Não
faltará, portanto, quem olhe com simpatia para as regras que a presidente do
Peru vai impor às escolas públicas. As raparigas vão ser impedidas de usar
cores extravagantes no cabelo, minissaias, verniz nas unhas e maquilhagem. Já
os rapazes terão de optar por cortes de cabelo curto, dita a conservadora Keiko
Fujimori.
Jovens
que não levantem ondas ou que não questionem regras dão jeito a quem prefere a
obediência à liberdade. Como é óbvio, nem sempre têm razão. E ser jovem não
significa dispensar o respeito pela lei.
Mas
a carga policial a que assistimos ontem no Porto, onde há vários dias decorre
um protesto pelo direito à habitação, além de desproporcional, revela falta de
capacidade em lidar com estas situações. Política, também. As imagens que
correm nas redes sociais são claras. A Polícia alega que os manifestantes não
respeitaram a ordem de remoção das tendas que estavam montadas na Praça de D.
João I e que alguns jovens resistiram à atuação policial. Mas o que vimos foi
mais do que uma "intervenção musculada".
Faltou,
claramente, capacidade de gestão do conflito. Faltou ponderação e
proporcionalidade. Muito provavelmente, nos próximos protestos, os manifestantes
vão olhar para a Polícia como um inimigo e não como uma força protetora.
A
violência gera sempre violência. Esperemos que este não tenha sido um rastilho
difícil de controlar.
Manuel
Molinos – Jornal de Notícias - 16 de outubro, 2026
