Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens

17.2.26

Morreu Jesse Jackson, histórico pastor e ativista pelos direitos civis


O pastor afro-americano Jesse Jackson, defensor dos direitos dos afro-americanos e companheiro de luta de Martin Luther King, morreu esta terça-feira aos 84 anos, informou a família.

"Ele faleceu hoje [terça-feira] em paz rodeado pela sua família, após uma longa batalha contra a doença de Parkinson", assinalou, em comunicado

O seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e dignidade, considerou a família.

"Artífice incansável da mudança, deu voz aos que não a tinham e deixou uma marca indelével na história", referiu a família.

Jesse Jackson anunciou que lutava contra a doença de Parkinson em 2017 e, desde então, começou a limitar as suas aparições públicas.

Nascido numa América ainda marcada pela segregação, Jesse Jackson participou em alguns dos episódios mais marcantes da luta pela igualdade racial nos Estados Unidos.

O pastor afro-americano esteve com Martin Luther King, tido como um dos maiores ativistas na luta pelos direitos civis e contra o racismo, em Memphis, em 1968, quando este foi assassinado.

Contudo, a sua carreira também foi marcada por polémicas, como em 1984 quando usou um termo antissemita para se referir a Nova Iorque ou quando apoiou o cantor Michael Jackson, seu amigo, durante o julgamento por abuso sexual de menores em 2005.

Mas, foi com as suas duas campanhas presidenciais, em 1984 e 1988, que Jesse Jackson ganhou notoriedade, ampliando a plataforma política democrata para as lutas dos afro-americanos.

In Jornal de Notícias - 17 de fevereiro, 2026

Jesse Jackson foi companheiro de luta de Martin Luther King

Foto: Marcel Mochet / AFP

3.9.25

NISA: A MORTE DE ANTÓNIO PEQUITO

António de Oliveira Caixado Pequito é o decano dos oleiros nisenses. Anda há mais de 70 anos a “atirar o barro à parede”, a fazer ginástica com os pés e as mãos, agitando a roda com que vai moldando cada peça de barro. Começou a actividade mal saiu da escola e só a interrompeu para cumprir o serviço militar, com passagem por Angola. Pela sua oficina na antiga rua do Depósito da Água passaram milhares de pessoas, gente letrada e outras nem tanto, umas e outras movidas pela vontade de aprender ou de perceber a génese e o funcionamento da olaria pedrada de Nisa. À custa de dar ao pedal e de mover a roda de oleiro, percorreu o país de lés a lés, em feiras de artesanato, em iniciativas do poder local ou convidado para programas televisivos. Participações quase sempre acompanhado pela esposa, Joaquina da Graça Mendes, uma vida inteira a plantar flores na moleza do barro e a incrustá-las, dando-lhe um vivo relevo, de pequeninas pedras em quartzo. Uma vida a dois, a que se juntou vinda dos filhos e netos. Uma história de vida, dedicada à olaria pedrada de Nisa e que merece ser reconhecida."

NOTA

Este pequeno texto escrevi-o, como nota final, num artigo que foi publicado no "Alentejo Ilustrado" sobre a "Nova Vida da Olaria Nisense".  O Mestre Oleiro, António Pequito, faleceu esta madrugada, após uma vida activa e dedicada à olaria nisense. Era o mais antigo oleiro, um veterano, após mais de 75 anos a atirar o barro à parede e a calcorrear o país na divulgação de uma das artes mais tradicionais de Nisa.

A sua actividade artística, o seu labor, a divulgação que fez das artes tradicionais na moldagem do barro, os conhecimentos que proporcionou a todos quantos se lhe dirigiram, inclusive, estudantes universitários para a elaboração dos seus estudos académicos, encontraram nele e na sua esposa, Joaquina Mendes, o melhor acolhimento, a disponibilidade, o gesto amigo e estimulante de quem sentia verdadeira alegria na transmissão de conhecimentos, da sua longa experiência, a trabalhar numa arte, quase em vias de extinção. Digo quase, porque foi ali na modesta oficina da rua do Depósito das Águas, que uma nova esperança de revigoramento desta arte tradicional de Nisa encontrou o apoio e o estímulo para inovar e projectar-se como esperança de futuro.

Este o maior legado que deixa à vila onde nasceu.

Descanse em paz, primo António Pequito.

Mário Mendes

27.11.20

A MORTE DE ANTÓNIO PARALTA FIGUEIREDO: Um nisense e cirurgião de elevado gabarito humano

Faleceu no princípio de Novembro, vítima da pandemia, o Dr. António Ribeiro Paralta Figueiredo, destacado médico e cirurgião, um dos pioneiros da cirurgia reconstrutiva em Portugal, com elevado desempenho a nível militar, mormente nos tempos de brasa da guerra colonial. No texto que segue, evocamos o homem, o médico e o ilustre cidadão nisense, com uma carreira militar e profissional que o colocam, sem favor, entre as figuras gradas de Nisa e do país. O texto tem por base uma entrevista que concedeu ao "Jornal de Nisa" em Junho de 2003, no seu consultório, em Lisboa.
É daquelas pessoas que não renega as origens, bem vincadas até no sotaque que não procura dissimular. Nascido em Nisa, o Dr. António Paralta Figueiredo, é um médico prestigiado em todo o país e do seu trabalho como cirurgião militar e civil, falam as inúmeras pessoas feridas com gravidade durante a guerra colonial. A introdução e o desenvolvimento da cirurgia reconstrutiva (plástica) em Portugal muito deve ao trabalho deste médico, por força da "necessidade que aguça o engenho", mas, sobretudo, pela determinação com que "agarrou esta especialidade.
Na entrevista, António Paralta Figueiredo falou-me das origens e das recordações de Nisa, onde nasceu e residiu até aos 12 anos. Confessou-me que, movido pela saudade, de quando em vez ia a Nisa, sozinho, para passear pelos sítios onde brincava na infância ou para percorrer locais mais íngremes e isolados, onde se deslocava com amigos, para caçar. Era uma espécie de intróito, o tempo feliz, para preparar a "viagem" até Angola onde cumpriu duas comissões de serviço militar, a primeira em 1962, que o puseram em contacto com o cenário de guerra e uma ex-colónia onde, a nível de saúde, faltava de tudo. " A nossa formação prática, quando acabamos o curso, é muito pouca e nós éramos colocados, "empurrados" para aqueles sítios, onde tínhamos que resolver os problemas todos, desde fracturas a doenças gravíssimas e depois no Leste, partos, por exemplo. Tinha a meu cargo todo aquele sector, tanto militar como civil e era um problema quando me aparecia destes (partos). A gente não sabia, tínhamos pouca formação e à custa de livros, de irmos estudando, tentávamos dar resposta ao que aparecia, problemas muito variados. Em 1961, quem é que sabia o que era medicina tropical, ou o que eram os paludismos e outras semelhantes? As doenças estavam lá, era preciso actuar e nós tínhamos que aprender."
O "teatro de guerra" despertou e consciencializou o jovem médico para as necessidades sentidas nessa especialidade, a cirurgia reconstrutiva.
"A guerra teve um bocado a ver, mas a ideia da cirurgia plástica desde sempre se manifestou, por um lado porque havia  necessidade, principalmente no que toca à cirurgia reconstrutiva, que era uma coisa brutal, pois nós recebíamos aqui no Hospital Militar todos os mutilados, todos os queimados, todos os amputados da Guerra do Ultramar dos três "teatros de operações". Isso estimulou-me bastante."
Perguntei-lhe que "sendo cirurgião que actua quase sempre no limite e lidando com situações extremas, deve, como médico, ser um paladino da esperança. Quando as coisas não correm tão bem, como é que essas situações mexem consigo?". Era uma questão quase invasiva da esfera privada, mas o Dr. António Paralta não "chutou" para longe, a pergunta.
"As pessoas podem pensar que os cirurgiões lidam com tantas situações, algumas no limite, situações muito graves que a certa altura tanto faz, endurecemos e não nos afecta absolutamente nada. Nada menos exacto do que isso. Situações como a de um jovem que teve um acidente e corre o risco de ver a perna ou o braço amputado, essas situações tiram-nos muitas noites de sono. Situações dessas - e eu tive muitas, principalmente, a nível militar - mexiam connosco. Veja o que é vermos gente nova, na flor da idade, indivíduos absolutamente estropiados, sem olhos, sem pernas, sem braços e nós tínhamos que tentar, que fazer alguma coisa. E às vezes faziam-se coisas que, esteticamente, até eram lindas. Imagine o que é um indivíduo levar um tiro na cara, ficar com a face desfeita e nós, depois de muitas operações, fazemos-lhe um nariz, uma boca, umas cavidades oculares. São resultados muito bons, esteticamente. Funcionalmente, nem tanto..."
A "outra face" da moeda, a do reconhecimento. Perguntei-lhe: "sente-se reconfortado quando alguém tratado por si, há anos, se lhe dirige?
"Com certeza e tem muito a ver com o que disse atrás. Nós recordamos pessoas e situações que tratámos há 10, 20, 30 anos. Tem acontecido muitas vezes estar a ver televisão, aparecerem deficientes das Forças Armadas e reconheço muitos deles. Grande parte passaram pelas minhas mãos. É uma grande compensação que nós temos, não é material, mas é muito gratificante."
Pergunto-lhe, por último:  a guerra colonial foi a grande responsável pelo aparecimento deste tipo de cirurgia?
"Na verdade este tipo de cirurgia foi um trabalho  exaustivo que nós tivemos durante aqueles 14/15 anos e que nos deram uma formação técnica como não havia mais ninguém que tivesse. Os cirurgiões plásticos do Hospital Militar dessa altura tinham uma formação técnica como não havia mais ninguém que tivesse. E, sabe, as guerras sempre tiveram uma grande contribuição para o desenvolvimento da medicina e principalmente na cirurgia. Grande parte das descobertas cirúrgicas e das modificações técnicas neste campo foram consequências da guerra."
Não esqueço esta nossa conversa, num dia de Junho no consultório da Avenida Marquês de Tomar. Voltámos a encontrar-nos três anos mais tarde, em 2006, em Nisa, por ocasião da homenagem ao seu avô, Professor José Francisco Figueiredo, a pretexto do 50º aniversário da edição do livro "Monografia da Notável Vila de Nisa".
António Ribeiro Paralta Figueiredo, nisense, médico notável, humanista, faleceu no início de Novembro e este texto mais não é do que singela homenagem ao seu profícuo labor em favor da medicina e dos homens que, como eu, demandaram terras africanas numa guerra que, ainda hoje, perdura na memória de tanta gente. A toda a família deste ilustre nisense, apresento as minhas sentidas condolências. 
António Paralta Figueiredo: Uma vida militar e profissional intensa 
1936 – Nasce em Nisa a 2 de Janeiro
1946 – Ingressou no colégio em Nisa, seguindo a sua instrução no liceu de Portalegre, terminando o liceu em Castelo Branco
1953 – Ingressou na faculdade de Medicina em Coimbra, transferindo-se no 4º ano para Lisboa
1961 – Licenciatura em Medicina na faculdade de Medicina de Lisboa
1962 – Embarcado na 1ª Comissão do Ultramar em Angola
1963 – Inicia funções como médico operacional na Escola Prática de Engenharia em Tancos
1964 – Estágio de CPRE no Hospital Militar principal e de Cirurgia Geral nos Hospitais Civis de Lisboa
1966 – Internato geral nos Hospitais Civis de Lisboa
1968 – Internato Complementar de Cirurgia nos Hospitais Civis de Lisboa
1970 - Embarcado na 2ª Comissão do Ultramar em Angola, iniciando funções como Chefe do serviço de Saúde Militar e no Hospital Militar de Luanda
1971 – Estágio em clínicas de CPRE na República da África do Sul
1972 – Interno do internato de Pediatria Cirúrgica nos Hospitais Civis de Lisboa
1972 – Especialista em CPRE pela Ordem dos Médicos aprovado por unanimidade
1973 – Exame final do internato em CPRE – classificação: Muito Bom
1974 – Exame final do internato em Pediatria Cirúrgica – classificação: Muito Bom
1974 – Chefe de Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Militar Principal
1975 – Especialista em CPRE dos Hospitais Civis de Lisboa – Classificação: 17 valores - 2º lugar
1976 - Júri de exames finais de internato em CPRE
1978 – Membro do Colégio de Especialistas de CPRE da Ordem dos Médicos
Décadas 80-90 - Frequentou o Curso dos Altos Estudos Militares, sendo promovido a Tenente-Coronel e posteriormente a Major-General. Desempenhou funções como Director da Casa de Saúde da Família Militar, Director do Hospital Militar de Doenças Infecto-contagiosas em Belém, Director do Hospital Militar Principal e Director Geral dos Serviços de Saúde do Exército.

Mário Mendes in "Alto Alentejo - 25/11/2020

7.7.20

Morreu Ennio Morricone, o “imperador” das bandas sonoras

O seu nome evoca de imediato os famosos western spaghetti de Sergio Leone. Mas o compositor italiano compôs música para mais de meio milhar de filmes e resistia a que o reduzissem a essa “camisa-de-forças”. Coroado tardiamente com um Óscar, em 2016, morreu esta madrugada em Roma, aos 91 anos.
Nenhum outro compositor de música para cinema terá obtido o reconhecimento global de Ennio Morricone, “Il Maestro” (como fazia questão de ser tratado). Algumas das suas criações mais reconhecíveis fazem hoje parte indelével da cultura popular – desde o “uivo” do genérico de O Bom, o Mau e o Vilão (1966), citado em dezenas de homenagens e paródias, ao diálogo entre flautas de pã e coros tribais de A Missão (1986). (...)
in "Público" - 6/7/2020

29.10.18

Morreu o fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa em França

Gérald Bloncourt, o fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa em França nos anos 60 e 70, nomeadamente nos bairros de lata, morreu hoje, aos 92 anos, disse à Lusa fonte da família.
O fotojornalista retratou os "bidonville" portugueses, mas também fez imagens da viagem clandestina - "a salto" - para França, assim como imagens de Portugal sob a ditadura e no período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.
Gérald Bloncourt foi condecorado com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreram entre 10 e 12 de junho de 2016.