Um novo multilateralismo em rede, inclusivo e eficaz, baseado nos valores perenes da Carta das Nações Unidas, poderia fazer-nos despertar do nosso sonambulismo e parar a derrocada em direção a um perigo ainda maior.
O mundo enfrenta tempos turbulentos como resultado de múltiplos fatores como a pandemia covid-19, as perturbações climáticas, a injustiça racial e o aumento das desigualdades.
Mas, ao mesmo tempo, a comunidade internacional tem uma visão estruturada e duradoura, consubstanciada na Carta das Nações Unidas que celebra este ano o seu 75.º aniversário. Essa visão, que traduz uma aspiração a um futuro melhor ancorado nos valores da igualdade, do respeito mútuo e da cooperação internacional, ajudou-nos a evitar uma Terceira Guerra Mundial que teria tido consequências catastróficas para a humanidade e para o planeta.
O desafio que hoje partilhamos passa por convocar, de novo, essa mesma visão para melhor enfrentarmos as contrariedades dos tempos que vivemos e os testes com que nos deparamos.
A pandemia expôs desigualdades severas e sistémicas, no quadro nacional dos Estados e, também, entre países e comunidades. Veio, ainda, colocar em evidência inúmeras fragilidades, não apenas na resposta à emergência sanitária e de saúde, mas também no que respeita à crise climática, ao vazio legal em matéria de ciberespaço e aos riscos de proliferação nuclear. Em vários pontos do globo, as populações estão a perder confiança nas instituições e nos sistemas políticos.



