8.1.17

Debate Público - Que modelo de gestão para uma escola democrática?

Lisboa 14 de Janeiro
Os subscritores do Manifesto pela Democracia nas Escolas, convidam-vos a participar no debate público sobre Que modelo de gestão para uma escola democrática? a realizar no auditório da Escola Secundária Rainha Dona Leonor, sábado, dia 14 de janeiro, entre as 15h30 e as 18horas.
Apelamos assim à mobilização da comunidade educativa para este debate tão importante para a escola pública.
Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1817660161785940/
MANIFESTO PELA DEMOCRACIA NAS ESCOLAS
Este ano comemoramos quarenta anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa e trinta anos da Lei de Bases do Sistema Educativo, documentos estruturantes da nossa Democracia.
Com o 25 de Abril, em todo o território nacional, as escolas foram, com dinâmicas e especificidades várias, um dos espaços onde de forma mais expressiva e alargada se aprendeu e viveu a experiência da participação democrática. Esse caminho de aprendizagem envolveu todos os seus atores – docentes, alunos, pais e encarregados de educação, funcionários, cidadãs e cidadãos empenhados – e teve os seus momentos altos, oscilações e também desencantos.
Depois de uma inovadora e inédita experiência de autogestão, o modelo de gestão democrática das escolas foi adquirindo maturidade, designadamente através da eleição dos Conselhos Diretivos e do envolvimento dos diferentes atores educativos.
Apesar dos princípios consagrados na Lei de Bases dos Sistema Educativo, assistimos a uma crescente desvalorização da cultura democrática nas escolas e à anulação da participação coletiva dos professores, dos alunos e da comunidade educativa. Verifica-se, pelo contrário, uma tendência para a sobrevalorização da figura do(a) diretor(a) de escola ou de agrupamento de escolas, sendo, ao mesmo tempo, subalternizado o papel de todos os outros órgãos pedagógicos, e desencorajada a participação de outros elementos da comunidade escolar. Esta situação é igualmente reveladora da erosão da identidade de cada escola quando esmagada pelo peso da estrutura de direção unipessoal de governo dos agrupamentos.
Quatro décadas passadas, vale a pena continuar a lutar pela Escola Pública, enquanto lugar de aprendizagem para todas e todos e paradigma de construção de uma cidadania democrática. A Democracia é o pulmão do nosso Estado de Direito, não deve ser apenas ensinada pelos manuais, mas exercida e vivida em cada espaço coletivo, a começar pelo trabalho quotidiano das turmas de cada escola.
Quanto mais democrática, participativa e inclusiva for a Escola, melhor será o futuro da Democracia. Neste sentido, lançamos um apelo para um amplo debate por um modelo de direção e gestão alternativo, condição de uma Escola Pública com qualidade democrática, científica e pedagógica, capaz de compatibilizar os desafios da aprendizagem para todos e todas com práticas inovadoras de cidadania crítica e emancipatória.
Os/As subscritores/as:


Alexandra Lucas Coelho - Escritora;
Almerindo Janela Afonso – Professor Associado na Universidade do Minho. Presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Membro do C.N.E.;
Ana Benavente – Socióloga. Professora Catedrática. Ex-Secretária de Estado da Educação;
António Teodoro – Professor Catedrático na Universidade Lusófona. Ex-Secretário-geral da FENPROF ;
Bárbara Bulhosa – Diretora da editora Tinta da China;
David Rodrigues – Presidente da Pró - Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial. Conselheiro Nacional de Educação;
Fátima Antunes – Professora Associada do Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Dulce Maria Cardoso - Escritora;
Inês Pedrosa – Escritora;
Jacinto Lucas Pires - Escritor;
João Cortes – Diretor do Agrupamento de Escolas Gil Vicente, Lisboa;
João Jaime Pires – Diretor da Escola Secundária de Camões, Lisboa;
Joana Mortágua – Deputada;
Licínio Lima – Professor Catedrático do Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Lurdes Figueiral – Presidente da Associação de Professores de Matemática (A.P.M.);
Manuel Sarmento – Professor Associado com Agregação no Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Maria do Rosário Gama – Professora do ensino secundário aposentada, Ex- Diretora da Escola Secundária da Infanta D. Maria;
Maria Emília Brederode dos Santos – Pedagoga. Ex-Presidente do Instituto de Inovação Educacional (I.I.E.). Membro do C.N.E.;
Maria Emília Vilarinho – Professora Auxiliar no Instituto de Educação da Universidade do Minho;
Paulo Peixoto – Sociólogo. Investigador. Coordenador do "Observatório das Políticas de Educação e Formação" do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra;
Sérgio Niza – Pedagogo, fundador Movimento Escola Moderna, membro do C.N.E.;

4.1.17

POETAS DA NOSSA TERRA (II): Maria Sampaio Freire Temudo (1)

POEMA DO AMOR  
É com os pobres repartir
E sabermos definir
O que é um grande amor:
É dos pobres não fugir
É dar um pouco de si,
Cumprir a lei do Senhor!

Visitar um doentinho,
Dar-lhe um pouco de carinho,
À criança dar a mão:
É proteger um amigo,
E livrá-lo do perigo,
Quando tem uma aflição.

É procurar a pobreza,
E sentar à nossa mesa,
Aquele que nada tem:
É ensinar quem não sabe,
P´ra não ser um desgraçado,
É praticar sempre o bem.

É tratar com indulgência,
Quando temos uma ofensa,
E sabermos perdoar:
Não atirar com pedras aos ninhos
Dar liberdade aos passarinhos
Para poderem voar.

É tratarmos dum velhinho
Acalentar um menino,
Quando tiver de dormir:
Dar a mão a um ceguinho,
Ampará-lo no caminho,
P´ra não chegar a cair.

Não esquecer que há Deus,
E uma alma p´ra salvar.
Ter que amá-lo com fervor:
É não parar de rezar,
E mesmo sacrificar,
Cumprindo as leis do Senhor! 
Desenho de Manuel Ribeiro de Pavia

2.1.17

NISA: "O Alentejo de Miguel Torga" em exposição na Biblioteca Municipal


Bruno Paixão e Micaela Lopes vencem S. Silvestre de Avis




Realizou-se no sábado a 34ª Corrida de S.Silvestre de Avis,numa manhã solarenga, 169 atletas terminaram uma das corridas de São Silvestre mais antigas do país.
Sagraram-se vencedores da prova rainha em femininos a atleta da Juventude Vidigalense Micaela Lopes que correu 3.300 m em 10.52', no sector masculino venceu o Portalegrense Bruno Paixão do Beja Atlético Clube que correu 6600 m em 19.53'.
Para mais informações consulte os resultados em:

http://www.aadp.pt/2016_17/Resultados/SS%20AVISf.pdf

1.1.17

NISA: Feira de Janeiro no próximo domingo


HISTÓRIA(S) SEM SENTIDO (1): A ponte de S. Francisco e os maranhos de Nisa

Há uns bons anos atrás conheci uma figura singular, um homem de Leste, refugiado político e que poisou ou aportou em Portugal. Veio da Hungria, após a invasão soviética de 1956 e em Portalegre nos conhecemos, num dos cursos de formação do CENJOR, para mim a melhor instituição de formação de jornalistas.
O curso decorria aos sábados e domingos numa das salas do Colégio de Santo António, instalações disponibilizadas através de “O Distrito de Portalegre”, órgão da diocese e entidade promotora da acção formativa.
Nos intervalos, ficávamos à conversa, eu, ele e a Patrícia Porto, também participante nesse curso.
José Lechner, assim se chamava o nosso formador, era um homem culto, de muitas viagens e saberes. Jornalista de banca, formado nas redacções dos jornais por onde passou e que me escuso de mencionar, foi um dos precursores do ensino do Jornalismo em Portugal, e da qualificação dos seus profissionais, um dos objectivos por que se bateu e a que se entregou com denodo e entusiasmo. Formou-se na Escola Superior de Jornalismo de Lille, uma das mais reputadas escolas francesas de formação de jornalistas e estranhava o facto de nosso país não haver uma instituição semelhante que formasse e dignificasse a profissão. Amava e admirava Portugal, país que o acolheu. Estávamos em 1998 e lembro-me disso porque senti na sua fala, a emoção e orgulho com que nos mencionava e enaltecia dois “feitos”, portugueses, desse ano: a Expo 98 e a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago.
Falava nisso com inusitada alegria, sincera e espontânea. Socialista e conhecendo as minhas convicções políticas, mais à esquerda, nunca as diferenças de opinião constituíram óbice para conversas francas sobre o mundo, a cultura, a política e... a gastronomia.
José Lechner, para além da sua grande paixão pelo jornalismo - tinha uma forma muito peculiar, distinta e prática de ensinar – adorava conhecer novos sabores gastronómicos e um dia, com a Patrícia, falámos-lhe nos maranhos de Nisa. A própria palavra, “maranhos”, causou-lhe estranheza e curiosidade. Nunca a tinha ouvido. Perguntou o que era, à nossa maneira explicámos-lhe como se fazia e ele ficou com “água na boca”.
No final do curso e como tinha que fazer a viagem para Lisboa, convidámo-lo a um “desvio” por Nisa. Assim aconteceu e na antiga sede do Núcleo Sportinguista, sentou-se à mesa connosco e provou (e repetiu) os maranhos de Nisa.
 “Nunca comi nada igual”, disse-nos, visivelmente satisfeito. Terminado o repasto, cada um foi à sua vida, José Lechner a caminho de Lisboa e nunca mais ouvi falar dele, até que...
- Mário, tens ali um postal da América!, disse-me a minha esposa. Era do José Lechner. Cumprira, finalmente, o sonho de visitar os States e a filha, de que nos falava amiúde, com muito carinho e saudade. Estudava, graças a uma Bolsa de Estudos, numa das mais prestigiadas universidades americanas.
No postal, com a foto da ponte de S. Francisco, as palavras de José Lechner eram de grande entusiasmo e rematava o texto, assim: Mário, isto aqui é tudo em grande, fabuloso. Mas, nada que se compare aos maranhos de Nisa! Um grande abraço.
..................................
Nunca mais soube do José Lechner, até ao momento de pesquisar na net pelo seu nome.
Fiquei a saber que foi professor na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e que morrera em 2012. A filha, pelo que apurei, é professora na Universidade de Coimbra.
Não conhece esta história, mas faço questão de lha dar a conhecer, como forma de singela homenagem a seu pai, jornalista, professor de jornalismo, cidadão que muito contribuiu para a qualificação dos jornalistas portugueses e o prestígio desta profissão, tão desconsiderada por muitos.
Mário Mendes

31.12.16

Poetas da Nossa Terra (I): José António Faustino (1)

Pensamentos
Quando eu a pensar me ponho
No passado e no que vem
Depois dum sonho outro sonho
De tantos que a vida tem

Aonde é que está sorte
A sorte onde está ela
Andamos à procura dela
Para encontrar a morte
E não há nada que corte
Este mal tão medonho
Que nos não faz ser risonho
Com as pessoas avança
Meu sentido não descansa
Quando eu a pensar me ponho

Deus que a todos nos criou
Ele é o nosso amiguinho
Mas ali num instantinho
A nossa vida acabou
Ali tudo terminou
No cemitério, além...
Outro destino não tem
Ali tudo vai findar             
Eu ando sempre a pensar
No passado e no que vem

Quando a gente está contente
Com saúde e compreensão
De repente vem a aflição
A vida é um momento
É isto que a gente sente
Eu digo e não me envergonho           
E tudo o que eu suponho
Na vida sempre a cismar
Tantas vezes a sonhar
Depois dum sonho, outro sonho.

A vida amargurada
Sempre à procura da sorte
Onde quer se encontra a morte
Aí fica a vida acabada
O correr não vale de nada
Não dá prazer a ninguém
Amigos reparem bem
Eu vou explicar bem a fundo
Há tantos sonhos no mundo
De tantos que a vida tem.

José António Faustino

Sociedade Recreativa Alpalhoense elegeu Corpos Sociais

Apesar da elevada escassez de sócios presentes, a Sociedade Recreativa Alpalhoense reuniu ontem, dia 30, em Assembleia Geral a fim de eleger os seus novos órgãos sociais.
A única lista apresentada foi a da anterior Direção que saiu vencedora e tomou posse de imediato mantendo-se portanto em funções durante mais um ano.
Bem hajam a todos por mais um voto de confiança!
Corpos Sociais da Sociedade Recreativa Alpalhoense
Assembleia Geral
Pedro Miguel Martins Mourato - Presidente
Luís Manuel Rosa da Costa - Vice-presidente
Direcção
João Manuel Bugalho da Costa - Presidente
Rui Miguel Mourato Canatário - Secretário
António João Rosa da Costa - Tesoureiro
José João Lopes Cotrim - Vogal
Nuno Rafael Garcia Mercês - Vogal
José Eduardo Figueiredo Nabo - Vogal

28.12.16

Em poucas horas, 5 jovens alentejanos perderam a vida em acidentes de automóvel

 É um fim de ano triste, dramático e profundamente doloroso para as famílias e amigos dos cinco jovens alentejanos que num curto espaço de tempo, em Grândola e em Nisa, perderam a vida em acidentes de viação. Numa região já de si deprimida e vazia de oportunidades para a juventude que procura criar aqui alicerces de futuro, ver desaparecer, assim, do pé para a mão, pessoas ainda novas e com o sorriso da esperança a inundar-lhes o rosto, dói. Dilacera. Fere, magoa-nos a alma e lança-nos o desafio de nos interrogarmos. Como é possível? O que oferecemos aos nossos jovens? Com que esperanças os alimentamos? O que fazer? Desistimos?
Não encontrei melhor resposta do que aquela publicada, há uns bons anos, no "Jornal de Nisa" em "Coisas da Vida", um acervo de crónicas que mantém uma actualidade gritante e escritas com o saber de experiência feito pela Drª Sofia Tello Gonçalves e que aqui vos deixo, como mote para reflexão e de homenagem ao Marco e ao Nuno, e aos jovens de Grândola, cujas vidas foram, tragicamente, ceifadas.
Que Deus?
Posso dizer que sou uma apreciadora de música, sem um tipo de música específico, adepta de vários estilos, desde que com qualidade. Boss Ac é um dos fenómenos do Hip-Hop português, tendo inclusivamente sido já nomeado para a categoria de Best Portuguese Act nos MTV Europe Music Awards. Boss Ac transmite mensagens em algumas das suas canções, que, devido ao ritmo da batida, passam por vezes despercebidas. Apercebi-me disso, há pouco tempo, ao ouvir o álbum “Ritmo, Amor e Palavras” (RAP), que me foi apresentado por uma amiga que eu desconhecia apreciadora de Hip-Hop. Fiquei surpresa ao constatar que determinados conteúdos das suas músicas difundem algo mais do que meras palavras sem sentido, envoltas na cadência de um qualquer compasso improvisado numa mesa de mistura. Convenhamos, muitos estilos musicais, são por vezes alvo de comentários depreciativos por parte de pessoas que, se calhar, nunca ouviram nem uma música, mas são logo rotulados, apenas por serem associados a um determinado estilo. Encontrei neste álbum (RAP) uma conversa com Deus, onde são colocadas diversas questões que nos assolam ao espírito e que dificilmente conseguimos formular. É essa conversa, a letra da música intitulada Que Deus?, que pretendo agora partilhar convosco e, eventualmente, surpreender alguém, como me surpreendeu a mim.
Quem quer que sejas, onde quer que estejas/. Diz-me se é este o mundo que desejas/. Homens rezam, acreditam, morrem por ti/. Dizem que estás em todo o lado mas não sei se já te vi/. Vejo tanta dor no mundo pergunto-me se existes/. Onde está a tua alegria neste mundo de homens tristes/.Se ensinas o bem porque é que somos maus por natureza?/ Se tudo podes porque é que não vejo comida à minha mesa?/ Perdoa-me as dúvidas, tenho que perguntar/. Se sou teu filho e tu amas-me, porque é que me fazes chorar?/ Ninguém tem a verdade o que sabemos são palpites/. Se sangue é derramado em teu nome é porque o permites?/ Se me destes olhos porque é que não vejo nada?/ Se sou feito à tua imagem porque é que durmo na calçada?/ Será que pedir a paz entre os homens é pedir demais?/ Porque é que sou discriminado se somos todos iguais?/ Porquê que os Homens se comportam como irracionais?/ Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais?/ Porquê que a Paz não passa de ilusão?/ Como pode o Homem amar com armas na mão?/ Porquê?/ Peço perdão pelas perguntas que tem que ser feitas/. E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?/ Quem és tu?/ Onde estás?/ O que fazes?/ Não sei/. Eu acredito é na Paz e no Amor/. Por favor não deixes o mal entrar no meu coração/. Dou por mim a chamar o teu nome em horas de aflição/. Mas tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos/. E se o Homem nasce livre porque é que é alguns são donos?/ Quem inventou o ódio, quem foi que inventou a guerra?/ Às vezes acho que o inferno é um lugar aqui na Terra./ Não deixes crianças sofrer pelos adultos/. Os pecados são os mesmos o que muda são os cultos/. Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem/. Mas no livro que escreveste cada um só leu o que lhe convém/. Passo noites em branco quase sem dormir a pensar/. Tantas perguntas, tanta coisa por explicar/. Interrogo-me, penso no destino que me deste/. E tudo que acontece é porque tu assim quiseste/. Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo?/ Será que essa é a justiça pela qual eu tanto reclamo?/ Será que só percebemos quando chegar a nossa altura?/ Se calhar desse lado está a felicidade mais pura./ Mas se nada fiz, nada tenho a temer/. A morte não me assusta o que me assusta é a forma de morrer/. Quanto mais tento aprender, mais sei que nada sei/. Quanto mais chamo o teu nome menos entendo o que te chamei/. Por mais respostas que tenha a dúvida é maior/. Quero aprender com os meus defeitos, acordar um homem melhor/. Respeito o meu próximo para que ele me respeite a mim/. Penso na origem de tudo e penso como será o fim/. A morte é o fim ou é um novo amanhecer?/
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

Dois mortos em despiste e incêndio de viatura perto de Nisa

Dois homens, de 39 e 43 anos, morreram esta quarta-feira de madrugada na sequência do despiste de um automóvel, perto de Nisa.
Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre indicou que o acidente ocorreu na estrada nacional (EN) 18, entre Nisa e Alpalhão, tendo o alerta sido dado às 02.07 horas.
Fonte da GNR adiantou que os dois homens, residentes na zona de Nisa, eram os únicos ocupantes do veículo e que os óbitos foram declarados no local do acidente.
O automóvel colidiu com uma árvore de grande porte e incendiou-se de seguida, disse a mesma fonte, adiantando que os corpos ficaram carbonizados.
As operações de socorro mobilizaram 13 bombeiros da corporação de Nisa, com o apoio de seis viaturas, além da GNR, acrescentou a fonte do CDOS de Portalegre.

27.12.16

TEJO: Rio perdeu 28% do caudal em 50 anos

Nos últimos 50 anos o rio Tejo perdeu cerca de 28% do seu caudal. A informação foi avançada em Torres Novas na manhã de 22 de dezembro, quinta-feira, pelo secretário de estado do Ambiente, Carlos Martins. O Governo está a negociar “caudais ecológicos” com o apoio das albufeiras privadas.

O cenário junto ao Castelo de Almourol. Foto: mediotejo.net
Carlos Martins abordava a importância do rio Tejo, como “recurso hídrico central”, à volta do qual vivem 3 milhões de pessoas. Em janeiro, em Abrantes, deverá ser anunciado um plano de fiscalização para 2017, que se constituirá em relatórios semestrais sobre o estado do rio. “Existem na bacia do Tejo 6/7 grandes empreitadas”, constatou, além das descargas de atividade industrial. Adiantou ainda que nas próximas semanas sairá um aviso de 75 milhões de euros para sistemas de escala supramunicipal.
Neste âmbito abordaria que, embora se tende a falar que o aquecimento global é um mito, “o Tejo tem menos 28% de água” que tinha há meio século. “Isto é preocupante”, frisou, uma vez que se trata de uma situação verificada independentemente da existência de barragens. “O Governo está a negociar caudais ecológicos” em colaboração com as albufeiras privadas, referiu. “Não vai dar mais água, mas mais regularidade de água ao longo do ano”, terminou.

Cláudia Gameiro in www.mediotejo.net  - 23/12/2016

NISA: Corrida de S. Silvestre com grande participação












Realizou-se na passada sexta-feira (23/12/2016) a Corrida de São Silvestre de Nisa
que contou com o apoio da AADP. Prova nocturna que contou com a participação de 167 atletas oriundos de todo o país que numa noite gelada de inverno e em vésperas de Natal encheram as ruas da vila de Nisa com muita energia e alegria. Este ano com um percurso mais curto e sempre percorrendo as históricas ruas da vila, permitiu aos adeptos da modalidade e à população nisense um maior envolvimento e apoio ao atletas durante toda a prova. A corrida teve inicio com a competição do escalão benjamins e teve o seu auge na prova destinada aos atletas seniores e veteranos que completaram cinco voltas ao trajecto definido pela organização do Sporting Clube de Nisa.
O vencedor no escalão sénior masculino foi Oswald Freitas do Clube de Natação de Rio Maior com o tempo de 27.56’, e no setor feminino sagrou-se vencedora a atleta Emília Pisoeiro do Clube Atlético Emília Pisoeiro com o tempo de 32.19’.
Resultados completos na nossa página em: www.aadp.pt

26.12.16

AMBIENTE: Desflorestação em Portugal é uma das mais elevadas do Mundo

Quercus considera que atual Reforma das Florestas não conseguirá travar este problema
 Recentemente o senhor Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Florestas, Luís Capoulas dos Santos, referiu que Portugal foi o único país da União Europeia que perdeu área florestal nos últimos 15 anos, situação lamentável que devia ser invertida.
Segundo os dados do Ministério, Portugal perdeu cerca de 150 000 hectares nos últimos 15 anos, contudo, existem outras organizações internacionais que referem  um valor mais elevado.
 Para além dos dados da FAO e do Eurostat, relativos a 2015, que indicam a acentuada desflorestação, também a Global Forest Watch (GFW), um sistema interactivo de monitorização da floresta, revela dados preocupantes. Do mesmo modo, a associação portuguesa Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal tem lançado alertas sobre este assunto.
 Portugal é o quarto País do Mundo com maior desflorestação
 Os dados da Global Forest Watch, para Portugal, colocam o nosso País no quarto lugar entre os países com a maior taxa desflorestação. Entre 2001 e 2014, Portugal perdeu 566.671 hectares de floresta e, entre 2001 e 2012, ganhou 286.549 hectares, o que revela menos 280.122 hectares de área florestal.
No topo dos países com maior perda percentual de coberto arbóreo (a) está a Mauritânia (99,8%), seguida do Burkina Faso (99,3%), da Namíbia (31,0%) e de Portugal (24,6%).
A situação é mais preocupante para o nosso país pois apenas três países apresentam pior desempenho do que Portugal, e todos eles têm vastas regiões desérticas e ou estão na orla de desertos.
Esta alteração do uso do solo florestal está associada principalmente a conversões para zonas urbanas, turísticas e industriais, novas infraestruturas como auto-estradas e barragens e, como é óbvio, os incêndios florestais recorrentes que têm consumido várias centenas de milhares de hectares de floresta em cada década recente.
Para apurar os valores da diminuição da área florestal era essencial existir uma revisão actualizada do Inventário Florestal Nacional, recorrendo a novas tecnologias, situação que tarda em avançar.
 A Quercus considera que o Governo, na Reforma das Florestas, que está actualmente em consulta pública não avançou com medidas para contrariar este grave problema da diminuição da área florestal.


 Florestas Primárias em risco de desaparecer em Portugal
 As Florestas Primárias (b) são muito residuais em Portugal e ocupam apenas cerca de 1% da nossa área florestal.
Em particular risco estão os últimos carvalhais primários de folha caduca que todos os anos vêem diminuída a sua área com abate de carvalhos centenários para lenha e cultivo de cogumelos, ou são vítimas da expansão de outras culturas.
 Estas florestas primárias são o principal depósito da biodiversidade e de património genético de grande parte da flora e fauna autóctone do nosso país.
 Por esse motivo, a Quercus pediu já ao Governo que crie legislação para a proteção dos carvalhais em Portugal.
 (a) – São consideradas apenas as áreas florestais com mais de 30% de cobertura arbórea.
(b) – São florestas primárias aquelas que se encontram no seu estado natural e cuja existência não depende da atividade humana.
Lisboa, 26 de Dezembro de 2016
A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Para mais informações contatar:
João Branco – Presidente da Direção Nacional da Quercus: 937 788 472
Domingos Patacho – Coordenador do GT das Florestas da Quercus: 937 515 218

Poema dedicado a Graça Carita





24.12.16

OPINIÃO: Juntas de freguesia ao serviço dos CTT?

Os Correios pertencem ao imaginário (pelo menos) daqueles que, como eu, andam pelos cinquentas. As cartas e os postais eram meios de comunicação que permitiam afinar a letra, apurar a prosa, contar infindáveis histórias, expressar sentimentos, manifestar paixões... Os marcos do correio, que até tinham uma espécie de relógio onde se indicava o horário da próxima recolha, e os carteiros eram "figuras" que faziam parte das nossas vidas. Lá no prédio, o carteiro era o sr. Adolfo que, todos os dias, aparecia a meio da manhã, com um grande saco de couro castanho, de onde tirava as cartas (e impressionava-me, sempre, como elas já vinham organizadas...). Que, em dias de boa disposição, aproveitava para dar um chuto na bola com que nos entretínhamos no pátio. E que, na altura do Natal, nos pedia para falarmos com os nossos pais para que estes lhe dessem "a consoada", que mais não era do que a gorjeta pelos serviços prestados ao longo do ano (e que, creio, compensariam o baixo salário no tempo em que o subsídio de Natal era uma utopia!...).
Naturalmente que os tempos mudaram e que, hoje, os meios de comunicação são radicalmente distintos. Mas todos fomos assistindo, no final do século passado, às artimanhas que os Correios utilizaram para degradar o serviço e encarecer o preço dos serviços postais. Um correio que funcionava bem (bem sei que o correio internacional durava uma eternidade que nos fazia regressar antes dos postais remetidos de qualquer cidade estrangeira...), onde, internamente, as cartas chegavam rapidamente. Os Correios inventaram, então, o "correio azul", fazendo com que pagássemos o dobro para garantir o que antes estava quase sempre garantido: entregar a carta no dia seguinte. E, depois, o "correio verde" e outros sucedâneos, impondo a regra de que se queremos ser "bem" servidos temos de pagar mais por isso...
Na década passada, os Correios fecharam serviços. Preparando a privatização da empresa, os seus gestores, só na cidade do Porto, encerraram dezenas de postos e desativaram mais de uma centena de marcos de correios. Face a esta situação, e numa cidade em que mais de 20% da população tem mais de 65 anos de idade e cujas reformas chegam pela via postal, diversas juntas de freguesia, voluntariosa mas erradamente, decidiram estabelecer protocolos com os Correios, disponibilizando instalações e funcionários para assegurarem serviços de correio aos seus fregueses, a troco de pequena contrapartida pecuniária. Como hoje se vê, esses protocolos são deficitários para as juntas de freguesia. O que significa que somos nós, cidadãos, que estamos a pagar a uma empresa privada para que as nossas juntas de freguesia assegurem um serviço que essa mesma empresa deveria assegurar - empresa essa que, só nos primeiros 9 meses de 2016, teve um lucro de 46 milhões de euros! Esta vergonha não pode continuar. Sob pena de qualquer dia termos as juntas de freguesia a angariarem clientes para o Banco CTT...
Rui Sá in "Jornal de Notícias" - 19/12/2016

22.12.16

PORTAL DE NISA: Votos de Boas Festas

A todos os leitores, seguidores, navegadores e amigos do Portal de Nisa, expresso os meus Votos de Boas Festas, Feliz Natal e de um Novo Ano com Saúde e Paz.

21.12.16

OPINIÃO: A violação não é ficção

Na famosa cena do filme “O Último Tango em Paris” estão lá as palavras da jovem rapariga “não e não”. E sabemos, agora, que não se tratou de seguir o guião, ela não sabia o que lhe ia acontecer.
Voltou a polémica sobre o filme “O Último Tango em Paris”. Novas revelações do seu realizador Bernardo Bertolucci (proferidas em 2013, mas agora divulgadas) reacendem o debate sobre a famosa cena erótica que acabou por ser “a marca” do filme – a violação da jovem rapariga.
Maria Schneider já tinha dito em 2007, que se “tinha sentido violada”, mas as suas declarações não tiveram grande impacto… Perante as declarações do realizador a polémica assume maiores proporções e desencadeia reações. Podem um realizador e um ator decidir os contornos de uma cena e não dar conhecimento à outra parte envolvida? Aceita-se a justificação/confissão sobre o motivo: “queria a reação dela como rapariga e não como atriz?”
Mesmo passados 45 anos sobre a estreia do filme, estas declarações colocam o problema da relação que existe entre o realizador, por um lado, e o ator ou atriz por outro, evidenciando que não são tratados nem respeitados da mesma forma. Mesmo no mundo da ficção, no mundo de Hollywood , são muitos os exemplos desta desigualdade de género - do salário à dignidade.
Mas esta polémica não nos deve ser indiferente, nem ser “guardada na gaveta” dos artistas, do glamour, do mundo da ficção…

Na famosa cena, agora relembrada na comunicação social e nas redes sociais estão lá as palavras da jovem rapariga “não e não”. E sabemos, agora, que não se tratou de seguir o guião, ela não sabia o que lhe ia acontecer.
Não e Não, são as palavras a respeitar. A violação de mulheres e meninas é um problema mundial, mas existe ao nosso lado. É o poder dos homens na subjugação das mulheres, de todas as mulheres - atrizes, refugiadas, empregadas, estudantes, jovens e menos jovens, todas.
Como diz Joaquim Leitão, realizador, “nenhum filme merece que um ator sofra”, neste caso uma atriz… Eu diria, todos e todas temos um papel para acabar com o sofrimento de muitas mulheres… e, mesmo tardiamente é bom não esquecer Maria Schneider.
Helena Pinto - Artigo publicado em mediotejo.net

20.12.16

NISA: Está aí a Corrida de S. Silvestre 2016






T'Shirt Técnica limitada às primeiras 250 inscrições...
Está a chegar mais uma edição da Corrida São Silvestre de Nisa, uma prova de atletismo (estrada) que se irá realizar no dia 23 de Dezembro de 2016 (sexta-feira), entre as 20h30 e as 22h00, na Praça da República de Nisa, organizada pelo Sporting Clube de Nisa e com os apoios da União de Freguesias do Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão, e da Câmara Municipal de Nisa e a colaboração técnica da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre.
 Este ano temos algumas novidades, desde logo o facto da prova ser gratuita para todos os participantes.
A alteração do circuito é outra das novidades, numa opção ainda mais "urbana", aumentando a interação com a população residente.
Outras das alteração prende-se com a passagem do primeiro escalão de Veteranos(as) para os M40/F40.
Por fim, resolvemos também oferecer um incentivo financeiro às três primeiras equipas classificadas pelo cômputo geral dos escalões.