29.11.25

PATRIMÓNIO: Arte rupestre Ibérica: Grutas de Escoural e Maltravieso fortalecem laços


O futuro da Gruta do Escoural (Montemor-o-Novo) e da Gruta de Maltravieso (Cáceres, Espanha) foi o tema da reunião interinstitucional que decorreu ontem, dia 27, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Montemor-o-Novo.

As grutas são dois enclaves de arte rupestre paleolítica na Península Ibérica, que mantêm fortes laços científicos, reforçados pelo projeto FIRST ART.

Este projeto financiou trabalhos científicos cruciais, de registo e monitorização da Gruta do Escoural, culminando na renovação da exposição do Centro Interpretativo deste monumento alentejano.

O encontro visou «reforçar a colaboração transfronteiriça na gestão, investigação e valorização deste património pré-histórico de relevância europeia».

A comitiva de alto nível contou com a presença do presidente da Câmara Carlos Pinto de Sá e da vereadora do Turismo Paula Martins.

Pelo lado do Património Cultural, estiveram presentes a vice-presidente do Património Cultural, Ana Catarina Sousa, a diretora-geral do Património Cultural da Junta da Extremadura, Adela Rueda Márquez de la Plata, e o chefe da Secção de Arqueologia da Junta da Extremadura, Hipólito Collado Giraldo.

A reunião contou ainda com a participação de técnicos municipais das Unidades de Turismo e de Património Cultural, representantes da Divisão Teodemirvs do Património Cultural, da CCDR Alentejo e dos Institutos Politécnico de Tomar e Terra e Memória.

A Gruta do Escoural contém arte rupestre paleolítica, sendo a única gruta conhecida em Portugal com este tipo de vestígios no seu interior.

A arte inclui pinturas e gravuras, com temas como equídeos e bovinos, datadas do Paleolítico Superior, entre aproximadamente 35.000 e 12.000 anos antes de Cristo. A gruta também foi utilizada como necrópole no período Neolítico.

A Gruta do Escoural está classificada como Monumento Nacional desde 1963.

Por seu lado, a Gruta de Maltravieso, perto de Cáceres (Espanha), é um dos sítios de arte paleolítica mais antigos do mundo, com pinturas e gravuras rupestres datadas de há pelo menos 66 mil anos.

Destacam-se as cerca de 70 silhuetas de mãos humanas em negativo, atribuídas aos neandertais, que desafiam a visão tradicional sobre a capacidade artística humana, além de outras representações figurativas de animais e símbolos.

Devido à sua antiguidade e significado cultural, a gruta é agora um local de estudo e conservação, visitável através do seu Centro de Interpretação.

Elisabete Rodrigues - Sul Informação - 29.11.2025