31.1.26

IN MEMORIAN – FERNANDO MAMEDE, o grande campeão que nos deixou

 


FERNANDO MAMEDE – Fernando Eugénio Pacheco Mamede, de seu nome completo. Desportista, natural da Freguesia de Santiago Maior (Beja), nasceu a 01-11-1951 e faleceu a 27-01-2026. Apesar de ter começado a sua carreira de Desportista no Futebol, nos Juniores em dois clubes de Beja, Fernando Mamede, sempre treinado pelo Professor Moniz Pereira, ganhou fama no Atletismo, principalmente nos dez mil metros.

Considerado um Atleta de eleição, embora pouco talhado para competições de grande desgaste emocional, foi recordista mundial dos dez mil metros, de 1984, em Estocolmo, até 1989, quando Arturo Barrios, do México, o destronou em Berlim.

Fernando Mamede foi, também, recordista europeu dos dez mil metros de 1981, um título conquistado em Lisboa, até 26 de Junho de 1982, altura em que o perdeu a favor de Carlos Lopes, para o recuperar 13 dias depois, em Paris. Masi tarde melhorou novamente a marca, conseguindo fazer dez mil metros em 27 minutos, 13 segundos e 81 centésimos, recorde europeu.

Ainda em matéria de recordes, Fernnado Mamede foi recordista absoluto dos 800 metros nas seguintes época: 1970, em Bruxelas; em Barcelona e em Helsínquia, em 1973; em Lisboa, e, um ano depois, em Roma. Perdeu o recorde em Agosto de 1986. Conseguiu o recorde dos cinco mil metros, primeiro em 1978, em Estocolmo, e depois, em Lisboa, em 1982, sendo esta marca ultrapassada pelo recordista António Leitão, também em 1982.

Fernando Mamede, conquistou duas Medalhas de Bronze, uma individual, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, em Madrid, no ano de 1981, e outra colectiva, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, em Nova Iorque, em 1984.

Este Atleta do Sporting esteve presente nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972; de Montreal, em 1976, e Los Angeles, em 1984. Esteve também presente em Campeonatos do Mundo de Pista, Corta-Mato; Campeonatos da Europa de Pista; Taça da Europa, entre outras competições.

A nível nacional, o Atleta do Sporting Clube de Portugal, foi recordista dos dois mil metros, em 1984; dos quinhentos metros, de 1970 a 1982; dos mil metros, de 1971 a 1980; da milha, desde 1976 até 1980; das duas milhas, de 1974 a 1976, rrecordista dos três mil metros, de 1979 a 1983 e recordista absoluto dos mil e quinhentos metros, de 1971 a 1974, seis dias mais tarde recuperou o recorde e bateu-o mais três vezes durante o ano de 1976. Perdeu este recorde em Julho de 1980.

Também nas estafetas o seu comportamento foi evidente: nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972; nos 4×400 metros, fez o último percurso da corrida e estabeleceu um recorde de Portugal que perdurou até 1982; nos 4×800 metros fez parte da equipa que bateu o recorde em 1969 e, no ano seguinte, bateria novamente esse recorde que seria mais tarde, em 1973, batido por uma equipa do Sporting de que Fernando Mamede não fazia parte. Também nos 4×1.500 metros manteve o recorde português em representação de uma equipa do Sporting Clube de Portugal, desde 1970 até 1972. No Corta-Mato, foi Campeão Nacional em 1979, 1980, 1981, 1983, 1985 e 1986.

No escalão júnior, o seu primeiro recorde nacional nos dez mil metros data de Julho de 1980, foi também recordista na distância dos oitocentos metros de 1970 a 1973 e nos mil metros manteve o recorde entre 1970 e 1979. Na distãncia de mil e quinhentos metros foi recordista nacional de 1970 a 1972, recordista dos quatrocentos metros entre 1970 e 1971 e na estafeta de 4×400 metros, em 1968, a equipa de que fazia parte, obteve um recorde nacional que seria melhorado depois em 1970 e que se aguentou até 1983.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Sintra (Freguesia de Rio de Mouro – Rua Fernando Mamede).

Fonte: “Infopédia – Dicionários Porto Editora”

30.1.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXIII) - Carlos Alberto Lucas da Silva


 CAMINHA 

Despe a manhã

e levanta-te.

Abraça o dia

Agarra o sonho

e caminha!

 

Dança na areia

dos resíduos do tempo

caído da ampulheta

que desnuda as horas

suspensas no azul

de um sorriso

e caminha pelo amor.

 

Caminha pelo tempo

sem nuvens

e ilumina a viagem

que galopa

sobre as estrelas

agarrando a madrugada

e navega pelo rio

que é apenas teu

porque mais ninguém o viu.

 

Mergulha na alvorada

e não tenhas frio.

caminha pela cidade

e risca o silêncio

do vento sem idade

que sopra nas margens

as lágrimas do tempo.

 * Carlos Alberto Lucas da Silva

DECLARAÇÃO DE PREJUÍZOS - FENÓMENOS CLIMATÉRICOS ADVERSOS


Encontra-se disponível, no portal da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo (serviço da CCDR Alentejo, I.P.), o formulário para a declaração resultantes de fenómenos climatéricos adversos, equiparáveis a catástrofes naturais. 🌧️⚡︎

A submissão das declarações tem por finalidade a recolha de informação necessária à análise dos prejuízos e à avaliação da respetiva elegibilidade, podendo conduzir, se for o caso, à definição de um eventual aviso de apoio ao restabelecimento do potencial produtivo, no âmbito do #PEPAC.

A apresentação da declaração não confere, por si só, qualquer direito à atribuição de apoio financeiro, ficando o eventual enquadramento dependente da verificação dos pressupostos legais e da decisão das entidades competentes, nos termos da legislação aplicável.

Para mais informações e enquadramento legal, poderá ser consultada a Portaria n.º 240/2025, publicada no Diário da República.

👉 Submeta o formulário em https://tinyurl.com/mr26pe8z

 

ERVEDAL (Avis): 𝐀çã𝐨 𝐝𝐞 𝐒𝐞𝐧𝐬𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚çã𝐨 “𝐏𝐫𝐞𝐯𝐞𝐧𝐢𝐫, 𝐀𝐠𝐢𝐫 𝐞 𝐑𝐞𝐚𝐠𝐢𝐫”


A Ação de Sensibilização sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC) “Prevenir, Agir e Reagir”, vai ter continuidade já no próximo dia 5 de fevereiro, às 14h30, no Núcleo de Ervedal da ASRPICA.

Esta iniciativa tem como objetivo informar e sensibilizar a população para a importância da prevenção, do reconhecimento precoce dos sinais de alerta e da resposta rápida perante um AVC, fatores determinantes para reduzir consequências graves e salvar vidas.

Aberta a toda a comunidade, esta ação constitui uma oportunidade relevante para adquirir conhecimentos essenciais em matéria de saúde e bem-estar.

A organização desta iniciativa resulta de uma parceria entre o Município de Avis, a Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo e os Bombeiros Voluntários de Avis, contando ainda com o apoio da Freguesia de Ervedal, da Associação de Solidariedade de Reformados, Pensionistas e Idosos do Concelho de Avis e da Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis, no âmbito do projeto “Crescer Saudável – Envelhecer Ativo”.

Participe!

AVIS: 𝐒𝐢𝐧𝐭𝐚 𝐚 𝐚𝐥𝐞𝐠𝐫𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐚𝐫𝐧𝐚𝐯𝐚𝐥!


Cores, sorrisos e muita alegria tomam conta das ruas no Desfile de Carnaval de Avis 2026.

No dia 14 de fevereiro, as Freguesias enchem-se de criatividade e animação, e no dia 15 de fevereiro o grande desfile alegórico chega à Vila de Avis, prometendo um espetáculo cheio de fantasia, música e boa disposição.

O Município de Avis convida toda a população a participar nesta celebração de alegria e tradição.

Junte-se à animação e divirta-se!

 

GAVIÃO: 𝐓𝐞𝐚𝐭𝐫𝐨: 𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐏𝐫𝐚𝐭𝐨𝐬 𝐞 𝐂𝐨𝐩𝐨𝐬 🎭


 𝐬𝐞𝐱𝐭𝐚-𝐟𝐞𝐢𝐫𝐚 | 𝟑𝟎 𝐣𝐚𝐧𝐞𝐢𝐫𝐨 | 𝟐𝟏𝐡

📍 Cineteatro Francisco Ventura

Entrada Gratuita

29.1.26

CONTA-ME UMA CANÇÃO": Próximos espectáculos

Tendo como pano de fundo o legado de mais de 25 anos de parceria com alguns dos mais talentosos e influentes “escritores de canções” nacionais, a produtora de espectáculos e management de artistas Vachier & Associados, Lda concebeu um projecto em torno daquilo que é o bem mais valioso da música popular – a Canção.

Criado quando da pandemia e com o apoio do "Garantir Cultura", foi inicialmente um conteúdo audiovisual disponibilizado no verão de 2022 - LINK - precisamente a 31 de Agosto desse ano, intencionalmente, o dia de aniversário do "escritor de canções" Sérgio Godinho.

O início de 2023 marcou a sua estreia no Teatro Maria Matos, o palco escolhido para receber este novo conceito. Em 2024 e 2025, nos meses de Janeiro e Fevereiro, o "Conta-me Uma Canção" voltou àquela sala lisboeta. Nas três edições já realizadas contou com artistas como A Garota Não, Amélia Muge, Ana Lua Caiano, Benjamim, Capicua, David Fonseca, Joana Espadinha, Luísa Sobral, Mafalda Veiga, Manel Cruz, Márcia, Miguel Angelo, Rita Redshoes, Surma ou Tomara, isto para além dos indefectíveis Sérgio Godinho e Samuel Úria.

Em 2026, a sua quarta edição no formato ao vivo.

27.1.26

OPINIÃO: "Sim, é fascismo"


O termo fascismo sempre foi usado de forma livre nas disputas políticas, muitas vezes até como piada, de forma conscientemente exagerada. Mas o caso está a mudar de figura nos EUA, com um regime autoritário a tentar mudar a face de um país que, em tempos, foi considerado por alguns como o farol da democracia - também sabemos que era uma afirmação claramente exagerada.

"Sim, é fascismo" é o título de um artigo da revista "The Atlantic", que explica detalhadamente a razão que leva o autor, até aqui cético em utilizar o termo, a afirmar sem qualquer pudor que, ainda que o país não se tenha tornado fascista, o Governo de Trump é fascista. O canário na mina já morreu há muito, mas o rápido declínio das instituições e o uso de violência policial indiscriminada nas ruas tornaram tudo mais evidente.

Percorrer a lista elaborada por Jonathan Rauch é assustador. Nenhum dos problemas - como a retórica belicista, a politização das forças de segurança, a desumanização do outro, a interferência na política noutros países ou o descrédito do processo eleitoral - é novo, mas a síntese numa página de todos estes pontos é um murro no estômago que não deixa dúvidas.

Desengane-se quem pensa que é um problema americano e que nós, aqui na Europa, estamos livres. Lembram-se quando a extrema-direita não iria chegar ao nosso país de "brandos costumes"? Quero crer que estamos longe de algo ao nível de barbárie a que se assiste nos EUA, mas os sinais estão cá: discurso inflamado contra imigrantes, desumanizando-os; desinformação; apelos a uma polícia desregrada; uma espécie de milícia neonazi que advoga uma pureza racial do país. Bastou um ano de Trump para se mergulhar nas trevas. Quanto tempo aguentaríamos nós?

·         Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias -27 de janeiro, 2026

**   Cartoon de Vasco Gargalo

26.1.26

FIGUEIRA E BARROS (Avis): 𝐀çã𝐨 𝐝𝐞 𝐒𝐞𝐧𝐬𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚çã𝐨 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐨 𝐀𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐕𝐚𝐬𝐜𝐮𝐥𝐚𝐫 𝐂𝐞𝐫𝐞𝐛𝐫𝐚𝐥 (𝐀𝐕𝐂)


No próximo dia 29 de janeiro, pelas 14h30, realiza-se a ação de sensibilização “Prevenir, Agir e Reagir”, dedicada ao tema do Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Esta ação, com lugar marcado no Salão da Junta de Freguesia de Figueira e Barros, tem como objetivo informar e alertar a população para a importância da prevenção, do reconhecimento dos sinais de alerta e da resposta rápida perante um AVC.

A participação é aberta à comunidade e constitui uma oportunidade importante para adquirir conhecimentos que podem salvar vidas.

Na organização desta iniciativa, o Município de Avis, a Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo e os Bombeiros Voluntários de Avis contam com o apoio da Freguesia de Figueira e Barros, do Grupo de Amigos dos Reformados e Idosos de Figueira e Barros e da Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis, onde se inclui o projeto “Crescer Saudável – Envelhecer Ativo”.

Participe!

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXII) - António Bento


Ano Novo 

A todos os injustiçados do Mundo)

 

Este ano novo

tem que ser diferente:

Igual para toda a gente!

 

Ao que se chama fraternidade

que o seja de verdade!

Não seja apenas palavra,

como terra maninha,

não lavrada!

 

O Amor, palavra cara,

que o não seja ao de leve,

nem que seja asa breve,

que o seja mesmo de "avis rara".

 

Na guerra andará perdido

quem na Terra se perdeu...

Mas na guerra quem venceu?

Ninguém o sabe, menos eu...

 

Na guerra nada vingou,

nada restou;

Todos perderam tudo

Nunca ninguém ganhou!

 

E depois de quanto disse

que mais dizer que não disse?

Venha a verdade, o Amor,

a raiz, o tronco, o caule, a flor,

para que de nós o fruto seja

e vivamos com o calor

da Esperança de novos dias

e só com este grito na alma:

Haja Paz, haja Saúde, haja Amor!

 

António Bento – 31/12/2003

ALTER DO CHÃO: Feira de São Marcos, quatro dias de Animação em Abril


Estão abertas as inscrições para a Feira de São Marcos, que decorrerá de 23 a 26 de abril de 2026

Preencha a ficha de inscrição, até dia 16 de fevereiro, e venha participar nesta Feira onde o cavalo, a agropecuária, o artesanato, os produtos regionais e a cultura estão mais uma vez em destaque.

Consulte o link:

https://cm-alter-chao.pt/.../estao-abertas-as-inscricoes.../

SOUSEL: Inauguração da exposição Pequena Introspecção, de João Pena.


Uma viagem íntima e sensível pelo universo interior do artista, onde a cor, a forma e o silêncio se cruzam para nos convidar à contemplação e à reflexão. Entre paisagens simbólicas e emoções contidas, esta exposição propõe um olhar atento sobre o que nos habita por dentro.

📍 Sala de Exposições Temporárias do Museu dos Cristos

🗓 24 de janeiro a 22 de março de 2026

Inauguração hoje, às 15h00

Esperamos por si.

25.1.26

OPINIÃO: Os "nem-nem" presidenciais


Na política como na vida, as opções que tomamos refletem-se na definição do nosso caráter e personalidade. E também aqueles de quem nos rodeamos ajudam a esculpir as nossas balizas morais, contaminando, positiva ou negativamente, a nossa imagem. O Chega, e o seu líder, são um caso paradigmático de autodestruição de credibilidade consentida, porquanto foram recrutando para os seus quadros, ao longo dos anos, com maior ou menor responsabilidade, elementos acusados de prostituição de menores, fuga ao fisco, agressão, furto de malas e, mais recentemente, apaniguados do movimento nacionalista e neonazi 1143. Sentado confortavelmente em cima de um milhão de votos, André Ventura parece resistir a tudo, reagindo aos escândalos com a energia de um fogueteiro desabrido que lança pirotecnia em todas as direções. A culpa é dos jornalistas, a conversa dos extremismos "é uma palhaçada", tudo não passa de uma campanha de "ódio" contra ele, o homem providencial. O albergue espanhol em que se transformou o Chega não apaga os fundamentos da sua narrativa divisionista, perigosa e, em vários domínios, antidemocrática. Tudo assente no ego desmesurado de um timoneiro encandeado pelas luzes.

André Ventura não engana ninguém. Todos sabemos ao que vem e o que quer. Na segunda volta das presidenciais, os "nem-nem", que não apoiam nem Seguro nem Ventura, como Luís Montenegro, ficarão para a História como passivos-ativos que se refugiaram na hibridez calculista e não tiveram a coragem de dizer uma coisa tão simples e definidora como esta: havendo dois pratos na mesma, há um que me recuso a comer. Cotrim de Figueiredo acordou tarde, mas fê-lo.

Pedro Ivo Carvalho – Jornal de Notícias - 24 de janeiro, 2026

 

PORTALEGRE: Apresentação de livro de Manuel Alberto Morujo

 


24.1.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXI) - António José Belo


Ser mulher 

P´ra mulher ser infeliz

Basta-lhe só ser mulher

Sempre nas línguas do Mundo

Esteja ela onde estiver.

 

Se não fala tem presunção

E passa por indecente

Se fala para toda a gente

Não conhece a posição...

Se ela vai a um serão,

Há uma língua que diz:

Ela vai lá porque quis

Aparecer ao seu encanto...

Tudo isto é bastante,

P´ra mulher ser infeliz.

 

Se vai à dança, é devassa

Se não vai é orgulhosa

Se quer ser religiosa

Dizem que é beata falsa

Se vai para a rua vai descalça

Ela ainda assim porque quer

Faça ela o que fizer,

Ou passe por quem passar

Para o mundo dela falar

Basta-lhe só ser mulher.

 

Se vai à missa engomada,

Há quem se atreva a dizer:

Não ganha para comer

Mas tem para andar asseada.

Se vai triste ou mal trajada

É bandalho sem segundo...

Se vai calçada, gasta tudo,

È pobre e desprevenida

Assim passa a triste vida,

Sempre nas línguas do mundo.

 

Se fica em casa é senhora,

É fidalga, sem ter renda

Se trabalha na fazenda

É tida como impostora...

Não tem a triste uma hora

Que a desgraça a não espere

Faça ela o que fizer

A favor do seu bom porte...

Falam dela até à morte,

Esteja ela onde estiver.

* António José Belo

** Desenho de Cipriano Dourado

CASTELO BRANCO: Manifestação contra megacentrais solares terá transportes organizados


Sob o mote "O Interior não está à venda", um movimento de cidadãos prepara-se para levar as reivindicações da Beira Baixa e de outros territórios do Interior até à capital. A manifestação está agendada para dia 31 de janeiro, com concentração marcada em Santa Apolónia, às 14h00.

O protesto pretende chamar a atenção para o impacto destes projetos no território e nas populações locais, levando as reivindicações do Interior até à capital.

Para garantir a participação do maior número possível de pessoas, a Plataforma de defesa do Parque Natural do Tejo Internacional contra o Parque Solar da Beira anunciou um plano de transportes com várias opções de deslocação à capital, incluindo autocarros gratuitos, ligações ferroviárias e partilha de boleias.

No que respeita aos autocarros, serão disponibilizadas viagens gratuitas, de ida e volta, a partir de Fundão, Penamacor, Idanha-a-Nova e Castelo Branco. A inscrição é obrigatória e deve ser feita através de formulário online: https://forms.gle/pkMD1b8SB72X1Rk37. A organização alerta que, por motivos logísticos, é “extremamente importante” que os interessados se inscrevam o mais rapidamente possível. Para quem tiver dificuldades no processo digital, está disponível o contacto telefónico 966 749 829.

A deslocação de comboio é outra das alternativas indicadas. No dia da manifestação, estão previstos comboios Intercidades diretos às 08h00, a partir do Fundão, e às 08h38, a partir de Castelo Branco. O regresso está previsto para as 19h15, desde Santa Apolónia, com paragem em Castelo Branco e Fundão. A organização lembra que existem ainda outras ligações possíveis, com mudança de comboio, e que a CP disponibiliza bilhetes de grupo com desconto, que devem ser adquiridos diretamente junto da empresa.

Paralelamente, é feito um apelo à partilha de boleias, seja das aldeias para as sedes de concelho, para acesso aos autocarros e comboios, ou mesmo diretamente até Lisboa. Para facilitar esta organização informal de transporte, foi criado um formulário específico para quem queira oferecer ou pedir boleia: https://forms.gle/ckxD3gywZwfZMtZD9.

OPINIÃO: Uma cama para quantos der


A ação de ontem da Câmara do Porto, de selar dois andares de um prédio junto aos Clérigos onde estavam montados 19 quartos para imigrantes, espelha a realidade vivida por muitos dos que aterram no país para trabalhar e caem nas teias da máfia habitacional. Neste caso, por cada cama, pagavam 250 euros. Mas, histórias semelhantes não faltam. Conheço três imigrantes que pagaram durante alguns meses 1500 euros por três quarto-caixa de fósforos na Invicta, mas que conseguiram entretanto ficar a pagar 500 euros por um T3 num concelho vizinho. No ano passado, a PSP identificou na Área Metropolitana do Porto 56 alojamentos ilegais que foram ocupados por cerca de 900 estrangeiros. A relação entre a falta de oferta e a elevada procura transformou o mercado imobiliário do arrendamento numa selva em que a dignidade humana é submetida à rentabilidade por metro quadrado. Não, não são todos os senhorios. Há quem ainda tenha bom senso, quem ainda tenha mais coração que barriga. O que vai acontecer a estes 50 imigrantes do Bangladesh, da Índia e do Nepal? Vão transferir-se, provavelmente para outros edifícios sobrelotados, que começam a abundar fora do centro histórico. Em algum local têm de viver, e quem passa na VCI vê que as moradas debaixo de alguns viadutos estão já ocupadas. Há mantas e tendas um pouco acima da correria rodoviária de todos os dias, sem código postal. O problema da habitação é que é democrático, atinge os jovens, que não têm como sair de casa dos pais, a classe média, com salários curtos para o aumento do custo de vida e as frondosas contas do supermercado, no limite mais baixo, os pobres, e, no subsolo, ataca os imigrantes, que andam a fugir de inspeções, mas que não viram alternativa se não sujeitarem-se a uma cama num andar sobrelotado, ao lado dos Clérigos.

*Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias - 22 de janeiro, 2026


22.1.26

CASTELO DE VIDE: 𝐅𝐞𝐯𝐞𝐫𝐞𝐢𝐫𝐨, 𝐨 𝐅𝐨𝐥𝐢𝐚̃𝐨!


O Município de Castelo de Vide apresenta o Programa de Eventos de fevereiro.

Fica o convite a toda a comunidade para participar nas inúmeras atividades ao longo do mês mais curto do ano.

𝗖𝗮𝘀𝘁𝗲𝗹𝗼 𝗱𝗲 𝗩𝗶𝗱𝗲, 𝘂𝗺 𝗟𝘂𝗴𝗮𝗿 𝗻𝗮 𝗠𝗲𝗺𝗼́𝗿𝗶𝗮!

 

SARDOAL: Valter Lobo 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮 “𝗠𝗲𝗹𝗮𝗻𝗰𝗼́𝗹𝗶𝗰𝗼 𝗗𝗮𝗻𝗰̧𝗮𝗻𝘁𝗲”

“Melancólico Dançante” é o nome do mais recente álbum de Valter Lobo, que serve de mote para o concerto de dia 7 de fevereiro no Centro Cultural Gil Vicente, um espetáculo intimista que combina melodias suaves com letras poéticas para explorar temas universais como o amor e a identidade.

Os bilhetes têm o preço de 15€ e podem ser adquiridos na bilheteira do Centro Cultural e na Ticketline.pt em https://www.ticketline.pt/evento/valter-lobo-concerto-99542

 

21.1.26

ALPALHÃO: Caminhada "Pelos Trilhos de Alpalhão"

 


MARVÃO: 800 Anos do 1º Foral de Marvão


Este sábado, 24 de janeiro, o Município de Marvão celebra a sua história, com o arranque das comemorações dos 800 anos do primeiro Foral da Vila, o documento que deu a independência a um concelho que, no longínquo ano de 1226, abrangia praticamente todo o distrito de Portalegre e um vasto território da província de Cáceres.

A celebração começa com a inauguração da exposição de bordados com casca de castanha, no Museu Municipal, às 15h00. De seguida, pode assistir-se a uma conferência sobre o Primeiro Foral de Marvão e a Restauração da Independência, com a participação da professora Hermínia Vilar, na Casa da Cultura, às 16h00.

Já às 17h30, o Trio Ensemble Régio sobe ao palco para um apontamento musical que promete encantar.

As comemorações deste dia marcante terminam às 19h00, com um espetáculo de fogo de artifício, lançado a partir do castelo de Marvão.

Foi há oito séculos que D. Sancho II reconheceu a importância desta povoação do topo da serra, que impedia os avanços militares de Castela, garantindo a soberania portuguesa. Uma data redonda que enche os marvanenses de orgulho.

Mas o dia será de festa a dobrar, uma vez que, também no sábado, se assinalam os 128 anos da Restauração da Independência de Marvão. Em 1898, o concelho voltou a assegurar a sua soberania em relação a Castelo de Vide, dando às suas gentes o controlo da terra.

A história do concelho de Marvão será recordada ao longo de todo o ano, com quinzenas gastronómicas, atividades culturais, desportivas, para além das tradicionais Boda Régia, Al Mossassa e Feira da Castanha. Estes e muitos outros eventos vão estar em destaque na agenda cultural de 2026.

PORTALEGRE: Prisão preventiva por homicídio


O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Portalegre, no dia 14 de janeiro, deteve um homem de 49 anos, pela prática do crime de homicídio, no concelho de Portalegre.

Na sequência de uma denúncia relativa a uma ocorrência no interior de uma residência, os militares da Guarda dirigiram-se ao local onde verificaram que o suspeito se encontrava na posse de uma faca. Na sequência das diligências policiais, foi possível apurar que o suspeito teria provocado ferimentos na vítima, sua tia, de 77 anos, com recurso a uma faca, tendo o óbito sido declarado no local e o suspeito detido em flagrante delito.

O detido foi presente no Tribunal Judicial de Portalegre, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva.

VALE DO PESO (Crato): Festividades em louvor da Senhora Luz

 


20.1.26

SOUSEL: Prisão preventiva por violência doméstica


O Comando Territorial de Portalegre, através do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE), no dia 15 de janeiro, deteve um homem de 45 anos pelo crime de violência doméstica, no concelho de Sousel.

No âmbito de uma investigação por violência doméstica, os militares da Guarda apuraram que o suspeito exercia violência psicológica e física sobre a vítima, sua companheira de 50 anos, bem como sobre a filha da vítima. No seguimento das diligências, foi dado cumprimento a um mandado de detenção fora de flagrante delito, que culminou na sua detenção.

O detido, no dia 16 de janeiro, foi presente ao Tribunal Judicial de Fronteira, tendo-lhe sido aplicadas as medidas de coação de proibição de contacto, por qualquer meio, com as vítimas, e prisão preventiva.

 

 

NISA: Conhecer é preciso - Aula de História na sede da União de Freguesias


 

NISA: Quem acode às ruas da vila?


Rua 25 de Abril em estado calamitoso

Bem sei que vão dizer que é uma Estrada Nacional (EN18) e que a sua administração pertence ao Estado. Mas isso não chega. É também uma rua, por sinal, a mais extensa de Nisa e, por isso, a que terá mais moradores. Situação que justifica, por si só, uma maior atenção por parte da Câmara Municipal e não, como acontece, uma enorme imagem de desleixo e abandono.

Vários moradores queixaram-se da falta de limpeza e da varredura que é comum noutras artérias da vila. Mas o que ali ocorre na rua também conhecida como Estrada de Alpalhão, é muito mais grave e obriga a que a autarquia tome medidas com urgência. O pavimento está em péssimo estado, degradado, esventrado, com buracos e rupturas, a que não escapam as caixas de retenção de esgotos. As tampas dessas caixas que deviam estar à superfície e em linha com o pavimento, quase sumiram, “enterradas”, absorvidas pelo alcatrão, abrindo mais buracos e que os condutores têm de evitar, protegendo os veículos que conduzem e evitando a ida à oficina. O piso da rua, que é também Estrada Nacional e “roteiro” de passagens de veículos de grande porte, está a desintegrar-se. Em vários sítios, devido à degradação, apareceram diversas “lagoas”, mais uma situação deplorável a contemplar os moradores e caminhantes na artéria, obrigados a utilizarem apenas um dos passeios e que, não raras vezes, são mimoseados com um banho, imprevisto, de água das chuvas, ali depositadas.

É preciso, imperioso e urgente que a Câmara tome medidas. Que resolva por si, aquilo que pode fazer e entre estes, o reforço da limpeza urbana. É preciso que a autarquia não se  “feche em copas” e aponte a responsabilidade da degradação da rua 25 de Abril, a outra entidade.

Nisa precisa desde há muito de uma via de circulação externa. Via que retire do atravessamento da vila, camiões e outros meios de viação, principalmente os de transporte de eucaliptos destinados a Vila Velha de Ródão.

A Câmara não pode, por mais tempo, ignorar esta situação. Como outras que constatamos noutro locais da urbe e sobre as quais daremos também, aqui, notícia.

Durante anos, demasiados, a propaganda camarária concentrou-se em fazer “arranjos” de flores no centro da vila. Gastou-se o que havia e não havia na construção de “cenários idílicos” imaginados pela arquitectona-mor, ao mesmo tempo que eram desprezadas as melhorias e a construção de novas infra-estruturas tão necessárias ao dia a dia dos seus habitantes e de quem por aqui passa. A entrada de Nisa para quem vem da A23 não é apenas escandalosa, é criminosa.  Ainda mais para quem tanto reclama o “boom” do turismo e das visitas à “terra bordada de encantos”.

Que triste entrada no Alentejo…

 

OPINIÃO: Ventura sonha perder eleição


Ninguém duvida que André Ventura tentará o melhor resultado possível na segunda volta das presidenciais contra António José Seguro. No entanto, o sonho do líder do Chega é substituir Luís Montenegro como figura maior de toda a Direita ou, usando as palavras do próprio, anteontem à noite, "liderar o espaço não socialista em Portugal". Sentar-se na cadeira presidencial do Palácio de Belém, onde a influência sobre o país real se resume ao poder de dissolver o Parlamento (não é para todos os dias), a vetos, a maioria dos quais reversíveis, e à "magistratura de influência" é muito pouco para a sua ambição. O seu objetivo é mimetizar Viktor Órban, primeiro-ministro húngaro, ou, num cenário mais suave, ser um líder à imagem e semelhança da italiana Giorgia Meloni.

Ambos terão a perder se enveredarem, nesta segunda volta, pelo ataque pessoal. A lição que podemos tirar do embate entre Gouveia e Melo e Marques Mendes é que ambos nada ganharam com o foco negativo no adversário e a deficiente defesa face a tais investidas, independentemente de quem tinha razão. O debate entre os dois "finalistas" será certamente animado, pelo menos do ponto de vista político, para que os eleitores percebam bem "o oceano de diferenças" que os separa, como sublinhou Seguro. Se o apoio comunista, bloquista e do Livre ao socialista é já um facto consumado, há largos milhares que ficaram órfãos, uma vez que optaram por Cotrim de Figueiredo, por Marques Mendes ou até pelo almirante. Uma parte substancial do próprio eleitorado AD não quis votar no seu candidato oficial.

O que país pode estar certo é que Ventura reclamará sempre o título de líder da Direita, mesmo que perca, o que ele no fundo deseja. E esse facto, só por si, vai ser uma ameaça constante à governação de Montenegro.

Pedro Araújo – Jornal de Notícias -20 de janeiro, 2026

IMAGEM - A neutralidade - Cartoon de Vasco Gargalo

19.1.26

PORTALEGRE: “O Quebra-Nozes”, espectáculo de dança no CAEP


22 JAN. QUI. 18H e 21H

O Quebra-Nozes, Tchaikovsky – Ivanov

Tchaikovsky National Ballet

Dança | GA | Plateia 30€ / Balcão 28€ | M/6 anos

Venda de Bilhetes Exclusiva na Ticketline e lojas Worten

A mais encantadora história de Natal regressa para encantar o público de todas as idades.

Na tradição e no espírito do ballet clássico, esta produção sumptuosa do Tchaikovsky National Ballet capta toda a beleza e drama do autêntico ballet romântico, um clássico de todos os tempos que agrada a todas as gerações.

Este bailado, um dos mais conhecidos de Tchaikovsky, com coreografia original de Lev Ivanov, é uma fábula com espírito natalício, sobre a saudade da infância perdida e o choque entre a realidade dos adultos e o mundo dos sonhos das crianças.

O libreto pertence a Marius Petipa, que partiu de um texto de Alexandre Dumas, que por sua vez se inspirou no famoso conto de fadas de E.T.A. Hoffmann, “O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos”.

A inocência, a beleza interior e a coragem são os temas centrais de “O Quebra-Nozes”. Uma fantasia oferecida pelo Tchaikovsky National Ballet, que diverte e encanta aqueles que ainda acreditam na magia.

Avis sorri a 43 dadores de sangue

 

Depois de termos realizado uma colheita em Nisa, continuamos a marcar a agenda 2026, previamente aprazada. Avis foi a terra que se seguiu, tendo a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP, em conjunto com a Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE, efetuado nova operação.

O centro de saúde de Avis foi o local que recebeu os voluntários. E tivemos números muito risonhos, já que se inscreveram 43 pessoas, sendo 21 do sexo feminino (48,8 %).

Nem todos puderam doar sangue nesta oportunidade, já que os exames de saúde são criteriosos. Em Avis conseguiram-se quatro dezenas de alegres unidades de sangue total, um número tanto simpático como útil.

Destaque para os seis voluntários que nesta data fizeram o seu batismo como dadores – na verdade bem encorajador.

No final, não faltou o habitual almoço convívio em terras de Avis.

24 de janeiro em Castelo de Vide

Como é do conhecimento geral, as nossas colheitas são em sábados, das 09h00 às 13h00, sensivelmente. A 24 de janeiro vamos estar no centro de saúde de Castelo de Vide.

Mesmo com tempo nublado, não faz mal doar sangue! Percorra: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/

JR



POSTAL DO DIA: Está viva a mulher que inventou a única canção que foi mais popular do que Grândola


Durante a revolução cantou a única música que foi mais popular do que Grândola. Continua viva, chama-se Ermelinda e a maioria de nós não faz ideia de que existe.

1. Nunca me cruzei com Ermelinda Duarte.

Não me lembro de que tenha acontecido, só do meu pai me falar do seu talento, da sua voz que inventava outras vozes.

Não por as imitar, mas por as dobrar tornando-as suas.

Se és da minha idade, cinquenta e picos, lembras-te do Tom Sawyer – foi ela quem recriou a voz de Tom.

E para teres uma ideia da sua mestria, chegou a fazer no mesmo episódio a voz de Tom e da sua namorada, a menina de boas famílias, a adorável Becky por quem certamente me apaixonei enquanto aprendia a ler e a contar.

2. Nunca troquei duas palavras com Ermelinda Duarte, mas é justo que se diga que a canção que compôs antes da revolução dos cravos, foi a mais popular entre todas as que nasceram por iniciativa do povo que cantava na rua.

É claro que houve o Depois do Adeus, mas foi o resultado da escolha dos militares, precisavam de uma canção popular que pudesse servir de senha e não despertasse atenções.

Agora, a canção de Ermelinda foi outra coisa.

Gravou-a para um teatro de revista, creio que no Vasco Santana, e depois a malta fê-la sua.

Tanto como Grândola.

Mais até do que Grândola porque as crianças usavam-na como refrão de regresso a casa.

Lembras-te?

“Uma Gaivota, voava, voava…

Asas de vento, coração de mar

Como ela, somos livres

Somos livres, de voar”

3. Bem, calo-me porque de outra maneira mudas de posto e a Ermelinda pode processar-me por atentado à sua eterna canção.

Este postal é para ela.

Por estar viva, por me dizerem que tem tanto de maravilhosa como de discreta.

4. A mulher que marcou um tempo, que inventou um hino, que fez um trabalho de mérito no teatro e nas dobragens – ainda há pouco tempo a sua voz era a da mãe do Gru, o Maldisposto…

… esta mulher decidiu que não desejava ser vista, ser olhada, ser reconhecida.

Fez o que tinha a fazer, fica na história, mas na maior parte da sua vida obrigou-se a uma clandestinidade muito própria, uma clandestinidade existencial.

Se tantos falam, ela fica em silêncio.

Sai com amigos, almoça, discute as coisas, é culta.

O meu pai dizia-me que era muito acima da média entre os que sabiam do que falavam.

Nasceu em Moçambique, creio que na antiga Lourenço Marques, veio estudar Filologia Germânica para a Faculdade de Letras, e fascinou-se com a arte e com os artistas.

Inventou canções e vozes.

E desapareceu da nossa vista, continuando a fazer parte de nós.

Dos que as lembram.

E até dos miúdos mais pequeninos que continuam a cantar o “Somos Livres” como apologia de futuro e da infância.

Querida Ermelinda, um dia almoçamos?

Eu gostava muito.

·         Luís Osório