19.12.22

OPINIÃO: Investimento com retornos no futuro

Com a mudança de governo, os problemas da saúde não foram resolvidos, nem sequer, a estratégia mudou. Com a alteração de ministros, o caos nas urgências, a falta de capacidade do INEM e a falta de médicos de família, os problemas continuam. No Alto Alentejo, há quem espere meses para fazer um exame se não quiser ir de Portalegre a Castelo Branco ou a Évora e há quem não tenha outra alternativa.
Esta capital de distrito além de não ter uma estação de caminhos de ferro, também o acesso a autoestradas é uma tristeza. Se as pessoas são obrigadas a sair de Portalegre para simples exames, ao menos apostem em meios e vias de acesso. Já agora, há alguma explicação para não concluírem o IC13? Percorre-se o país e vê-se investimentos noutros distritos. Ou alguém espera que a reserva de água no Pisão, resolva os nossos problemas de interioridade e que cala toda a gente? Não cala, existem aqui pessoas que também contam, que também são gente e também pensam.
Marcar uma consulta para o médico de família, para quem o tem, é um exercício de paciência e confiança na sorte. Mais de um milhão de pessoas não têm médico de família só na região de lisboa. A aposta no Serviço Nacional de Saúde tem sido atrofiada por vários governos que não têm querido resolver os problemas que de forma dramática, deixam morrer pessoas por falta de assistência. Engravidar em Portugal é uma aventura e tudo o que possam apelidar de incentivo à natalidade, são tretas. A prová-lo, temos vários encerramentos de serviços urgências e de obstetrícia. 
O ministro da saúde admite os problemas e a pressão nas urgências, enquanto assiste ainda às demissões nas chefias hospitalares. Mas mesmo assim não toma medidas e não é à falta de propostas. Por exemplo:
·         Criar unidades básicas de urgência para dar atendimento aos casos menos graves, que os Centro de Saúde, por falta de equipamentos, não resolvem.
·         Criar o estatuto de médicos com exclusividade.
·         Investir nas unidades de saúde, em especial nos equipamentos e em mais meios humanos.
·         Dar condições de trabalho e dignificar as carreiras dos profissionais de saúde que a par dos profissionais da Educação, também são desprezados.
Não se pode cortar no Serviço Nacional de Saúde para depois promover os privados. Ou alguém pensa que são tudo rosas nos privados? Basta consultar as queixas, ou perceber que quando os casos são difíceis, atiram os doentes para o SNS. Acresce o facto de que nos privados, os direitos laborais são violados e usam e abusam de subcontratação. É bom não esquecer que no período terrível da pandemia, os privados não foram solidários. E se não tivéssemos SNS?
Ao contrário, os profissionais de saúde deram provas de uma grande entrega em plena pandemia e continuam a ser sobrecarregados com horas extra, a terem de conviver com situações nada dignificantes, sem culpa, a terem de ouvir os protestos de quem se revolta com os tempos de espera e falta de assistência, entre outras situações que não são admissíveis num país moderno.
Em oncologia e cardiologia, os tempos de espera para cirurgia ultrapassam e muito o tempo máximo estipulado, aumentando as listas de espera. É uma situação grave que coloca em risco a vida dos pacientes. Esta semana tivemos conhecimento de um estudo que revela o efeito da pandemia sobre a saúde mental dos jovens e não estão a ser tomadas medidas.
Desde a troika para cá que a linha política é cortar no investimento público que está abaixo da média europeia. E tanto na Saúde como na Educação, os efeitos sentem-se nos prejuízos para estes dois pilares do país. Temos bons profissionais, temos desenvolvimentos que nos orgulham, como o mais recente e pioneiro a nível mundial, com a remoção de cancro das vias biliares com reconstrução vascular, realizado no Centro Hepato-bilio-pancreático do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central. O que falta são boas políticas de gestão e investimento na saúde.
Vários governos têm dado provas de apostar na desconstrução do SNS e nunca se gastou tanto como agora nos serviços privados com dinheiros públicos que podiam servir de investimento com retornos no futuro.
Nota:
Este desabafo é dedicado ao meu tio João (f. 03-12-2022) que faleceu recentemente nos braços do meu primo, à espera do INEM que demorou 01:30 para chegar. Infelizmente, são muitas as pessoas nestas condições, por falta de assistência, incluindo grávidas e crianças. Envio os votos de Boas Festas para os ouvintes e profissionais da Rádio Portalegre.
* Paulo Cardoso - Programa Desabafos - Rádio Portalegre - 16/12/2022


18.12.22

Alina Velniciuc: A saudade também se escreve (e sente) em romeno

“ Já fui e já regressei;/ já tornei a ir e tornei a regressar;
aqui estou, de pés no chão, /sem um vintém, sem um tostão,
a querer ir... / e tornar a regressar...)

   - Poesia de Cabo Verde sobre a Emigração
Portugal já foi ponto de partida e de encruzilhadas. Aqui se iniciaram muitos dos caminhos que deram a volta ao mundo, construindo a geografia do sonho, da esperança e da liberdade. O sonho de uma vida melhor, a esperança de um futuro sem sombras nem fantasmas, a liberdade para tomar nas próprias mãos esse destino forjado na luta e no trabalho do dia a dia.
Esse tem sido o desígnio de Alina Velniciuc em Portugal, numa viagem iniciada há quatro anos no seu país natal, a Roménia e que teve o Alentejo como porto de abrigo. A sua história, tal como no-la contou. 
Alina Velniciuc tem 29 anos, os olhos cor de mel, o sorriso de quem já aprendeu que o futuro não se obtém de mão beijada, mas é conquista, dura, permanente.
Veio da Roménia para Portugal há quatro anos. Chegou ao Alentejo, como poderia ter chegado a Trás-os Montes ou ao Litoral. O apelo de um familiar foi o primeiro contacto com uma região e um país de que aprendeu a gostar.
Está em Nisa, onde vive e trabalha, sem nunca esquecer o tesouro em forma de criança, que deixou lá na sua vila, bem perto de Arad, uma cidade com mais de 170 mil habitantes e  um acervo  patrimonial notável.
“Cheguei a Portugal em 2002, a Borba, no Alentejo, através do contacto de um primo. Senti muitas dificuldades, como todos aqueles que chegam a uma terra estranha e onde se fala uma língua diferente. Estava sozinha e aos poucos fui aprendendo a falar português, as palavras mais necessárias.
Em Borba estive três ou quatro meses. Os primeiros tempos foram muito duros.Andei na apanha da azeitona, num monte onde não se via ninguém, apenas os meus compatriotas. O patrão parecia boa pessoa e de confiança, mas trabalhámos no duro e não nos pagou. Trabalhei depois num restaurante e a principal dificuldade era entender os clientes, aquilo que eles pediam”.
Trabalho precário para quem chegou a Portugal com um visto de turista, temporário. Alina deu-se conta de que, tal como na sua Roménia, também aqui existiam dificuldades económicas.
O contacto de outro familiar, a trabalhar no corte de eucaliptos, fê-la rumar ao norte do Alentejo. Nisa passou a ser a sua terra de promissão e de esperança num trabalho que lhe proporcionasse as poupanças necessárias para um dia retornar ao país de origem.
“ A Nisa, cheguei em Janeiro de 2003. Estive na casa da senhora Rosa do Pardal e o primeiro trabalho, durante 3 meses, foi na limpeza. Não digo que era mau, mas era só aos sábados e o que ganhava não daria para viver, quanto mais para fazer algumas economias. Em Abril, comecei a trabalhar neste restaurante e aqui me tenho mantido”.
É um trabalho para o qual parece sentir-se “como peixe na água” e, sabendo-se que em Arad trabalhou num restaurante,  não espanta a prontidão, a eficiência e o profissionalismo com que dá resposta às solicitações da clientela.
“Saí da escola aos 11 anos, andei numa escola profissional e tenho o diploma de costureira. Comecei a trabalhar desde muito cedo. A minha satisfação, aqui, é ver as pessoas bem servidas e a todos trato por igual. Gosto deste trabalho, pois sou uma pessoa muito adaptável e tenho muita força. Se estivesse na Roménia não ganhava nada, aqui ao menos trabalho e vivo melhor.”
O romeno pertence, tal como o português, ao grupo das línguas novi-latinas. Alina não conhece, na sua língua, a palavra saudade. Mas sente-lhe os contornos, a angústia da lonjura,  os apelos da alma confrontada com a distância e a incerteza.
“Tenho uma filha com 8 anos. É ela a minha força, o meu tesouro. A minha luta é para ajudar a minha filha. “Mato” as saudades através do telefone e da televisão. Gosto de estar aqui e sinto-me alentejana. Tenho uma casinha, a vida aqui é tranquila, não há barulhos nem desentendimentos, as pessoas respeitam-me. Posso dizer que estou adaptada a Portugal e a Nisa. Quando fui à Roménia já tinha saudades de voltar”
Há quatro anos em Portugal, Alina Velniciuc tem travado uma autêntica batalha contra a burocracia pela legalização. O processo tem sido moroso, apesar do apoio da própria entidade patronal e de outras instituições. Alina não perde, contudo, a esperança.
“ Tem sido uma grande luta e alguma coisa acontece. Há compatriotas meus que já estão legalizados. Já gastei muito dinheiro e fui à Roménia. Tem sido difícil. Mas não vou desistir, quero ficar aqui mais alguns anos, não tenho planos para ir embora.”
Ficar, trabalhar, resistir, construir a pulso e determinação, a esperança de um futuro melhor. Para si, mas, principalmente, para o pequeno tesouro que deixou na Roménia.
“Se houvesse um centro de informação, um espaço cultural com jornais, revistas, livros e até cursos de língua portuguesa, as coisas tornavam-se mais fáceis. "
* Mário Mendes in Jornal de Nisa nº 208

18 DEZEMBRO: Hoje celebra-se o Dia Internacional das Migrações e do Migrante

Foi proclamado através da Resolução 55/93 adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas de 4 de dezembro de 2000. Esta resolução adotou, igualmente, a «Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e os Membros das suas Famílias».
Desde sempre que a humanidade se movimentou. As deslocações ou migrações são parte integrante da história humana e contribuíram decisivamente para o desenvolvimento económico, social e cultural dos povos, propiciando todos os tipos de interacção entre pessoas e culturas e estabelecendo pontes que fomentaram o conhecimento e o progresso globais.
Assim, ao longo da história da humanidade, as migrações têm-se repetido e multiplicado. Algumas pessoas deslocam-se em busca de melhores condições de vida e de trabalho; outras procuram escapar de conflitos, guerras, perseguições ou violações de direitos humanos; muitas outras são forçadas a deslocar-se na sequência dos efeitos de desastres naturais e das alterações climáticas. Alguns migram por opção, outros involuntariamente, mas sempre impulsionados pela necessidade e pelo desejo de melhorar de vida.
O Relatório Mundial das Migrações 2022 da Organização Internacional das Migrações (OIM) estima que existam actualmente 281 milhões de migrantes internacionais, o que corresponde a 3,6% da população global.
Estes números indicam que a pandemia complicou, mas não impediu os movimentos migratórios. No entanto, contribuiu certamente para tornar ainda mais difícil a situação, já de si difícil, de todos os migrantes.
Independentemente do motivo ou do momento das suas deslocações, todos os migrantes têm em comum uma situação de grande vulnerabilidade. Vivem frequentemente situações de exclusão e marginalização, privados de acesso a direitos fundamentais como a saúde, a habitação, a educação, a justiça, o trabalho e a protecção social, são alvo fácil de todo o tipo de exploração, discriminação, tráfico de seres humanos, violência, crimes de ódio.
A rejeição dos migrantes tem vindo a crescer em todo o mundo e regista-se uma proliferação de ideologias e movimentos assumidamente xenófobos e racistas, que baseiam o seu discurso de incitação ao ódio e à violência na rejeição da presença de migrantes, normalmente com fundamento na ascendência ou origem nacional, racial ou étnica, difundindo a ideia de que os refugiados ou migrantes chegam para ocupar o lugar dos nacionais, tomando os seus empregos e absorvendo recursos que lhes deviam ser destinados em exclusivo nomeadamente no que respeita a prestações e serviços sociais.
Por outro lado, a fim de deter os crescentes movimentos migratórios e conter ondas de protestos dentro dos seus próprios países, muitos responsáveis políticos estão a fomentar a ideia de que é preciso erguer muros de cimento e arame farpado, que remetam os migrantes para fora das suas fronteiras. O que acaba por conduzir também à criação de outros muros, imateriais, levantados pela intolerância, pelo preconceito, pela desconfiança e pelo medo.
Os países mais desenvolvidos estão a lidar muito mal com os actuais movimentos migratórios. A opção por políticas de migração inspiradas por uma visão securitária, economicista e pouco humanizada não contribui para promover o respeito pela dignidade e os direitos de todos os refugiados e migrantes, nem para impor a rejeição e combate efectivo a todas as formas de discriminação, xenofobia e racismo que permeiam as nossas sociedades.
A migração é um direito humano e um fenómeno social, que contribui para melhorar as sociedades, tornando-as mais abertas, mais humanas e mais inclusivas.
Neste Dia Internacional das Migrações, dedicado à defesa dos direitos de todos quantos, pelas mais variadas razões, abandonam as suas terras e os seus países em busca da paz, da segurança e de melhores condições de vida, a CGTP-IN reafirma o seu compromisso com uma politica de migrações humanista, respeitadora da dignidade e dos direitos e liberdades fundamentais de todos os migrantes, independentemente do seu estatuto migratório, para construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna, onde todos tenham igualdade de oportunidades.

DIF/CGTP-IN

TRADIÇÃO ORAL: Provérbios de Dezembro (VII)

- Por Todos-os-Santos, neve nos campos; por dia de São Nicolau, neve no chão.
- Quando o Natal tem o seu pinhão, a Páscoa tem o seu tição.
- Quem quer bom ervilhal semeia antes do Natal.
- Quem quiser bom pombal, ceva-o pelo Natal.
- Quem vareja antes do Natal, fica-lhe a azeitona no olival.
- Quem varejar antes do Natal, deixa azeite no olival.
- Se Junho não judia, Dezembro não castiga.
- Se os pepinos dessem em Dezembro, ninguém os comeria.
- Se te queres livrar de um catarral, come uma laranja antes do Natal.
- Sol de Dezembro sai tarde e põe-se cedo.
- Sol no Natal, chuva na Páscoa.
- Três semanas antes do Natal, Inverno geral.
- Tudo a seu tempo e os nabos no Advento.
- Uma cama em Agosto e uma ceia em Natal, quem a quer a pode dar. 

* Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


17 DEZ - Dia Internacional Contra a Violência sobre trabalhadoras do sexo

Ação Pública em Braga alerta para a violência sobre as/os/es trabalhadoras/os/es do sexo
Basta de violência legal e institucional
Uma ação pública ao final da manhâ frente à Câmara Municipal de Braga, assinalou hoje o Dia Internacional Contra a Violência Sobre as/os/es Trabalhadorxs do Sexo 2022, 17 de dezembro. 
Por iniciativa do Grupo Partilha da Vida com o Movimento dxs Trabalhadorxs do Sexo, os coletivos de trabalhadorxs do sexo exibiram cartazes com reivindicações e recordaram que o enquadramento penal atual do trabalho sexual favorece várias formas de violência sobre xs trabalhadoras/es/ies do sexo que seriam evitáveis. 
Os/as/es ativistas reafirmaram a necessidade de remoção da criminalização do lenocínio simples do Código Penal; da descriminalização total do trabalho sexual e das suas formas de exercício; e o reconhecimento de direitos sociais, laborais e políticos iguais para os/as/es trabalhadoras/es/es do sexo, nomeadamente o reconhecimento do direito de associativismo e sindicalização de quem exerce trabalho sexual.
O Dia 17 de dezembro, Dia Internacional Contra a Violência Sobre xs Trabalhadorxs do Sexo, assinala-se anualmente para homenagear todas/os/es as/os/es trabalhadoras/es do sexo, incluindo quem já sofreu violência no trabalho e para consciencializar xs trabalhadorxs do sexo e a comunidade em geral para a necessidade da denúncia das situações de violência, incluindo a violência legal e institucional.
Urge escutar as vozes diversas das/os/es profissionais do sexo na prossecução de políticas públicas que promovam os direitos humanos, sociais e políticos das pessoas que exercem múltiplas formas de trabalho sexual e reconheçam as suas múltiplas formas e contextos de exerxício.
Queremos trabalhar na rua, em casa, em casas partilhadas com colegas, em bares, alternes, strip clubs, ou outros espaços que utilizamos, assim como nas zonas e ruas que escolhemos – e não em zonas impostas por autarquias e delimitadas policialmente - quando fazemos trabalho em contexto de rua, onde e nas condições que decidimos serem as mais seguras para nós. Lembramos que o Trabalho Sexual não é somente “a prostituição”, mas um conjunto diverso de atividades ligadas a diferentes tipos de serviços sexuais, prestadas numa diversidade de contextos, regimes e condições distintas.
Reafirmamos que fazer Trabalho Sexual não significa necessariamente sofrer violência e não pressupõe a existência de situações de violência. Nem todas/os/es as/os/es trabalhadoras/os/es do sexo sofrem situações de violência. No entanto, em Portugal, qualquer situação de violência é agravada pelo quadro penal vigente, que vulnerabiliza grande parte dxs trabalhadorxs do sexo, incluindo quem sofre situações de abuso e violência, ao demover o reportar dos abusos, afastar do sistema de saúde quem faz Trabalho Sexual, entre outras formas de reforço do estigma que recai sobre xs trabalhadorxs do sexo, em particular os seus setores mais frágeis socialmente, como as mulheres cis e transgénero e as pessoas migrantes em situação irregular.
Movimento dxs Trabalhadorxs do Sexo/GPV

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 
Qatargate | cartoon editorial da revista de Domingo do @correiodamanhaoficial - Vasco Gargalo


CRÓNICAS DA TABANCA: A inauguração que não existiu

 

O jornal escreveu que se tratou de um "dia histórico" e dedicou uma página inteira, a cores, ao acontecimento, onde não faltou, sequer, as quadras que um artista da "rosa" ao peito fez sobre a obra "emblemática" e que a edil amieirense classificou como a "novela da ponte sem estrada". O que ninguém esclareceu foi que a Estrada Municipal 544 foi inaugurada há muitos anos, ainda antes do 25 de Abril. É verdade que faltava a ponte e que a transposição da Ribeira de Nisa era feita por um rústico pontão de madeira, que, corroído pelos rigores do tempo, deixou de ter condições de segurança. Mas, enquanto existiu assegurou a ligação dos povos das duas freguesias, uma, a de S. Matias, mais antiga e outra, a de Santana, mais recente, criada em 1959 e, este sim, um acontecimento histórico. Como histórica seria, na perspectiva de qualquer jornalista independente, a construção da ponte sobre a Ribeira de Nisa, um investimento que foi concretizado em 1998 e sem o qual não teria sido possível o asfaltamento da EM 544, bem como a construção de algumas obras de arte, noticiados, agora, com grande algazarra. 
É bom lembrar que os executivos camarários que geriram o Município antes do 25 de Abril, garantiram e pagaram, com grandes dificuldades orçamentais, a aquisição de terrenos e rasgaram, com os parcos meios técnicos de que dispunham a EM 544 deixando-a, ainda que incompleta, aos vindouros. Não fizeram discursos de circunstância, nem tampouco aproveitaram a ocasião para um fausto banquete e jornada de propaganda eleitoral. Um "bodo aos pobres" do emblema e pago pelo erário público, isto é, por todos os contribuintes, no valor de cerca de mil contos.
Dinheiro a rodos, parece haver com grande abundância no Município e por isso, não se percebe a intimidação para que um proprietário ceda, gratuitamente, à autarquia uma parcela de terreno. É que, ao contrário do que mostra a euforia inauguracionista, a obra começou pelo "telhado" e não está concluída, esquecendo-se a Câmara de negociar com os proprietários, os terrenos que permitissem a construção de uma variante à aldeia de Velada porque, palavras da edil, " da Velada até esta estrada as ruas são estreitas e não cabe um autocarro". Terão as ruas estreitado,  desde "a novela da ponte sem estrada", ou a Câmara criou uma nova novela da "estrada sem acesso a autocarros"? 
Para tanta novela, já bastava a da "inauguração" que não existiu. Porque EM 544 já existe há mais de 60 anos, logo, não podia ser inaugurada. De bom tom e sem ser "jocoso-poético", seria agradecer e enaltecer o que outros autarcas fizeram no passado, para lhe garantir no presente, o asfaltamento de uma estrada, e a concretização de um sonho colectivo, de todos aqueles que por ele lutaram. 
Mas, isso, seria areia demais para certas cabeças...
Mário Mendes

17.12.22

MARVÃO: XII Quinzena Gastronómica da Caça

De 17 de dezembro a 1 de janeiro no concelho de Marvão
Os melhores pratos confecionados à base de carne de caça vão estar em destaque, de 17 de dezembro a 1 de janeiro de 2023, em sete restaurantes aderentes do concelho de Marvão.
Na 12ª edição da Quinzena Gastronómica da Caça, promovida pelo Município de Marvão, os(as) apreciadores(as) vão poder degustar as melhores receitas de pombo, lebre, perdiz, tordo, coelho bravo, javali e veado.
Esta iniciativa pretende dinamizar a economia local e promover, ao longo dos próximos quinze dias, o concelho de Marvão enquanto destino gastronómico de eleição.
Açorda de perdiz, canjinha de pombo bravo, coelho bravo de cachafrito, arroz de lebre malandrinho, peitos de codornizes com arroz de castanhas e cogumelos, tordos fritos em azeite, perdiz de tiro em escabeche, veado na sertã ao alhinho e javali ao caçador, são alguns dos pratos que vão enriquecer as ementas dos restaurantes aderentes, até ao primeiro dia do ano de 2023.
De 17 de dezembro a 1 de janeiro, Marvão volta a servir as melhores e mais variadas iguarias, relacionadas com a atividade cinegética nesta região.


16.12.22

CRATO: Corrida de S. Silvestre 2022

 

LISBOA: Sessão Comemorativa do 40º Aniversário do PEV e Reunião do Conselho Nacional

 
O Partido Ecologista Os Verdes irá reunir o seu Conselho Nacional (órgão máximo entre convenções), amanhã dia 17 de dezembro, às 10H30, na Sede do Partido Ecologista Os Verdes, em Lisboa, dando ínicio, pelas 16h00, às comemorações do seu 40º Aniversário .
Da agenda de trabalhos do Conselho Nacional do PEV consta a Análise da situação eco-política nacional e internacional, assim como a intervenção e ação ecologista no país e regiões. 
A sessão comemorativa contará com um momento musical, intervenções políticas e duas exposições, uma referente a lutas e ações ecologistas ao longo destas quatro décadas e outra relativa à campanha SOS Natureza, iniciada no Porto, no Dia Mundial da Floresta que assinalou ao longo do ano, nos 18 distritos e regiões autónomas, quarenta pontos negros que afetam a biodiversidade, a conservação da natureza e a qualidade de vida e segurança da população. 
O Partido Ecologista Os Verdes, inicialmente constituído como “Movimento Ecologista Português – Partido Os Verdes” celebrou no passado dia 15 de dezembro quarenta anos de existência e de promoção da ação ecologista em Portugal.
Fundado em 1982, Os Verdes nasceram da necessidade de agir pela paz, contra o nuclear, pela salvaguarda dos ecossistemas e da biodiversidade, a justiça social, pelos direitos humanos, pela igualdade, pela proteção dos seres vivos e pela ecologia, tendo por base uma ideologia de transformação da sociedade e como propósito o desenvolvimento ambientalmente sustentável. Bandeiras e lutas igualmente atuais, considerando os avanços e recuos na situação política nacional e global, e que constituem hoje, como há 40 anos, o farol orientador para uma sociedade justa e igualitária.
O PEV convida as senhoras e os senhores jornalistas a estarem presentes e a acompanhar a sessão comemorativa do 40º Aniversário do Partido Ecologista Os Verdes, a partir das 16h00, na Sede do PEV, na Avenida D. Carlos I, n.º 146 - 1º Dto.- Lisboa. 
O Partido Ecologista Os Verdes - 16 de dezembro de 2022

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

CorromPinho - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

TRADIÇÃO ORAL: Provérbios de Dezembro (VI)

 
- Não peças água a Luzia e a Simão, nem sol a António e a João, que eles tudo isso te darão.
- Natal a assoalhar e Páscoa ao luar.
- Natal à segunda-feira, lavrador alarga a eira.
- Natal à sexta-feira, guarda o arado e vende os bois.
- Natal ao sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano formoso.
- Natal de rico é bem sortido.
- Natal em casa, junto à brasa.
- Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.
- No dia de Santa Luzia, cresce um palmo cada dia.
- No dia de Santa Luzia, onde o vento fica, de lá aporfia.
* Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


AMBIENTE: Novo projeto quer consolidar o regresso do abutre-preto a Portugal

 
«Até 2027, o objetivo é duplicar a população nidificante de abutre-preto em Portugal»
Há um novo projeto LIFE que quer assegurar o regresso do abutre-preto a Portugal e à Espanha ocidental e 3,7 milhões para o financiar.
O objetivo do recém lançado LIFE Aegypius Return é consolidar a presença de uma espécie que voltou a Portugal em 2010, quase quatro décadas após a sua extinção no país, mas cuja população em território nacional ainda é considerada «muito pequena e frágil».
«Existem agora quatro colónias nidificantes, com um total de aproximadamente 40 casais, que na sua maioria se estabeleceram pela expansão das colónias do lado espanhol. Este processo de recolonização pode ser consolidado e acelerado – e é o que faremos neste novo projeto» afirma José Pedro Tavares, diretor da Vulture Conservation Foundation (VCF), a entidade que lidera o projeto.
O projeto visa consolidar e acelerar o regresso do abutre-preto a Portugal e à Espanha ocidental, ao reduzir a perturbação das colónias, protegê-las de fogos florestais, minimizar as ameaças de envenenamento, melhorar as condições do habitat de nidificação e de alimentação, e capacitar agências e autoridades acionais para a mitigação de ameaças e a conservação da espécie.
Assim, a equipa do projeto irá implementar ações de conservação dirigidas em dez sítios da Rede Natura 2000, ao longo de praticamente toda a fronteira entre Portugal e Espanha, desde Miranda do Douro ao Vale do Guadiana.
«Até 2027, o objetivo é duplicar a população nidificante de abutre-preto em Portugal para, pelo menos, 80 casais em 5 colónias, e baixar o estatuto nacional de ameaça da espécie de Criticamente em Perigo para Em Perigo», declara Milene Matos, coordenadora do projeto.
De acordo com a VCF, o sucesso do LIFE Aegypius Return depende «da extensa colaboração de nove parceiros e do envolvimento de um vasto número de partes interessadas, que incluem autoridades nacionais, entidades ligadas à veterinária, agricultores e caçadores, entre outros».
O projeto iniciou em Novembro com uma reunião.
in Sul Informação • 14.12.2022


PORTALEGRE: Detido por violência doméstica

O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Portalegre, no dia 14 de dezembro, deteve um homem de 35 anos por violência doméstica, no concelho de Portalegre.
No âmbito de uma investigação por violência doméstica, os militares da Guarda apuraram que o agressor exercia de forma continuada coação psicológica e agressões físicas contra a vítima, sua companheira de 30 anos de idade. Após diligências policiais, foi dado cumprimento a um mandado de detenção.
O detido permaneceu nas instalações da Guarda, até ser presente no mesmo dia no Tribunal Judicial de Portalegre, onde lhe foi aplicada a medida de coação de proibição de se aproximar da vítima por qualquer meio num raio de 500 metros, bem como proibição de permanecer na residência do casal, frequência de tratamento para dependência de álcool e acompanhamento psiquiátrico. 
A violência doméstica é crime público e denunciar é uma responsabilidade coletiva. Se precisar de ajuda ou tiver conhecimento de alguma situação de violência doméstica participe:
1.      No Portal Queixa Eletrónica, em queixaselectronicas.mai.gov.pt;
2.      Via telefónica, através do número de telefone: 112;
3.      No Posto da GNR mais próximo à sua área de residência, tendo os nossos contactos sempre à mão em www.gnr.pt/contactos.aspx;
4.      Na aplicação App MAI112 disponível e destinada exclusivamente aos cidadãos surdos, em http://www.112.pt/Paginas/Home.aspx;
5.      Na aplicação SMS Segurança, direcionada a pessoas surdas em www.gnr.pt/MVC_GNR/Home/SmsSeguranca.
* Créditos da imagem: Orlando Almeida - Global Média
 


15.12.22

ÁLCOOL: Abusos que afetam a saúde do fígado

Estamos a chegar à quadra festiva mais aguardada do ano e, com as celebrações, vêm os excessos. A tradição manda que o copo de vinho esteja presente na mesa dos portugueses e os hábitos de consumo de álcool traduzem-se em números alarmantes: Portugal é o país onde o consumo de álcool diário é mais frequente, segundo as estatísticas do Eurostat.
Além destes números preocupantes, o abuso do consumo de álcool traduz-se diretamente em três tipos de lesões hepáticas que, por norma, se manifestam na seguinte ordem:
Esteatose hepática alcoólica – patologia comummente conhecida como fígado gordo e que resulta da acumulação de gordura no fígado;
Hepatite alcoólica – patologia onde existe a inflamação do fígado;
Cirrose alcoólica – patologia onde a estrutura interna do fígado é danificada devido à substituição do tecido hepático normal por tecido cicatricial (fibrose). Este novo tecido não realiza qualquer função e, portanto, o fígado deixa de funcionar normalmente, ficando mais pequeno. Contrariamente às condições anteriores, a cirrose não é reversível e culmina, em alguns casos, no cancro do fígado.
Os primeiros sintomas relacionados à doença hepática associada ao álcool costumam aparecer por volta dos 30 ou 40 anos, em casos em que são ingeridas grandes quantidades de álcool regularmente. Estes têm tendência a piorar, passando pela perda de apetite, náuseas e vómitos, febre, icterícia e fadiga, aumentando para sintomas mais graves como o sangramento no trato digestivo, deterioração do funcionamento do cérebro, insuficiência renal e hepática. No entanto, existe quem apresente doença hepática alcoólica e seja assintomático mesmo em fases avançadas.
Além do consumo prolongado de álcool, existem outros fatores de risco associados a estas patologias. Um deles é o género, uma vez que as pessoas do sexo feminino apresentam maior risco de contrair doença hepática. Os fatores genéticos que influenciam a metabolização do álcool conferem um determinado risco, assim como a obesidade, diabetes e outras formas da doença hepática, nomeadamente as hepatites virais, e a subnutrição.
Quando as complicações são graves (relacionadas com a cirrose), o prognóstico tende a ser menos positivo. Aponta-se que só metade das pessoas com estas complicações permanecem vivas após cinco anos. Contudo, a abstinência do álcool, em conjunto com o tratamento de sintomas e complicações da lesão hepática, pode ajudar a diminuir ou a reverter a descompensação. Em casos mais graves terá de se pensar no transplante de fígado.
Nesta quadra festiva recomendamos que esteja particularmente atento ao consumo de álcool. Quebrar os comportamentos de risco e acompanhar quem mais precisa faz toda a diferença na saúde do seio familiar. Não tenha vergonha de falar do tópico com o seu médico ou com entidades competentes para tal. A luta contra o álcool não se combate sozinha.

* Artigo de opinião de José Presa, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF)

14.12.22

PCP solidário com as populações afectadas pelas cheias

 
O distrito de Portalegre, nos passados dias 12 e 13 de Dezembro, foi fortemente afectado
por cheias, tendo estas provocado danos e prejuízos às populações de vários concelhos do
distrito, nomeadamente nos concelhos de Arronches, Avis, Campo Maior, Elvas, Fronteira,
Monforte e Sousel; danos e prejuízos que se estendem às produções agrícolas.
Tomando em conta os inúmeros danos e prejuízos materiais e económicos que as cheias
provocaram em várias zonas do país, no distrito de Portalegre, e em particular nos concelhos acima mencionados, e a urgência, calculados os danos e prejuízos com as autarquias, de se mobilizarem apoios, à imagem do que o Governo anunciou recentemente para os concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, o Grupo Parlamentar do PCP questionou o Primeiro-Ministro, na Sessão Plenária de ontem, o seguinte:
1. Se o Governo considera ou não alguma iniciativa, alguma diligência para mobilizar recursos e meios para apoiar e acudir às vítimas destas cheias, designadamente junto do Fundo de Solidariedade da União Europeia? 
A Direcção da Organização Regional de Portalegre do PCP (DORPOR) expressa a sua
solidariedade com as populações afectadas e compromete-se a intervir no plano institucional, seja no plano autárquico, seja junto do Governo para que todos os apoios que sejam necessários possam ser mobilizados com a maior celeridade possível.
Portalegre, 14 de Dezembro de 2022
A DORPOR do PCP

SINES: Exposição “Águas Vivas: Mares, Rios e Lagos na Arte Europeia (Séculos XVII-XX)”

 

CORRUPÇÃO: Deputados ingleses recebem do Qatar presentes “luxuosos” avaliados em mais 300 mil euros antes do Mundial

Numa altura em que a União Europeia (UE) se vê a braços com o maior escândalo de corrupção de sempre a assolar o Parlamento Europeu, no chamado ‘Qatargate’, em que figuras de Bruxelas, incluindo a ex-vice do Parlamento Europeu, são suspeitas de aceitar subornos para intervir nas instituições europeias a favor do Qatar, o tema gera também polémica no Reino Unido.
Este escândalo de ‘lobbying’, vem também levantar alarme às ‘ações de charme’ levadas a cabo pelo Qatar antes do Mundial de Futebol, que decorre naquele país árabe. O governo qatari, segundo o Politico, gastou mais de 300 mil euros em presentes, viagens com tudo pago e estadias em hotéis, tudo descrito como “luxuoso”, a deputados do Reino Unido desde outubro do ano passado.
Assim, os deputados que receberam as ofertas estão agora a ver-se obrigados a justificar o porquê de lhes terem sido atribuídas pelo Qatar, perante as críticas de várias associações e organizações de defesa dos direitos humanos.
“Nenhum político deve receber dinheiro ou viagens luxuosas do Qatar. Em vez disso, devem estar é a falar contra as extensas violações de direitos humanos daquele regime”, declara Sacha Deshmukh, chefe executivo da Amnistia Internacional. Também Rose Whiffen, investigadora da associação Transparency International UK, não poupa críticas: “Estes deputados deviam perguntar-se o porquê de governos com maus registos de direitos humanos estarem a oferecer-lhes viagens pagas ao estrangeiro, antes de decidirem se é certo ou não aceitar”.
Não há para já provas que apontem para suspeitas de subornos a deputados do parlamento inglês, mas alguns dos que receberam presentes do Qatar têm sido criticados por terem iniciado debates nos quais elogiaram a defesa dos direitos humanos no Qatar, ainda que tenham declarado, por exemplo, as viagens oferecidas, de acordo com as regras parlamentares.
No total, são 36 os deputados ingleses, de vários quadrantes políticos que receberam os mais de 300 mil euros em presentes, com três deles a receberem benefícios avaliados em mais de 15 mil euros cada um. Em média, cada deputado recebeu presentes avaliados em mais de 8 mil euros e o Qatar ofereceu-lhes viagens com um valor médio que ultrapassa os seis mil euros.
Os deputados do Partido Conservador estão em maioria (23 dos 36 identificados), com Nigel Evans (porta-voz), Crispin Blunt e Mark Pritchard a receberem presentes do Qatar avaliados em mais de 11 mil euros cada um: são os que tiveram direito a maior generosidade do Qatar, com os dois primeiros deputados a terem ofertas num valor superior a 15 mil euros. Outro que recebeu ofertas no mesmo valor foi Angus Brendan MacNeil, deputado do Partido Nacional Escocês.
Alun Cairns, que recebeu presentes e viagens acima dos 10 mil euros, alegou na Câmara dos Comuns em Outubro que “o desporto pode mudar o mundo”, citando Nelson Mandela, e falou da “importância de aproximar culturas para melhor perceber, influenciar e progredir”, para que “cada nação respeite, identifique e apoio os direitos humanos”.
David Mundell, também Conservador, e que recebeu presentes dos qataris de mais de 8 mil euros, desvalorizou a falta de direitos humanos para pessoas LGBTQI+ no Qatar: “Muitas das pessoas que falam deste assunto deviam preocupar-se em lidar com os problemas LGBT no futebol profissional do Reino Unido”.
Em geral, todos os 36 deputados listados, poucas ou nenhumas vezes criticaram o Qatar nos debates.
Alguns envolvidos já justificaram as viagens e presentes recebidos, como Jackie Doyle-Price que diz que “é precisamente para os desafiar quando a problemas de direitos humanos que vamos nessas viagens”. Se vamos moralizar o Qatar, devemos ser mais honestos connosco próprios e com as nossas falhas”, declarou a deputada.
Já Gill Furniss, a deputada do Partido Trabalhista inglês que recebeu presentes do Qatar no maior valor (mais de 8 mil euros) disse que aceitou viajar para o país “para poder ter discussões francas e completas com os líderes políticos sobre questões de direitos humanos”, acrescentando que dicou “desapontada com a falta de progresso” obtido.
in multinews.sapo.pt

José Luís Peixoto apresenta "Onde" em Abrantes, Constância e Sardoal

O escritor José Luís Peixoto vai estar em Abrantes, Constância e Sardoal, no distrito de Santarém, de quinta-feira a sábado, para apresentar o mais recente livro, “Onde”, da Quetzal Editores, onde evoca mais de 60 lugares daqueles três concelhos.
Sardoal recebe a apresentação de "Onde" na quinta-feira, na Biblioteca Municipal, às 16h00, seguindo o escritor para Abrantes, onde fará a apresentação do livro na sexta-feira, na Biblioteca Municipal António Botto, às 18h00, culminando o périplo no sábado, às 18h00, em Constância, onde José Luís Peixoto estará presente na Casa-Memória de Camões para apresentar a mais recente obra literária.
"Onde" é um livro de viagem alargado e que conta com um roteiro literário pelos territórios de António Botto, Camões e Gil Vicente, com uma rota por mais de 60 pontos de interesse nos municípios de Abrantes, Constância e Sardoal, no âmbito do projeto cultural intermunicipal “Caminhos Literários”.

13.12.22

Trabalhadores da EPAL/VT em greve.

STAL cancela concentração devido às condições meteorológicas adversas.
Está hoje a decorrer uma greve dos trabalhadores do Grupo Águas de Portugal (AdP) em todo o país.
Os trabalhadores da EPAL/VT, no distrito de Portalegre, também aderiram à greve, convocada pelo STAL e pela Fiequimetal, de forma expressiva, registando-se uma adesão de cerca de 90% no sector da manutenção.
A situação dos trabalhadores do Grupo Águas de Portugal, grupo que registou lucros acima dos 83 milhões de Euros em 2021, agravou-se nos últimos anos.
Empresas do grupo, como é o caso da EPAL/VT que opera no Alto Alentejo, não aplicam o Acordo Colectivo de Trabalho (ACT) assinado em 2018, o que que conduz a uma desigualdade salarial insustentável e injusta entre trabalhadores que exercem as mesmas funções.
Os trabalhadores hoje em greve exigem a aplicação do ACT em todas em empresas do Grupo AdP mas também a negociação colectiva imediata do aumento dos salários em 120 € para todos e 900 € de salário mínimo; a atribuição e regulamentação do Subsídio de Insalubridade, Penosidade e Risco e a atribuição e regulamentação do Subsídio de Transporte.
O STAL, que tinha convocado uma concentração dos trabalhadores em greve na cidade de Portalegre, cancelou a acção devido às condições meteorológicas adversas.
O Depº de Informação da USNA/cgtp-in

Trabalhadores do Grupo AdP em Greve no dia 13 de Dezembro

 
PELO AUMENTO DOS SALÁRIOS, MAIS DIREITOS E MELHORES CONDIÇÕES  LABORAIS 
Os trabalhadores do Grupo Águas de Portugal vão realizar uma greve  nacional de 24 horas na próxima terça-feira (dia 13), para exigir, entre  outras matérias, o aumento imediato dos salários em 120 € para todos, e  900 € de salário mínimo no Grupo AdP; o retomar das negociações; a  aplicação global do Acordo Colectivo de Trabalho (ACT) e a sua revisão;  assim como a atribuição e regulamentação dos subsídios de Insalubridade,  Penosidade e Risco, e de Transporte. 
Desde 2009, os trabalhadores do Grupo AdP - Águas de Portugal apenas  beneficiaram de um aumento de 20 € (em 2018), aquando da entrada em vigor  do ACT, havendo trabalhadores altamente qualificados, com 15 ou 20 anos de  serviço, a ganharem o Salário Mínimo Nacional (SMN), sendo que muitos serão,  já no início de 2023, “apanhados” pelo novo SMN, ficando assim em iguais  condições do que um trabalhador que entre ao serviço da empresa a 1 de  Janeiro. 
Recentemente, a administração do Grupo AdP avançou com uma proposta, de  todo inaceitável, de actualização salarial para este ano de 1,2% (que  corresponde à soma dos 0,3% de “aumentos” impostos pelo governo PS na  Administração Pública em 2021 e aos 0,9% em 2022), e que só não é risível  porque é profundamente injusta e gravosa para os trabalhadores, que, sobretudo  ao longo deste ano, têm enfrentado muitas dificuldades devido à subida brutal  do custo de vida e à maior taxa de inflação dos últimos 30 anos. 
Apesar da total disponibilidade demonstrada pelo STAL e da FIEQUIMETAL  para negociar o Caderno Reivindicativo apresentado, a administração do Grupo  AdP tem vindo a adiar, de forma sucessiva, esta discussão, de que o mais  recente exemplo foi o adiamento (mais um…) da reunião agendada para 7 de  Dezembro para dia 25 de Janeiro, dando assim prova cabal de que continua a  ignorar as reais dificuldades dos trabalhadores e as suas justas e legítimas  aspirações.
MILHÕES PARA OS ACCIONISTAS, “MIGALHAS” PARA OS  TRABALHADORES 
A resolução dos graves problemas dos trabalhadores não se compadece com  mais demoras nem adiamentos, num grupo empresarial que apresentou lucros  de 83,3 milhões de euros em 2021 (+6% face a 2020), e mais de 400 milhões de  euros nos últimos 10 anos. Não são suficientes para valorizar os trabalhadores? 
O STAL e a FIEQUIMETAL responsabilizam a administração do Grupo AdP pela  realização desta greve, assim como pelos eventuais incómodos causados às  populações, o que, desde já, lamentam, apelando à compreensão e  solidariedade para com a luta dos trabalhadores, fundamentais para a prestação  do serviço público de qualidade às populações e, já agora, para os sucessivos  resultados económicos positivos apresentados pelas empresas do Grupo AdP. 
O STAL e a FIEQUIMETAL lembram que os trabalhadores têm sido severamente  penalizados nos últimos anos por políticas gravosas dos seus direitos laborais,  sociais e económicos, pelo que urge a sua valorização, assim como é imperioso  travar esta ofensiva e iniciar o caminho da reposição de salários, direitos e  condições de trabalho. 
Manifestando, desde já, inteira disponibilidade para encontrar soluções que  melhor sirvam os interesses dos trabalhadores do Grupo AdP e a prestação  deste serviço público, as duas estruturas sindicais não deixarão de continuar a  bater-se por reais aumentos salariais e por uma revisão do ACT que reflicta as  justas reivindicações dos trabalhadores, exigindo uma verdadeira negociação. 
Os trabalhadores da EPAL/VT, em greve, vão estar concentrados a partir das  10.00 horas frente ao Palácio Póvoas (Rossio) em Portalegre. 
Portalegre, 12 de Dezembro de 2022 
A Direcção Regional de Portalegre do STAL 
 

12.12.22

NISA: Vereadora da CDU vota contra proposta "discriminatória" da maioria PS

 
A vereadora Fátima Dias, eleita pela CDU - Coligação Democrática Unitária, votou contra uma proposta da maioria PS, na reunião camarária realizada no dia 6 de Dezembro e sobre a qual apresentou a Declaração de Voto que a seguir transcrevemos.
DECLARAÇÃO DE VOTO CONTRA – PONTO 16 
- Considerando que, e passo a citar a Informação/Proposta Nº 4520/2022, “O Natal é a Festividade da  Família, e da valorização dos princípios da fraternidade e solidariedade (…); Nos dias de hoje, em Nisa, ainda se preservam tradições ancestrais resultantes do reencontro familiar, como a Ceia de Natal, a Missa  do Galo, o Lume de Natal, alegria do Natal ao desembrulhar as prendas…” ; 
- Considerando que celebramos Dezembro como o Mês dos Direitos Humanos e que a Assembleia da  República reconheceu a Declaração Universal dos Direitos Humanos ao aprovar, em 1998, a Resolução que  vigora até hoje, e que implementou o dia 10 de dezembro como o Dia Nacional dos Direitos Humanos; - Considerando que a data pretende ser uma homenagem a todos os cidadãos defensores dos direitos  humanos e promover o fim de todos os tipos de discriminação; 
- Considerando ainda que vivemos um momento particularmente marcado pelo aumento da inflação galopante, uma constante nos últimos meses, com sérias repercussões na vida das famílias,  particularmente das mais vulneráveis, afirmo que é absolutamente inaceitável que surja uma proposta,  vinda da maioria PS neste executivo, claramente discriminatória para a população do Concelho de  Nisa, que dificilmente compreenderá por que motivo há munícipes que têm direito a lembrança natalícia, só  pelo facto de viverem no centro histórico da sede de Concelho. 
Não misturemos o que não pode ser misturado. Sendo certo que o centro histórico de Nisa simboliza a nossa  história e a nossa memória e que é uma preocupação garantir que seja um território vivo e habitado por diferentes  gerações, multifuncional, que assegure respostas necessárias à população que decide ali viver, trabalhar e visitar,  contrariando o despovoamento e abandono, não é admissível misturar o que não pode ser misturado.  
Se queremos falar de espírito natalício e de justiça social, deveríamos começar por aprovar a distribuição de um cabaz social, pelas famílias em situação de vulnerabilidade social. Um cabaz social  de Natal composto por géneros alimentares, adquirido no comércio local, sim, em colaboração com as  Juntas de Freguesia, que podem ajudar a identificar as famílias que vão receber os referidos cabazes  bem como a fazer a respetiva distribuição, possibilitando, assim, às famílias mais vulneráveis do  Concelho usufruir de uma ceia de Natal condigna. 
Clarificando, voto CONTRA o ponto 16 da Ordem de Trabalhos, “Lembrança de Natal - Centro histórico”, porque a  revitalização do centro histórico e o espírito natalício não podem ser usados como bandeira demagógica,  revestindo-se a proposta agora aprovada pela maioria PS de total insensibilidade social. 
Nisa, 6 de dezembro de 2022 
A Vereadora eleita pela Coligação Democrática Unitária 
(Fátima Dias)

ENTRONCAMENTO: Exposição de Fotografia “Rostos de Maria” | Escultura e Pintura do Concelho de Nisa

 
A Galeria Municipal recebe, entre os dias 10 e 22 e entre 27 e 29 de dezembro, a Exposição de Fotografia “Rostos de Maria” Escultura e Pintura do concelho de Nisa.
A Exposição “Rostos de Maria” conta com Fotografia de Adalrich Malzbender e Ideia e Concretização de José Carmona Ribeiro e traz-nos as imagens captadas na passagem pelas igrejas, santuários e capelas do Concelho de Nisa, mostrando os variados rostos de Maria: Senhora da Graça, Senhora dos Prazeres, Senhora da Conceição, Senhora da Esperança, Senhora do Carmo, Senhora do Rosário, Senhora das Dores, Senhora dos Remédios, Senhora dos Navegantes, Senhora da Redonda, Senhora da Sanguinheira.
“Rostos de Maria” é a aposta do município do Entroncamento para esta quadra natalícia, na cidade, e tem inauguração marcada para o próximo dia 10 de dezembro, sábado, pelas 17h00, estando patente ao público, na Galeria Municipal, de terça-feira a sexta-feira, das 14h00 às 18h00 e sábados das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
in entroncamentoonline.pt

Semana de luta nas empresas e serviços no distrito de Portalegre

Tem início este sábado, dia 10, a Semana de Luta nas Empresas e Serviços convocada pela CGTP-IN.
O objectivo desta iniciativa é desenvolver, na semana de 10 a 17 de Dezembro, iniciativas que possibilitem a expressão de rua dos principais problemas e reivindicações dos trabalhadores de diversos serviços, empresas e sectores, bem como da sua acção reivindicativa e luta contra a exploração e o empobrecimento, pelo aumento dos seus salários, pela melhoria das suas condições de trabalho, pelo direito à contratação colectiva que passa pela alteração às leis laborais, pela regulação dos horários de trabalho, pelo respeito pelas categorias e funções, pela liberdade sindical.
No distrito de Portalegre esta semana de luta vai ser assinalada com as seguintes iniciativas:
- Dia 12, segunda-feira, pelas 8h30, reunião de trabalhadores no Estaleiro Municipal de Gavião, seguido de deslocação destes trabalhadores até ao edifício principal da Câmara Municipal do Gavião para entrega de carta reivindicativa (acção organizada pelo STAL – Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Regional e Local, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins);
- Dia 12, segunda-feira, acção dos e pelos trabalhadores da Randstad em Elvas, pelo direito a regressar ao local de trabalho, contra a imposição do teletrabalho, que consistirá numa acção simbólica às 14h30 frente a sede da Randstad e noutra às 16h30 no Largo 25 de Abril em Elvas (acção organizada pelo SIESI – Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas);
- Dia 13, terça-feira, concentração dos trabalhadores da EPAL/VT junto ao Palácio Póvoas (Rossio) em Portalegre, pelas 10h, para assinalar a greve nacional dos trabalhadores do Grupo Águas de Portugal convocada para este dia (acção organizada pelo STAL – Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Regional e Local, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins);
- Dia 14, quarta-feira, Vigília em Defesa de uma Profissão com Futuro, que consistirá numa concentração de professores e activistas sindicais na Praça da República em Portalegre, pelas 18h (acção organizada pelo SPZS – Sindicato de Professores da Zona Sul);
- Dia 16, sexta-feira, Eleição da Pior Empresa do Ano de 2022, iniciativa anual da USNA que este ano terá lugar junto à Valnor (Herdade das Marrãs, Figueira e Barros), pelas 9h, tendo como objectivo denunciar o bloqueio da actividade sindical desenvolvido por esta empresa;
- Dia 16, sexta-feira, desfile pela Rua do Comércio (a partir do Museu das Tapeçarias), a partir das 16h30, seguido de Tribuna Pública no Rossio em Portalegre, iniciativa regional que tem como objectivo fazer um balanço da acção reivindicativa e luta dos trabalhadores do Alto Alentejo durante o ano de 2022.
O Depº de Informação da USNA/cgtp-in

ELVAS: Espectáculo solidário

 
O Coliseu Comendador Rondão Almeida recebe, a 17 de dezembro, o Natal Solidário, uma festa natalícia para celebrar a quadra e com caráter solidário.
A iniciativa conta com a presença da Banda Hybrid Theory – The Linkin Park Tribute e I Love Reggaeton, a partir das 22 horas.
A entrada é feita mediante o pagamento de dois euros,e um ou mais bens alimentares, e terão direito ao copo reutilizável.
Os bens alimentares serão entregues no âmbito da iniciativa Natal Rock Solidário.
Os bilhetes estão à venda no Posto de Turismo e também online, em https://ticketline.pt/evento/elvas-natal-solidario-69394

CORRUPÇÃO: "Apanhada em flagrante". Vice do Parlamento Europeu detida por corrupção com lóbi do Qatar

A vice-presidente do Parlamento Europeu (PE), a socialista grega Eva Kaili, está entre os cinco detidos na Bélgica no âmbito de uma investigação sobre alegado lóbi ilegal do Qatar para influenciar decisões políticas em Estrasburgo, segundo a imprensa belga.
A polícia belga deteve esta sexta-feira para interrogatório a eurodeputada socialista Eva Kaili, uma das vice-presidentes do Parlamento Europeu, por suspeita de ter recebido subornos do Qatar em relação ao Mundial de Futebol.
Eva Kaili, que ocupa uma das 14 vice-presidências do PE, é uma das quatro pessoas detidas esta tarde no âmbito desta investigação. A sua casa foi alvo de buscas pelas autoridades, noticia o jornal Le Soir.
Segundo o periódico francês, a única forma de poder deter um parlamentar protegido pela sua imunidade é “surpreendê-lo em flagrante”.
A polícia de Bruxelas realizou 16 buscas domiciliárias e efetuou as detenções, entre as quais o companheiro de Kaili, ex-apresentador de televisão grego e eurodeputado desde 2014 e atual colaborador ligado ao grupo dos Socialistas e Sociais Democratas no PE, e Luca Visentini, secretário-geral da Confederação Sindical Internacional, adiantaram as mesmas fontes.
Na origem das buscas das autoridades, no decorrer das quais foram encontrados 600 mil euros em dinheiro em 16 locais de Bruxelas, estão suspeitas de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, visando sobretudo assistentes parlamentares e membros do Parlamento Europeu.
Eva Kaili afirmou recentemente, recorda o Porto Canal, que o Catar, anfitrião do Mundial e que foi alvo de críticas por parte de todos os quadrantes políticos, é um “país pioneiro nos direitos dos trabalhadores“, após uma reunião com o ministro do Trabalho daquele país.
“Esta funcionária da União Europeia saúda o compromisso do Catar de continuar as suas reformas em matéria de trabalho após o Campeonato do Mundo de 2022, e faz votos de um bom torneio”, escreveu então Eva Kaili.