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1.6.21

TRADIÇÃO ORAL - PROVÉRBIOS DE JUNHO (I)

- Lavra pelo São João, se queres haver pão.
- Lavra por S. João, se queres haver pão.
- Lavra por S. João, se queres ter pão.
- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.
- Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.
- Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.- Maio pardo, Junho claro.
- O milho pelo São João deve cobrir um cão.
- O sol de Junho madruga muito.
- Ouriços no S. João, são do tamanho dum botão.
- Para Junho guarda um toco e uma pinha, e a velha que o dizia guardados os tinha.
- Para o S. João, guarda a velha o melhor tição.
- Pelo S. João a sardinha pinga no pão.
- Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.
- Pelo S. João, deve o milho cobrir o rabo do cão.
- Pelo São João, foice na mão.
- Pelo São Pedro vai ao arvoredo; se vires uma, conta um cento.
- Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

24.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (VII)

- Em Maio, as cerejas, come-as a velha ao borralho.
- Em Maio, até a unha do gado faz estrume.
- Em Maio, bebe o boi no rego.
- Em Maio, canta o gaio.
- Em Maio, cerejas ao borralho.
- Em Maio, chocai-o.
- Em Maio, com sono caio.
- Em Maio, come a velha a cereja ao borralho.
- Em Maio, deixa a mosca o boi e toma o asno.
- Em Maio, espetam-se as rocas e sacham-se as portas.
- Em Maio, gradai-o.
- Em Maio, há muito ceifão, mas em Junho é que se vê quem eles são.
- Em Maio, iguala o pão com o mato, a noite com o dia, o Sol com a Lua e o Manei com a Maria.
- Em Maio, já a velha aquece o palácio.
- Em Maio, lava-se com água pelo rego.
- Em Maio, nem à porta de casa saio.
- Em Maio, o calor, a todo o ano dá valor.
- Em Maio, o rafeiro é galgo.
- Em Maio, onde quer eu caio.
- Em Maio, passarinho em raio. 

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

14.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (V)

 

- Novembro semear, Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Janeiro gear. Fevereiro chover. Março encanar. Abril espigar. Maio engrandecer. Junho ceifar. Julho debulhar. Agosto engavelar. Setembro vindimar. Outubro revolver. Novembro semear. Dezembro nascer.
- Janeiro geoso. Fevereiro nevoso. Março frio e ventoso. Abril chuvoso e Maio pardo, fazem um ano abundoso. Julho, debulhar. Agosto, engravelar. Julho é o mês das colheitas, Agosto o mês das festas.
- Maio alaga a fonte e passa a ponte.
- Maio às pedradas, deita por terra as searas.
- Maio chocoso e Junho claroso, fazem o ano formoso.
- Maio chocoso, ano formoso.
- Maio chuvoso ou pardo, faz pão vistoso e grado.
- Maio chuvoso torna o ano formoso
- Maio chuvoso, ano formoso.
- Maio claro e ventoso, faz o ano rendoso.
- Maio come o pão, Agosto bebe o vinho.
- Maio come o trigo, Agosto bebe o vinho.
- Maio come o trigo, Junho bebe o vinho.
- Maio couveiro não é vinhateiro.
- Maio é o mês em que canta o cuco.
- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.
- Maio faz o pão e Agosto bebe o vinho que o tira do covil.
- Maio faz o pão e Agosto o milhão.
- Maio frio e Junho quente fazem o lavrador valente.

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

5.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (III)

- Em Maio, queima-se a cereja ao borralho.
- Em Maio, vai e torna com recado.
- Em Maio, verás a água com que regarás.
- Em princípio de Maio, corre o lobo e o veado
- Entre Abril e Maio, moenda para lodo o ano.
- Enxames em Abril, mil; em Maio, apanhai-os; pelo São João, apanhai-os ou não.
- Favas, Maio as dá, Maio as leva.
- Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleiro; Março, três ou quatro; Abril, cheio está o covil; Maio, pio-pio pelo mato; Junho, como um punho; em Agosto as tomarás a cosso.
- Fevereiro couveiro, faz a perdiz ao poleiro; Março, três ou quatro; Abril, cheio está o covil; Maio pio, pio pelo mato.
- Fevereiro faz o rapeiro; Março põe três ou quatro; Abril enche o covil; Maio, pi-pi pelo mato.
- Fevereiro ricoqueiro, faz a perdiz ao poleiro; Março, três ou quatro; Abril, cheio está o covil; Maio, pio, pio, pelo mato; Junho, como um punho; em Agosto, as tomarás em cosso.
- Fiandeira não ficaste, pois em Maio não fiaste.
- Fraco é o Maio que não rompe uma croça.
- Fraco é o Maio que não rompe uma palhoça.
- Fraco é o Maio se o boi não bebe na pegada.
- Guarda pão para Maio, lenha para Abril e o melhor tição para o S. João.
- Guarda pão para Maio, lenha para Abril, o melhor bicão para o São João.
- Guarda para Maio o teu melhor saio.
- Janeiro geadeiro. Fevereiro aguadeiro. Março chover cada dia seu pedaço. Abril águas mil coadas por um funil. Maio pardo celeiro grado. Junho foice em punho.
- Janeiro gear. Fevereiro chover. Março encanar. Abril espigar. Maio engrandecer. Junho ceifar. Julho debulhar. Agosto engavelar. Setembro vindimar. Outubro revolver. 

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

2.5.21

TRADIÇÃO ORAL: Provérbios de Maio (II)

 
- A água que no Verão há-de regar, em Abril e Maio há-de ficar.
- A água, Maio a dá, Maio a leva.
- A boa cepa, Maio a deita.
- A erva, Maio a dá, Maio a leva.
- A geira de Maio vale os bois e o carro, a de Julho vale os bois e o jugo.
- A melhor cepa, Maio a deita.
- A melhor cepa, para Maio a guardes.
- A ti chova todo o ano e a mim, Abril e Maio.
- A velha, em Maio, come castanhas ao borralho.
- Abril chove para os homens e Maio para as bestas.
- Abril chuvoso e Maio ventoso fazem o ano formoso.
- Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.
- Abril e Maio, chaves do ano.
- Abril frio, pão e vinho. Maio come o trigo e Agosto bebe o vinho.
- Abril, espigar; Maio, engrandecer; Junho, ceifar; Julho, debulhar; Agosto, engravelar; Setembro, vindimar.
- Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Água d'Ascensão, tira o vinho e dá o pão.
- Água de Maio e três de Abril valem por mil.
- Água de Maio, pão para todo o ano.
- Água de Maio, pão tremês, não o percas nem o dês. 

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com
** A taberna - Barros de Estremoz - Foto de Jorge da Conceição

18.4.21

TRADIÇÕES: Provérbios de Abril (VI)

 

- Em Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril, queijos mil.
- Em Abril, queima a canga e o canzil.
- Em Abril, queima a velha, o carro e o carril.
- Em Abril, queima a velha, o chambaril.
- Em Abril, queima o velho o carro e o carril e uma camba que guardou, ainda em Maio a queimou.
- Em Abril, queima-se o carro e o carril.
- Em Abril, queimou a velha o carro e o carril; e uma cambada que ficou em Maio a queimou.
- Em Abril, sai a bicha do covil.
- Em Abril, sai a velha do seu covil, dá uma volta e torna a vir.
- Em Abril, sai o bicho do covil.
- Em Abril, um pão e um merendil.
- Em Abril, vai a velha aonde há-de ir e torna outra vez ao seu covil.
- Em Abril, vai a velha aonde tem de ir e vem dormir ao seu covil.
- Em Abril, vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.
- Em Abril, vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.
- Em Abril, vai aonde hás-de ir e volta ao teu covil.
- Em Abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.
- Em Janeiro junta a perdiz ao parceiro, em Fevereiro faz um rapeíro, em Março faz o covacho, em Abril enche o covil, em Maio, pi-pi-pi para o mato.
- Em Janeiro seca a ovelha no fumeiro, em Março no prado e em Abril se vai medir.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

15.4.21

TRADIÇÕES: PROVÉRBIOS DE ABRIL (V)

- Em Abril, a rês perdida recobra vigor e vida.
- Em Abril, a velha vai e volta ao seu covil.
- Em Abril, abre a porta à vaca e deixa-a ir.
- Em Abril, águas mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril, águas mil que caibam num barril.
- Em Abril, águas mil, coadas por um funil.
- Em Abril, águas mil, coadas por um mandil.
- Em Abril, águas mil, que caibam num barril.
- Em Abril, águas mil.
- Em Abril, cada pulga dá mil.
- Em Abril, cavar e rir.
- Em Abril, corta um cardo e nascerão mil.
- Em Abril, de uma nódoa tira mil.
- Em Abril, enchem o covil.
- Em Abril, espigar.
- Em Abril, guarda o teu gado e vai aonde tens de ir.
- Em Abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
- Em Abril, mau é descobrir.
- Em Abril, o cuco há-de vir.
- Em Abril, pelos favais vereis o mais.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


14.4.21

PROVÉRBIOS DE ABRIL (IV)

 - 

- Em Abril abre a porta à vaca e deixa-a ir.
- Em Abril ainda queima a velha o carro e o carril e deixa um tição para Maio, para comer as cerejas ao borralho.
- Em Abril cada pulga dá mil.
- Em Abril corta um cardo, nascerão mais de mil.
- Em Abril dá a velha a filha, por um pão a quem lha pedir.
- Em Abril deita-te a dormir.
- Em Abril dorme o moço ruim e em Maio dorme o moço e o amo.
- Em Abril e Maio moenda para todo o ano.
- Em Abril guarda o gado e vai onde tens de ir.
- Em Abril lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
- Em Abril o boi bebe no rio.
- Em Abril pelos favais vereis o mais.
- Em Abril queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril queima a canga e o canzil.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril e deixa um tição para Maio, para comer as cerejas ao borralho.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril e o que ficou, em Maio o queimou.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril, uma camba que ficou, ainda em Maio a queimou e guardou o seu melhor tição para o mês de São João.
- Em Abril queimou a velha, o carro e o carril; e uma cambada que ficou, em Maio a queimou.
- Em Abril quer-se águas mil coadas por um mandil.
- Em Abril, a Natureza ri.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


6.4.21

PROVÉRBIOS DE ABRIL (II)

 

- Abril leva as peles a curtir.
- Abril mete a ovelha no covil.
- Abril molhado, ano abastado.
- Abril molhado, sete vezes trovejado.
- Abril queima-se o carro e o carril.
- Abril vai a velha aonde há-de ir e a sua casa vem dormir.
- Abril, Abril, está cheio o covil.
- Abril, Abrilete, é o mês do ramalhete.
- Abril, águas mil e em Maio três ou quatro.
- Abril, águas mil, cabem todas num barril.
- Abril, águas mil, coadas por um funil.
- Abril, águas mil, peneiradinhas por um mandil.
- Abril, águas mil, quantas mais puderem vir.
- Abril, águas mil.
- Abril, cheio o covil.
- Abril, espigas mil.
- Abril, frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
- Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Abril, tempo de cuco, de manhã molhado e à tarde enxuto.
- Água de Abril, peneirada por um mandil.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


1.4.21

TRADIÇÕES: A PÁSCOA NO ADAGIÁRIO PORTUGUÊS (I)

Na “Páscoa” os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação, que ocorreu na “Sexta-Feira Santa” (sexta-feira antes do Domingo de Páscoa), data em que é evocado o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus, através de diversos cerimónias religiosas.
O período de quarenta dias que antecipam o Domingo de Páscoa é conhecido por “Quaresma”. Esta começa na quarta-feira de cinzas (quarta-feira a seguir à terça-feira de Carnaval) e termina na chamada “Quinta-Feira Santa”, data da celebração da última ceia de Jesus Cristo com os doze apóstolos. Após a Quaresma, inicia-se o chamado “Tríduo Pascal”, que finda no “Domingo de Páscoa”. Este é precedido por um domingo conhecido por “Ramos” e sucedido por um domingo conhecido por “Pascoela”.
É diversificado o adagiário português, onde é utilizada explicitamente a palavra “Páscoa”. Há adágios que têm a ver com a contagem do tempo:
- Do Carnaval à Páscoa vão sete semanas.
- Da Páscoa à Assunção, quarenta dias vão.
- Ana, Bagana, Rabeca, Fuzana, Lázaro, Ramos, na Páscoa estamos.
- Lázaro, Ramos, na Páscoa estamos.
- Depois de Ramos, na Páscoa estamos.
A observação do céu levou a criação de adágios relativos à astrologia do tempo, como é o caso destes:
- Não há Cinzas sem Lua vazia, nem Páscoa sem Lua cheia.
- Não há Entrudo sem Lua Nova, nem Páscoa sem Lua Cheia.
Os adágios tecem, por vezes, considerações de natureza meteorológica:
- Carnaval em casa e Páscoa na praça.
- Carnaval na eira, Páscoa à lareira.
- Cinza molhada. Páscoa ombrejada.
- Entrudo borralheiro, Natal em casa, Páscoa na praça.
- Entrudo borralheiro, Páscoa soalheira.
- Natal a assoalhar e Páscoa no mar.
- Natal a assoalhar, Páscoa ao luar.
- Natal à lareira: Páscoa na soalheira.
- Natal a soalhar, Páscoa à volta do lar.
- Natal ao lar. Páscoa a assoalhar.
- Natal ao Sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano formoso.
- Natal em casa, Páscoa na praça.
- Natal em casa, Páscoa na praça; Natal na praça, Páscoa em casa. 
* Foto: Passo no Largo Dr. António José de Almeida (Nisa)
** Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

25.3.21

PROVÉRBIOS DE MARÇO (II)

- Em Março queima a velha o maço.
- Em Março, a três e a quatro.
- Em Março, aquece cada dia um pedaço.
- Em Março, cada dia chove um pedaço.
- Em Março, cresce cada dia um pedaço.
- Em Março, de manhã pinga a telha e à tarde sai a abelha.
- Em Março, deita-te um pedaço.
- Em Março, esperam-se as rocas e sacham-se as hortas.
- Em Março, igual o trigo com o mato e a noite com o dia,
- Em Março, liga a noite com o dia e a noite com o sargaço.
- Em Março, merenda o pedaço; em Abril merenda o merendil.
- Em Março, merendica e folgaço.
- Em Março, nem migas, nem couves, nem esparto.
- Em Março, nem rabo-de-gato molhado.
- Em Março, o pão com o mato, a noite com o dia e o Pedro com a Maria.
- Em Março, o que dormes, o que eu faço.
- Em Março, o sol rega e a água queima.
- Em Março, onde quero eu passo.
- Em Março, queima a velha o maço.
- Em Março, rebenta a erva nem que lhe dês com um maço.

FIGURA: Eugen von Blaas, "Mädchen in fliederfarbenem Kleid mit Blumenstrauß und Blumenkorb" ("Rapariga de vestido lilás com um ramalhete e uma cesta de flores"), 1911, óleo sobre painel de madeira, 80,5 x 44,5 cm, Colecção particular.
* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

21.3.21

PROVÉRBIOS DE MARÇO (I)

- A água de Março é pior que nódoa no pano. 
- A geada de Março tira o pão do baraço e a de Abril nem ao baraço o deixa ir.
- A vinte e dois de Março ouga o pão com o mato, a noite com o dia, a erva com o sargaço, a fome com a barriga e a merenda do pastor nunca chega ao meio-dia.
- Agua de Março é pior que nódoa no pano.
- Água de Março pior é que nódoa no fato.
- Água de Março, no princípio ou no cabo, só que molhe o rabo do gato.
- Água de Março, quanta o gato molhe o rabo.
- Aí vem meu irmão Março, que fará o que eu não faço.
- Antes a estopa de Abril, que o linho de Março.
- Bodas em Março é ser madraço.
- Cavas em Março e arrenda pelo São João (24/6), todos o sabem, mas poucos o dão.
- Dia de Março, dia de três ventos.
- Em 25 de Março, se o cuco não se ouvir, ou é morto ou não quer vir.
- Em Março espetam-se as rocas e sacham-se as hortas.
- Em Março espiam-se as rocas e sacham-se as hortas.
- Em Março o pão com o mato, a noite com o dia e o Pedro com a Maria.
- Em Março o sol rega e a chuva queima.
- Em Março ouga a erva com o sargaço.
- Em Março ouga a noite com o dia e o pão com o sargaço.
- Em Março queima a velha o maço para aguentar o pernaço.

MARÇO - Iluminura (10,8x14 cm) do “Livro de Horas de D. Manuel I” [Século XVI (1517-1551)], manuscrito com iluminuras atribuídas a António de Holanda, conservado no Museu Nacional de Arte Antiga. Pintura a têmpera e ouro sobre pergaminho.

* Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com



4.2.21

PROVÉRBIOS DE FEVEREIRO (I)

- A castanha e o besugo em Fevereiro não têm sumo.
- A doçura de Fevereiro faz o dono cavalheiro.
- A dois dias de Fevereiro, sobe ao outeiro: se a candelária chorar, está o Inverno a chegar; se a candelária sorrir, está o Inverno para vir.
- A Fevereiro e ao rapaz perdoa tudo quanto faz, se Fevereiro não for secalhão e o rapaz não for ladrão.
- A neve que em Fevereiro cai das serras, poupa um carro de estrume às vossas terras.
- Água de Fevereiro enche o celeiro.
- Água de Fevereiro mata o onzeneiro.
- Aí vem o meu irmão Março, que de oito só deixa quatro.
- Aí vem o meu irmão Março, que fará o que eu não faço.
- Ao Fevereiro e ao rapaz perdoa tudo quanto faz.
- Aproveite em Fevereiro quem folgou em Janeiro.
- Aproveite Fevereiro quem folgou em Janeiro.

* Foto de João Carrilho - Dia de Compadres (Carnaval) em Alpalhão - 2009
** Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

9.11.20

ADAGIÁRIO DE NOVEMBRO (I)

- Dos Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
- Dos Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
- Dos Santos ao Natal é Inverno natural.
- Dos Santos ao Natal perde a padeira o cabedal.
- Dos Santos ao Natal, Inverno geral.
- Dos Santos ao Natal, Inverno natural.
- Dos Santos ao Natal, perde o marinheiro o cabedal.
- Em dia de Santo André, o tremoço não está, nem na saca, nem no pé.
- Em dia de Santo André, quem não tem porco que mate, amarra a mulher pelo pé.
- Em dia de São Martinho semeia os teus alhos e prova o teu vinho.
- Em dia de São Martinho vai à adega, prova o vinho e faz o teu magustinho.
- Em Novembro põe tudo a secar que pode o sol não voltar.
- Em São Martinho tapa o teu portalzinho, ceva o teu porquinho e fura o pipinho.
- Em São Martinho, mata o teu porco, assa castanhas e prova o teu vinho.
- No dia de Santo André diz o porco: quié-quié.
- No dia de Santo André vai à esquina e traz o porco pelo pé.
- No dia de Santo André, pega o porco pelo pé; se ele disser quié-quié, diz-lhe que tempo é; se ele disser que tal-que tal, guarda-o para o Natal.
- No dia de Santo André, quem não tem porco mata a mulher.
- No dia de São Martinho fura o teu pipinho.
- No dia de São Martinho mala o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho. 

3.8.20

ADÁGIOS DE AGOSTO (II)

- Agosto, água no rosto.
- Agosto aguilhoa o preguiçoso.
- Agosto, candeeiro posto.
- Agosto, dá o sol no rosto.
- Agosto, engravelar.
- Agosto, frio no rosto, malha com desgosto.
- Agosto, frio no rosto, malha com gosto.
- Agosto, frio no rosto.
- Agosto, mês de desgosto.
- Agosto, não caminhar; Dezembro, não marear.
- Agosto, toda a fruta tem gosto.
- Água de Agosto apressa o mosto.
- Água de Agosto consola o corpo.
- Água de Agosto dá mel e mosto.
- Água de Agosto tira o sol do rosto.
- Água de Agosto, açafrão, mel e mosto.
- Água pelo São João, traz vinho e não dá pão; em Agosto, nem pão nem mosto.
- Ande o ano por onde andar, o mês de Agosto há-de aquentar.
- Até quinze de Agosto malha a teu gosto; depois malha o suor do teu rosto.
- Bom é o ano quando em Agosto, sobre a castanha se chupa mosto. 
************
* Compilação de Hernâni Matos no blog https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

21.4.19

A Páscoa no adagiário português

Na “Páscoa” os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação, que ocorreu na “Sexta-Feira Santa” (sexta-feira antes do Domingo de Páscoa), data em que é evocado o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus, através de diversos cerimónias religiosas.
O período de quarenta dias que antecipam o Domingo de Páscoa é conhecido por “Quaresma”. Esta começa na quarta-feira de cinzas (quarta-feira a seguir à terça-feira de Carnaval) e termina na chamada “Quinta-Feira Santa”, data da celebração da última ceia de Jesus Cristo com os doze apóstolos. Após a Quaresma, inicia-se o chamado “Tríduo Pascal”, que finda no “Domingo de Páscoa”. Este é precedido por um domingo conhecido por “Ramos” e sucedido por um domingo conhecido por “Pascoela”. 
É diversificado o adagiário português, onde é utilizada explicitamente a palavra “Páscoa”. Há adágios que têm a ver com a contagem do tempo:
- Do Carnaval à Páscoa vão sete semanas.
- Da Páscoa à Assunção, quarenta dias vão.
- Ana, Bagana, Rabeca, Fuzana, Lázaro, Ramos, na Páscoa estamos.
- Lázaro, Ramos, na Páscoa estamos.
- Depois de Ramos, na Páscoa estamos.
A observação do céu levou a criação de adágios relativos à astrologia do tempo, como é o caso destes:
- Não há Cinzas sem Lua vazia, nem Páscoa sem Lua cheia.
- Não há Entrudo sem Lua Nova, nem Páscoa sem Lua Cheia.
Os adágios tecem, por vezes, considerações de natureza meteorológica:
- Carnaval em casa e Páscoa na praça.
- Carnaval na eira, Páscoa à lareira.
- Cinza molhada. Páscoa ombrejada.
- Entrudo borralheiro, Natal em casa, Páscoa na praça.
- Entrudo borralheiro, Páscoa soalheira.
- Natal a assoalhar e Páscoa no mar.
- Natal a assoalhar, Páscoa ao luar.
- Natal à lareira: Páscoa na soalheira.
- Natal a soalhar, Páscoa à volta do lar.
- Natal ao lar. Páscoa a assoalhar.
- Natal ao Sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano formoso.
- Natal em casa, Páscoa na praça.
- Natal em casa, Páscoa na praça; Natal na praça, Páscoa em casa.
- Natal em casa. Páscoa na rua.
- Natal em casa: Páscoa na praça.
- Natal na praça e Páscoa em casa.
- Natal na praça. Páscoa em casa, Espírito Santo em campo, faz o ano franco.
- Natal no lar e Páscoa em casa.
- No Natal à janela, na Páscoa à panela.
- Nos bons anos agrícolas, o Natal passa-se em casa e a Páscoa na rua.
- O Natal ao soalhar e a Páscoa ao lar.
- O Natal quer-se na praça, a Páscoa em casa.
- Para o ano ser bom, passar o Natal na rua e a Páscoa em casa.
- Por Natal ao jogo e por Páscoa ao fogo.
- Por Natal Sol e por Páscoa carvão.
- Páscoa a assoalhar: Natal atrás do lar.
- Quando pelo Natal vires verdejar, pela Páscoa à pedra do lar.
- Se a Páscoa é a assoalhar, é o Natal atrás do lar; Se a Páscoa é atrás do lar é o Natal a assoalhar.
- Se Natal é na praça a Páscoa é em casa.
- Se no Natal estás á janela, na Páscoa à volta da panela
- Se o Carnaval é na eira, a Páscoa é à lareira.
Alguns adágios têm a ver com o rendimento das colheitas:
- Os Ramos querem-se molhados.
- Páscoa e Pascoela em Abril, ditoso de quem a vir.
- Páscoa e Pascoela em Março, fome ou mortaço.
- Páscoa em Março, ano de mortaço.
- Páscoa em Março, faz o ano mortalaço.
- Páscoa em Março, fome no regaço.
- Páscoa em Março, muita fome ou mortaço.
- Páscoa em Março, ou fome ou cramaço.
- Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.
- Páscoa molhada não dá boas nozes.
- Páscoas de longe desejadas, num dia são passadas.
- Páscoas passadas, moitas criadas.
- Quando a Páscoa cai em Março, ou muita fome ou mortalaço.
- Ramos molhados, anos melhorados.
- Ramos molhados, carros carregados.
- Ramos molhados, carros pesados.
- Ramos molhados, carros quebrados.
O adagiário, dá de resto, orientações relativas ao trabalho:
- Domingo de Ramos enxuga os teus panos, que o que vem, enxugará ou não.
- Na semana de Ramos enxuga os teus panos, que na semana maior ou choverá ou fará sol.
- Na semana de Ramos lava os teus panos, que na da Paixão lavarás ou não.
- Na semana de Ramos lava os teus panos, que na Ressurreição lavarás ou não.
- Na semana de Ramos lava os teus panos; na maior ou choverá ou fará sol.
- No Natal, fiar; no Entrudo, dobar; na Quaresma, tecer; e na Páscoa, coser.
Há de resto outros mais difíceis de sistematizar:
- A Quaresma é muito pequena para quem tem de pagar a Páscoa.
- A Páscoa à Ascensão ainda se dá do coração.
- De Ramos, só se aproveita mesmo o Domingo.
- Deus não se pôs na cruz por um só.
- Domingo da Ressurreição, carne no prato, farinha na mão.
- Judeus em Páscoas, mouros em bodas, cristãos em pleitos, gastam os seus dinheiros.
- Não é cada dia Páscoa nem vindima.
- Os Passos, para serem louvados, têm que ser molhados.
- Páscoa alta, chumbo na malta.
- Quando o Natal tem o seu pinhão, a Páscoa tem o seu tição.
- Sair a Páscoa à segunda-feira.
Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt

Gravura: Calvário (Primeiro quartel do século XVIII).
Painel de azulejos, fabrico de Lisboa.
Arquidiocese de Évora.