre as pensões de homens e de mulheres é de quase 25%. Mas, neste campo, ao contrário de tantos outros indicadores quando nos comparamos com os demais, estamos em linha com o resto do bloco comunitário. As mulheres com 65 ou mais anos na União Europeia receberam, em média, pensões 24,5% mais baixas que as dos homens. Quinto, violência. Há mais mulheres vítimas de crimes, como abuso sexual, violência na intimidade, assédio laboral e assédio sexual em ambiente laboral. A lista de desigualdades dava um jornal e ainda perguntam porque é preciso sair à rua com cartazes e palavras de ordem.

·         Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias- 5 de março, 2026