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2.9.25

NISA: Conheça os poetas do concelho (XLIX) - Joaquim Marques

 


INFÂNCIA 

Infância longe ficaste...

Já nebulosa no tempo

Mas na memória presente:

Os serões das histórias,

Sem pesadelos nem glórias.

No inverno á lareira!

Vida simples, verdadeira...

 

Infância longe ficaste...

Momentos de brincadeira,

Ao sol, ao luar, na ribeira...

Aquela raiada bola,

Som do cano de cebola,

O descobrir de um ninho,

Jogar o pião de azinho...

 Infância longe ficaste...


Cadernos, livros, sacola,

O caminho da escola...

Dos velhos o ensinamento,

Do sábio conhecimento,

Que sustenta a amizade...

É imensa a saudade!

 

Infância longe ficaste...

Saudade dos locais,

Daquilo que não volta mais:

Saudade desses tempos,

Saudade dos ausentes,

Saudade dos que ficaram,

E de tantos que já partiram....

 

Joaquim Marques

Fanqueiro, 20 de Maio de 2001

 

 

28.8.24

TEXTOS DE AUTORES NISENSES (18)– Joaquim Marques - Os Corticeiros

Os Corticeiros
Maio era um mês de intensa actividade agrícola. As mulheres ocupavam-se nas sachas e mondas. Já os homens se dividiam em grupos e se dedicavam á ceifa dos fenos, tosquia dos rebanhos e descortiçamento. É desta dura actividade que hoje aqui trazemos à lembrança, e que ocupava todos os anos um considerável número de homens da nossa terra que percorriam os campos do Alentejo descortiçando milhares de sobreiros.
De nove em nove anos repete-se o ritual, numa sequência que não é eterna mas dura muito mais do que a vida de qualquer tirador. É de Maio a Agosto que a cortiça se tira, e é bom que tenha chovido bem na Primavera e venha o Verão quente sem ser abrasador. Sendo assim, sairão melhor as pranchas de cortiça.
O primeiro corte é feito à altura do peito de um homem, em redondo à volta da árvore. Depois faz-se um fio de alto a baixo, de cada lado do sobreiro, e começa-se a desagarrar a cortiça, com a unha da machada, que é como se chama o cabo dela, muito característico, em forma de cunha. A primeira prancha é tirada de cima para baixo, até ao chão; as restantes, sempre de baixo para cima.
Se o sobreiro for muito grosso, fazem-se vários fios, três ou quatro, para saírem várias pranchas. É assim até às pernadas. Quando se chega aí, depende da grossura delas: tira-se em prancha, a dois fios, se der para isso, ou em caneleiros, a cortiça toda de uma vez com a forma de um canudo.
A primeira tiragem que se faz ao chaparro, tirando a cortiça virgem, toma o nome de desboia.
Na vez segunda é secundeira. Daí por diante é simplesmente amadia, a que tem maior cotação no mercado.
Um sobreiro dá em média cerca de três arrobas de cortiça (45 quilos), o suficiente para fazer aproximadamente 1400 rolhas naturais de primeira qualidade e quase outras tantas a partir do granulado resultante das aparas.
As herdades maiores tinham grupos de 50 a 70 corticeiros. A foto que reproduzimos é de um grupo de corticeiros do Arneiro, em pleno Alentejo e remonta ao final da década de 50.
Para lhes matar a sede, no calor do Verão, ia o aguadeiro, rapaz que tinha essa função, levar barris de água, trazida da fonte mais próxima, das muitas que então havia pela charneca. E para matar a fome e ter forças para o trabalho da tarde, ia a panela com o comer adiantado que se cozinhava no local e que se comia em pé, cada qual chegando-se a ela, tirando a sua colherada e afastando-se de seguida para dar lugar a outro.
Aconteceu na “cortiça”…
Todas as fainas agrícolas eram duras, mas era costume fazer brincadeiras e partidas que levavam a suportar melhor a dureza do trabalho. Os corticeiros dormiam em cima dos sobreiros, para se protegerem de bicharada e do gado bravo, dentro de uma coucha de cortiça, onde faziam o “colchão” com carqueja ou palha. Para subirem aos sobreiros faziam uma tosca escada de uma forca dom entalhes para ajudar a subida, mais penosa para os mais velhos.
Certo dia, a rapaziada mais nova resolveu fazer uma partida ao Ti António Diogo Rosa, que era dos mais velhos, quando fosse dormir na sua “coucha”, num sobreiro jovem de tronco frágil.
Combinaram atar uma corda ao chaparro, e quando ele já dormisse, puxassem a corda e o abanassem violentamente.
Acontece que Ti Manel Diogo Rosa também um dos mais idosos e tio daquele, sabendo da tramóia, avisou-o para ele se precaver.
Chegada a noite, escura por sinal, os rapazolas em silêncio total, vai de agarrar na corda e puxar, puxar, puxar… quando uma voz conhecida, em jeito trocista, se faz ouvir do cimo do chaparro: - Puxa, Puxa… que puxas o que é teu!
Ti António tinha atado a ponta da corda ao saco das batatas do rancho, e os rapazolas bem se esforçavam para abanar o chaparro que nem bulia, perante a galhofa dos mais velhos!
Episódio contado por Francisco Morais, protagonista do grupo dos rapazolas, a quem agradecemos o relato
* Joaquim Marques in “O Montesinho” nº 11 – Maio 2010
FOTO – Extraída do mesmo boletim e texto

12.9.17

SANTANA (Nisa): Novo livro de Joaquim Marques apresentado com sala cheia








Realizou-se no passado sábado, dia 9, na Casa do Povo/Junta de Freguesia de Santana, em Arneiro, a apresentação do livro "Apontamentos Históricos e Genealógicos para uma Monografia da Freguesia de Santana", da autoria de Joaquim Marques Rodrigues com edição da Chiado Editora.
Numa sala repleta de público, foram oradoras convidadas as doutoras Graça Cêncio e Fátima Dias que falaram sobre o livro, a sua importância para a história da Freguesia, e do autor, Joaquim Marques, evidenciando os traços mais determinantes da obra de grande impacto local e regional, bem como da investigação que lhe está subjacente.

22.6.14

"Contos Montesinhos" vão ser apresentados em Vila Velha de Ródão

O livro "Contos Montesinhos" da autoria de Joaquim Marques, vai ser apresentado em Vila Velha de Ródão, no próximo sábado, dia 28, por ocasião da Feira dos Sabores do Tejo.
A apresentação irá decorrer na Biblioteca Municipal, a partir das 20,30h, numa sessão que conta com a presença do autor e que será ainda aproveitada para a apresentação dos nºs 7 e 8 da revista Açafa Online, publicação da Associação de Estudos do Alto Tejo.