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Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 12 de
setembro, 2025
15.9.25
OPINIÃO: Pornografia do ódio
14.9.25
NISA: Três freguesias à beira do vazio demográfico
As três freguesias têm em comum a proximidade do rio Tejo, a ruralidade da paisagem e o envelhecimento da população. A de Montalvão foi sede de concelho entre 1512 e 1836. Na Igreja Matriz está sepultado o último Grão-Mestre dos Templários, D. Frei Vasco Fernandes.
Em 1801, no concelho (Montalvão e Salavessa) viviam 1327 almas. De 1864 a 1940 esse número
teve um crescimento significativo, mas a partir desta década dá-se um movimento
de sentido contrário. A perda de população é progressiva e vai aumentando de
censo para censo. O êxodo rural, a emigração interna (Grande Lisboa) e para o
estrangeiro (França, principalmente)
deixam a freguesia quase sem gente activa para trabalhar a terra, a grande
fonte de rendimento das populações.
A construção da Celulose do Tejo e da Barragem de Cedillo, no início da
década de 1970 trouxeram alguma esperança
e animação às povoações e concelhos próximos (Nisa e Vila Velha de
Ródão) e a empresa sedeada em Ródão conseguiu fixar gente jovem e é, ainda hoje, a principal empregadora dos dois
concelhos vizinhos do Tejo.
A tendência de despovoamento do país, especialmente do interior
acentuou-se na década de 80 e a população portuguesa entrou num processo de declínio, passando de uma
população jovem a uma população
envelhecida com uma representação piramidal. Este envelhecimento demográfico,
com a perda da população jovem de forma progressiva, foi mais sentido no
interior do país e o concelho de Nisa não foi excepção.
Desde os anos 80, o número de nascimentos tem vindo a diminuir,
situação reflectida na base da pirâmide
etária que mostra haver cada vez menos crianças.
De tal modo que em 2021, na divulgação dos resultados dos Censos, o
concelho foi notícia por numa das suas freguesias (Santana) ter registado a
maior percentagem de idosos em Portugal. Segundo os números do Censos 2021, em
Santana, 74,7% da população tinha pelo menos 65 anos de idade. Havia na
freguesia uma única criança, situação que motivou uma reportagem de um
semanário nacional.
A freguesia de S. Matias com seis povoações (Cacheiro, Velada, Chão da
Velha, Monte Claro, Falagueira e Montes Matos) está praticamente despovoada.
Sobram as casas, algumas de aspecto senhorial, as ruas desertas onde não se vê
vivalma e os dados são reveladores do declínio das povoações, apesar da
construção da Barragem do Fratel no rio Tejo que teve um efeito perverso, a
nível demográfico: criou esperança e renovação, por um lado; acentuou a
desertificação após a barragem entrar em funcionamento e, sobretudo, com a
automatização desta infra-estrutura.
Dados dos Censos de 2021 indicam que esta freguesia tinha apenas 5 crianças entre os 0-14 anos e
104 pessoas com 65 anos ou mais.
Das seis povoações referidas, quatro tinham escola. Duas foram
requalificadas e aproveitadas para outras funções, as restantes deixadas ao
abandono e aos caprichos da natureza. São monos e nódoas na paisagem.
Voltemos a Montalvão, sede de antigo concelho. Nos dados dos Censos de 2021, a freguesia tinha 8 crianças com idades até aos 14 anos e havia 173 pessoas com 65 anos ou mais.
A antiga vila mantém o edifício da escola, com rés do chão e 1º andar, adaptado a centro cultural e espaço museológico, os edifícios da GNR e Guarda Fiscal, a necessitarem de obras de reabilitação, um lar de idosos moderno e funcional, o antigo castelo e a imponente igreja matriz, pedras angulares do seu passado histórico.
“ O interior não pode perder a esperança”
Margarida Ribeiro é a presidente da Junta de Freguesia Montalvão, mãe
de dois jovens, um com 20 e outro com 15 anos. Após a formação em engenharia
agrária optou por fixar-se na terra onde nasceu e aponta algumas das razões da
falta de jovens na sua freguesia.
“A Freguesia de Montalvão era uma terra de pessoas que trabalhavam
principalmente no campo, na agricultura e na pastorícia, trabalho esse muito
desvalorizado na sociedade. Em busca de vidas melhores ou com mais qualidade,
saíram das suas terras muita gente em idade reprodutiva, tanto a nível
profissional como pessoal.
Esse foi o principal factor que fez com que a nossa freguesia ficasse
envelhecida e com pouco jovens.
Actualmente temos menos de 10 jovens e crianças, pois a falta de mais
empresas na zona causa essa situação, mas também temos uma população pouco
empreendedora, isso leva a que cada vez sejamos menos.”
Questionada sobre as medidas que poderiam ser tomadas para tentar
inverter esta situação, disse-nos:
“ Quanto ao futuro, apenas me resta dizer que temos esperança que mude, pois existem agora mais meios e condições para que as pessoas se possam fixar no interior, estou a referir me ao custo de vida mais barato, acesso a novas tecnologias, entre outros que promovem uma melhor qualidade a nível de vida pessoal.”
O desporto como paixão
João Mourato Ribeiro tem 15 anos e é um dos poucos jovens da freguesia.
Estuda em Nisa, está no 10º ano, área de desporto.
O desporto é, de resto, uma das suas actividades preferidas de ocupação
dos tempos que sobram do estudo, ainda que sejam raros os companheiros para uma
boa “futebolada” na rua. Ao contrário do irmão, o campo e a vida rural
dizem-lhe pouco. Prefere aproveitar o tempo a jogar na internet e as suas
preferências centram-se mais nas ofertas do mundo urbano.
Não é apenas animar a malta, como diz a canção, mas atentarmos nos
números do nosso progressivo vazio demográfico, em Nisa e no país.
O concelho de Nisa, globalmente, é um espelho dos dados das três
freguesias referidas. Basta dizer que em 2024 havia 455,9 pessoas com 65 anos e mais, por cada 100 menores de 15
anos.
De acordo com Lara Patrícia Tavares,
num estudo para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, “a baixa fecundidade veio para ficar. Em
Portugal como n maior parte do mundo.”
Não haverá cada vez menos crianças e jovens só porque nascem menos
bebés! É preciso ter em linha de conta o envelhecimento populacional, a saída
de jovens por falta de oportunidades económicas, a escassez de serviços de
apoio às famílias, entre outros factores.
Não há uma “receita” para vermos aumentar o número de bebés!
Sabemos, sim, que são precisas medidas para reconstruir o tecido social
e estas não podem centrar-se em medidas avulsas e de efeito , apenas, imediato
ou de “paninhos quentes”.
É certo que o poder local não pode resolver por si só, um problema que
é nacional e até transnacional, mas pode pensar com responsabilidade no
desenvolvimento do território e dar o seu contributo sério para a minorar o
problema do “inverno” demográfico.
Como um “dinossauro” autárquico dizia, já há alguns anos, “continuamos a construir infra-estruturas que, no futuro próximo, ninguém irá utilizar”.
É preciso criar condições, entre estas, emprego, ambiente, segurança, para atrair e fixar pessoas, jovens casais ,
preferencialmente, que aqui em Nisa, no
Alentejo e no interior do país possam
sentir ser este o seu lar para poderem dar mais vidas à vida e abrir novos
horizontes ao futuro.
Para além do poder local, as políticas públicas são essenciais para responder aos desafios desta realidade de um país envelhecido e que deverá perder 23% da sua população activa, entre os 20 e os 64, até 2060, segundo Lara Tavares, atrás citada.
Em Nisa, a Câmara Municipal implementou o programa Nascer em Nisa com a atribuição de um valor pecuniário de 500 euros (primeiro filho) ou 750 euros (segundo filho). É uma ajuda ou incentivo esporádico e que não representa uma solução. É preciso ir mais longe, desde o estímulo à criação de emprego, à melhoria de salários, à criação de apoios à habitação, como a auto-construção, apoios nas rendas de casa e na reabilitação de casas devolutas.
Estes são, seguramente, dois dos principais problemas que o país
enfrenta , a baixa natalidade e a baixa taxa de fecundidade.
As entidade públicas, Estado e Autarquias Locais, não podem desresponsabilizar-se do papel que lhes cabe
na organização social do território e na criação de condições de vida digna
para os seus naturais e para todos aqueles que sentem o nosso país como a sua
casa e nela querem construir o seu ninho familiar e o seu futuro.
• Mário Mendes in "Alentejo Ilustrado" - Setembro 2025
PORTALEGRE: Recuperação de bufo-real
Na sequência de um alerta por parte de um cidadão a dar conta de que se
encontrava uma ave presa numa rede de vedação e com uma asa ferida, os
elementos do SEPNA dirigiram-se ao local.
Na sequência da ação, a ave foi resgatada e entregue no Parque Natural
da Serra de São Mamede, para monitorização do seu estado de saúde e
recuperação.
A Guarda Nacional Republicana, através do Serviço da Proteção da
Natureza e do Ambiente (SEPNA), tem como preocupação diária a proteção dos
animais, apelando à denúncia de situações de âmbito ambiental. Para o efeito,
poderá ser utilizada a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520)
funcionando em permanência para a denúncia de infrações ou esclarecimento de
dúvidas.
CASTELO DE VIDE: Exposição “Janelas e Portas de Castelo de Vide” de António Busca
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide assinala as Jornadas Europeias do
Património. O programa 2025 local inclui a exposição de fotografias “Janelas e
Portas de Castelo de Vide” da autoria de António Manuel Pacheco Busca (coleção
particular) que será inaugurada pelas 17h00 da segunda-feira dia 15 de setembro
na Sala Polivalente da Escola Garcia d’Orta onde pode ser vista até 26 de
setembro.
Igualmente haverá lançamento e venda de um conjunto de postais antigos
de Castelo de Vide, numa sessão conjunta com a presença de professores, alunos
e elementos da comunidade educativa.
As Jornadas Europeias do Património são uma atividade anual do Conselho
da Europa e da União Europeia que envolve mais de 50 países, no âmbito da
sensibilização dos povos europeus para a importância da salvaguarda do
Património.
A ideia base é promover o acesso aos monumentos e sítios, convidando à
participação ativa na descoberta de uma herança cultural.
9.9.25
EXPOSIÇÃO: Tempo Zero - Nem paz nem guerra
Inauguração da exposição do artista plástico saharaui Aawah Walad.
Lisboa, Ler Devagar - Lx Factory, 18h
Entre 9 e 14 de Setembro, na Livraria Ler Devagar (Lx Factory, Lisboa),
vamos ter oportunidade de ver uma série de obras de um excecional artista
saharaui: Aawah Walad.
"Tempo Zero" tem como objetivo dar visibilidade à história e
à vida quotidiana do povo saharaui durante mais de cinco décadas de exílio.
Através das pinturas apresentadas, o artista procura transmitir uma
mensagem clara: "Apesar do esquecimento, nós existimos; e apesar do
exílio, continuamos a encontrar momentos de beleza, dignidade e
resistência."
É para a AAPSO uma enorme honra poder trazer a Portugal tão importante
exposição.
A inauguração, no dia 9 de setembro às 18:00, contará com a presença de
Aawah Walad.
Visitas guiadas pelo artista: 10 e 13 de Setembro, às 16:30 e às 18:00.
Inscrição obrigatória (até 24 horas antes) para o email
aapsaharao@gmail.com
8.9.25
Mulheres marcam colheita de sangue em Montargil
De Montargil seguiram, para as reservas regionais, 23 unidades de
sangue total, dado que todos os inscritos estavam em condições de estender o
braço.
Uma mulher doou sangue pela primeira vez na vida – e que bom se outros
lhe seguirem o exemplo.
No kartódromo de Portalegre
Sábados de manhã têm lugar as nossas colheitas. Todos estão convidados
a ir ao kartódromo de Portalegre a 20 de setembro, no contexto do 26.º
aniversário do Grupo Motard Novo Milénio. Na sede do Rancho Folclórico de
Arronches temos encontro marcado a 27 de setembro
Contamos com a sua partilha! E que tal visitar:
https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/
JR
7.9.25
SOUSEL: Detido por posse de armas proibidas
No âmbito de uma denúncia por desacatos, os militares da Guarda
dirigiram-se ao local. No âmbito das diligências policiais, os militares da
Guarda localizaram e identificaram o suspeito, tendo sido possível verificar
que se encontrava na posse de duas arma proibidas, tendo sido de imediato
detido. Ainda no decorrer da ação foi possível encontrar e proceder à apreensão
de mais duas armas na residência do suspeito.
Da ação resultou a apreensão do seguinte material:
Uma arma de agressão;
Uma arma de ar comprimido de calibre 5.5;
Uma pistola de calibre 6.35mm;
Uma espingarda de calibre 12;
Diversas munições.
O detido foi constituído arguido, e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Fronteira.
MARVÃO: homem mordido por víbora esperou mais de 10 horas por antídoto
Segundo a SIC o incidente ocorreu no dia 26 de agosto, por volta das
10h30, quando Fabien foi surpreendido pela mordida da víbora-cornuda, uma
espécie comum em zonas montanhosas de Portugal.
A estação televisiva acrescenta que após contactar o 112, foi
encaminhado para o Hospital de Portalegre, onde não havia o antídoto
necessário. Recebeu apenas analgésicos e teve de aguardar mais de duas horas
por uma ambulância para ser transferido para Lisboa.
No Hospital de São José, também não havia o antídoto específico, sendo
necessário recorrer ao Hospital de Santa Maria, onde Fabien finalmente recebeu
o tratamento, já perto das 20h00. Durante esse período, a dor foi intensa e o
dedo afetado entrou em necrose.
Fabien iniciou oxigenoterapia hiperbárica, um tratamento reconhecido
como eficaz em casos de necrose, e recebeu três doses de antídoto, plasma e
antibióticos. A recuperação está a decorrer de forma positiva, com cirurgia
prevista para remoção do tecido morto.
O Hospital de Portalegre reconheceu que não possui o antídoto para este
tipo de víbora, mas garante que seguiu os protocolos de transferência
estabelecidos.
O caso levanta preocupações sobre a disponibilidade de antídotos em
hospitais do interior e a capacidade de resposta em situações de emergência
envolvendo espécies venenosas.
·
Gabriel Nunes – Rádio Portalegre - 06-09-2025
4.9.25
NISA: Conheça os poetas do concelho (L): António Borrego
há crianças a chorar
há crianças a morrer
no mar...
o barco onde seguiam
era um "cavalo louco"
um monstro visível
que devora os náufragos
o "monstro da indiferença"
olharam a morte nos olhos
sucumbiram...sem resistência
navegavam em busca de vida
não chegaram à terra prometida
a morte...
não lhes declamou poemas
matou-as...apenas
não eram filhos de Jacob
nem Jubulon o marinheiro
os salvou
nas avenidas de luxo
continuam fechadas
as portas das embaixadas
dormem os diplomatas descansados
os profetas não falaram de Aylan
os "tolos" falam em contaminação
os religiosos buscam alivio
nas inúmeras "casas de Deus"
os refugiados não têm casa
na avenida escura
uma das prostitutas disse
coitadas das crianças
um travesti apoiou
e, foi para casa chorar
nessa noite...
já não conseguiu trabalhar
anda a morte no mar
espreita os mais frágeis
SÓ QUERIAM VIVER
A.B. 2015
Reconhecer a Palestina: um passo rumo à paz ou um disfarce diplomático?
Nos próximos meses, tudo indica que assistiremos ao reconhecimento do Estado da Palestina por parte de países como França, Reino Unido, Austrália, Canadá, Malta e Portugal. Estes juntar-se-ão aos cerca de 145 países que já reconheceram o Estado da Palestina desde 1988.
Muitos observadores consideram que este passo diplomático já vem com um longo atraso. Em 1994, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) – o único representante legítimo do povo palestiniano –, sob a liderança de Yasser Arafat, assinou os Acordos de Oslo, comprometendo-se com a solução dos dois Estados. Com Oslo, os palestinianos aceitaram e reconheceram o Estado de Israel com base nas fronteiras de junho de 1967. Esperava-se que Israel retribuísse, reconhecendo o Estado da Palestina, mas isso nunca aconteceu. Além disso, a comunidade internacional, dominada pelos países ocidentais, doou milhares de milhões de dólares em projetos supostamente destinados a apoiar o futuro Estado da Palestina, mas depois evitou comprometer-se com o reconhecimento político do Estado cuja criação supostamente financiava.
Céticos apressaram-se a classificar este reconhecimento como um gesto
vazio – simbólico, mas com pouco impacto concreto na realidade no terreno, já
que toda a zona continuará sob controlo israelita, incluindo os territórios
definidos pelo direito internacional como ocupados. O ainda-por-reconhecer
Estado palestiniano não tem soberania sobre o seu território terrestre,
marítimo ou aéreo, nem sobre as suas fronteiras ou redes de comunicação. A sua
economia continuará a ser manipulada pela largamente dominante economia
israelita, o seu mercado continuará a ser explorado e a segurança da sua
população permanecerá, na melhor das hipóteses, precária.
Particularmente porque as iniciativas previstas carecem de clareza quanto às fronteiras dentro das quais será reconhecido o Estado da Palestina, várias questões diplomáticas permanecem sem resposta. Países como França e Reino Unido mantêm há anos consulados em Jerusalém Oriental; serão agora elevados a embaixadas? Poderão as pessoas palestinianas viajar livremente para os países que reconhecem o Estado da Palestina e beneficiar de isenções de visto semelhantes às dos titulares de passaporte israelita? No plano económico, passarão os produtos palestinianos a ter tratamento preferencial nos mercados europeus, tal como os produtos israelitas? Podemos esperar um Acordo de Associação com a Palestina que elimine ou reduza tarifas e outras barreiras comerciais para bens produzidos no Estado palestiniano?
Muitos de nós no movimento de solidariedade vemos este reconhecimento como uma tentativa de lançar areia para os olhos do mundo. A principal questão neste momento não é o reconhecimento político, independentemente da sua moralidade ou viabilidade. A urgência agora é parar o genocídio e expôr e condenar os crimes de guerra e crimes contra a humanidade que Israel comete à vista de todos, nos nossos ecrãs, todos os dias. Não é controverso afirmar que a ação mais moral a tomar neste momento é parar ativamente a fome deliberada e a matança desenfreada. Quatro agências das Nações Unidas – Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Alimentar Mundial (PAM) e Organização Mundial da Saúde (OMS) – confirmam agora que a Cidade de Gaza e arredores estão a viver uma situação de fome. O Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC), utilizado por governos e organizações internacionais para avaliar os níveis de fome no mundo, elevou a classificação da Faixa de Gaza para a Fase 5, a mais alta e severa, confirmando que mais de meio milhão de pessoas enfrentam condições "catastróficas", caracterizadas por "fome, miséria e morte".
A intervenção internacional para pôr fim a esta agressão está, sem dúvida,
muito atrasada, e os apelos para parar o fornecimento de armas a um exército
que comete diariamente crimes de assassinato indiscriminado, destruição massiva
e fome estão a intensificar-se. No entanto, há a preocupação de que os países
ocidentais estejam a tentar desviar a atenção da sua própria cumplicidade. O
reconhecimento político parece positivo e construtivo mas, nos bastidores, os
mesmos governos continuam a negociar com Israel e a fornecer componentes
militares ao Estado que ativamente nega a existência da Palestina e procura
apagar a identidade coletiva do povo palestiniano.
Recentemente, a Ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Penny Wong, alertou que “há o risco de não restar nenhuma Palestina para reconhecer”. A matança em massa e a fome, somadas aos planos israelitas para voltar a ocupar Gaza com os seus próprios cidadãos, colocam em risco não só a viabilidade de Gaza em si, mas também a possibilidade de criação de um Estado em todos os territórios palestinianos reconhecidos internacionalmente como ocupados. Em maio deste ano, o governo israelita aprovou a criação de 22 novos colonatos judaicos na Cisjordânia, e anunciou agora em agosto um plano de construção de cerca de 3,400 habitações na zona conhecida como E1 — o único corredor que resta às pessoas palestinianas para se deslocarem entre o norte e o sul da Cisjordânia. Esta decisão anula a viabilidade de uma solução de dois Estados. O aumento da presença de colonos e um governo israelita extremista, que promove a impunidade e a supremacia judaica, resultou numa escalada dramática da violência contra as pessoas palestinianas na Cisjordânia, criando um ambiente coercivo que acelera o seu deslocamento e facilita o controlo ainda mais profundo sobre o território e a vida quotidiana.
Torna-se, portanto, vital reformular o reconhecimento do Estado da
Palestina como o reconhecimento do povo palestiniano enquanto coletivo
nacional. Toda a crítica anterior é válida, mas devemos acolher o
reconhecimento como uma afirmação do nosso direito a viver livres da ocupação,
do racismo e da exploração. O reconhecimento deve permitir-nos celebrar a nossa
história, cultura, língua e identidade, independentemente das realidades
políticas que se venham a desenvolver.
O reconhecimento pode também abrir portas a novas ferramentas diplomáticas, quadros legais e até oportunidades políticas para avançar na defesa de uma Palestina verdadeiramente livre, soberana e independente. O reconhecimento não deve ser como uma folha de figueira, que serve para encobrir – deve assinalar o início de uma mudança, não o fim de um processo. Para ter impacto, deve ser seguido de medidas concretas: um embargo de armas, suspensão de privilégios comerciais, aplicação de decisões legais internacionais e garantias de direitos a pessoas refugiadas. O reconhecimento pode ser um ponto de viragem – mas apenas se for sustentado por uma pressão real que provoque mudanças no terreno.
Perante a inércia dos governos ocidentais, a crescente indignação
pública e a solidariedade crescente com o povo palestiniano em todo o mundo são
visíveis e comoventes. Devem ser alimentadas e incentivadas para se tornarem
mais eficazes e estratégicas, pois o seu sucesso será medido pela capacidade de
encontrar formas de desafiar e mudar políticas governamentais que, durante
décadas, apoiaram Israel independentemente das suas ações. As campanhas
lideradas, sobretudo, por organizações da sociedade civil, instituições de
ensino e organizações comerciais do setor privado devem focar o seu discurso em
princípios universais concretos: liberdade, justiça, dignidade e
responsabilização.
Ligar lutas pela liberdade em todo o mundo à luta do povo palestiniano é uma das formas mais eficazes de alargar o movimento, garantindo a sua inclusão e caráter internacional. Do mesmo modo, a sustentabilidade de qualquer solução deve assentar na justiça – tanto na reparação de injustiças históricas como no avanço para novas realidades políticas –, acima de tudo, na implementação do direito de retorno e na criação de soluções justas para os refugiados palestinianos.
Os palestinianos não são filhos de um Deus menor. O seu direito a viver
com dignidade – não apenas como indivíduos, mas também como nação e povo
indígena – é fundamental. Setenta e sete anos após o início da Nakba – o processo
de desumanização, subjugação e colonização do povo e da sua terra que continua
até hoje – devemos lutar para proteger e restaurar o respeito pela humanidade
do povo palestiniano.
Depois da destruição em curso em Gaza e o assassinato do seu povo terminar, será necessário fazer uma reavaliação. Devemos continuar a falar sobre a responsabilidade pelo que foi feito. É necessário questionar o porquê, onde e – sobretudo – quem. O mundo exigirá, com razão, inquéritos independentes. As provas devem continuar a ser recolhidas. Devemos ser firmes em levar à justiça aqueles que cometem genocídio. Devemos isso às vítimas, onde quer que estejam, mas também a nós próprios – pois a luta por justiça definirá o mundo que deixaremos aos nossos filhos.
O momento atual é sombrio e o sangue continua a ser derramado – mas devemos manter o nosso compromisso com aquilo que é, inquestionavelmente, uma luta justa e moral. A Palestina tornou-se num teste decisivo para a humanidade. Devemos orgulhar-nos de fazer parte de uma luta que inclui todos, um movimento único que une pessoas independentemente da religião, etnia, género ou cultura. Os palestinianos estão a abrir novos caminhos de libertação nacional que vão além do nacionalismo, abraçando o reconhecimento universal de princípios e valores que são intrinsecamente globais e humanos.
MAHMOUD MUNA - LIVREIRO
PALESTINIANO in www.fumaca.pt
3.9.25
NISA: A MORTE DE ANTÓNIO PEQUITO
NOTA
Este pequeno texto escrevi-o, como nota final, num artigo que foi publicado no "Alentejo Ilustrado" sobre a "Nova Vida da Olaria Nisense". O Mestre Oleiro, António Pequito, faleceu esta madrugada, após uma vida activa e dedicada à olaria nisense. Era o mais antigo oleiro, um veterano, após mais de 75 anos a atirar o barro à parede e a calcorrear o país na divulgação de uma das artes mais tradicionais de Nisa.
A sua actividade artística, o seu labor, a divulgação que fez das artes
tradicionais na moldagem do barro, os conhecimentos que proporcionou a todos
quantos se lhe dirigiram, inclusive, estudantes universitários para a
elaboração dos seus estudos académicos, encontraram nele e na sua esposa,
Joaquina Mendes, o melhor acolhimento, a disponibilidade, o gesto amigo e
estimulante de quem sentia verdadeira alegria na transmissão de conhecimentos,
da sua longa experiência, a trabalhar numa arte, quase em vias de extinção. Digo
quase, porque foi ali na modesta oficina da rua do Depósito das Águas, que uma
nova esperança de revigoramento desta arte tradicional de Nisa encontrou o
apoio e o estímulo para inovar e projectar-se como esperança de futuro.
Este o maior legado que deixa à vila onde nasceu.
Descanse em paz, primo António Pequito.
Mário Mendes
2.9.25
NISA: Conheça os poetas do concelho (XLIX) - Joaquim Marques
Infância longe ficaste...
Já nebulosa no tempo
Mas na memória presente:
Os serões das histórias,
Sem pesadelos nem glórias.
No inverno á lareira!
Vida simples, verdadeira...
Infância longe ficaste...
Momentos de brincadeira,
Ao sol, ao luar, na ribeira...
Aquela raiada bola,
Som do cano de cebola,
O descobrir de um ninho,
Jogar o pião de azinho...
Cadernos, livros, sacola,
O caminho da escola...
Dos velhos o ensinamento,
Do sábio conhecimento,
Que sustenta a amizade...
É imensa a saudade!
Infância longe ficaste...
Saudade dos locais,
Daquilo que não volta mais:
Saudade desses tempos,
Saudade dos ausentes,
Saudade dos que ficaram,
E de tantos que já partiram....
Joaquim Marques
Fanqueiro, 20 de Maio de 2001
MONTALVÃO (Nisa): Touradas regressam às Festas da Vila
A tourada de Domingo dia 7 de Setembro será abrilhantada pela banda da
Sociedade Musical Nisense.
A organização informa que haverá prémios para todas as pegas e que
todos os lucros da iniciativa reverterão a favor das obras de requalificação e
melhoramento da Praça de Touros de Montalvão.
1.9.25
Alpalhão acolhe duas dúzias de dadores de sangue
Em termos de presenças, compareceram 24 pessoas, sendo sete do sexo
feminino.
Um dos inscritos não pode completar todas as etapas, por razões
clínicas. De Alpalhão saíram 23 unidades de sangue total, o que é de se
destacar.
Estrearam-se a doar sangue duas pessoas do sexo masculino,
particularidade a considerar.
A 20 de setembro, numa jornada aberta a toda a população, estaremos no
kartódromo de Portalegre, em mais um aniversário – o 26.º – do Grupo Motard
Novo Milénio. Uma semana depois, a 27 de setembro, temos encontro marcado na
sede do Rancho Folclórico de Arronches. Sempre em sábados de manhã.
35.º aniversário
A 06 de setembro a ADBSP vai apagar 35 velas, com comemorações em
Portalegre.
Pelas 10h00 será celebrada Missa na capela do hospital. A sessão solene
terá lugar pelas 12h00 no pavilhão do NERPOR - AE. Segue-se o almoço convívio.
Mais informações em:
https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/
JR
OPINIÃO: O bom bombeiro Tiago
Bom dia!
Desde que sou miúdo, tenho um bom amigo, o Tiago.
O Tiago não teve uma infância/adolescência fácil, longe disso.
Era um rapaz “forte” - o que lhe valeu a alcunha de Tiago Gordo -,
tinha um pai ausente e uma mãe que também não lhe dava muita atenção (em ambos
os casos, confesso que não sei exatamente porquê).
Foram os avós do Tiago, um casal fantástico e muito simpático, que o
criaram.
Quando tinha esses 14 ou 15 anos, eu e mais dois amigos, que na altura
éramos inseparáveis, "adotámos" o Tiago, que é mais novo que eu, e
tornámo-nos, de certa forma, os irmãos mais velhos dele.
Nessa altura, o Tiago já era bombeiro voluntário, vocação que cedo
abraçou e, muitas vezes, em vez de vir para a farra com os outros putos, ia
para a corporação, trabalhar em prol dos outros, sem ganhar nada por isso.
Sim, porque o Tiago, como indica o nome, era voluntário.
Mais tarde, o meu amigo começou a fazer serviço remunerado,
nomeadamente como tripulante de ambulância. Hoje, é bombeiro profissional e
graduado.
Sempre admirei o Tiago - com o qual não estou, infelizmente, há muito
tempo - por esta abnegação. Mas, na verdade, para ele era algo natural, uma vez
que sempre foi um miúdo impecável, generoso e atencioso para com os outros,
mesmo os que gozavam com ele.
Como o Tiago, há muitos outros Bombeiros Voluntários que dão tudo de
si, mesmo que nem sempre tenham as melhores condições para cumprir a sua
missão.
Daí que me deixe feliz a notícia que lhe trazemos esta manhã, de um
reforço de meios para o Bombeiros da Cruz Lusa de Faro, graças à generosidade
de uma benemérita.
·
Hugo Rpdrigues in www.sulinformacao.pt - 1.09.2025










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