Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

22.9.26

CULTURA: Partiu Jorge Palma, o músico que fez da vida matéria para canções

 


O cantor e compositor morreu esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. Jorge Palma deixa uma carreira de mais de meio século, marcada por canções que atravessaram gerações, viagens, encontros e uma relação muito próxima com o público.

O país deita-se com a notícia da morte de Jorge Palma, mas acordará com a suas canções. Aos 76 anos, o músico deixa uma vida inteira entre o piano, a guitarra, a estrada e as canções, construída ao longo de mais de cinco décadas e marcada por viagens, encontros, liberdade e uma forma muito própria de transformar aquilo que viveu e observou em música.

A morte foi anunciada pela família, que recorda uma carreira com mais de meio século e uma obra que "faz parte da história" portuguesa. "É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória", lê-se na mensagem partilhada nas redes sociais.

Rita Tomé, mulher do músico, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os managers, André Sebastião e Tiago Branco, pedem que Jorge Palma seja lembrado "pelas suas canções e palavras", agradecendo "toda a amizade demonstrada ao longo dos anos". A família recorda ainda os "muitos amigos pelo mundo" que conquistou "com a sua generosidade e genialidade".

Luís Montenegro também reagiu à morte, destacando a "voz única e músicas intemporais" do artista. "Jorge Palma parte, mas a sua música fica. Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações", escreveu o primeiro-ministro, deixando condolências à família e aos amigos.

Uma vida entre o piano, a estrada e as canções

Nascido em Lisboa, a 4 de junho de 1950, Jorge Manuel d"Abreu Palma começou a estudar piano aos seis anos, na Academia Musical dos Amigos das Crianças. Aos oito realizou a primeira audição no Conservatório Nacional e, aos 12, recebeu uma menção honrosa no Festival das Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca.

Durante a adolescência, a formação clássica cruzou-se com a descoberta do rock"n"roll e da música popular americana e inglesa. Foi também nessa altura que descobriu a guitarra. Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed tornaram-se algumas das suas maiores influências.

Aos 17 anos integrou os Black Boys, no Algarve, tocando órgão. Entre 1969 e 1971, enquanto estudava Engenharia, passou pelos Sindicato, como teclista e cantor. O grupo chegou a atuar na primeira edição do Festival Vilar de Mouros e gravou um single.

A estreia a solo aconteceu em 1972, com "The Nine Billion Names of God". Foi também nesse período que abandonou os estudos de Engenharia e iniciou uma colaboração com José Carlos Ary dos Santos, que o ajudou a aperfeiçoar a escrita poética. Jorge Palma descreveu essa relação como sendo de "aprendiz" e "mestre".

"O ano de 1972, 1973, até ao Verão, até setembro, esse ano e meio foi de convívio intenso com o Ary, sobretudo. Quase todas as noites estávamos juntos", recordaria.

Nesse mesmo ano realizou uma viagem pelos Estados Unidos, Canadá e Caraíbas. Em setembro de 1973, recusando cumprir o serviço militar obrigatório e ser mobilizado para a Guerra do Ultramar, partiu para a Dinamarca com Gisela Branco, a primeira mulher. Foi-lhe concedido asilo político e, para se sustentar, trabalhou num hotel.

Regressou a Portugal no verão de 1974, depois do 25 de Abril, e iniciou um percurso como orquestrador, ao mesmo tempo que colaborava como instrumentista com vários artistas. Fez arranjos para nomes como Amália Rodrigues, Pedro Barroso, Paco Bandeira, Tonicha e Adelaide Ferreira e participou em concertos e gravações de José Barata Moura, José Jorge Letria, Fausto Bordalo Dias, Vitorino e Sérgio Godinho, entre outros.

Em 1975 gravou o primeiro álbum, "Com uma Viagem na Palma da Mão", com canções compostas durante o exílio em Copenhaga. Depois de "Té Já", em 1977, e de uma digressão pelo Brasil como instrumentista, voltou a partir. Durante quatro anos percorreu cidades de Espanha, França, Itália e Suíça, tendo Paris como principal ponto de passagem.

Tocou nas ruas e nos transportes públicos, interpretando autores como Charles Aznavour, Léo Ferré, Jacques Brel, Bob Dylan, Crosby, Stills and Nash, Leonard Cohen e Neil Young. Em 1979 passou alguns meses em Lisboa, onde gravou "Qualquer Coisa Pá Música".

No início dos anos 80 regressou a Paris com a segunda mulher, Graça Lami, antes de voltar a Portugal em 1982. Nesse ano gravou "Acto Contínuo". Seguiram-se "Asas e Penas", em 1984, e "O Lado Errado da Noite", em 1985, álbum de onde saiu "Deixa-me Rir", um dos temas de maior sucesso da sua carreira.

Em 1986 gravou "Quarto Minguante" e, ao mesmo tempo, continuou a formação musical. Nesse ano concluiu o Curso Geral de Piano no Conservatório Nacional e prosseguiu para o Curso Superior. Em 1989 editou "Bairro do Amor", considerado pelo Público e pelo Diário de Notícias um dos álbuns do século XX da música portuguesa.

A década de 90 foi sobretudo de concertos, colaborações e reinterpretação da própria obra. Em 1991 lançou "Só", álbum intimista gravado apenas com voz e piano. Dois anos depois surgiu "Ao Vivo no Johnny Guitar", ligado aos Palma's Gang, projeto que juntou Jorge Palma a Kalu, Zé Pedro, Flak e Alex dos Rádio Macau.

Em 1996 integrou os Rio Grande, ao lado de Tim, João Gil, Rui Veloso e Vitorino. O grupo gravou dois discos e deixou temas como "Postal dos Correios" e "Dia de Passeio". O primeiro álbum alcançou o Disco de Platina. Nesse período, Jorge Palma continuou também a participar em trabalhos de outros artistas e em projetos ligados ao teatro.

Já nos anos 2000, continuou a percorrer o país em concerto. Em 2001 lançou "Jorge Palma", 12 anos depois do anterior álbum de originais. O disco chegou ao terceiro lugar do top nacional e, em 2002, recebeu o Prémio José Afonso.

Em 2004 gravou "Norte", rodeado por músicos de uma nova geração. Três anos depois surgiu "Voo Nocturno", que viria a ser o álbum mais vendido da carreira, com mais de 90 mil unidades e tripla platina. Em 2008 casou-se com Rita Tomé, em Las Vegas, ao som de "Encosta-te a Mim".

Em 2020 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Seguiram-se "Só ao Vivo", em 2022, e "70 Voltas ao Sol", em 2023, registo do concerto comemorativo dos seus 70 anos, realizado no Coliseu dos Recreios e com participações de Marisa Liz, Camané, Carolina Deslandes, Agir, Ana Moura, Diogo Piçarra e Rui Reininho.

Em 2024 iniciou "3 Palmas na Mão", espetáculo em que dividia o palco com os dois filhos, Vicente e Francisco, num formato familiar que cruzava gerações e repertórios.

"Enquanto tiver saúde, energia e resistência, a estrada é para andar"

Em outubro de 2023, numa entrevista ao JN, Jorge Palma falava do regresso aos originais com "VIDA", 12 anos depois de "Com Todo o Respeito". O intervalo entre discos não significava, fazia questão de explicar, uma ausência.

"Porque, felizmente, não tenho parado!", dizia. Entre concertos, parcerias, convites e desafios, a vida continuava cheia de atividade. Pelo país, apresentava o novo trabalho em grandes auditórios e preparava concertos na Casa da Música, no Porto, e no Teatro Tivoli, em Lisboa.

O próprio disco nasceu de uma relação muito direta com o que o rodeava. "Um álbum é sempre representativo de um momento/fase da minha vida", explicou ao JN. As canções podiam partir de experiências vividas na primeira pessoa, mas também de filmes, livros, notícias ou até "rodapés de informação".

A canção "VIDA", que acabaria por dar nome ao álbum, começou a desenhar-se numa noite em que estava sozinho em casa, deitado no chão com a guitarra nos braços. Mas Jorge Palma afastava a ideia de que uma canção surgia pronta.

"É romântico pensar-se que a canção saiu toda naquela noite e que ficou pronta, mas, na realidade, não funciona bem assim. Depois do esboço vêm muitos dias de trabalho, por vezes meses. É preciso limar, reescrever, etc.", contou.

A relação com o público era uma das razões pelas quais continuava a gostar de estar em palco. "Tenho a sorte de ter sempre salas cheias e um público extremamente carinhoso e caloroso. Vai desde os netos aos avós, passando pelos pais", afirmou.

"Quando estou em palco, sinto-me bem", dizia. E, quando questionado sobre quanto tempo ainda queria continuar em digressão, não estabelecia um prazo. "Nunca pensei a médio prazo na minha carreira e não é agora que vou começar a pensar. Enquanto tiver saúde, energia e resistência, a estrada é para andar."

Jorge Palma sabia também que as canções tinham chegado a pessoas de formas que ultrapassavam aquilo que alguma vez poderia ter previsto. "Muitas pessoas dizem-me isso", respondeu quando questionado sobre a capacidade de levar o público a refletir sobre a própria vida.

"Não sinto que esse seja o propósito das minhas letras e das minhas canções", explicou, antes de recordar uma frase que ouvira repetidamente: "esta canção salvou-me a vida...". "É uma coisa que dá ainda mais sentido aquilo que eu faço", acrescentou.

Aos 73 anos, dizia sentir-se realizado e querer continuar a levar música pelo país. Não escolhia um único momento para resumir a carreira. "Tem sido uma jornada cheia e viva, com muitos acontecimentos que me têm marcado", afirmou.

Entre as memórias mais recentes, destacava o concerto no NOS Alive, em 2023. "Há dias em que os astros se alinham de tal forma que tudo corre bem, e essa energia sente-se", contou. Para o músico, aquela atuação tinha sido um desses momentos que sabia que ficariam na memória.

As viagens ocupavam outro lugar importante na história. Jorge Palma reconhecia que o ambiente social e político em que cresceu o tinha marcado e que viajar fora essencial para "abrir horizontes" e escapar ao ambiente que se vivia em Portugal.

Sobre o período em Copenhaga, depois de recusar a guerra, recordava o choque de passar de um "Portugal cinzento e sisudo" para uma sociedade aberta, onde era possível expressar livremente aquilo em que acreditava.

Na mesma entrevista, definia-se como "um gajo resistente". "É claro que todos temos os nossos momentos de fragilidade, mas sim, considero-me um gajo resistente. É importante resistir!", afirmou.

E não fazia contas ao momento de terminar a carreira. "Não faço essas contas. Nunca pensei a médio prazo na minha carreira e não é agora que vou começar a pensar. Enquanto tiver saúde, energia e resistência, a estrada é para andar."

Em abril deste ano, já depois de completar 75 anos, recebeu o Prémio Carreira nos PLAY - Prémios da Música Portuguesa. No palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, evocou o 25 de Abril e deixou um apelo à defesa da liberdade e da democracia.

"Não deixem que o 25 de Abril se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe", afirmou. "É preciso reinventar o espírito de Abril, sempre", acrescentou, antes de defender: "Liberdade, justiça, democracia. Malta, mãos à obra vamos fazer deste país uma coisa que merece ser, melhor".

Terminou o discurso com um "Viva o 25 de Abril, viva a Liberdade, viva a Democracia", depois de agradecer, entre outros, aos "profissionais do SNS que fazem tudo com os poucos meios que têm".

Jorge Palma morreu aos 76 anos, depois de mais de cinco décadas dedicadas à música. Deixa discos, canções, histórias de estrada e uma obra construída a partir daquilo que viveu, viu e sentiu. Uma vida que, durante anos, quis continuar a percorrer enquanto tivesse força para isso e que agora fica contada nas canções que deixou.

Sara Oliveira - Jornal de Not+icias -  22 de setembro, 2026

FOTO: Rita Chantre

5.9.26

SINES: A Onda Literária regressa ao Pátio das Artes nos dias 2, 3, 4 e 5 de outubro


Um programa onde os livros, os autores e a palavra estão no centro das atenções.

Esta quarta edição do evento volta a combinar uma componente de feira do livro, conversas com escritores e apresentações de livros, complementadas por atividades paralelas para famílias e público em geral.

A vereadora da Cultura, Ana Dias, antecipa uma excelente edição do festival literário de Sines.

"A Onda Literária nasceu em 2023 e tem vindo a crescer de forma sustentada. Este é talvez o ano em que a aposta é mais forte. Aproveitando o feriado de 5 de outubro, a programação passa de três para quatro dias, crescendo também o número de autores convidados, de parceiros da feira do livro e de atividades complementares. Estamos muito orgulhosos deste programa", afirma.

A lista de 15 autores convidados para a Onda Literária é orientada para um amplo leque de interesses, desde a ciência (com Carlos Fiolhais) aos segredos da língua portuguesa (com Marco Neves) e ao desporto (Rui Carvalho Tovar).

A diversidade da programação é igualmente demonstrada nos géneros, com representação do policial (com Lourenço Seruya), da literatura para a infância (com Isabel Ricardo) e do ensaio (com o autor siniense João Maurício Brás).

Os leitores de biografias poderão conversar com Maria João Martins sobre a obra que dedicou a Natália Correia e com João Céu e Silva sobre os livros que escreveu e que são essenciais para compreender os percursos de Lídia Jorge e António Barreto.

A riqueza de possibilidades do romance em português ficará demonstrada com os novos livros que os autores Rui Zink, João Pinto Coelho, Filipa Fonseca Silva, Virgílio Castelo e Fátima Lopes virão apresentar na Onda Literária.

O escritor e ator André Gago estará em Sines com o seu livro "Manuscrito de Alexandria", mas também com o espetáculo "Canções para Poetas", acompanhado pelo pianista Victor Zamora.

É com orgulho que a Onda Literária recebe a poeta e historiadora Ana Paula Tavares, vencedora do Prémio Camões 2025, para apresentar a sua "Poesia Reunida".

A apresentação do livro "Faz de Conta", de Júlio Pereira, terá a participação do Coral Atlântico Infantil.

O programa paralelo inclui passeios, oficinas, sessões de contos, tertúlias e provas de vinhos.

A componente de feira do livro será assegurada pela Rota do Livro (que traz as principais novidades editoriais e obras dos autores convidados), a Livraria Mirabolante (com uma oferta de literatura infanto-juvenil), um espaço com alfarrabistas (coordenado por João Méndez Fernandes) e uma área dedicada à literatura africana (coordenada por Sedrick de Carvalho).

O recinto da Onda Literária está aberto das 10h00 às 23h00 e tem entrada livre.

A Onda Literária é uma organização da Câmara Municipal de Sines, através da Biblioteca Municipal de Sines / Centro de Artes de Sines.

PROGRAMA

2 outubro (sexta-feira)

10h00: Abertura do Festival

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: À conversa com o escritor Carlos Fiolhais (público escolar 4.ºs anos)

14h30: À conversa com o escritor Carlos Fiolhais (público escolar 10.º anos)

16h00: Nem Só os Livros Têm Folhas – Passeio singular pelas ruas da cidade de Sines com início no Pátio das Artes. Neste percurso pedonal, cada árvore ou planta será uma página de leitura. Vamos desfolhar as páginas verdes do nosso património urbano, descobrindo como as plantas e as árvores que nos rodeiam habitam os livros, a poesia, o romance e a nossa memória coletiva. Uma viagem onde a natureza se cruza com a literatura.

17h30: À conversa com o escritor siniense João Maurício Brás - apresentação do livro “Contra o Último Homem”

21h00: Encontro com escritor Marco Neves – Apresentação do livro “As Raízes da Língua”

3 outubro (sábado)

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: Cesta de Histórias Mirabolantes

Sessão de histórias para famílias e crianças (até aos 7 anos), a partir de livros.

Duração: cerca de 45 minutos

Por Sílvia Laureano

15h00: Tradisom: Apresentação do livro “Faz de Conta”, de Júlio Pereira com a participação do Coral Atlântico Infantil

16h00: Retratos Escritos com André Pereira

16h30: As Letras dos Vinhos – provas por Arinto e Touriga by Renata Abreu

17h00: Encontro com a escritora Isabel Ricardo - apresentação do livro “Polvinha Pitosga”

18h00: Encontro com o escritor João Pinto Coelho - apresentação do livro “Aguarela de Paris”

19h30: Encontro com o escritor Rui Zink – apresentação do livro “Olga Salva o Mundo”

21h00: Encontro com o escritor/ator André Gago – apresentação do livro “Manuscrito de Alexandria”, seguido do espetáculo “Canções para Poetas” com o pianista Victor Zamora e André Gago.

04 outubro (domingo)

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: Oficina Famílias - “Páginas de Livros”, pela equipa da Biblioteca Municipal de Sines

Duração: cerca de 60 minutos.

15h00: Tertúlia de Leitores com o Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Sines e o Grupo de Leitores Siniense “Livros Avulso” – Dois grupos de leitores, duas dinâmicas, mas a mesma paixão: o amor pela literatura. Venha ouvir, partilhar e descobrir as suas próximas leituras.

16h00: Encontro com o escritor João Céu e Silva – apresentação dos livros “Uma Longa Viagem com Lídia Jorge” e “António Barreto do meu ponto de vista”

17h00: Encontro com a escritora Maria João Martins – apresentação dos livros “Natália Correia -  Entre o Riso e a Paixão” e “Isto Agora é em Off”

18h30: Encontro com a escritora/comunicadora Fátima Lopes - apresentação do livro “Entre o Medo de te Amar e a Dor de te Perder”

19h30 - As Letras dos Vinhos – provas por Arinto e Touriga by Renata Abreu

21h00: Encontro com o escritor Lourenço Seruya – apresentação do livro “Morte no Parque”

05 outubro (segunda-feira)

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: Hora do Conto Famílias, pela equipa de Mediação de Leitura do CAS

15h00: À Descoberta dos Livros

Percurso pela Feira do Livro com desafios inspirados em personagens, autores e livros. As famílias recebem um pequeno mapa e vão resolvendo pistas em diferentes pontos da feira. Não é uma competição de rapidez; o objetivo é descobrir livros, conversar e observar. No final recebem uma oferta da livraria.

Duração: cerca de 45 minutos (em regime livre)

Por Sílvia Laureano / Bruno Rodrigues

16h00: Encontro com o escritor/jornalista Rui Carvalho Tovar – apresentação do livro “Os Nossos Heróis do Desporto”

17h30: Encontro com a escritora Ana Paula Tavares (Prémio Camões 2025) – apresentação do livro “Poesia reunida”

18h30: As Letras dos Vinhos – provas por Arinto e Touriga by Renata Abreu

19h00: Encontro com a escritora Filipa Fonseca Silva – apresentação do livro “A Mulher por Detrás da Parede”

21h00: Encontro com o escritor/ator Virgílio Castelo - apresentação do livro “Consumo Obrigatório”

INICIATIVAS PARALELAS E COMPLEMENTARES

Rota do Livro

A tradicional banca de venda ao público com as principais novidades editoriais e obras dos autores convidados.

Livraria Mirabolante

Espaço particularmente dedicado à Literatura Infanto-Juvenil, com uma seleção de referência.

Salão do Livro Antigo

Presença de alfarrabistas com relíquias literárias e edições raras. Coordenação de João Méndez Fernandes.

Salão do Livro Africano

Um espaço de destaque dedicado à promoção, descoberta e celebração da literatura e autores do continente africano. Coordenação de Sedrick de Carvalho.

Arinto e Touriga by Renata Abreu

O ponto de encontro perfeito entre as letras e os vinhos, elevando a experiência cultural do evento.

 

13.7.26

MARVÃO: XXI Feira do Livro


Conheça a programação da XXI Feira do Livro de Marvão!

🗓 15 de julho a 2 de agosto

📍 Salão Nobre dos Paços do Concelho

🕥 10h30/19h30 - Entrada livre

15 de julho (quarta-feira)

21h00: Abertura e inauguração oficial da Feira do Livro

Atuação do grupo musical “Gente Nossa”

16 de julho (quinta-feira)

10h30: Visita da Ludoteca da Portagem à Feira do Livro

17 de julho (sexta-feira)

10h30: Visita da Ludoteca de Santo António das Areias à Feira do Livro

18h30: Encontro com o escritor Lourenço Seruya

19 de julho (domingo)

11h00: “Histórias de sonho”, por Sofia Vieira, da livraria Aqui Há Gato!

16h00: Apresentação do livro “O progresso da humanidade”, de Rui Cardoso Martins e João Sequeira

17h30: Tertúlia e passeio literário “Pormenores de Marvão”, inspirado nas “Memórias da Freguesia de Santa Maria de Marvão” (número especial da Revista Cultural Ibn Maruán)

22 de julho (quarta-feira)

21h00: I Encontro de Leitores de Marvão

25 de julho (sábado)

15h00: Apresentação do livro “Arronches, a terra onde não chovia”, de José Botelheiro

17h30: Encontro com o escritor Raul Minh’Alma

26 de julho (domingo)

17h00: Apresentação do livro “Os avós”, de António Pereira e Joana Gancho

[Comemoração do Dia dos Avós]

1 de agosto (sábado)

15h00: Apresentação do livro “Ammaia contada aos gaiatos”, de Teresa Simão e João Aires

30.6.26

Projeto “Cultura nas Freguesias”, muita música e animação nas Freguesias de Portalegre, de julho a setembro


Sete freguesias, um único concelho!

A quinta edição do projeto “Cultura nas Freguesias” decorrerá de julho a setembro, tendo espetáculos nas sete freguesias do concelho de Portalegre, com diversos estilos musicais, desde fado e bandas filarmónicas, até ao jazz, pop, flamenco, rock e música tradicional.

Serão 12 concertos e projetos musicais, ao final da tarde e nas noites de verão, com música ao vivo e muita animação, todos com entrada gratuita, que prometem aproximar e alegrar as pessoas do concelho.

O primeiro espetáculo será o do grupo Rumo ao Sul, que decorrerá no dia 4 de julho, às 21h30, no Polidesportivo de Urra, também integrado nas Comemorações do Dia da Freguesia.

Os Rumo ao Sul são projeto jovem, que incluí temas conhecidos de rumba, flamenco e sevilhanas, bem como adaptações portuguesas desses géneros musicais.

O Jardim da Avenida da Liberdade, em Portalegre, receberá o segundo espetáculo, “A Música que nos Une”, no dia 10 de julho, às 21h30, um concerto único e inédito, protagonizado pela Sociedade Musical Euterpe e pela Sociedade Recreativa Musical Alegretense, inspirado nos ritmos do swing, jazz, pop e música latina, na voz de Margarida Geraldes.

No dia 11 de julho, às 21h30, o Quarteto em Mim, com Vera Soldado e Jorge Silva, apresentará o projeto “Fado: Viagem”, no Jardim da Carreira, em Reguengo, uma noite que promete celebrar o Fado, a palavra e a imortalidade, onde a obra de Amália Rodrigues será o guia artístico principal.

No fim-de-semana de 17 a 20 de julho, é a vez do Largo da Praça, em Alegrete, receber quatro espetáculos, também integrados na Feira de Artesanato e Gastronomia: dia 17, às 20h00, não perca a divertida animação itinerante “Os Castanhos”, uma dupla de artistas que convida o público a celebrar a cultura e a vida; dia 18, às 20h00, atuará o grupo de música popular Verde Maio, com um reportório inspirado na tradição alentejana e temas originais, que mantém viva a paixão pela música tradicional portuguesa e pelas raízes do Alentejo; também no dia 18 de julho, às 21h30, o Projeto Régio dará vida e voz a poemas de José Régio, unindo músicos portalegrenses de diferentes influências, um tributo às gerações vindouras e que preserva ainda as memórias das muitas gerações inspiradas pelo escritor; finalmente, no dia 19 de julho, às 21h30, o Grupo Voz Amiga de Terrugem levará ao Largo da Praça um repertório fortemente inspirado na música tradicional portuguesa e no cancioneiro alentejano.

O mês de agosto trará no dia 21 o concerto de duas Grandes Vozes do Fado, às 21h30, no Largo da Boavista, em Fortios, com a atuação de Luis Caeiro e Yola Dinis, que prometem uma noite inesquecível.

No dia 22 de agosto, às 21h30, a Piscina da Ribeira de Nisa recebe o concerto imersivo “Lumen Noctis”, com o tenor internacional João Mendonza e o Ensemble Ibérico, um espetáculo que aliará a beleza natural do espaço arborizado ao ambiente mágico, reunindo algumas das mais belas e inesquecíveis músicas de sempre, de Andrea Bocelli e André Rieu, até Frank Sinatra e os Queen.

Dia 6 de setembro, às 16h00, atuará na Associação Sete Montes do São Julião a Banda da Sociedade Recreativa e Musical de Póvoa e Meadas, um concerto integrado nas Festas de São Julião em Honra de Nossa Senhora dos Remédios.

O projeto Só Xutos, grupo de rock de tributo aos Xutos & Pontapés, encerrará da melhor forma o Sunset das Carreiras, no Miradouro da Fonte dos Carvoeiros, no dia 19 de setembro, às 21h30, uma noite que promete recordar os grandes êxitos que marcaram gerações.

Finalmente, as “Melodias no Largo” visitarão o Largo do Rossio, em Alagoa, no dia 26 de setembro, às 21h30, espetáculo também integrado na Feira de São Miguel, protagonizado pela Banda da Sociedade Musical Nisense, filarmónica que mantém viva a tradição e a formação musical.

A “Cultura nas Freguesias” é organizada pela Câmara Municipal de Portalegre, em parceria com a Junta de Freguesia de Alagoa, Junta de Freguesia de Alegrete, Junta de Freguesia de Fortios, Junta de Freguesia de Urra, União das Freguesias de Reguengo e São Julião, União das Freguesias de Ribeira de Nisa e Carreiras e União das Freguesias da Sé e São Lourenço.

Para mais informação, consulte as redes sociais do Município de Portalegre e o portal, em https://www.cm-portalegre.pt/.

28.3.26

CASTELO DE VIDE: XXXIX Feira do Livro


Realiza-se de 27 de Março a 12 de Abril a XXXIX Feira do Livro de Castelo de Vide no Cine-Teatro Mouzinho da Silveira, visitável entre as 9:30 e as 12 horas e entre as 14 e as 17 horas da parte da tarde. O certame estará encerrado no Domingo de Páscoa e no Feriado Municipal (6 de Abril).

O programa da Feira deste ano de 2026 inclui seis momentos especiais. Na abertura, agendada para a próxima sexta-feira dia 27 pelas 14:30 horas está prevista a apresentação do livro "Assim como tu" de Raquel Salgueiro e no dia 30 de Março (segunda-feira) o programa refere animação de leitura pelo técnico da Biblioteca Muniipald e Portalegre Luís Ensina

Luís Represas no Dia Internacional do Livro Infantil

Depois, no dia 2 de Abril (Quinta-feira Santa), em que se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil, Luís Represas apresenta pelas 16 horas o seu livro "A Coragem de Tição" e dá um concerto intimista pelas 21:30 horas (ver notícia AQUI).

Aula de yoga no Parque João José da Luz

No dia 4 de Abril será a vez de ser apresentado o livro "O Hospital de Alfaces" de Pedro Chagas Freitas e no dia 8 de Abril (Dia Mundial da Saúde) está prevista uma aula de yoga com Lorena Nobel pelas 10 horas no Parque João José da Luz.

A programação da XXXIX Feira do Livro encerra no dia 11 de ABril com a apresentação, pelas 15 horas, do guia "Os 100 Melhores Locais para Observar Aves em Portugal" de Gonçalo Elias e José Frade.

In “Notícias de Castelo de Vide”

30.1.25

CULTURA: Dia Mundial da Leitura em Voz Alta 2025

Desafio do Plano Nacional de Leitura No próximo dia 5 de fevereiro celebra-se o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta. Ler em voz alta traz múltiplos benefícios: melhora funções cognitivas, memória e concentração, contribui para o crescimento pessoal e o fomenta relações sociais. Ler em voz alta é, também, fonte de prazer e diversão. O Plano Nacional de Leitura celebra este dia, dinamizando um desafio que se foca no prazer de ler. Porque cada voz é única e todas merecem ser ouvidas, o mote é "Faz ouvir a tua voz!". Para participar, basta selecionar um pequeno texto (poema, aforismo, microconto, breve excerto de autor ou livro preferido…), escolher uma forma divertida de o ler em voz alta e gravar a leitura em vídeo. Depois, o vídeo deve ser publicado em redes sociais – Instagram e/ou Facebook – identificando a publicação com o hashtag #fazouviratuavozpnl e fazendo tag do Plano Nacional de Leitura. As leituras serão divulgadas nas redes sociais do PNL no dia 5 de fevereiro. Faz ouvir a tua voz, porque ler é divertido e dá prazer. Como participar: Selecionar um pequeno texto (poema, aforismo, microconto, breve excerto de autor ou livro preferido,…). Escolher uma forma divertida de o ler em voz alta (deixamos algumas sugestões). Gravar a leitura em vídeo: máx. 2 minutos. Publicar o vídeo nas redes sociais – Instagram e/ou Facebook– identificando a publicação com o hashtag #fazouviratuavozpnl e fazendo tag do Plano Nacional de Leitura.

12.3.24

Jazz AlémTejo: Sons envolventes no Litoral Alentejano

O cenário está pronto para o ritmo envolvente do jazz invadir o Litoral Alentejano com o 16.º Encontro Internacional de Jazz, o Jazz AlémTejo, agendado para os dias 15, 16, 22 e 23 de março. Nomes ilustres como Johnny Blue Band, Garfo, The Bop Collective e The Peace of Wild Things prometem elevar a experiência musical nesta edição.
Os espetáculos terão lugar nos palcos do Auditório Municipal António Chainho, em Santiago do Cacém, e do Auditório Mário Primo na Escola Secundária Padre António Macedo, em Vila Nova de Santo André, a partir das 21h30.
Além disso, nos dias 16 e 23 de março, os entusiastas terão a oportunidade de desfrutar do Sunset Jazz, com início marcado para as 17h30, no O2 Café, em Vila Nova de Santo André, com os Xoices no primeiro dia e B For Beyoncé no segundo.
Os bilhetes estão à venda por 3€ para sócios da Quadricultura e 5€ para o público em geral, podendo ser adquiridos na Biblioteca Municipal Manuel José “do Tojal” em Vila Nova de Santo André e no Auditório Municipal António Chainho em Santiago do Cacém.
Organizado pela Quadricultura, com o apoio da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, o Jazz AlémTejo promete momentos de pura harmonia e talento musical, celebrando a cultura e a diversidade do jazz num ambiente único.

12.11.23

CULTURA: O vinho na mitologia greco-latina

Dioniso (ou Baco), filho de Zeus e da princesa Semele, era o deus grego das festas, do vinho, da fecundidade, do lazer e do prazer, símbolo do desencadeamento ilimitado dos desejos e da libertação de qualquer inibição. É representado geralmente como um jovem imberbe, risonho e de ar festivo, de longa cabeleira, pegando um cacho de uvas ou uma taça numa das mãos e empunhando na outra um tirso (bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha). Tem sido sugerido o carácter fálico do tirso, no qual a pinha seria o símbolo do sémen.
Dioniso é por vezes figurado com o corpo coberto por um manto de pele de leão ou de leopardo, com uma coroa de pâmpanos na cabeça e conduzindo um carro puxado por leões. Pode igualmente ser apresentado sentado num tonel, segurando numa das mãos uma taça donde absorve a embriaguez que o faz cambalear.
Dioniso é normalmente representado na companhia de outros bebedores:
- Sileno – Tutor de Dioniso, companheiro fiel e o mais velho, sábio e beberrão dos seus seguidores, que embriagado tinha o poder da profecia. Representado quase sempre bêbado, amparado por sátiros ou carregado por um burro.
- Sátiros (ou Faunos) - divindades menores da natureza com aspecto humano, cabelos eriçados, com grande cauda e orelhas bicudas de bode, pequenos cornos na testa, narizes achatados, lábios grossos, barbas longas e órgãos sexuais de proporções sobre-humanas, frequentemente mostrados em estado de erecção. Viviam nos campos e nos bosques, onde tinham relações sexuais frequentes com as Ninfas e as Ménades, que a eles se juntavam no cortejo de Dioniso, além de copularem com mulheres e rapazes humanos, cabras e ovelhas. A embriaguês era a fonte inesgotável da sua perpétua jovialidade e lubricidade.
- Ménades (ou Bacantes) - mulheres apaixonadas por Dioniso e entregues com fervor ao seu culto. Levadas à loucura pelo deus do vinho, que provocava nelas um estado de êxtase absoluto, entregavam-se a desmedida violência, derramamento de sangue, sexo, embriaguez e auto-flagelação. Representadas nuas ou vestidas com véus ligeiros, coroadas de hera e segurando um tirso ou um cântaro, por vezes tocavam flauta de dois tubos ou tamboril e entregavam-se a uma dança livre e lasciva (orgia ou menadismo), em total concordância com as forças mais primitivas da Natureza. Vagueavam por montanhas e campinas e entregavam-se aos sátiros que também integravam o cortejo de Dioniso.
- Ninfas – jovens mulheres que povoavam o campo, os bosques e as águas. São os espíritos dos campos e da Natureza em geral, de que personificam a fecundidade e a graça. Apesar de serem consideradas divindades secundárias, a elas se dirigiam orações e por elas se nutria temor. Eram frequentemente alvo da luxúria dos sátiros.
O culto a Dioniso não tinha santuário fixo, sendo praticado onde quer que existissem adoradores do deus, na sua maioria mulheres (Ménades ou Bacantes). Os festivais realizados em homenagem do deus, eram basicamente festas da Primavera e do vinho. As danças frenéticas a que se entregavam as mulheres, davam-lhes uma sensação de liberdade e força, sendo-lhes atribuídos actos impressionantes como desenraizar árvores. As mulheres caçavam também animais que consumiam crus, acreditando que com este acto adquirissem a vitalidade e a imortalidade do deus. Os Gregos consideraram este culto nocivo e muitos governantes das cidades-estado procuraram proscrevê-lo.
Em 370 a.C., o culto a Dioniso (Baco) penetrou em Roma e tinha sacerdotisas conhecidas por bacantes. As festas, de natureza ritual, em homenagem ao deus Baco, conhecidas por bacanais eram nocturnas, secretas e frequentadas exclusivamente por mulheres durante três dias no ano. Posteriormente, os homens foram admitidos e as comemorações passaram a ocorrer cinco vezes por mês. A promiscuidade conjugada ao furor báquico no qual todos se entregavam a excessos de vinho e de sexo, estiveram na origem do facto destas festas se saldarem por envenenamentos, testamentos falsos, desaparecimento de homens e mulheres, etc. Ao invadirem as ruas de Roma, dançando, soltando gritos estridentes e atraindo adeptos do sexo oposto em número crescente, os bacanais tornaram-se factor de desordem e de escândalo, o que levou à publicação de um decreto por parte do Senado, em 186 a.C., proibindo as bacanais em toda a Itália. Contudo, mesmo com a proibição, o culto não desapareceu naquele tempo.
Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2010/07/o-vinho-na-mitologia-grego-latina.html
IMAGENS:
1- DIONISO E SÁTIRO - pintura sobre vaso grego, atribuída a Makron, cerca de 490-480 a.C., Antikenmuseen, Berlim.
2 - JUVENTUDE DE BACO - pintura de William-Adolphe Bouguereau (1825–1905), executada em 1884.
3 - BACO - óleo sobre tela de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), executada em 1593-1594. Galeria dos Ofícios, Florença.


16.10.23

CULTURA: Adagiário português do pão (I)

O professor Hernâni Matos, estremocense de gema, é um autêntico celeiro de cultura e o seu site "Do Tempo da Outra Senhora", constitui um dos mais importantes acervos do património cultural e popular alentejano e ao qual aconselhamos uma visita em https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com
Visitem-no que não se arrependerão.
Para este Adagiário que Hernâni Matos, pacientemente, construiu, dividimo-lo, tal como o autor, em dois grandes grupos. Deliciem-se com a sua leitura.
AMASSADURA E COZEDURA DO PÃO
- A quem coze e amassa não furtes a massa.
- A quem tem seu pão no forno podemos dar do nosso.
- Ano caro, padeira em todo o cabo.
- Ano caro, padeira em todo o caso.
- Coze-se o pão, enquanto o forno está quente.
- Descansai mulheres que caiu o forno.
- Fazer a broa maior que a boca do forno.
- Forno chorado, pão queimado.
- Forno de padeira, com qualquer molho de lenha se aquece.
- Forno feito, vintém no corucho.
- Muitos padeiros não fazem bom pão.
- Não sejais forneira, se tendes a cabeça de manteiga.
- Em casa do sisudo faz-se o pão miúdo.
- Enquanto ladra o cão, coze-se o pão.
- Não te ponhas a soalhar com quem tem forno e pé de altar.
- Nem sempre o forno faz rosquilhas.
- No fogo se ganha, no fogo se perde.
- No forno e no moinho vai quem quer cochicho.
- No forno se ganha o pão, no forno se perde.
- No Inverno forneira, no Verão taberneira.
- O velho e o forno, pela boca se aguentam.
- Para forno quente, três molhos de ramasca ou um torgo somente.
- Para forno quente, uma torga somente.
- Pela boca se aquenta o forno.
- Quem mói no seu moinho e coze no seu forno, come o seu pão todo.
- Se toda a gente fosse padeiro, ninguém comprava pão.
- Uns aquecem o forno, outros amassam o pão.
- Ninguém morre sem ter primeiro amassado pão sem sal.

** Hernâni Matos
* IMAGEM: FORNEIRA - Peça da barrística popular estremocense da autoria das Irmãs Flores


11.7.23

CULTURA: Cinco concelhos sem biblioteca ganham serviço itinerante com apoio de 700 mil euros

Os cinco concelhos do país que não dispõem de biblioteca municipal vão passar a ter um serviço itinerante, graças a financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no valor total de 700 mil euros.
Os contratos de financiamento entre três dos cinco municípios beneficiários (Marvão, Terras de Bouro e Vila Viçosa) e o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais (GEPAC) do Ministério da Cultura foram assinados hoje na Pousada de Vila Viçosa, no distrito de Évora.
Já os contratos de financiamento para a criação de bibliotecas itinerantes em Aljezur e Calheta (São Jorge, Açores) vão ser assinados mais tarde.
"Em 2023, persistem cinco concelhos no país que não têm bibliotecas municipais e viemos assinar um protocolo para que esses cinco passem a ter bibliotecas itinerantes", afirmou o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, no final da sessão de assinatura.
Assinalando que este apoio vai permitir que o país tenha "uma cobertura nacional das bibliotecas", o governante frisou que as populações vão poder "ter livros, e isso é um instrumento fundamental, crucial para a cultura".
Pedro Adão e Silva lembrou ainda "aquilo que as bibliotecas são hoje": "espaços comunitários, de pertença, de criação de vínculos e de laços comunitários", espaços que também se revelam "instrumentais para que muitos daqueles que ainda não têm capacidade e acesso às tecnologias possam continuar a relacionar-se com os serviços públicos".
Adão e Silva adiantou que este financiamento está integrado na medida de apoio e modernização tecnológica da rede bibliotecas do PRR, referindo que esta dispõe de uma verba total de cerca de seis milhões de euros.
A compra de novos equipamentos informáticos e sistemas de informação para 239 bibliotecas públicas, a constituição de bibliotecas itinerantes e online, a digitalização de acervos, o apoio à tradução de obras literárias, à edição de audiobooks e ebooks, à modernização e transição digital das livrarias e à criação da Plataforma de Empréstimo de Livros Eletrónicos são ações anunciadas no âmbito desta medida.
Segundo o titular da pasta da Cultura, atualmente, existem no país cerca de 60 bibliotecas itinerantes.
10 julho, 2023 


16.5.23

ÉVORAWINE: Descobrir, sentir e provar o Alentejo

Vinho, gastronomia e cultura a 19 e 20 de maio 
Com mais de 250 vinhos em prova de cerca de 40 produtores da região, o evento estima receber mais de 8 mil visitantes Aquele que é o maior evento de vinhos do Alentejo está de regresso com uma programação cheia de novidades. A 8.ª edição do ÉvoraWine realiza-se já a 19 e 20 maio, na Praça do Giraldo, em Évora, e vai juntar néctares e sabores alentejanos aliados à cultura e tradições regionais.  
Em prova, os amantes do vinho e da região vão contar com mais de 250 vinhos de 36 produtores de todo o Alentejo. O evento que reúne o Alentejo de norte a sul, no centro de Évora, surgiu pela primeira vez em 2014 e pretende dar a conhecer o melhor da região – desde vinho ao turismo, passando pela cultura e pela gastronomia. Este ano estimam receber mais de 8 mil visitantes nacionais e estrangeiros.  
Recorde-se que o ÉvoraWine é de entrada livre e o copo com uma bolsa para suporte para provar todos os vinhos presentes tem associado um custo de 10 euros. 
ÉVORAWINE 2023 Programação:
Sessão de abertura ÉvoraWine | 19 de maio, sexta-feira, às 17h15 | Rota dos Vinhos do Alentejo (R. Cinco de Outubro nº 88, 7000-854 Évora)  
A sessão de abertura do ÉvoraWine está agendada para as 17h15 na Rota dos Vinhos do Alentejo, um espaço de excelência do enoturismo da região.  
Sexta-feira | 19 de maio, às 18h00 | Praça do Giraldo (Évora)  
A “abertura de portas” da Praça do Giraldo, a 19 de maio, está agendada para as 18h00. No primeiro dia da iniciativa, o Chef Rui Fialho, do Restaurante Fialho, presenteia os visitantes, com uma sessão de showcooking, que se realiza pelas 18h30. Mais tarde, haverá tempo para Cantares Alentejanos com os Almocreves e a atuação das Cantadeiras do Redondo. Termina com o espetáculo de Tinto Pinho, fechando a noite com Raquel, Francisco & Friends.  
Sábado | 20 de maio, às 18h00 | Praça do Giraldo (Évora)  
O segundo dia de ÉvoraWine inicia-se com a habitual prova de vinhos e petiscos alentejanos. Conta ainda com mais uma sessão de showcooking, a cargo do Chef Naldo, do Restaurante Tábua do Naldo, às 18h30, seguindo-se uma atuação do grupo Escolas de Sevilhanas. Por fim, à noite, o centro de Évora conta com atuações de Dose Dupla: primeiro a atuação do saxofonista David Carrapo e terminando com a Banda Los Colchoneros.  

31.8.22

MONTALVÃO: Lançamento da revista cultural "Êlhér!"


O salão da Casa do Povo de Montalvão acolheu no passado dia 14 de Agosto, a sessão de apresentação da revista cultural "Êlhér!", um acontecimento que mobilizou muitos montalvanenses, residentes ou a passarem férias naquela localidade, no extremo norte do concelho de Nisa.
Perante uma plateia entusiástica, João Pedro Fidalgo, o mentor da criação da revista, agradeceu a presença do público, o contributo dos autores dos diversoas artigos e a colaboração das entidades que permitiram a edição do primeiro número da revista e a sua apresentação pública.


"Élhér!" - explicou João Fidalgo, não é mais que uma interjeição muito utilizada em Montalvão e que indica admiração e um convite a ver, a olhar. Esse convite, formulado pelo próprio, a vários autores com trabalhos científicos sobre o território da freguesia de Montalvão tiveram grande acolhimento e esta primeira edição da revista é disso prova evidente, dada a qualidade e diversidade de temas que a mesma integra.
Textos acompanhados com grande profusão de fotos e que vão desde a geodiversidade, à arte rupestre, passando pela história, arqueologia, poesia, etnografia, artesanato, escritos por especialistas nessas áreas do conhecimento, sendo de referir os nomes de Mário Varela Gomes, Jorge Oliveira, Carlos Neto de Carvalho, Francisco Henriques, João Caninas e outros, entre os quais o próprio director da revista que assina um artigo que será, certamente, para muitos, uma revelação: "Montalvão, a "capital" dos muros apiários".
A revista "Êlhér!", nas palavras de João Fidalgo, é de matriz generalista e terá uma periodicidade anual, escrita pela mão de "vários autores, dando voz às muitas perspectivas e saberes que fazem da cultura e da história dos lugares uma heterogeneidade de diferentes visões, percepções e campos de estudo".

Na mesma sessão foi dado a conhecer "Minha terra é Montalvão", um livro de um poeta popular montalvanense quase desconhecido, António dos Santos Sequeira, obra que constitui um autêntico repositório da vida no campo e do mundo rural. As pessoas presentes na sessão puderem ainda adquirir um interessante trabalho gráfico divulgando as principais figuras rupestres existentes na freguesia de Montalvão.
No final da sessão houve tempo para um animado convívio, para se provar o bolo simbólico da edição da revista e não faltou sequer a animação musical, a tornar festivo um acontecimento memorável que mostrou a vitalidade de uma terra e freguesia nos confins do Alentejo, a olhar a Espanha e a Beira, ciente de que é possível inverter os caminhos da desertificação física e humana, se para tanto houver engenho e arte. A esperança continua a morar aqui e o lançamento de uma revista cultural de grande fôlego, como a "Êlhér!" é, apenas, uma amostra do que é possível fazer.
O fidalgo jornaleiro 
João Pedro Fidalgo da Costa, o promotor e director da revista "Êlhér!", nasceu em Portalegre a 1 de Janeiro de 1983, sendo criado em Montalvão entre os extremos do Bairro do Bernardino e a Rua da Corredoura.
Residiu em Montalvão até cerca dos vinte anos, intermitente durante cinco anos entre o Instituto Militar dos Pupilos do Exército em Lisboa e todos os fins de semana que voltava à "Vila". Regressa a Montalvão para fazer o ensino secundário no Liceu de Portalegre.
É licenciado em Radiologia pela Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa e Mestre em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalha também como ilustrador e é o criador de O Jornaleiro Montalvão, espaço de divulgação de conteúdos históricos e culturais sobre Montalvão. É autor de " Mapa Ilustrado de Montalvão: Fauna e Flora" (2020) e do livro "Loettras - O Falar de Montalvão" (2021).
* Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 24 Ago. 2022