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1.6.21

TRADIÇÃO ORAL - PROVÉRBIOS DE JUNHO (I)

- Lavra pelo São João, se queres haver pão.
- Lavra por S. João, se queres haver pão.
- Lavra por S. João, se queres ter pão.
- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.
- Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.
- Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.- Maio pardo, Junho claro.
- O milho pelo São João deve cobrir um cão.
- O sol de Junho madruga muito.
- Ouriços no S. João, são do tamanho dum botão.
- Para Junho guarda um toco e uma pinha, e a velha que o dizia guardados os tinha.
- Para o S. João, guarda a velha o melhor tição.
- Pelo S. João a sardinha pinga no pão.
- Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.
- Pelo S. João, deve o milho cobrir o rabo do cão.
- Pelo São João, foice na mão.
- Pelo São Pedro vai ao arvoredo; se vires uma, conta um cento.
- Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

24.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (VII)

- Em Maio, as cerejas, come-as a velha ao borralho.
- Em Maio, até a unha do gado faz estrume.
- Em Maio, bebe o boi no rego.
- Em Maio, canta o gaio.
- Em Maio, cerejas ao borralho.
- Em Maio, chocai-o.
- Em Maio, com sono caio.
- Em Maio, come a velha a cereja ao borralho.
- Em Maio, deixa a mosca o boi e toma o asno.
- Em Maio, espetam-se as rocas e sacham-se as portas.
- Em Maio, gradai-o.
- Em Maio, há muito ceifão, mas em Junho é que se vê quem eles são.
- Em Maio, iguala o pão com o mato, a noite com o dia, o Sol com a Lua e o Manei com a Maria.
- Em Maio, já a velha aquece o palácio.
- Em Maio, lava-se com água pelo rego.
- Em Maio, nem à porta de casa saio.
- Em Maio, o calor, a todo o ano dá valor.
- Em Maio, o rafeiro é galgo.
- Em Maio, onde quer eu caio.
- Em Maio, passarinho em raio. 

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

18.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (VI)

- Março amoroso, Abril ventoso e Maio remeloso, fazem o ano formoso.
- Mês de Maio, mês de má aventura, apenas anoitece é logo noite escura.
- Mês de Maio, mês das flores, mês de Maria, mês dos amores.
- Não há luar como o de Maio, mas lá virá o de Agosto que lhe dará no rosto.
- Não há Maio sem trovões, nem homem sem calções.
- O Maio me molha, o Maio me enxuga.
- Peixe de Maio, a quem vo-lo pedir dai-o.
- Pela Ascensão coalha a amêndoa e nasce o pinhão.
- Pela Ascensão nasce o pinhão.
- Por Abril dorme o moço madraceirão e por Maio, dorme o moço e o patrão.
- Por Abril, dorme o moço ruim e por Maio, dorme o moço e o amo.
- Por onde Abril e Maio passou, tudo espigou.
- Por onde Maio passou nado, tudo deixou espigado.
- Por Santo Urbão (25 de Maio), gavião na mão.
- Primeiro de Maio molhado, fruta bichada.
- Primeiro de Maio, corre o lobo e o veado.
- Quando chove na Ascensão, até as palhinhas dão pão.
- Quando em Maio arrulha a perdiz, ano feliz.
- Quando em Maio não troa, não é ano de broa.
- Quando em Maio relva, nem pão, nem erva.

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

14.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (V)

 

- Novembro semear, Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Janeiro gear. Fevereiro chover. Março encanar. Abril espigar. Maio engrandecer. Junho ceifar. Julho debulhar. Agosto engavelar. Setembro vindimar. Outubro revolver. Novembro semear. Dezembro nascer.
- Janeiro geoso. Fevereiro nevoso. Março frio e ventoso. Abril chuvoso e Maio pardo, fazem um ano abundoso. Julho, debulhar. Agosto, engravelar. Julho é o mês das colheitas, Agosto o mês das festas.
- Maio alaga a fonte e passa a ponte.
- Maio às pedradas, deita por terra as searas.
- Maio chocoso e Junho claroso, fazem o ano formoso.
- Maio chocoso, ano formoso.
- Maio chuvoso ou pardo, faz pão vistoso e grado.
- Maio chuvoso torna o ano formoso
- Maio chuvoso, ano formoso.
- Maio claro e ventoso, faz o ano rendoso.
- Maio come o pão, Agosto bebe o vinho.
- Maio come o trigo, Agosto bebe o vinho.
- Maio come o trigo, Junho bebe o vinho.
- Maio couveiro não é vinhateiro.
- Maio é o mês em que canta o cuco.
- Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.
- Maio faz o pão e Agosto bebe o vinho que o tira do covil.
- Maio faz o pão e Agosto o milhão.
- Maio frio e Junho quente fazem o lavrador valente.

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

11.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (IV)

- Dias de Maio, dias de amargura, mal amanhece é logo noite escura.
- Diz Maio a Abril: ainda que te pese, me hei-de rir.
- Do mês de Maio o calor, de todo o ano, o valor.
- Em Abril, águas mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril dorme o moço ruim e em Maio dorme o moço e o amo.
- Em Abril e Maio, moenda para todo o ano.
- Em Abril queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril e deixa um tição para Maio, para comer as cerejas ao borralho.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril e o que ficou, em Maio o queimou.
- Em Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Em casa vazia, Maio depressa se avia.
- Em Dezembro, descansar; em Janeiro, trabalhar.
- Em Janeiro junta a perdiz ao parceiro, em Fevereiro faz um rapeiro, em Março faz o covacho, em Abril enche o covil, em Maio, pi-pi-pi para o mato.
- Em Maio a quem não tem basta-lhe o saco.
- Em Maio bonitão, come-se vinho e muito pão
- Em Maio come a velha as cerejas ao borralho e ainda guarda o canhoto para Junho.
- Em Maio, a chuvinha da Ascensão dá palhinhas e dá pão.
- Em Maio, a quem não tem basta-lhe o saco.
- Em Maio, ainda os bois estão oito dias ao ramalho.
- Em Maio, as cerejas uma a uma, leva-as o gaio; em Junho a cesto e a punho.

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

5.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (III)

- Em Maio, queima-se a cereja ao borralho.
- Em Maio, vai e torna com recado.
- Em Maio, verás a água com que regarás.
- Em princípio de Maio, corre o lobo e o veado
- Entre Abril e Maio, moenda para lodo o ano.
- Enxames em Abril, mil; em Maio, apanhai-os; pelo São João, apanhai-os ou não.
- Favas, Maio as dá, Maio as leva.
- Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleiro; Março, três ou quatro; Abril, cheio está o covil; Maio, pio-pio pelo mato; Junho, como um punho; em Agosto as tomarás a cosso.
- Fevereiro couveiro, faz a perdiz ao poleiro; Março, três ou quatro; Abril, cheio está o covil; Maio pio, pio pelo mato.
- Fevereiro faz o rapeiro; Março põe três ou quatro; Abril enche o covil; Maio, pi-pi pelo mato.
- Fevereiro ricoqueiro, faz a perdiz ao poleiro; Março, três ou quatro; Abril, cheio está o covil; Maio, pio, pio, pelo mato; Junho, como um punho; em Agosto, as tomarás em cosso.
- Fiandeira não ficaste, pois em Maio não fiaste.
- Fraco é o Maio que não rompe uma croça.
- Fraco é o Maio que não rompe uma palhoça.
- Fraco é o Maio se o boi não bebe na pegada.
- Guarda pão para Maio, lenha para Abril e o melhor tição para o S. João.
- Guarda pão para Maio, lenha para Abril, o melhor bicão para o São João.
- Guarda para Maio o teu melhor saio.
- Janeiro geadeiro. Fevereiro aguadeiro. Março chover cada dia seu pedaço. Abril águas mil coadas por um funil. Maio pardo celeiro grado. Junho foice em punho.
- Janeiro gear. Fevereiro chover. Março encanar. Abril espigar. Maio engrandecer. Junho ceifar. Julho debulhar. Agosto engavelar. Setembro vindimar. Outubro revolver. 

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

2.5.21

TRADIÇÃO ORAL: Provérbios de Maio (II)

 
- A água que no Verão há-de regar, em Abril e Maio há-de ficar.
- A água, Maio a dá, Maio a leva.
- A boa cepa, Maio a deita.
- A erva, Maio a dá, Maio a leva.
- A geira de Maio vale os bois e o carro, a de Julho vale os bois e o jugo.
- A melhor cepa, Maio a deita.
- A melhor cepa, para Maio a guardes.
- A ti chova todo o ano e a mim, Abril e Maio.
- A velha, em Maio, come castanhas ao borralho.
- Abril chove para os homens e Maio para as bestas.
- Abril chuvoso e Maio ventoso fazem o ano formoso.
- Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.
- Abril e Maio, chaves do ano.
- Abril frio, pão e vinho. Maio come o trigo e Agosto bebe o vinho.
- Abril, espigar; Maio, engrandecer; Junho, ceifar; Julho, debulhar; Agosto, engravelar; Setembro, vindimar.
- Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Água d'Ascensão, tira o vinho e dá o pão.
- Água de Maio e três de Abril valem por mil.
- Água de Maio, pão para todo o ano.
- Água de Maio, pão tremês, não o percas nem o dês. 

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com
** A taberna - Barros de Estremoz - Foto de Jorge da Conceição

1.5.21

TRADIÇÕES: Provérbios de Maio (I)

 

- Águas de regar, de Abril e Maio hão-de ficar.
- Ainda não nasceu nem há-de nascer, quem em Maio o Sete-estrelo há-de ver.
- As favas, Maio as dá e Maio as leva.
- Boa cepa, Maio a deita.
- Borreguinho de Maio, se to pedirem, dai-o.
- Chovam trinta Maios e não chova em Junho.
- Chova-te o ano todo, mas a mim, Abril e Maio.
- Chuva da Ascensão, das palhinhas faz pão,
- Chuva de Ascensão não dá palhas nem pão.
- Chuva de Maio faz as novas ranhosas e as velhas formosas.
- Chuvas da Ascensão, bebem vinho e comem pão.
- Chuvinha da Ascensão, até da palha faz pão.
- De Maio a Abril, ainda que te pese, me hei-de rir.
- De Maio a Abril, há muito que pedir.
- De Maio a Abril, não há muito que rir.
- De Maio a Abril, pouco vai que rir.
- Deixa lenha para Maio, que a fome de Maio sempre veio e há-de vir.
- Depois de Maio, a lampreia e o sável dai-o.
- Dia de Maio, dia de má ventura, mal amanhece, logo escurece.
- Dias de Maio, dias de amargura, ainda não é dia, já é noite escura.

18.4.21

TRADIÇÕES: Provérbios de Abril (VI)

 

- Em Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril, queijos mil.
- Em Abril, queima a canga e o canzil.
- Em Abril, queima a velha, o carro e o carril.
- Em Abril, queima a velha, o chambaril.
- Em Abril, queima o velho o carro e o carril e uma camba que guardou, ainda em Maio a queimou.
- Em Abril, queima-se o carro e o carril.
- Em Abril, queimou a velha o carro e o carril; e uma cambada que ficou em Maio a queimou.
- Em Abril, sai a bicha do covil.
- Em Abril, sai a velha do seu covil, dá uma volta e torna a vir.
- Em Abril, sai o bicho do covil.
- Em Abril, um pão e um merendil.
- Em Abril, vai a velha aonde há-de ir e torna outra vez ao seu covil.
- Em Abril, vai a velha aonde tem de ir e vem dormir ao seu covil.
- Em Abril, vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.
- Em Abril, vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.
- Em Abril, vai aonde hás-de ir e volta ao teu covil.
- Em Abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.
- Em Janeiro junta a perdiz ao parceiro, em Fevereiro faz um rapeíro, em Março faz o covacho, em Abril enche o covil, em Maio, pi-pi-pi para o mato.
- Em Janeiro seca a ovelha no fumeiro, em Março no prado e em Abril se vai medir.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

15.4.21

TRADIÇÕES: PROVÉRBIOS DE ABRIL (V)

- Em Abril, a rês perdida recobra vigor e vida.
- Em Abril, a velha vai e volta ao seu covil.
- Em Abril, abre a porta à vaca e deixa-a ir.
- Em Abril, águas mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril, águas mil que caibam num barril.
- Em Abril, águas mil, coadas por um funil.
- Em Abril, águas mil, coadas por um mandil.
- Em Abril, águas mil, que caibam num barril.
- Em Abril, águas mil.
- Em Abril, cada pulga dá mil.
- Em Abril, cavar e rir.
- Em Abril, corta um cardo e nascerão mil.
- Em Abril, de uma nódoa tira mil.
- Em Abril, enchem o covil.
- Em Abril, espigar.
- Em Abril, guarda o teu gado e vai aonde tens de ir.
- Em Abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
- Em Abril, mau é descobrir.
- Em Abril, o cuco há-de vir.
- Em Abril, pelos favais vereis o mais.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


14.4.21

PROVÉRBIOS DE ABRIL (IV)

 - 

- Em Abril abre a porta à vaca e deixa-a ir.
- Em Abril ainda queima a velha o carro e o carril e deixa um tição para Maio, para comer as cerejas ao borralho.
- Em Abril cada pulga dá mil.
- Em Abril corta um cardo, nascerão mais de mil.
- Em Abril dá a velha a filha, por um pão a quem lha pedir.
- Em Abril deita-te a dormir.
- Em Abril dorme o moço ruim e em Maio dorme o moço e o amo.
- Em Abril e Maio moenda para todo o ano.
- Em Abril guarda o gado e vai onde tens de ir.
- Em Abril lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
- Em Abril o boi bebe no rio.
- Em Abril pelos favais vereis o mais.
- Em Abril queijos mil e em Maio, três ou quatro.
- Em Abril queima a canga e o canzil.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril e deixa um tição para Maio, para comer as cerejas ao borralho.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril e o que ficou, em Maio o queimou.
- Em Abril queima a velha o carro e o carril, uma camba que ficou, ainda em Maio a queimou e guardou o seu melhor tição para o mês de São João.
- Em Abril queimou a velha, o carro e o carril; e uma cambada que ficou, em Maio a queimou.
- Em Abril quer-se águas mil coadas por um mandil.
- Em Abril, a Natureza ri.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


12.4.21

PROVÉRBIOS DE ABRIL (III)

 

- Água de Maio e três de Abril valem por mil.
- Água que em Abril ficar, no Verão há-de regar.
- Água que no Verão há-de regar, em Abril há-de ficar.
- Águas de Abril são moios de milho.
- Águas de regar, de Abril e Maio hão-de ficar.
- Altas ou baixas, em Abril vêm as Páscoas.
- Antes a estopa de Abril, que o linho de Março.
- Ao princípio e ao fim, Abril costuma ser ruim.
- As manhãs de Abril são boas de dormir.
- Aveia até Abril está a dormir.
- Borreguinho de Abril, tomaras tu mil.
- Camponês em Abril tem bagaço no cantil.
- De grão te sei contar que em Abril não há-de estar nascido nem por semear.
- De Março a Abril há muito que pedir.
- De Março a Abril há pouco que rir.
- Depois de Ramos, na Páscoa estamos.
- Do pão te hei-de contar, que em Abril não há-de estar nascido, nem por semear.
- É mau por todo o Abril ver o céu a descobrir.
- É próprio do mês de Abril, as águas serem mil.
- Em Abril a velha sai e volta ao seu covil.

* Recolha de Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt
** Pintura de Virgínia Peleja

22.7.18

TOLOSA na recolha etnográfica de Leite de Vasconcelos (1)

Leite de Vasconcelos, um dos maiores etnógrafos e arqueólogos portugueses andou pelas terras da Corte das Areias e fez de Tolosa, por diversas vezes, o seu "poiso" habitual. Não admira, pois, as inúmeras referências a esta vila, nas principais obras do autor, como são a Etnografia Portuguesa  e Terras da Lusitânia.
Neste espaço transcrevemos algumas das prosas, deliciosas, sobre costumes e tradições locais.
Como se tratavam algumas doenças em Tolosa
Quebranto/mau olhado - Os animais também são vítimas do mau olhado, e o remédio é o mesmo. Em Tolosa, o diagnóstico faz-se, mas com três pingos de azeite de uma candeia acesa, deitados em chávena ou tijela branca com água, dizendo-se:
Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo,
Vou ver se isto (diz-se o nome) tem quebranto.
Havendo quebranto, cura-se com esta reza, fazendo a benzedeira cruzes com a mão ou com um rosário: Deus é verbo / Verbo é Deus;/ Deus te benza,/ Benza-te Deus. / Deus te criou,/ Deus te tire este mal / De quem a ti acobrantou.
Dito isto três vezes, rezam-se três credos, três padres-nossos, três ave-marias e no fim faz-se este oferecimento: "Ofereço estes três padres-nossos, estas três ave-marias, estes três credos em Deus Padre, com esta oração do verbo divino às três divinas pessoas da Santíssima Trindade, para que estas benzam F. (...) por dentro e por fora, para que lhe tirem a moléstia que ela tem em seu corpo."
A este propósito, recita-se em Tolosa: Todo o homem que se case, / Deve ter um pau ao canto, / Para benzer a mulher, / Quando lhe dê o quebranto.
Ougamento - augamento - aguamento: Quando, em Tolosa, menino do colo tem o cabelo ralo diz-se que está ougado. Mirra-se, ainda que tome leite ou coma. Pede, então, a mãe, a cinco cachopas de nome Maria que obtenham das mães farinha, azeite, açúcar, água e sal para se fazer um bolo; uma sexta Maria leva-o ao forno e uma sétima vai amassar. O apontamento termina aqui, mas é de supor que o resto da receita seja comer a criança uma parte do bolo e dar o resto a um cão que ficará com a doença.
Outro modo de curar criança ougada é irem sete cachopas de nome Maria cada uma a sua casa e pedirem uma pouquechinha de cozinha, por exemplo, caldinho da panela, etc., ... misturarem tudo e darem uma parte à criança e o que sobeja a um cão; fica este ougado. O que se come também pode ser leite de cabra ou de vaca.
Menino desmamado pode estranhar e ficar ougado. Aconteceu isto a um cuja avó contou ao Autor que foi a casa de nove mulheres de nome Maria, que andavam a criar, e ordenhou uma pinguinha de leite do seio de cada uma delas e deu a mistura a beber ao menino. Deu o que sobejou a um cão e voltou-lhe as costas. O cão morreu de um dia para o outro e o menino sarou aos poucos.
Diz-se que os animais ougam. É o que pode acontecer a um cavalo que está habituado a parar em certo sítio e não pára: estranha e ouga.
Sezões ou maleitas - Em Tolosa, curam-se as maleitas de muitas maneiras: com o amargor de cinco tremoços engolidos em jejum com água fria; colhendo antes de o sol nascer, em qualquer dia, cinco olhos de trovisqueira e dizendo: Deus te salve, trovisqueira, / Deus te queira salvar, / Empresta-me esse teu fato / Quando as minhas maleitas me faltar / Eu to virei entregar.
Levam-se para casa e, curadas as maleitas, tornam com eles à trovisqueira; trazendo uma pele de eiró no pulso esquerdo, enquanto durar, e dura muito; deitando num copo umas pedras de sal e um ovo partido e vinagre, deixando-o ao relento da noite e bebendo isto no outro dia, em jejum, antes do nascer do sol.
Outra variante: quem tem maleitas vai ao pé de uma trovisqueira antes de nascer o sol e diz- lhe: Deus te salve, trovisqueira,/ Deus te queira salvar! / Tira-m´as minhas maleitas/ Que estão as orfas (sic) a chegar!
Traz um ramo de trovisco para casa sem olhar para trás.

22.7.17

NISA: O nosso passado não morreu! (1)

Sobre o "Falar de Nisa" - Nota introdutória
O NOSSO PASSADO NÃO MORREU!
... só morrerá quando todos o esquecermos.
E não parece que seja o que mais queremos: basta ler este jornal e/ou pensar no culto de várias das nossas tradições.
Alguém disse, com muita razão, que nós somos nós e as nossas memórias. Na verdade, no nosso Passado estão os caboucos da nossa vida presente e futura.
Mas o Passado é como um “garramiço”. Quantos ramos e quantas folhas tem, umas e outros reciprocamente entrelaçados e solitários?
As artes, os ofícios, o trabalho da terra, o vestuário, a alimentação, a casa, etc., etc., sem esquecer, como factor maior, a língua em que todos se entendiam e que os congregava como comunidade. Quem conhece o seu Passado conhece-se melhor.
Por mero acaso vieram-me parar às mãos vários textos (talvez dezenas), escritos no falar da nossa Terra mas sem respeito pelas regras ortográficas e procurando aproximar-se da Fonética. No seu conjunto, não são fáceis de decifrar.
Porque considero que essa forma de falar não é de ninguém mas é um bem de todos, dou-os agora a publicação na sua versão primitiva que, vista à luz da ortografia actual, tem o seu quê de complicado. Para comodidade dos leitores, cada texto será acompanhado duma versão em Português Padrão.
Se, nas minhas memórias, recuo várias dezenas de anos, verifico ter sido assim que eu ouvi falar as pessoas mais velhas e não só. Claro que, na comunidade local, alguns tinham atingido outros níveis daquilo a que tem sido costume chamar Cultura. No entanto, conservavam alguns traços daquela outra forma de falar.
Para divulgação entre todos os que são curiosos do Passado da nossa Terra, estes textos irão sendo publicados enquanto houver pessoas interessadas no seu conhecimento e a Redacção deste jornal assim o entender.
José d´Oliveira Deniz
 NOTA: Este, excepcional,  conjunto de textos, que hoje começamos a colocar no "Portal de Nisa", foram publicados no "Jornal de Nisa" - 1ª série. Constituem, a meu ver, preciosos documentos etnográficos e culturais, bem elucidativos e marcantes sobre a tradição oral e um modo de falar, singular, o nosso. O "falar de Nisa". Leiam-nos com atenção e... divirtam-se!

24.2.17

TRADIÇÃO ORAL: As alcunhas do Pé da Serra

Alcunhas quem as não tem
Há as em qualquer lugar
As que são do Pé da Serra
Eu vou aqui relembrar

A Nazaré Cavalheira
É mulher do Presidente
Mais conhecido p´lo Vara
Lá da Rua do Corrente

Junto à Fonte do Terreiro
Tem casa o Chico Barbeta
Moram no Largo da Igreja
Ti Farrada e Fastineta

Na Rua Nova eu conheço
O Pisco e o Zé Pação
O meu primo Chico Dim
E o ti João Manelão

Mesmo no centro da aldeia
Largo da Fonte da Bica
Vive o ti Zé Pires Pulão
E mais a ti Perna Chica

Lá bem no cimo do monte
Junto ao cemitério velho
Mora a Nazaré Fadinha
Com o ti Chico Bodelho

O ti Manel Louro Espirra
Hoje já perdeu o pio
Noutros tempos foi poeta
A cantar ao desafio

Não quero que ninguém fique
Com as alcunhas ofendido
Desculpem, mas estes versos
Foram feitos a pedido

Se calhar nos que falei
Comigo ficam zangados
Talvez os que ignorei
Queriam aqui ser lembrados

Tudo o que hoje escrevi
Somente a verdade encerra
Toda a vida eu ouvi
Falar assim cá na terra
Maria Nazaré Gonçalves

19.3.14

TRADIÇÃO ORAL: As Alcunhas de Nisa (10)


Porém, uma esperança, ainda temos,
Quando, um dia, isto mudar;
Não veremos certas coisas que vemos,
E que temos d´ouvir, sem bufar.

Quem tem figueiras, tem figos,
Quem não trabalha, dizem: é mandrião!
Se há dinheiro, há amigos,
De Peniche, alguns o são.

Anda o proprietário assustado,
Por causa d´um certo escr´avelho;
Vou passar a estar calado,
Não quero n´isto meter o bedêlho.

Foi coveiro o Badanela,
Que enterrou muita gente;
Foi forneiro um tal Sovela,
Que não gostava de pão quente.

Não me chamem maldizente,
Pois digo aqui muita verdade;
Dil-o por ahi muita gente,
Que, de dizer mais, tem vontade.

Muita Paciência é preciso,
Pr´a ser diferente de um Camões;
Muito custa fazer versos
Quando chove e há trovões.

O Carrajola e o Bagina,
Foram a uma patuscada;
Pr´a provar a boa pinga,
Foi convidado o Rata-Pelláda.

Esgotaram o Garrafão,
E um d´elles ficou tão borracho;
Que foi preciso vir o Parrácho,
Que dizem ser d´Alpalhão.

Andam muitas coisas mudadas,
Como se tem observado;
Mas... d´as taes Horas Minguadas,
É que é d´a gente ficar pasmado.

Se isto passa a ser uso,
O que virá a dar-se, não sei;
É urgente acabar com tal abuso,
Pr´a que um e outro, não façam lei.

Já se vai ouvindo a Poupa,
D´aqui a pouco se ouve a Rollinha;
Já se pode lavar bem a roupa,
Pode a gente andar limpinha.

Já da honra se faz comércio,

Como se fosse artigo de tenda;
Pr´a sustentar vaidade e luxo,
Muita fêmea há que se venda.

Pedia, d´antes, o pobre ao ricaço,
Hoje o contrário d´isto sucede;
Vê-se isto a cada passo,
É o rico que ao pobre pede.

Parece estar agora na moda,
Pr´a qualquer coisa pedinchar;
Se lhes sahisse a sorte grande,
Ninguém os podia aturar.

Pede-se pr´ó Capacete,
E pr´a festa da Flor;
Pr´os tuberculosos e cancerosos,
E sempre se dá, sem clamor.

Pr´a tudo há subscripções,
Pr´o Hospital, pr´a cruzada;
Pr´os Padres das Missões,
E pr´a outros que não dão nada.