31.3.26

NISA: Memórias Municipais (1929): As “bombas” de gasolina e a sopa dos pobres


Em 6 de Julho de 1929 a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Nisa era composta por Francisco Mourato Peliquito, presidente e Jerónimo da Graça Biscaia e José Maria de Almeida Bastos. Manteve-se em exercício até à entrada em funções da Comissão presidida pelo tenente António Falcão.

Em 13 de Julho de 1929 a C.A deliberou convidar por meio de editais, os habitantes da vila de Amieira, a caiarem os seus prédios no prazo de seis meses e oficiou ao senhor Governador Civil declarando que “esta Comissão concorda absolutamente para que o descanso semanal seja aos domingos.

Apesar da “concordância absoluta” dos eleitos camarários, este assunto servirá de polémica nos anos seguintes.

Na sessão de 20 de Julho, a Comissão Administrativa decidiu aceitar o pedido de exoneração do logar de facultativo municipal em Amieira, referido pelo proprietário do referido logar, Dr. Joaquim de Moura Relvas e por a concurso não só o logar de facultativo de Amieira, como o do 1º partido nesta vila de Nisa, aquele pela exoneração requerida pelo Dr. Moura Relvas, e este pelo falecimento do Dr. Henrique Miguéns.

A sessão de 3 de Agosto de 1929 marca o “arranque” da era automobilística em Nisa e de uma assentada, a Câmara concedeu a instalação de dois postos de abastecimento de combustíveis. O primeiro a Júlio Pires Bento, representante da Vacuum Oil Company, autorizando-o a colocar um marco de venda de gasolina com respectivo tanque no Largo Heliodoro Salgado e o segundo, com igual aparelho, a José Araújo Baptista, no Largo da República, este em representação da Shell. Ambos ficaram obrigados à renda anual de 200$00 (duzentos escudos).

Na mesma sessão, foi decidido comunicar à direcção da Sopa dos Pobres, recentemente estabelecida nesta vila, que “esta Câmara aprova e louva uma tal iniciativa e para contribuir com qualquer donativo, precisa que lhe sejam fornecidos vários elementos de apreciação a saber: a) número mais ou menos aproximado dos pobres a socorrer em cada freguesia do concelho; b) o preço médio do custo de cada sopa; c) quais os fundos com que a Comissão conta, para fazer face às respectivas despesas.

Ontem como hoje, a teia burocrática a impor-se, mesmo tratando-se do apoio a situações de pobreza.