Com as
notícias sobre as turmas ainda sem professores a intensificarem-se também por
cá, torna-se inevitável analisar a componente socioeconómica do problema. Uma
análise dificultada, claro está, pela falta de informação oficial atualizada e
clara. Sabemos que em Portugal a falta de professores tem como causa estrutural
direta a crise na habitação, mas esse fator acaba por somar-se a outros que
deixam particularmente expostas escolas inseridas em bairros com maior
vulnerabilidade social, na Área Metropolitana de Lisboa. Casos mediatizados
como os de Marvila, Monte Abraão ou Queluz-Belas tocam escolas inseridas em
territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP). Não é preciso bola de
cristal para antever efeitos em cadeia nesta persistência da falta de
professores em locais que deveriam ter instrumentos redobrados para intervir.
Sendo objetivo do programa TEIP promover o sucesso e garantir a inclusão e
igualdade de oportunidades, não há metas que resistam quando falta o mais
básico dos ingredientes: o professor. Tanto por fazer. Tanto por cumprir.
Inês Cardoso
– Jornal de Notícias - 7 de outubro, 2026
