17.10.26

OPINIÃO: Casas caras, bastonadas baratas


Por vezes, a juventude incomoda. É uma chatice. Porventura, há quem gostasse que todos os alunos portugueses fossem para as escolas públicas de uniforme, arrumadinhos. Se estivessem sempre caladinhos, melhor.

Não faltará, portanto, quem olhe com simpatia para as regras que a presidente do Peru vai impor às escolas públicas. As raparigas vão ser impedidas de usar cores extravagantes no cabelo, minissaias, verniz nas unhas e maquilhagem. Já os rapazes terão de optar por cortes de cabelo curto, dita a conservadora Keiko Fujimori.

Jovens que não levantem ondas ou que não questionem regras dão jeito a quem prefere a obediência à liberdade. Como é óbvio, nem sempre têm razão. E ser jovem não significa dispensar o respeito pela lei.

Mas a carga policial a que assistimos ontem no Porto, onde há vários dias decorre um protesto pelo direito à habitação, além de desproporcional, revela falta de capacidade em lidar com estas situações. Política, também. As imagens que correm nas redes sociais são claras. A Polícia alega que os manifestantes não respeitaram a ordem de remoção das tendas que estavam montadas na Praça de D. João I e que alguns jovens resistiram à atuação policial. Mas o que vimos foi mais do que uma "intervenção musculada".

Faltou, claramente, capacidade de gestão do conflito. Faltou ponderação e proporcionalidade. Muito provavelmente, nos próximos protestos, os manifestantes vão olhar para a Polícia como um inimigo e não como uma força protetora.

A violência gera sempre violência. Esperemos que este não tenha sido um rastilho difícil de controlar.

Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 16 de outubro, 2026