10.1.21

Uso do telemóvel ao volante com multas agravadas

As alterações ao Código da Estrada aprovadas, em novembro, entraram em vigor, com multas agravadas para o uso do telemóvel ao volante e a perda de três pontos na carta de condução.
O valor das coimas por uso do telemóvel vai duplicar, ficando estabelecida uma penalização entre 250 a 1.250 euros.
Na véspera da entrada em vigor do decreto-lei, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) defendeu que o objetivo das novas normas é aumentar a segurança na estrada e adotar medidas de desburocratização.
Entre as alterações, destacam-se o agravamento da coima pelo uso do telemóvel durante a condução e a subtração de três pontos na carta de condução, em vez dos anteriores dois pontos, “à semelhança da condução sob o efeito de álcool”.
Em comunicado emitido ontem, a ANSR lembrou a obrigatoriedade de os tratores passarem a circular com arco de segurança erguido e em posição de serviço, desde que homologados com esta estrutura, bem como a utilização do cinto e outros dispositivos de segurança com que os veículos estejam equipados, incluindo “avisadores luminosos especiais” (rotativo de cor amarela).
O incumprimento pode dar origem a uma coima entre 120 e 600 euros.
As alterações consagram também a proibição de aparcamento e pernoita de autocaravanas fora dos locais autorizados.
No âmbito das novas medidas, os condutores vão poder reaver as cartas de condução que deixaram caducar, mediante a realização de provas de exame ou frequência de ações de formação.
O Conselho de Ministros aprovou em 27 de novembro as alterações ao Código da Estrada que agora entraram em vigor.

VILA VELHA DE RÓDÃO: Câmara atribuiu bolsas de estudo no valor de 22 mil euros a estudantes do ensino superior

A Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão entregou 25 bolsas de estudo aos alunos do concelho que frequentam o ensino superior, no passado dia 23 de dezembro, numa cerimónia que decorreu na Casa de Artes e Cultura do Tejo. As bolsas atribuídas no presente ano letivo ultrapassam os 22 mil euros, representando um aumento superior a 10% relativamente ao ano anterior.
A atribuição deste apoio aos alunos tem por base o Regulamento Municipal de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior e a avaliação da Comissão de Análise criada para o efeito, tendo as candidaturas decorrido durante o mês de outubro de 2020.
À semelhança do ano passado, foram atribuídas quatro bolsas de estudo aos candidatos inscritos pela primeira vez no ano letivo de 2020/2021, no primeiro ano de um curso superior, no Instituto Politécnico de Castelo Branco, uma medida que representou um investimento total de 3424 € e tem por base um protocolo estabelecido com aquela instituição, que consiste no pagamento, por parte da autarquia, de uma bolsa de estudo no montante equivalente ao valor total das propinas.
Foram ainda entregues 21 bolsas de estudo destinadas a alunos que frequentam outras instituições de ensino superior e que são atribuídas em função dos rendimentos do agregado familiar, com o objetivo de comparticipar os encargos dos estudantes com a frequência de um curso superior. Estas bolsas de estudo representaram um total de 18.682,70 €, um valor que ultrapassou o das 17 bolsas de estudo atribuídas no ano anterior (15.739,10 €).
O valor das bolsas de estudos atribuídas pela Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão tem vindo a aumentar nos últimos anos, o que reflete não só o aumento do número de candidaturas, mas também o esforço feito por parte da autarquia para abranger um maior número de alunos do concelho, já que o executivo municipal considera este tipo de apoio é determinante para criar condições para que as desigualdades económicas e sociais não sejam um entrave no acesso à educação e, em particular, no ingresso no ensino superior.

Sardoal tem Orçamento Participativo

 

Votação aberta entre 11 de janeiro e 8 de fevereiro
O Orçamento Participativo de Sardoal recebeu seis propostas de munícipes, que podem ser votadas pelos Sardoalenses entre 11 de janeiro e 8 de fevereiro.
A votação pode ser efetuada presencialmente nas Juntas de Freguesia do Concelho e no Balcão Único da Câmara Municipal, no horário de funcionamento destes serviços, ou na aplicação "Muni". Nos projetos finalistas podem votar eleitores Sardoalenses, sendo que cada cidadão pode votar uma única vez e apenas num projeto.
As seis propostas apresentadas passam pela construção de um WC público na aldeia de Venda Nova; elaboração de um mural alusivo ao Património Cultural, memória social e identidade; intervenções assistidas por animais (cão); proteção do Parque de Merendas Ribeiro Barato; criação de um festival na vila de Sardoal; e melhorias no Jardim da Tapada da Torre.
Com o Orçamento Participativo, a Autarquia pretende envolver os Munícipes no sentido das necessidades se converterem em oportunidades, através da apresentação de propostas transversais e locais que visem a melhoria da qualidade de vida no Concelho.

9.1.21

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Os enteados - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

PORTALEGRE: Câmara cancela actividade cultural agendada para Janeiro

Devido à situação pandémica do país e ao agravamento generalizados das medidas de confinamento, a Câmara Municipal de Portalegre informa que a agenda de programação do CAEP para o mês de janeiro será cancelada.
A realização dos espetáculos anunciados para os próximos dias fica assim adiada, sendo que voltaremos a retomar a atividade cultural logo que as restrições provocadas pelo novo coronavírus sejam levantadas.
Apesar da necessidade de apertar as medidas com o objetivo tentar conter a disseminação da covid-19, ao abrigo da Lei dos Partidos Políticos, é obrigatório manter o calendário das ações que decorrem no âmbito da campanha eleitoral para as Presidenciais 2021.
O Município de Portalegre está a acompanhar o desenvolvimento da situação pandémica e reitera que toda a informação sobre o cancelamento da atividade cultural municipal para os próximos meses será atualizada sempre que se justifique.

OPINIÃO: O povo da Esquerda e as presidenciais

O candidato Marcelo Rebelo de Sousa pode estar à frente nas sondagens, e a experiência pode dizer-nos que todos os presidentes foram reeleitos à primeira volta, mas nenhum destes factos deve tornar a eleição presidencial numa formalidade. Essa é precisamente a estratégia de Marcelo.
Tendo assumido o primeiro mandato na sequência do trauma Cavaco e com a Direita em cacos depois da austeridade, o presidente procurou não afrontar gregos nem troianos, dando quase sempre uma no cravo e outra na ferradura. O Governo agradeceu a blindagem política em certos temas essenciais que quis vedar à Esquerda: o trabalho, a Banca e a recuperação do SNS. Não é por acaso. São estes os temas em que o PS frequentemente vota com a Direita, e Marcelo é, no fim de contas, o candidato desse compromisso.
Marcelo Rebelo de Sousa não apoiou a criação do SNS. A sua visão sobre o negócio da Saúde ficou clara quando, mesmo durante a pandemia, usou os seus poderes para obstaculizar a requisição dos serviços privados a preço de custo e a sua subordinação ao SNS.
E não é preciso recordar as palavras do comentador Marcelo a garantir ao povo a solidez do BES para sabermos que, enquanto político, aceitou e protegeu a Banca do regime. Juntou-se ao centrão para apresentar como inevitáveis as vendas ruinosas do Banif e do Novo Banco. Quase exigiu a demissão do ministro das Finanças no polémico caso das declarações de rendimentos dos gestores da Caixa, mas nunca criticou os contratos abusivos assinados por Centeno - contratos que o país hoje paga bem caro.
Não foi com os seus afetos que os trabalhadores despedidos sob a pandemia puderam contar. E das leis laborais só quis saber para as degradar com o alargamento do período experimental para seis meses.
Ao votarmos, não é indiferente sabermos que Marcelo se opôs ao Tribunal Constitucional quando este impediu os cortes nas pensões feitos por Passos Coelho. Ou que normaliza a participação da extrema-direita em futuros governos. Marcelo facilitou tal aliança nos Açores muito antes de, como fazem em França ou na Alemanha, ter esgotado as possibilidades de um compromisso republicano.
Que voto pode contribuir para romper os bloqueios na saúde, no trabalho, na Banca? Que voto é mais útil para alcançar os compromissos exigentes que Marcelo e Costa querem adiar? Responder a estas perguntas pensando no dia seguinte, eis o desafio colocado ao povo da Esquerda nestas presidenciais.
Mariana Mortágua in “Jornal de Notícias” - 5/01/2021

GNR: Operação Campo Seguro 2020 – Balanço

A Guarda Nacional Republicana, desde o dia 1 de junho e até ao dia 31 de dezembro de 2020, intensificou o patrulhamento nas explorações agrícolas, em todo o território nacional, com o objetivo de prevenir a criminalidade em geral e os furtos em particular, bem como possíveis situações de tráfico de seres humanos.
Durante a operação, a GNR foram realizadas 2.986 ações de informação e sensibilização a 8.494 pessoas, junto das comunidades rurais, muito especialmente dos agricultores, sobre medidas de prevenção e proteção contra furtos, em particular contra o furto de cortiça, ou outros produtos agrícolas, cobre e outros metais não-preciosos.
Foram ainda realizadas 7.675 ações de patrulhamento e fiscalização, tendo sido registados 80 crimes e 194 contraordenações, culminando na detenção de 50 pessoas e na identificação de outras 184 maioritariamente por crimes de furto nas explorações agrícolas. Destaca-se, também, a apreensão de 27 veículos e diversos utensílios utilizados neste tipo de crimes e a recuperação dos seguintes produtos:
·         11.040 quilos de cortiça;
·         9.672 quilos de alfarroba;
·         6.747 quilos de pinha mansa;
·         750 quilos de azeitona;
·         80 quilos de abacate.
Atendendo ao número de acidentes que envolvem veículos agrícolas, foram desencadeadas 4.298 ações de sensibilização dirigidas a 11.484 utilizadores de tratores e máquinas agrícolas, com o objetivo de os aconselhar para o cumprimento das regras de segurança. Neste particular, em 2020 foram registados 644 acidentes envolvendo veículos agrícolas, menos 33 crimes que o ano transato, porém, havendo a lamentar 45 vítimas mortais, menos nove que no ano anterior.
Sendo o capotamento a principal causa a provocar vítimas, a partir de hoje, 8 de janeiro, com as recentes alterações ao código da estrada, passa a ser obrigatório circular com arco de segurança, conhecido por “Arco de Santo António”, erguido e em posição de serviço (esta obrigatoriedade aplica-se aos tratores homologados com esta estrutura), bem como a utilização do cinto e demais dispositivos de segurança com que os veículos estejam equipados. Além disso, os tratores e máquinas agrícolas ou florestais e as máquinas industriais são obrigados a possuir avisadores luminosos especiais (rotativo de cor amarela).

VILA VELHA DE RÓDÃO: Câmara testou comunidade escolar no arranque do 2.º período

De forma a garantir a segurança e o bem-estar da comunidade escolar no regresso às aulas, após a interrupção letiva do Natal, a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão promoveu a realização de testes à presença do novo coronavírus junto de pessoal docente e não docente do Agrupamento de Escolas de Vila Velha de Ródão.
A testagem decorreu ao longo da passada segunda-feira, 4 de janeiro, dia que marcou o arranque do segundo período do ano letivo, e abrangeu assistentes operacionais e assistentes administrativos do Agrupamento de Escolas, assim como os professores e educadores que aceitaram fazê-lo.
Na totalidade foram realizados cerca 40 testes, cujos resultados foram negativos, um desfecho que tranquiliza o município que procura assim prevenir a disseminação da Covid-19 nos estabelecimentos de ensino e manter baixo número de casos que felizmente se tem registado no concelho.

7.1.21

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Natal viral - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

Câmara de Portalegre prorroga apoio às Instituições Sociais

Foram assinadas pela Presidente da Câmara Municipal de Portalegre as adendas aos contratos celebrados no âmbito do Programa MAREESS (Medida Apoio ao Reforço de Emergência de Equipamentos Sociais e de Saúde), para apoio às Instituições de Solidariedade Social.
Tendo em conta que as necessidades das instituições justificam a manutenção destes recursos humanos, o Município entendeu renovar os contratos assinados durante a pandemia da doença COVID-19 para assegurar a capacidade de resposta dos serviços.
Apesar de esta ser uma medida temporária e excecional a sua duração foi recentemente prorrogada até 30 de junho de 2021, encontrando-se a Câmara Municipal de Portalegre disponível para continuar a receber candidatos até esta data.
Segundo Adelaide Teixeira, este reforço de pessoas às equipas das IPSS é muito importante para apoiar estas instituições e todos os seus utentes, em particular neste contexto difícil provocado pela pandemia.

6.1.21

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Balanço Nacional 2020 | Cartoon editorial da revista Sábado, um resumo dos acontecimentos que marcaram o ano de 2020. Cartoon de Vasco Gargalo

COISAS DA CORTE DAS AREIAS (17 ) - Especiais Particularidades (7)

Sirgadouros do Tejo - Um encanto para fruir
No princípio era o rio, torrencial e de cristalinas águas, chegado aqui percorridos iam 120 léguas, descendo a Ibérica Península desde Albarracin, como ensinava o mestre na Primária, frente ao mapa. Rio de fascinante beleza, variada e abundante fauna, talvez por isso os primeiros homens aqui chegados, olharam, gostaram do que viram e fixaram-se. Ao rio atribuíram-lhe um nome. Tejo, lhe chamam agora e pela abastança acreditaram estar a sobrevivência assegurada.
Em tempos ainda pré-históricos, nos finais do neolítico, diz quem sabe, que os homens, provavelmente agradecidos aos deuses, gravaram nas pedras do leito ou das margens do rio, milhares de notáveis figuras, imagens observadas por eles no dia a dia, palmilhando a terra, ou contemplando o céu. É a Arte Rupestre que temos por ali, nossa, porque na margem esquerda, que os nossos autarcas, em parceria com os de Vila Velha de Ródão se aprestam em valorizar para atrair os turistas.
Entretanto, outros povos foram chegando, novos hábitos foram sendo adquiridos, diferentes formas de viver, de explorar, de olhar em volta e sempre mais longe.
É um prazer contemplar e agradável de passear aquele corredor empedrado que acompanha o Tejo na margem esquerda, desde a Barca da Amieira até por perto da foz do Figueiró (200 metros para jusante).
Lageado com pedras dispostas na horizontal, tem em média, de largura, cerca de dois metros e eleva-se aproximadamente 6/7 metros acima do nível das águas.
Estas "estradas", por alguns habitantes de Amieira chamadas de "fachina", são os designados muros de Sirga, ou Sirgadouros, se bem que em Malpica do Tejo os apelidem de "Estradinha", preferindo os espanhóis nossos vizinhos e do rio, chamar-lhe "Estrada Velha" ou "Caminho do Rei", como nos foi dito por um amigo de natural de Cedillo, o senhor Francisco Negrito Gonzales, cujos avós eram portugueses, nascidos em Nisa.
Estes caminhos eram utilizados desde há séculos por homens e animais, no reboque rio acima dos barcos, principalmente nos cachões, impeditivos de utilizar os remos. É certo que não exercem hoje aquela função, ainda assim é sempre aprazível percorrer passeando aqueles curtos quilómetros, da Barca da Amieira até ao Figueiró, tanto mais que o Sirgadouro se encontra agora perfeitamente restaurado, graças a uma decisão louvável do actual executivo municipal, que com esta acção não só defendeu o património concelhio, mas igualmente investiu no turismoque acabará por render.
Quando e por quem foram mandados construir os Sirgadouros? Foi a obra executada de uma só vez ou foi-o por fases?
Vários são os autores que nos falam da beleza e riqueza do rio, da sua extensão, dos seus desníveis, da turbulência ou sossego das suas águas, mas sobre os sirgadouros pouco nos dizem e quando o fazem nem sempre afinam pelo mesmo diapasão, daí resultando uma "música" confusa.
Não terá aquela obra sido executada por fases e sujeita ao longo dos anos a intervenções de restauro e ampliação, justificando assim e de certo modo, o desencontro na informação?
Araújo Correia, na obra de que é autor - O Tejo - , a pág. 61 cita o ten.-coronel de Engenharia, Anastácio Rodrigues, que em 1812 estudou a navegabilidade do Tejo, de Abrantes a Malpica, por mandado real, informando dos embaraços naturais e artificiais, realçando a falta total de sirgadouros, que ele entendia como caminhos cómodos, de três ou quatro palmos de largo, ao menos. É esta a única referência a sirgadouros que se encontra naquela valiosa obra, o que nos parece manifestamente pouco.
Em "Viagens do Olhar", obra editada pelo Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento de Vila Velha de Ródão, refere-se que em 1849, um decreto de D. Maria II autorizava o Governo a "despender durante o próximo futuro ano económico até à quantia de dez contos de réis em trabalhos de demarcação do alveo do Tejo, na parte que decorre de Valada até Abrantes, como também nas obras de quebramento de rochedos, da desobstrução do alveo do mesmo rio e da construção de caminhos de sirga, na parte que decorre de Abrantes até Vila Velha de Ródão". Efectivamente, estes caminhos foram construídos e ali estão hoje ainda nas duas margens do rio, a jusante da Barragem do Fratel.
Na revista Estudos de Castelo Branco, nº 27 de 1 de Julho de 1968, volta-se a citar o ofício do coronel Anastácio Rodrigues, enviado a 17 de Julho de 1812 a D. Miguel Pereira Forjaz, acerca da navegação do Tejo, de Abrantes a Malpica. No que concerne ao nosso concelho de Nisa, a página 164 é feita uma chamada para a necessidade, junto da Barca da Amieira, de "abrir quinhentos passos, ao menos, de sirgadouro nesta margem esquerda".
Ainda num estudo publicado no diário de Badajoz, "Hoy", de 22 de Agosto de 1964 e no ano seguinte em separata de "Terra Alta", nº 406, extraído da obra "As ordens militares, aquém e além Sever", o seu autor, dr. José Martins Barata, ao referir-se ao vasto território da Açafa, que incluía a quase totalidade do actual concelho de Nisa e que foi doado por D. Sancho I à Ordem do Templo, escreveu o seguinte: "Outro ponto a considerar diz respeito à população que dispersa e escassa, era homogénea, como sempre temos defendido. Nem de outra forma convinha aos Templários que precisavam ter assegurada a navegação no Tejo, a favor da corrente ou utilizando os caminhos de sirga marginais, romanos, que ainda hoje se podem reconhecer. O Tejo fornecia um excelente meio de comunicação naquele tempo de poucos e maus caminhos".
Autores há que referem a construção dos sirgadouros no período filipino. Este últimos autor recua muito mais no tempo e atribui a obra aos romanos, o que não se estranha, sendo o Tejo, como menciona Estrabão, "um rio productor de ouro" que eles exploraram. O Conhal é um bom exemplo.
É de louvar a actividade da Associação de Estudos do Alto Tejo, de Vila Velha de Ródão, pela constante promoção do rio. Lembramos, a propósito, que há meia dúzia de anos, organizaram o 1º passeio pelos muros de sirga, nas duas margens, da Barragem do Fratel à Barca da Amieira, iniciativa já continuada entre nós por parte da Inijovem e se deseja seja repetida regularmente, permitindo aos passeantes apreciar a beleza do rio e eventualmente descobrir-lhe alguns dos seus segredos e da sua história, história onde Nisa ocupa o seu espaço.
Documentos há ("Beira Baixa" - Pág. 144) atestando que há 130 anos (1875), entre Vila Velha de Ródão e Abrantes ainda se moviam 278 barcos, com um fluxo, nos dois sentidos que, globalmente, representava 1360 toneladas.
Vieram os barcos porque havia um rio; foram-se os barcos porque chegou o comboio, "o comboio da Beira Baixa", o comboio do nosso rio.
Rio que vai ser factor de desenvolvimento turístico no nosso Concelho de Nisa.
* João Francisco Lopes in "Jornal de Nisa" - nº 195 - 23/11/2005

NISA: Eleitos da CDU interpelam Presidente da Câmara sobre a estratégia de combate à pandemia


No dia em que teve início a vacinação contra a COVID-19 no Concelho de Nisa e se abre uma janela de Esperança mas em que, simultaneamente, o nosso Concelho foi identificado como o mais fustigado, no distrito de Portalegre, pelo número de infeções, a CDU interpelou a Presidente da Câmara sobre a estratégia que se seguirá neste contexto tão adverso."

SARDOAL: Aulas arrancaram em nova escola

No Sardoal, as aulas reiniciaram hoje, 4 de janeiro, numa nova Escola, uma infraestrutura que irá proporcionar mais comodidade e conforto a toda a comunidade escolar.
A escola nova tem uma forma idêntica a um T e alberga, para além das salas de aula, todos os serviços da Escola.
Por finalizar, e com data prevista para estar concluído em julho, encontra-se o Pavilhão Polidesportivo (que servirá também toda comunidade, colmatando uma lacuna que se faz sentir) e os arranjos exteriores.
Recorde-se que as obras de requalificação do Parque Escolar de Sardoal começaram em 28 de novembro de 2018 e que têm sido assumidas pelo atual Executivo como uma prioridade na área da educação, orçando a obra total em mais de cinco milhões de euros. O apoio comunitário para esta obra ronda os 85% para segundo e terceiro Ciclos e Secundário, sendo a componente do primeiro ciclo da responsabilidade do Município.



3.1.21

OPINIÃO: Mudar as nossas vidas

 

Há um ano atrás, os astrólogos não conseguiram prever nada acerca do ano dramático que atravessámos. Não duvido da influência dos astros e da natureza nas nossas vidas, mas sou cético (pacífico) no que respeita a previsões astrológicas. Acredito nas previsões meteorológicas, que fazem parte de um acumular de saberes e de experiências apoiadas pela ciência. Acredito, também naquelas pessoas que de forma voluntária ajudam os outros.
2020 fica registado para a história como o ano da guerra mundial contra um inimigo comum invisível. Nem assim o mundo o mundo esteve tão unido quanto o desejável e um dos símbolos maiores dessa desunião, foi o derrotado Donald Trump; em Moçambique, na província de Cabo Delgado, o autoproclamado “Estado Islâmico (Daesh), provocou uma crise humanitária e sanitária de proporções alarmantes; no mundo, estamos à beira de um colapso financeiro e não existe solidariedade entre países mais robustos e os mais fragilizados.
Com previsões difíceis de definir, Trump perdeu para Biden e ao cair do pano foi possível o Brexit com acordo. Trump insistiu na fraude das eleições que ele próprio personifica e o Brexit com acordo é um mal menor. Ficam as dúvidas de como o mundo irá girar, mas sem Trump estará seguramente mais respeitável e com o Brexit, só falta saber o futuro da Grã-Bretanha e o impacto que vai ter na União Europeia.
Enquanto o mundo sofre e empobrece, os mais ricos do mundo, ficam ainda mais ricos. Ainda há quem defenda uma taxa de imposto igual para todos[1]. É o caso do Iniciativa Liberal (IL) e CHEGA, que defendem mais pagamento de imposto para os que ganham menos e menos para os que ganham mais. Mas nem tudo é mau e não estava na área da adivinhação, nem da crendice – a ciência deu-nos a hipótese de passarmos o ano com a esperança em alta, devido ao começo do processo de vacinação.
Confesso, que também, já tenho feito as minhas previsões e se acerto muitas, também falho algumas. Neste primeiro “Desabafo” do ano de 2021, gostava de prever que a pandemia, a discriminação e a corrupção vão acabar, que a ignorância e a fome vão desaparecer, assim como a violência. Sei que, infelizmente, não é assim e vai ser transversal a todos os nativos de todos os signos, porque vivemos no mesmo mundo desequilibrado.
E é por este mundo que temos de lutar e não nos deixarmos iludir com fantasias, promessas e desejos. É importante enfrentarmos a realidade e ignorarmos os falsos profetas, demagogos e aqueles que ganham simpatia a dizerem o que todos querem ouvir, mas cujas soluções são um desastre civilizacional.
O ano começa bem para os que foram indultados por Trump. O conceito de justiça deste amigo do CHEGA, é libertarem criminosos, porque são amigos ou familiares. O ano, podia vir a começar menos bem para o CHEGA, porque queria substituir no Parlamento, o próprio André Ventura, durante a campanha eleitoral presidencial, indicando Diogo Pacheco de Amorim, antigo militante do MDLP, movimento de extrema-direita bombista-terrorista, acusado do assassinato do Padre Max e Lurdes Correia no ano de 1976.
Dentro das previsões, tudo indica que Marcelo Rebelo de Sousa, vai ter mais um mandato, mas na corrida estão duas grandes mulheres, que explicam porque não é o atual presidente, a solução para mudarmos e melhorarmos o país. Outro candidato sabe isso e porque Ventura, também não quer a mudança, o objetivo dele é provar o seu contrário. Ele e os seus angélicos seguidores afirmam estarem contra o sistema, mas são mais do mesmo, senão o pior deste sistema.
Nos desejos formulados para 2021, acredito que desta vez houve uma maioria nos votos ao fim da pandemia, que nem os astrólogos se atrevem a vaticinar. Nas previsões mais esperadas, são as dificuldades para todos os nativos de todos os signos; continuarmos a pagar bancos falidos; o escandaloso aumento para administradores da TAP, enquanto se despedem cerca de 2000 trabalhadores e se cortam salários. Não era preciso ser astrólogo para prever que íamos pagar a desastrosa privatização ao sr. Neeleman, com muitas responsabilidades para a União Europeia, que com estas políticas arruinou mais companhias de aviação.
Os astros iluminam, têm a sua interação na natureza, mas não nos fazem mais felizes, ou infelizes, mais ricos ou pobres; o que pode determinar esses fatores, é a atitude do ser humano e é essa atitude que pode mudar as nossas vidas.

Paulo Cardoso - Programa "Desabafos" / Rádio Portalegre - 18/12/2020

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

 Primeira capa do ano da revista de Domingo do Correio da Manhã. Cartoon de Vasco Gargalo

OPINIÃO: Incubadoras de empresas e o paradigma da localização: centros urbanos vs periferias

Em 1938 quando William Hewlett e David Packard fundaram, numa pequena garagem em Palo Alto (EUA), a empresa que é hoje conhecida como Hewlett-Packard (HP), precisaram apenas de pouco mais de $500 e, estavam longe de adivinhar o sucesso empresarial que iriam ter. Também, em Portalegre, quando em 2015, a BioBIP teve o seu início como uma estrutura do Instituto Politécnico de Portalegre vocacionada para a incubação de empresas e/ou projetos, essencialmente de base tecnológica, estávamos longe de imaginar que, passados apenas 5 anos, tivesse o sucesso que é notório, não só pela quantidade e qualidade das empresas incubadas, mas também pelas suas atividades desenvolvidas, pelo impacto económico apresentado por estas startups na sua área de atuação, assim como pelo seu potencial de valorização económica e escalabilidade, o reconhecimento pelos stakeholders regionais e nacionais e a visibilidade no ecossistema  relacionado com as áreas formativas do IPP, ou com o aproveitamento dos recursos da região.
A este fato não é alheio a mudança de paradigma das competências exigidas para o sucesso empresarial e individual, se antes se pedia que uma startup estivesse localização junto a grandes centros urbanos, hoje essa centralidade é trocada por outros espaços alternativos e é imperativo ter outro conjunto de competências com a habilidade tecnológica, a criatividade, a visão de negócio, a eficiente comunicação e, acima de tudo ter uma boa reflexão crítica sobre a  atual situação económica.
Este cluster de exigências pode ser encontrado na BioBIP, pois dispõe de todos estes atributos para que um exigente espirito empreendedor tenha o desejado sucesso quer na “BioBIP – IN”, quer na “BioBIP – Energia“.


António Casa Nova - Subdiretor da Escola Superior de Saúde


2.1.21

COISAS DA CORTE DAS AREIAS (16) - O Santo Graal

 

“Templários são o Santo Graal do turismo” (título em “Reconquista”)
O legado histórico e cultural ligado à presença da Ordem dos Templários no concelho de Idanha-a-Nova e que se prolonga para lá da fronteira com Espanha, pode ser o Santo Graal do turismo no concelho raiano”.
A afirmação foi do presidente da Naturtejo, Armindo Jacinto, durante o colóquio “Patrimónios Turísticos”, realizado em Idanha-a-Nova em Julho de 2006.
Em Nisa, no dia 5 de Dezembro, num encontro cujo tema era “Conhecer o Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional”, ouvimos este senhor e confessamos, gostámos do que ouvimos e acreditamos ser possível, com o trabalho de muitos, pôr de pé a obra sonhada e colher, o concelho, os benefícios que se auguram.
Da intervenção em Idanha-a-Nova, confessamos que mais gostaríamos se o senhor presidente da Naturtejo, por mais positiva e abrangente, referisse o “bem” que pode significar a presença templária para todos os seis concelhos parceiros da Naturtejo, pois cremos que todos eles têm um passado ligado aos Templários, ordem militar e religiosa extinta no início do século XIV.
É evidente que estamos plenamente de acordo com o presidente da Naturtejo, quanto ao valor turístico daquela presença nesta nossa região do Tejo superior, valor ampliado, agora, com a recente classificação das Portas de Ródão como monumento natural e a criação do Geoparque.
Por certo e em verdade, cada uma das terras templárias terá a sua própria história, esta ou aquela particularidade especial, este ou aquele episódio vinculativo ao misticismo daqueles cavaleiros do Templo que, é fácil de adivinhar, como nos diz Paulo Alexandre Loução (in “Os Templários na Formação de Portugal” – pág. 315) que “não foram deuses, foram humanos, e como tal imperfeitos”, mas muito menos foram aquilo de que foram acusados, resultando daí terem sido perseguidos, julgados injustamente e muitos deles mortos, criminosamente.
Só agora, 700 anos depois, a verdade vai emergindo, graças a um documento secreto do Vaticano, descoberto há poucos anos em Chinon (França) que “considera os monges-cavaleiros inocentes das acusações de blasfémia e heresia” (1). O referido documento foi “lavrado em 1308, um ano depois do início do processo (…) o pergaminho, em latim, é assinado pelo cardeal Berenguer, legado do Papa (…) e dois outros cardeais, também legados pontíficos”.
Apesar desta decisão, a Ordem do Templo foi mesmo extinta pela “bula Callidis serpentis, de 30 de Dezembro de 1308”, (2) abrindo desde logo o caminho ao instigador da tramóia, o rei francês, Filipe, O Belo, que de belo apenas teria a aparência, que nanja o coração, o que lhe permitiu apropriar-se dos bens da Ordem, não hesitando em acusar, condenar e matar inocentes, como aconteceu com o Grão-Mestre da Ordem, Jacques de Molay, queimado vivo junto à catedral de Notre Dame de Paris.
E é com este cenário, no início do século XIV, que ocorre por aqui, no nosso actual território concelhio, uma das tais “especiais particularidades”, históricas, um dos “episódios únicos”, capazes de “vender” o turismo e atrair “clientes”, como por nós já foi referido em escritos anteriores sobre o tema.
Em Portugal e à data, reinava, então, D. Dinis, que sendo para além de Rei, um “Senhor”, tudo fez para proteger os Templários, já então a viverem tempos difíceis, prenunciando o pior para a Ordem e eles próprios. Atesta-o, o que José Manuel capelo nos diz, na sua obra “Portugal Templário”, a páginas 203 e 204:
“Durou no governo da Ordem do templo como Mestre no Reino de Portugal, o Mestre D. Vasco Fernandes até ao ano de mil trezentos e onze. (…) Ele sobreviveu ainda doze anos, porque faleceu no de mil trezentos e vinte e três, e os últimos professou na Ordem de Cristo onde acabou os seus dias Comendador de Montalvão”.
(…) “ Em o tempo todo (…) lhe deu o senhor Rei D. Dinis, decente habitação”.
“À medida que o tempo e os factos se iam aclarando, a maior parte do Templários “desaparecidos” ia aparecendo. A sua grande maioria ingressou, com o assentimento real e sem nenhum problema, como simples freiragem na recém-criada Ordem de Cristo, que não deixava de ser, com nova roupagem e para todos os efeitos, a própria Ordem de Cavalaria do Templo, só que com outra designação. O mesmo se passou com D. Vasco Fernandes”.
“Ingressou como simples freire na Ordem de Cristo, onde foi Comendador de Montalvão, e perdeu direito ao lugar (de sepultura) que na Igreja de Santa Maria dos Olivais, os mestres se reservavam.
Julga-se que o seu corpo se encontre sepultado sob a nave principal e junto ao altar-mor da Igreja de Montalvão. De certo e misteriosamente, a História não lhe sabe o lugar.
Protegido pelo Rei e pela sua nova Ordem, pouco mais se sabe da existência do último e todo-poderoso Mestre da Ordem de Cavalaria do Templo de Jerusalém em Portugal.”
Até quando vai Nisa ignorar estas “particularidades especiais, únicas”, eu a podem e devem, promover? É crime divulgar o episódio ocorrido no princípio da nacionalidade, ligado à transumância, envolvendo os Templários e os pastores da Covilhã, aqui sacrificados na “Serra de Nisa” (S. Miguel) e ali sepultados junto a uma ermida, construída para o efeito (S. Simão), por imposição do rei e do Bispo da Guarda?
É motivo de vergonha, relembrar aos portugueses que, aqui, na Notável Vila de Nisa, viveu alguns anos o Almirante Navegador, D. Vasco da Gama, que foi Alcaide-Mor de Nisa?
Infelizmente, a única referência ao seu nome e ao cargo aqui desempenhado, gravado em negra mesa de granito, no Rossio, foi dali retirada por um qualquer senhor arquitecto ou arquitecta, estranho à terra, ignorante da nossa história e dos sentimentos dos habitantes da Corte das Areias.
Voltando ao tema anterior, nos tempos de agora, em que, “por dá cá aquela palha” se distribuem por tudo o que é sítio, espelhadas lápides comemorativas de um qualquer banal acontecimento, viria a (des) propósito a seguinte proposta:
 a) Que no exterior da Igreja de Montalvão, “que é do século XIV”, à esquerda, ladeando o pórtico, fosse colocada uma lápide, com a seguinte informação e correspondente citação:
“D. Fr. Vasco Fernandes (? – 1323) – 2º e último Mestre Templário português – Julga-se que o seu corpo se encontre sepultado sobre a nave principal e junto ao altar-mor da Igreja de Montalvão, De certo, e misteriosamente, a História não lhe sabe o lugar”.
Nisa, Alpalhão, Montalvão, vilas históricas, foram comendas e tiveram castelos pertença da Ordem do Templo. Tomar, “cidade templária”, como lá nos informam os painéis turísticos. A exemplo daquela cidade, Alpalhão, na zona envolvente ao Coreto, Montalvão, frente à igreja e Nisa, no Rossio, bem que podiam exibir, nas modernas calçadas aí existentes, uns quantos símbolos da Ordem executados com cubos de pedra preta.
Que símbolos? Naturalmente, as cruzes das ordens dos Templários e de Cristo que, aliás, constam já nos brasões de Nisa e freguesia do Espírito Santo e Nossa Senhora da Graça, e que vemos por aí, também, esculpidas no nobres granito do concelho, nas igrejas da Vila e do Arrabalde, na Senhora dos Prazeres, no S. Silvestre, em Montalvão, no Santo António de Nisa, São Matias no Cacheiro, e algumas outras, como a da frontaria da Fonte da Cruz e em pelo menos duas dezenas de marcos templários.
Em Tomar, a Igreja de Santa Maria dos Olivais é panteão onde repousam os restos mortais de 22 mestres, do 6º ao 27º ali se encontram todos, mas o vigésimo oitavo, o “Último Mestre”, primeiro Comendador de Montalvão na Ordem de Cristo, tudo o indica estará entre nós, em Nisa, numa das suas freguesias, no interior da secular Igreja da histórica vila de Montalvão.
Vamos continuar a ignorá-lo ou, pelo contrário, divulgá-lo?
Parafraseando o presidente da Naturtejo, também por cá devemos acreditar que a presença templária, inclusive a do último Mestre, no nosso território, é, ou pode ser, turisticamente falando, verdadeiramente o Santo Graal do concelho.
Ou não?...
Notas
 (1) – Capelo, José Manuel – Portugal Templário – Pág. 308
 (2) - idem

João Francisco Lopes in "Jornal de Nisa" nº 223 - 17/1/2007

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

O boletim- Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

CONCELHO DE NISA: Boletim Epidemiológico - 2 de Janeiro

 


OPINIÃO - Tempo de lutar: por uma recuperação que não seja um mero regresso ao passado

É tempo de lutar por respostas que não deixem ninguém para trás nem sejam um mero regresso ao passado das desigualdades. Aproveitar a presidência da União Europeia para fazer diferente.
A 1 de janeiro inicia-se a presidência portuguesa da União Europeia. Não terá sido o primeiro pensamento do ano pois, apesar das 12 badaladas dificilmente acompanharem a animação do passado, os desejos de um bom ano novo nunca devem ter sido tão sentidos. No entanto, convém lembrar que uma parte considerável da resposta à crise pandémica será decidida no período de seis meses em que Portugal assume o leme da União Europeia.
O ano começa com a esperança que a vacina trouxe. Se já conseguimos vislumbrar o fim da pandemia, bem mais duradoura será a luta contra a crise económica e social. A “bazuca” europeia demorará meses a chegar aos países e, mesmo depois de desbloqueadas as várias tranches financeiras, outro tanto até se sentirem os efeitos na economia real e na vida das pessoas. O otimismo de António Costa nem sempre é positivo para o país: nas medidas de resposta à crise, o Governo tem chegado tarde e com pouco músculo.
Nas próximas semanas ficará demonstrado que, mesmo com uma profundíssima crise económica, o Governo tem apertado os cordões à bolsa. Os dados da execução orçamental assim o estão a demonstrar e, fechadas as contas de 2020, veremos que o défice ficará abaixo das previsões. Esta não é uma boa notícia – significa que o Governo subestima os efeitos económicos e sociais da crise e, por isso, não apoiou as pessoas e a economia como devia, nem investiu o necessário nos serviços públicos. O Orçamento do Estado para 2021 é filho desse mesmo erro de cálculo, como já afirmei. E, por isso, alerto: 2021 não pode ser um ano para repetir os erros de 2020. É fundamental recuperar o emprego e garantir uma economia digna, o que só será possível com um investimento público forte e decidido.
Vejamos o exemplo do Serviço Nacional de Saúde e as fragilidades que enfrenta por o Governo regatear investimentos. Os seus profissionais continuam sem carreiras dignas, o que deixa os concursos de pessoal por preencher, como se viu na recente tentativa de contratação de médicos. A promessa da valorização da exclusividade dos profissionais ao SNS teima em não sair do papel. Defender a nossa saúde é melhorar as condições dos profissionais, tornar o SNS mais atrativo, e garantir os investimentos necessários para recuperar a atividade suspensa pela pandemia.
Mas não se fica por aqui o caderno de encargos para o novo ano. A instabilidade laboral é uma ferida aberta na nossa economia. A pandemia mostrou o flagelo das vidas precárias, dos informais, a fragilidade das vidas e rendimentos de milhões de pessoas. É por elas que não podemos apenas recuperar o que já existia, temos de reconstruir fazendo melhor, assegurando direitos e salários dignos. O investimento público, seja nacional ou comunitário, deve garantir estabilidade e combater desigualdades. Superar os erros e as injustiças, conquistar um futuro melhor.
A emergência climática já fez disparar todos os alarmes, não podemos protelar as respostas. A cada dia que passa sem mudanças fundamentais, mais nos aproximamos do abismo climático. É uma irresponsabilidade manter tudo como estava. A recuperação económica também deve de ser uma resposta à crise climática, não podemos deixar as preocupações ambientais para trás. Por todos nós e, principalmente, pelos mais jovens – as novas gerações já conheceram duas crises económicas globais (a que começou em Wall Street e a decorrente da pandemia), já sofreram nos seus direitos e carreiras prejuízos para muitos anos, não é aceitável que ainda sejam condenados a sofrer com crises ambientais.
A reação da União Europeia a estas emergências tem sido parca, ou mesmo má. Sabemos como Bruxelas diaboliza direitos laborais e prefere conjugar a flexibilidade com a precariedade, ameaçando os países a cada conquista nacional dos trabalhadores. Não ignoramos que tem sempre na manga a ameaça do défice para pressionar negativamente os serviços públicos. E, apesar de propagandear preocupações ambientais, quando chega a hora da verdade não consegue virar a página das energias fósseis – exemplo disso foi a inclusão da indústria dos combustíveis fósseis na lista dos setores elegíveis a apoios comunitários. É por isso tempo de lutar, em conjunto, por respostas que não deixem ninguém para trás nem sejam um mero regresso ao passado das desigualdades. Aproveitar a presidência da União Europeia para fazer diferente, exigir mais responsabilidade e colocar na agenda os valores que nos garantam a prosperidade desejada.
Pedro Filipe Soares in www.esquerda.net -1 de Janeiro de 2021

1.1.21

Vila Velha de Ródão tem novo Plano Estratégico de Desenvolvimento

Vila Velha de Ródão tem um novo Plano Estratégico de Desenvolvimento, um documento elaborado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) por solicitação da Câmara Municipal e que foi apresentado ao público durante a sessão ordinária da Assembleia Municipal de Vila Velha de Ródão, no passado dia 18 de dezembro, na Casa de Artes e Cultura do Tejo.
O Plano Estratégico de Desenvolvimento 2020-2027 vem substituir o anterior plano do município, datado de 2004, e pretende constituir-se como um referencial de orientação e um instrumento estratégico institucional de apoio à decisão e ao desenvolvimento do concelho nos próximos sete anos.
Trata-se de um documento alicerçado no presente que, a partir de uma análise das características socioeconómicas e culturais do concelho, incluindo as suas potencialidades e ameaças, procura indicar linhas de ação para a definição de um novo ciclo de desenvolvimento sustentável, tendo por horizonte o futuro a médio-longo prazo.
“Tendo em conta que passaram 16 anos desde o último estudo, julgámos que se justificava voltarmos a olhar para o concelho com um olhar simultaneamente próximo, dada a proximidade do IPCB ao território, mas também distante, por se tratar duma instituição com uma abordagem científica rigorosa e com capacidade crítica, o que representa uma mais-valia”, esclareceu o presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira, durante a apresentação, agradecendo o trabalho desenvolvido por aquela instituição.
A sessão contou também com a presença do presidente do IPCB, António Fernandes, que felicitou a autarquia por actualizar este plano e destacou o papel daquela instituição de ensino superior enquanto instrumento de apoio à região. 
“É uma obrigação do IPCB estar com a região em que está inserido e contribuir através do conhecimento e da ciência para o seu desenvolvimento, por isso é um gosto imenso estarmos nesta segunda geração do Plano de Desenvolvimento Estratégico de Vila Velha de Ródão e esperamos que ele possa contribuir para a continuidade dos êxitos que têm sido alcançados por este executivo”, afirmou António Fernandes.
A apresentação dos principais eixos estratégicos de intervenção e análise que constituem este plano ficou a cargo de Domingos Santos, um dos coordenadores do estudo, que frisou que o objetivo dos autores é que este documento possa “responder aos desafios do apoio à decisão e dar ao executivo motivos de discussão e reflexão, mas que possa também tornar-se um instrumento de comunicação”.
De acordo com os autores deste estudo, “o grande objetivo estratégico passa por dotar o concelho de uma economia competitiva e resiliente, potenciando a exploração sustentável dos recursos endógenos, garantindo em simultâneo, a prestação de serviços sociais de qualidade, com vista ao reforço dos padrões de coesão social da comunidade”.
No final da apresentação, o presidente da Câmara Municipal referiu que “este é um documento aberto para suscitar uma discussão alargada sobre o futuro de Vila Velha de Ródão, pelo que convidamos todos a lê-lo com atenção, pois só com o contributo de todos concebemos a construção desse futuro”.

NISA: Comunicado do PCP sobre o novo Centro de Saúde de Nisa

A construção de um novo Centro de Saúde em Nisa foi considerada uma necessidade urgente já que o atual não garantia as condições mínimas quer para os profissionais da saúde quer para os utentes. O município de Nisa (gestão CDU) e a ULSNA acordaram a construção do novo Centro tendo a obra sido iniciada em 2018. Os trabalhos foram concluídos há semanas, a mudança foi iniciada e, de súbito, tudo parou.
Na Assembleia Municipal realizada no passado dia 21 os eleitos da CDU questionaram o executivo acerca dos motivos do atraso, mas a única resposta que obtiveram foi de um eleito do PS que informou que estariam à espera do 1º ministro e da ministra da saúde para fazer a inauguração.
A prestação de cuidados de saúde não pode ficar pendente da presença de um qualquer governante.
A defesa da saúde da população do concelho não pode ficar pendente da realização de festas mais ou menos grandiosas já a pensar nas eleições autárquicas do próximo ano.
Os profissionais de saúde não se defendem com velinhas à janela nem com palavras facilmente levadas pelo vento.
Nos tempos difíceis que vivemos, a não abertura do novo Centro de Saúde é uma afronta aos profissionais de saúde e à população do concelho.
O PCP tudo fará para que o novo Centro de Saúde rapidamente possa estar ao serviço das populações.
O povo do concelho merece.
Nisa, 22 de Dezembro de 2020
A Comissão Concelhia de Nisa do Partido Comunista Português

MEMÓRIA: A vigília na Capela do Rato, há 48 anos

A história já foi contada: há 48 anos, a 30 de dezembro de 1972, um grupo de cristãos, pela voz de Maria da Conceição Moita, comunicou à sua comunidade, no fim da missa das 19h30, que ficaria em vigília na capela por 48 horas, para discutirem a paz. 
Não era a primeira iniciativa deste tipo. Uns anos antes, a 1 de janeiro de 1969, alguns dos organizadores da ocupação da Capela do Rato já tinham organizado uma reunião na Igreja de São Domingos. Mas, desta vez, a acção envolveu muito mais gente e paralisou a resposta da ditadura. Ao longo dessa noite e do dia seguinte, centenas de pessoas passaram pela Capela, participando numa assembleia que tinha como tema a guerra colonial.
Os promotores da iniciativa, como Nuno Teotónio Pereira, Luís Moita, Jorge Wemans e outros, publicavam clandestinamente o Boletim Anti-Colonial e, estimulados pela mudança de atitude do Vaticano em relação aos movimentos de libertação que combatiam pela independência nas colónias portuguesas, entenderam que era necessário ampliar o protesto contra a continuação da guerra. Tiveram a cooperação de várias organizações: a LCI, que se ocupou dos panfletos que divulgariam a ocupação entre a população (impressos por José Manuel Boavida, António Gomes e Alfredo Frade) e o PRP (Isabel do Carmo, Carlos Antunes), que os distribuiu. E o apoio de muitos jovens que sentiam a guerra como a expressão mais crua da ditadura.
Dois anos mais tarde, já deposto pela revolução e no seu exílio do Rio de Janeiro, Marcello Caetano contaria a sua versão dos acontecimentos: “na noite de 31 de Dezembro de 72 para 1 de Janeiro de 73, a pretexto da comemoração do dia da Paz universal, instalaram-se dentro dela [Capela do Rato] uns tantos senhores para protestar contra a 'guerra colonial'. Durante horas seguidas, no meio de cartazes publicitários alusivos aos fins da reunião, os contestatários, entre os quais havia católicos militantes, antigos católicos e outros que não eram, que nunca tinham sido, nem faziam tenção de ser católicos, iam entremeando as missas e as rezas com discursos e objurgatórias contra a defesa do Ultramar e distribuíam panfletos nesse sentido. As autoridades eclesiásticas nada fizeram para pôr termo ao escândalo. A autoridade civil teve de intervir. Desde que o governo sustentava a defesa do Ultramar, e a essa política era forçado pela Constituição, a ela era incitado pelos eleitores, nela era apoiado pela opinião, claro que não podia consentir em actos de propaganda terrorista, como esses. A polícia entrou na capela e cordatamente convidou as pessoas presentes a sair. Foram identificadas e algumas, por motivos vários, ficaram detidas, aliás por pouco tempo. Verificando-se que entre os presentes havia uma dúzia de funcionários públicos, foi o assunto levado a Conselho de Ministros onde, depois de curta discussão, por unanimidade se deliberou aplicar-lhes a lei que permitia demitir os funcionários que não dessem garantias de cooperar nos fins superiores do Estado” (Depoimento, Rio de Janeiro: Record, pg. 84). Mas há muita fantasia nesta descrição. Na verdade, a ditadura hesitou quanto à forma da resposta e, quando ao fim da tarde de dia 31 de dezembro o capitão Maltês e a sua unidade policial cercou a Capela, entrou e deteve uma centena de pessoas, já o governo sofrera a derrota marcada por uma simbólica assembleia de protesto no centro da capital.
Os detidos foram levados para a esquadra da polícia no mesmo Largo do Rato e, desses, 16 foram transferidos para Caxias: Moita (que abandonara o sacerdócio e era professor universitário), Teotónio Pereira (um dos mais brilhantes arquitetos portugueses), Wemans (viria a ser diretor da RTP2), Manuel Coelho (que viria a ser presidente da Câmara de Sines), Francisco Pereira de Moura (professor de economia e mais tarde ministro do primeiro governo pós-Abril) e outros, incluindo três estudantes liceais. No dia 1 de janeiro, os padres António Janela e Armindo Garcia foram conduzidos para interrogatório (o responsável pela Capela do Rato, o padre Alberto Neto, estava doente, embora acompanhasse o protesto) e só foram soltos quando o cardeal foi à polícia. Nesse mesmo dia, vários advogados, entre os quais Francisco de Sousa Tavares, Francisco Salgado Zenha, Jorge Sampaio e José Vera Jardim apresentaram-se para defender os detidos.
Sabe-se que estas prisões e a posterior expulsão de Pereira de Moura, o mais destacado economista português, da universidade, também provocaram uma onda de protesto internacional. Vários Prémios Nobel intercederam por Pereira de Moura e o ministro dos negócios estrangeiros, Rui Patrício, pediu aos seus colegas a libertação dos presos, para evitar mais uma campanha contra a ditadura. Não foi ouvido e, excepto os estudantes que seriam libertados poucos dias depois, contra o pagamento de uma caução, alguns dos detidos foram torturados e ficaram presos a aguardar julgamento.
As divisões acentuaram-se entre os partidários da ditadura. Os deputados da Ala Liberal, que tinham sido eleitos pelo partido da ditadura na promessa e expectativa de alguma abertura, levaram o tema ao plenário de S. Bento. Foi sobretudo o deputado Miller Guerra quem se levantou para condenar as prisões e as atas da sessão de 23 de janeiro reproduzem um seu longo debate com Casal-Ribeiro, um dos tenores da ditadura. Ia a conversa adiantada, e Casal-Ribeiro pergunta:
“O Sr. Casal-Ribeiro: – Eu estava a perguntar a V. Ex.ª se acha bem e se concorda que na Igreja, ou em qualquer outro sítio, se discutisse ou se discuta a legitimidade da presença de Portugal no Ultramar.
O Orador (Miller Guerra): – Ora aí está uma pergunta objetiva e concreta e a que eu respondo também objetiva e concretamente: Acho, sim senhor. Não só na Igreja, como em qualquer outra parte.”
Uns dias depois, Sá Carneiro renunciou ao mandato de deputado, e o mesmo faria Miller Guerra a 6 de fevereiro. Um ano e poucos meses depois, a ditadura seria derrubada pela revolução de Abril.
Francisco Louçã in www.esquerda.net

COVID-19:Distrito de Portalegre com mais um óbito e 32 novos casos nas últimas 24 horas

Boletim Epidemiológico - Concelho de Nisa - 1 Janeiro
O distrito de Portalegre registou mais um óbito associado à Covid-19 nas últimas 24 horas, contabilizando agora um total de 64 mortes desde o começo da pandemia.
De acordo com o boletim epidemiológico da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), divulgado esta sexta feira, o óbito foi registado no concelho de Avis, que contabiliza agora3 mortes associadas à Covid-19.
Portalegre é o concelho do distrito com mais mortes (33) associadas ao novo coronavírus, seguindo-se Marvão com 8, Nisa com 6 e Crato e Elvas com 3.
O boletim da ULSNA indica ainda que nas últimas 24 horas foram registados 32 novas infeções por Covid-19 no distrito de Portalegre que contabiliza um total de 568 casos ativos.
No mesmo documento observa-se que o número de doentes recuperados subiu para 1.641, mais 32 em comparação com o dia anterior. Já no que diz respeito aos doentes internados, nos hospitais de Portalegre e Elvas, subiu para 28, mais três face às 24 horas anteriores.
Na distribuição dos casos ativos por concelhos, Elvas lidera com 126, seguindo-se Nisa com 116, Portalegre com 94, Marvão com 63, Castelo de Vide (32), Crato (25), Avis (18), Gavião (17)  Ponte de Sor (18), Monforte (15), Alter do Chão (14) Sousel (13), Fronteira (9) e Campo Maior (7).
A ULSNA revela também que nas últimas 24 horas foram realizados na sua área de influência 271 testes de diagnóstico à Covid-19.

in Rádio Portalegre - 01-01-2021

GRANDE VULTO DA CULTURA: Morreu Carlos do Carmo

Cantor e fadista tinha 81 anos. Deixou um disco quase pronto a editar, E Ainda...
O cantor e fadista Carlos do Carmo morreu na manhã desta sexta-feira, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde tinha dado entrada na véspera com um aneurisma. Tinha 81 anos. A notícia, dada pelo jornal Expresso, foi depois confirmada pela editora do intérprete, a Universal, que explicou que ele “foi vítima de um pós-operatório a um aneurisma da aorta abdominal”.
"O fadista deixa um enorme legado que marcou profundamente o Fado. Senhor de um dom inigualável, Carlos do Carmo deu vida às palavras como ninguém. Muitas vezes visionário, nunca abdicou de levar o Fado para outras dimensões, de lhe introduzir novos instrumentos, de evangelizar novos poetas, de manter o nível”, diz ainda o comunicado da editora, anunciando que o intérprete preparava-se para editar o um novo álbum de estúdio, intitulado E Ainda....
Carlos do Carmo tinha-se despedido dos palcos a 19 de Novembro de 2019, com um concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no mesmo dia em foi condecorado pelo primeiro-ministro António Costa com a Medalha de Mérito Cultural pelo seu “inestimável contributo” para a música portuguesa.
Essa despedida dos palcos não foi, contudo, uma despedida da carreira, já que Carlos do Carmo continuou o seu trabalho, tendo pronto o novo disco já referido, cujo lançamento esteve agendado para o passado mês de Novembro, e que a Universal anunciou, esta sexta-feira, que irá ser editado proximamente. Em E Ainda..., Carlos do Carmo canta Herberto Helder, Sophia de Mello Breyner Andresen, Hélia Correia, Júlio Pomar e Jorge Palma, nomes que junta aos inúmeros poetas do seu repertório.
Na altura da apresentação dos concertos nos Coliseus, o fadista disse à agência Lusa: “É altura de acalmar”, lembrando que já contava 57 anos de carreira. “É só uma saída de cena, dos palcos”, sublinhou então o intérprete de Por morrer uma andorinha. Prestes da completar 80 anos, Carlos do Carmo explicava também no final de Outubro desse ano, em entrevista ao PÚBLICO, que os concertos que ia dar nos Coliseus do Porto e de Lisboa não significavam um adeus ao fado, tão só a despedida dos grandes palcos, e que continuaria a cantar e a gravar.
E Ainda… será já, pois, um disco póstumo, mas a celebrar uma carreira de mais de meio século em palco e em cena, aplaudida em Portugal e um pouco por todo o mundo. Em 2014, viu-se distinguido com um Grammy Latino de carreira, cantou no Olympia e no Auditório Nacional, em Paris, no Le Carré, em Amesterdão, no Place des Arts, em Montreal, no Canadá, nas óperas de Frankfurt e de Wiesbaden, na Alemanha, no “Canecão”, no Rio de Janeiro, e no Memorial da América Latina, em S. Paulo, no Brasil, no Royal Albert Hall, em Londres, entre tantas outras salas.
Filho de fadista...
Nascido em Lisboa, em 21 de Dezembro de 1939, Carlos do Carmo era filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998) e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados O Faia, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística em 1964.
A Enciclopédia da Música Portuguesa no Século XX aponta Carlos do Carmo como “um dos maiores referenciais” no fado. “As transformações que Carlos do Carmo operou [no fado] foram influenciadas pelos seus gostos musicais que incluíram referências externas” como a bossa nova, do Brasil, e os estilos próprios de cantores como Frank Sinatra (1915-1998), Jacques Brel (1929-1978) e Elis Regina (1945-1982), segundo a enciclopédia da música portuguesa.
A enciclopédia destaca que, desde a década de 1970, Carlos do Carmo “acentuou as inovações musicais”, tornando-o “no representante máximo do chamado ‘fado novo'”, com trabalhos como o álbum Um Homem na Cidade (1977).
Foi um dos principais e mais determinantes embaixadores da Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, e desempenhou um “papel fundamental na divulgação dos maiores poetas portugueses”, como destacou o júri do Prémio Vasco Graça Moura de Cidadania Cultural.
Na sua carreira, o fadista celebrizou canções como Bairro Alto, Fado Penélope, Os Putos, Um Homem na Cidade, Uma Flor de Verde Pinho, Canoas do Tejo, Lisboa, Menina e Moça.
“Um grande profissional”
Carlos do Carmo foi “um grande profissional”, disse à Lusa o guitarrista António Chaínho, que o acompanhou durante 25 anos, até 1991. O músico salientou “o bom gosto musical” do fadista e “o cuidado com a escolha de repertório”. E salientou o gosto que ele tinha pelo cantor norte-americano Frank Sinatra, “cuja atitude em palco seguia de certa forma”.
Dizendo que tinha falado recentemente com Carlos do Carmo, Chaínho disse-se com “o coração todo partido”, perante o seu desaparecimento inesperado. O guitarrista acompanhou Carlos do Carmo até 1991, tendo participado nas gravações dos seus álbuns Homem na Cidade e Homem no País e em várias digressões internacionais. E recordou o espectáculo em Bordéus, França, onde o cantor teve um acidente e partiu “várias costelas”. “Foi mesmo a terminar o espectáculo, estava a cantar Lisboa, Menina e Moça, e, mesmo depois da queda, fez questão de fechar o espectáculo”.
Rui Vieira Nery salientou, também em declaração à Lusa, que Carlos do Carmo “foi a maior força renovadora do fado, depois de Amália Rodrigues [1920-1999]”. Autor de Para uma História do Fado, o musicólogo considerou que “quase todos os momentos de renovação do fado, nos últimos 50 anos, tiveram alguma ligação com Carlos do Carmo”. E referiu “os grandes poetas e compositores de outras áreas que Carlos do Carmo trouxe para o fado” e “as pontes que estabeleceu entre o fado e outros géneros musicais”.
Rui Vieira Nery, que era amigo do fadista, sublinhou o seu “apoio e encorajamento aos novos fadistas”. O musicólogo e Carlos do Carmo colaboraram na série documental Trovas Antigas, Saudade Louca, exibida em 2010, na RTP. Vieira Nery realçou ainda o “apoio de Carlos do Carmo a iniciativas que promoveram o fado” e o seu contributo “para a reconciliação dos portugueses com o fado”, citando, entre outras, o Museu do Fado e a candidatura do fado a património imaterial da Humanidade, que se concretizou em 2011.
Nuno Júdice, um dos poetas cantados por Carlos do Carmo – foi autor de Fado à Noite e Lisboa Oxalá, temas incluídos no álbum À Noite, editado em 2008 –, destacou o “respeito absoluto” que o fadista tinha “pela poesia, pela língua e pela tradição, o Fado”. “Ele foi buscar essas formas tradicionais do fado português e foi capaz de as renovar e actualizar de uma maneira perfeita”, afirmou o escritor à Lusa.
Nuno Júdice recordou também um “amigo”, cujas “conversas eram sempre fascinantes”. “Tinha atrás dele toda a história do Fado, mas ao mesmo tempo era um homem que olhava para o presente e muito atento à realidade do país e do mundo”, afirmou.
Enquanto artista, cantor, o que fascinava o poeta “era a forma como [Carlos do Carmo] dizia o poema”. “Ele próprio, quando me pediu para escrever dois fados para ele, me disse para ter muita atenção à palavra, porque a voz dele respeitava integralmente cada sílaba. Nós ouvimos, quando ele canta, toda a frase poética que está na canção”, disse o poeta e ensaísta.
Foi com Carlos do Carmo que Nuno Júdice aprendeu “a escrever poesia para ser cantada": “Porque ele me dizia para estar muito atento, não apenas à melodia da própria língua, mas à métrica, à forma como os acentos têm de estar localizados para que não haja nenhuma traição quando [se] está a cantar”.
Os dois poemas que Nuno Júdice escreveu para Carlos do Carmo, que deram origem a Fado à Noite e Lisboa Oxalá, “foram trabalhados” com o fadista. “E não houve muito a alterar, mas percebi que ele me estava de certo modo a ensinar, mas de uma forma muito discreta, sem estar a impor de maneira nenhuma a sua forma. Aquilo que ele queria era que eu estivesse à vontade para fazer essas pequenas alterações, que foram coisas mínimas, mas que faziam com que a métrica se adaptasse perfeitamente àquilo que a voz dele pretendia”, recordou.
"Identificação com o povo português"
Do lado das reacções institucionais, o Presidente da República manifestou um sentimento “de perda” perante a notícia da morte do fadista, que recordou como “uma grande figura da cultura” e também como “um grande homem”.
Em declarações à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter recebido esta notícia com uma reacção idêntica “à de todos os portugueses”. “Uma reacção de perda por aquilo que Carlos do Carmo fez pela consagração do fado como Património Imaterial da Humanidade, mas também pelo que deu como voz de Portugal cá dentro e lá fora junto das comunidades portuguesas, prestigiando não apenas o fado, mas a nossa cultura”, destacou.
O Chefe de Estado realçou ainda que Carlos do Carmo foi “uma voz” na luta pela liberdade nos tempos da ditadura e na transição para a democracia. “Por detrás de uma grande figura da cultura, estava um grande homem, com uma grande riqueza pessoal, uma sensibilidade e uma intuição e identificação com o povo português, que o povo português não esquece”, acrescentou.
Marcelo considerou ainda que a morte de Carlos do Carmo, no primeiro dia de 2021, “um dia que devia ser de esperança”, não pode ser encarada “com desesperança”, mas como uma homenagem a alguém que “nunca perdia a esperança”.
Também o primeiro-ministro evocou com saudade Carlos do Carmo, recordando-o como “notável fadista” e “um grande amigo”. “Fazendo eco das palavras que cantou no Fado da Saudade: ‘Mas com um nó de saudade, na garganta/ Escuto um fado que se entoa, à despedida’ de um grande amigo”, escreveu António Costa numa publicação na rede social Twitter. Aí sublinhou que Carlos do Carmo “não era só um notável fadista, que o público, a crítica e um Grammy consagraram”. “Um dos seus maiores contributos para a cultura portuguesa foi a forma como militantemente renovou o fado e o preparou para o futuro”, evocou.
Com um percurso político ligado ao PCP, Carlos do Carmo foi mandatário de António Costa na campanha de 2009 para a Câmara Municipal de Lisboa e participou igualmente num almoço de campanha do PS nas legislativas de 2015, em que recusou definir-se como simpatizante socialista, dizendo antes ser um apoiante do líder do PS.
A ministra da Cultura, Graça Fonseca, reagindo também no Twitter ao seu desaparecimento, recordou Carlos do Carmo como “uma das maiores referências da interpretação do fado, que mostrou sempre uma especial preocupação com a divulgação desta forma de música”.
Já o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, manifestando o seu pesar pela morte de Carlos do Carmo, recordou-o como “um nome ímpar” do fado e como “figura relevante” na luta pela liberdade.
Na sua mensagem de pesar, a segunda figura do Estado recordou também um “amigo de mais de 60 anos” e a personalidade marcante de Carlos do Carmo, “que não deixava indiferente quem com ele convivia”. “Carlos do Carmo é, inquestionavelmente, um nome ímpar do fado e figura incontornável do meio artístico e da canção portuguesa, numa carreira de décadas que perdurará na memória de todos nós”, refere. 
PÚBLICO e Lusa - 1 de Janeiro de 2021