31.8.24

POLÍTICA: Presidente da Assembleia omitiu quase 3 milhões de euros na declaração de património

 

Omissão de 10 imóveis com Valor Patrimonial Tributário (VPT) superior a 2,8 milhões de euros. Aguiar-Branco diz não ter sido avisado de erros na declaração submetida à Entidade para a Transparência (EpT).
José Pedro Aguiar-Branco omitiu o Valor Patrimonial Tributário (VPT) de 10 imóveis urbanos na sua declaração de rendimentos e património, submetida à Entidade para a Transparência (EpT), avança esta sexta-feira o Correio da Manhã.
A omissão foi descoberta após o matutino questionar a EpT, levando alegadamente a entidade a solicitar esclarecimentos ao presidente da Assembleia da República.
Os imóveis em questão, espalhados por Lisboa, Porto, Braga e Guimarães, têm um VPT total superior a 2,8 milhões de euros, de acordo com as cadernetas prediais a que o CM teve acesso.
Alguns destes imóveis são detidos por empresas nas quais Aguiar-Branco possui participação. Além destes, foram também declarados quatro prédios rústicos em Guimarães e um em Braga, com um VPT total de cerca de 2400 euros.
A Lei n.º 52/2019 obriga os titulares de cargos políticos e altos cargos públicos a declararem o VPT dos seus imóveis. Aguiar-Branco, questionado, justificou a omissão com o facto de não ter sido notificado de qualquer erro ou informação em falta.
“A declaração remetida não deu qualquer indicação de erro ou informação em falta, aquando da sua validação e submissão na plataforma [eletrónica da EpT], pelo que o presidente da AR estava convicto de que tinha prestado todas as informações legais necessárias.” E acrescentou: “Logo que foi notificado pelos serviços da EpT, a informação em falta foi prontamente prestada, pela que a descrição dos imóveis já se encontra completa.”
A EpT, liderada por Ana Raquel Moniz, esclareceu que, desde 28 de maio de 2024, tornou-se impossível a submissão de declarações sem a inclusão do VPT dos imóveis, sendo que a plataforma tem vindo a ser aperfeiçoada para garantir o cumprimento das obrigações legais. Aguiar-Branco submeteu a sua declaração a 24 de maio, poucos dias antes dessa atualização na plataforma.
“Desde 28 de maio de 2024, se tornou já inviável a submissão de qualquer declaração única da qual esteja ausente, quanto ao património imobiliário, e entre outros elementos, o valor patrimonial do imóvel” explica a EpT.
Adicionalmente, na sua declaração de rendimentos, Aguiar-Branco indicou ter obtido quase 76 mil euros em rendimentos, dos quais 55 966 euros provinham de pensões, que correspondem a cerca de quatro mil euros por mês. Declarou ainda possuir mais de um milhão de euros em contas bancárias e carteiras de títulos, e que não tem dívidas.
ZAP - 30 Agosto, 2024

30.8.24

VILA FRANCA DE XIRA: “O Coreto” celebra o Dia Nacional das Bandas Filarmónicas

 

A convite da Fundação Inatel, Rogério Charraz e José Fialho Gouveia juntam-se à Banda do Ateneu Artístico Vilafranquense para a comemoração do Dia Nacional das Bandas Filarmónicas.
Juntos interpretarão o espetáculo "O Coreto", baseado no disco conceptual editado em 2021 e que está na sua quarta temporada de concertos.
Segundo os autores Rogério Charraz e José Fialho Gouveia: "Os coretos têm uma relação umbilical com as Bandas Filarmónicas, por isso, na nossa cabeça, sempre esteve presente esta ideia de podermos juntar a nossa banda a uma Filarmónica neste projecto!"
O espetáculo será no próximo domingo, dia 1 de Setembro, pelas 18h00, no Ateneu Artístico Vilafranquense. É de entrada livre e conta com o apoio entusiasta da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

TEXTOS DE AUTORES NISENSES (19)- José Francisco Figueiredo - A Romaria da Comenda

A ROMARIA DA COMENDA *
Nesta região e por todo o Alto Alentejo, por terras da Beira e Extremadura Oriental, é a romaria a Nossa Senhora das Necessidades uma das mais concorridas.
Pode computar-se em muitos milhares o número de pessoas que, levados pela crença ou por mera diversão ou ainda solicitadas por negócios de vários géneros, acorrem ao descampo em que, no primeiro domingo de Setembro, se festeja ruidosamente a milagrosa padroeira da freguesia da Comenda.
Vem de tempos imemoriais a devoção destas gentes pela Senhora das Necessidades e a fama da importantíssima feira realizada por ocasião da festa, também desde remotas eras chama ao ermo e inóspito local, provindos dos mais remotos confins do país, toda a enorme legião de negociantes de gados, quinquilheiros, ourives, etc., etc., não faltando nunca a palreira, astuciosa e turbulenta fauna da ciganagem.
De Nisa, embora não tanto como há meio século, ainda hoje a concorrência é numerosa e é interessante assistir à partida ou regresso das inúmeras carretas (carros de bois) meio de transporte de que preferentemente se serve a maioria dos romeiros.
Estes rápidos e cómodos veículos levam todos um estético toldo, cujo esqueleto é formado por três ou quatro arcos de salgueiro ou de ferro, atados aos fueiros ou apoiados nos tendais e por algumas canas unindo os arcos, sustentam um lençol de estopinha ou panal de linhagem, previdente defesa dos romeiros contras as inclemências solares ou contra a surpresa de uma chuva intempestiva.
Às primeiras horas do serão de sexta-feira anterior ao dia da festa, começam a chegar a Nisa, as carretas dos ratinhos e montezinhos. Aqui fazem a primeira etapa do difícil e prolongado trajecto e, no Rossio ou em qualquer outro largo, logo improvisam bailes que, entre constante alarido, só terminam quando de novo se põem a caminho.
Pelas oito ou nove da noite, as carretas com os romeiros de Nisa. Dentro delas amalgamam-se dez e mais pessoas, até caberem e, durante as intermináveis horas que o passo dos pachorrentos bois leva a vencer os vinte e tantos quilómetros entre Nisa e a Comenda, as gargantas das jovens não cessam de atirar à espessura da noite, a alegria estrídula dos seus cantares.
As carretas da Comenda! Que recordações ficam pela vida fora a tantos que, nos dois dias da romaria, neles continuam as indílicas doçuras da lua de mel!...
Raros são os casadinhos de há pouco – e em Nisa quase todos os casamentos se realizam em Agosto – que não vão à Senhora das Necessidades. E creio suceder o mesmo na maioria das terras desta região.
É assim, com o capídinco fogo a estudar no peito e com as labaredas incendiárias a fuzilar em olhos que são crateras de desejo, na aspereza do terreno calcinado por um sol esbraseante, cujos raios os toldos das carretas suavizam, ou à luz das estrelas, do alto a sorrirem aos amorosos pares, a mocidade vive ali inolvidáveis horas que para sempre lhes vincam na alma o traço rutilante duma dúlcida saudade.
As carretas da Comenda! Estou agora a vê-las aos tempos longínquos da minha infância e recordam-me episódios vários, entre eles um, conhecido da maioria dos nisenses e que a tradição dá como sucedido há muitíssimos anos.
Na ocasião da romaria é frequente ouvir-se falar do caso, por entre os comentários hilares e jocosos com que se costuma sublinhar a graça duma picaresca anedota.
Foi o seguinte:
As famílias que projectam a digressão à Comenda, reservam sempre para esta oportunidade o melhor naco de presunto, a mais apetitosa rodela de lombo e outras virtualhas que lhes garantem, nos dois dias de festa, suculentas e melhores refeições. Mas – pelo menos noutros tempos era assim- o que não faltava nunca eram as tradicionais almôndegas de batata!
Ora, num certo ano, à hora da partida, uma das tais carretas, cobertas com um alvíssimo toldo de estopinha, esperava que nela tomasse lugar, um numeroso grupo de romeiros. A pacífica junta de bois, garridamente ajaezada com largos e vistosos colares de reluzente pregaria, ia acompanhando as pacientes ruminações com o tilintar  compassado das monótonas esquilas.
Umas dez pessoas se instalaram no leito da carreta sobre pequenas cadeiras, mas, antes disso, cda qual tratou de acautelar, o melhor que pôde, o respectivo farnel, dependurando-o por meio de ganchos de arame dos arcos de salgueiro que sustentavam o toldo.
E, com o carreteiro à frente, de aguilhada ao ombro, iniciou-se a viagem e, com ela, o gargantear alegre e ininterrupto das lindas moças que no carro seguiam.
Sob a alvura do toldo como pêndulos, oscilavam, bamboleavam, as bolsas, as cestas, os canados, onde iam as provisões para dois dias.
A noite estava escura, parecendo assim maior a cintilação das estrelas. Tinham passado o Figueiró, a Coutadinha, a Lage da Prata, a Lameirancha…
O carreteiro, farto de palmilhar à frente dos bois, tomara assento da carreta e… cabeceava. Calara-se havia pouco o orfeão e um dos componentes, solicitado talvez por um imperativo gastronómico, pergunta à consorte:
- Ó Maria, sempre fizeste as almôndegas?
- Pudera!... – volveu a mulher. Vão ali no canado.
E indicava-o sobre a cabeça, pendendo dum dos arcos do toldo.
Entretanto, o carreteiro adormecera profundamente, e os bois, enveredando livremente para uma profunda sob-roda, precipitaram nela a pesada viatura com a respectiva carga. Por sorte, os animais pararam logo e do desastre, que poderia ter graves consequências, não resultou para os passageiros, sequer uma leve contusão.
Refeitos do susto, verificaram que grande parte dos farnéis se encontravam dispersos pelo chão. O célebre canado rebolara para uns dez metros do local sinistro, destapara-se com o choque e das almôndegas, nem uma só ficara dentro.
Mas, apesar das trevas da noite, sobre a areia branca do caminho destacavam-se, aqui e além, uns pequenos corpos escuros. E, à pressa, marido e mulher trataram de apanhá-los, reenchendo com eles o canado. Risotas, gargalhadas e toca para diante.
Ao amanhecer estavam na Comenda. Por todo o vasto campo era o sussurro, o alarido, a confusão de sons e cheiros característicos das feiras regionais. Pouco depois, a filarmónica do Gavião, regida pelo mestre Viras, dava a alvorada com um extravagante passe-dobrado. Era marcial, o clangor dos cornetins, só comparável ao estridente arreganho com que a certa altura, calados todos os naipes, os executantes gritavam: - “ Avança com ele, força!”
Toda a feira ria e os nossos romeiros, bem dispostos, apesar dos percalços do caminho, resolveram atacar pela primeira vez os viáticos opulentos.
Estendem, junto à carreta, as níveas toalhas e, sobre elas colocam o pão, as marmitas, etc.
Lá está também o canado.
Uma voz – “Façam favor de se servirem duma almondegazinha…”
Com o canado cingido pelo braço esquerdo de encontro ao peito, a oferente tira a tampa de cortiça com a mão direita e expõe o conteúdo à vista e cobiça dos circunstantes.
 Mas – ó céus! – o maldito canado estava cheio de almôndegas, mas não eram as que a boa mulher com tanto apuro tinha confeccionado! Eram outras, que os jumentos da ciganagem sobre a areia tinha deixado e a escuridão da noite não permitira distinguir das autênticas!!!
O homem ficou passado e a mulher trespassada, mas os outros convivas iam rebentando a rir!...
J. Figueiredo
* Texto publicado no jornal "Brados do Alentejo (1933) e republicado no "Correio de Nisa"  nº 7 - 2 Set. 1945

32ª Quinzena de Dança de Almada de regresso

Entre 19 de Setembro e 6 de Outubro
A Quinzena de Dança de Almada celebra, em 2024, a sua 32.ª edição mantendo a estrutura que a consagrou como um evento único no género em Portugal. Entre os dias 19 de setembro e 6 de outubro de 2024, o festival internacional Quinzena de Dança de Almada - com direção artística de Ana Macara e Maria Franco - regressa para a sua 32.ª edição, com uma surpreendente e diversificada programação que irá ocupar vários espaços da cidade de Almada. O compromisso com a inclusão e a promoção de novos talentos continua a ser um pilar fundamental, assim como o foco dado às novas criações.
Desde 1992 que este é um espaço vibrante para a apresentação e promoção da dança e linguagens que com ela se relacionam, reunindo artistas, autorias coreográficas, estudantes e entusiastas de todo o mundo.
Nesta nova edição, o festival enfatiza o apoio à criação artística através de diversas residências artísticas com diferentes profissionais. Os destaques recaem na presença de São Castro, respeitada coreógrafa nacional, para a estreia da Companhia de Dança de Almada; Catarina Casqueiro e Tiago Coelho, dupla portuguesa que se destacou na Plataforma Coreográfica Internacional e que tem seguido uma carreira internacional de sucesso, em residência no âmbito do projeto europeu “Forget Me Not”; Elvi Balboa, coreógrafa espanhola de reconhecido valor, numa parceria com a companhia Colectivo Glovo no projeto “Atopémonos Bailando - Residências artísticas e investigación”; e Carla Jordão, coreógrafa portuguesa, colaboradora regular da Ca.DA, atualmente com grande sucesso na Alemanha.
Como destaque internacional, a 32.ª Quinzena da Dança de Almada recebe a companhia italiana IVONA, de Pablo Girolami, cuja técnica depurada e energética conceção coreográfica promete confrontar-nos com mais um espetáculo memorável.
Este ano, a Plataforma Coreográfica Internacional continua a crescer, atraindo a comunidade global de dança contemporânea, da qual foram recebidas 810 candidaturas, tendo sido selecionadas 59 peças para apresentação em palco e no ecrã. Inclui espetáculos, videodança, workshops, mesas redondas e encontros entre profissionais, fortalecendo o intercâmbio cultural e artístico.
A apresentação de “Abrigo”, pela EmbalArte com a Ca.DA Escola, espetáculo intergeracional coreografado por Ângela Ribeiro e Susana Rosendo, representa também o compromisso do festival com a inclusão da comunidade almadense no espírito do festival.
A programação completa e mais informações sobre locais de apresentação, horários e preços estão disponíveis no site oficial do festival, em quinzenadedancadealmada.cdanca-almada.pt/
 
Ilustração: “RER”, IVONA / Pablo Girolami | Créditos fotográficos de Pietrojorge

Alpalhão e a última dádiva de sangue de Francisco Bugalho

As nossas brigadas são sempre coroadas de sorrisos. Mas no caso da última localidade onde marcámos presença as lembranças são ainda mais marcantes. Afinal, Alpalhão é a terra natal do fundador da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP. E muitas foram as vezes em que o saudoso António Joaquim Eustáquio lá esteve abraçando a dádiva altruísta de sangue, aproveitando para desfiar histórias de saudade. Nesta terra do concelho de Nisa, contámos, como sempre, com a colaboração da Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE.
Até ao centro cultural de Alpalhão dirigiram-se 26 voluntários, sendo seis do sexo feminino. E todos os 26 concretizaram a dádiva, uma vez que a avaliação clínica de cada um dos presentes não encontrou contraindicações. Números estimulantes, na verdade.

Esta jornada também granjeou um marco fantástico. É que o nosso dador Francisco Bugalho (na foto e no momento da dádiva) deu sangue pela última vez, já que está prestes a atingir o limite de idade para o fazer em segurança. No seu currículo constam meia centena de dádivas, averbadas ao longo de 43 anos. Apenas podemos dizer, em nosso nome e de quem já foi transfundido: Muito obrigado amigo alpalhoeiro Francisco José Rijo Bugalho!
Na jornada não faltou o habitual almoço convívio que contou com o apoio da Junta de Freguesia de Alpalhão.

Montargil
As próximas colheitas vão ter lugar em: Montargil (Ponte de Sor) no centro de saúde a 31 de agosto; Na sede do Grupo Motard Novo Milénio (Kartódromo de Portalegre) a 14 de setembro, por ocasião do seu 25.º aniversário. Sábados de manhã.
ADBSP faz festa em Arronches
A Associação vai festejar 34 anos. As comemorações 2024 acontecem no sábado, 07 de setembro, na vila de Arronches.
Saiba tudo em: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/
JR

29.8.24

NISA: Convívio de "Artilheiros/as" - Malta de 1962

 

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

A bomba inteligente - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

ALTER DO CHÃO: 1º Concurso amador de Fado

 

COIMBRA: 22º Festival Jazz ao Centro

Em Coimbra entre 21 de Setembro e 5 de Outubro
A 22ª edição do Festival Jazz ao Centro acontece entre os dias 21 de Setembro e 5 de Outubro, em vários espaços da Cidade de Coimbra. Ao longo de 3 semanas, uma dezena de espaços da cidade de Coimbra acolhem 15 concertos em vários formatos, desde o solo ao ensemble alargado. Dentre os espaços, encontramos salas privilegiadas da cidade, como o Convento São Francisco e o Teatro Académico de Gil Vicente, mas também espaços patrimoniais como a Imprensa da Universidade de Coimbra e o Seminário Maior.
Para José Miguel Pereira, diretor da Associação sem fins lucrativos Jazz ao Centro Clube, "depois de 21 edições, o Festival Jazz ao Centro certamente se transformou, mas o impulso inicial que levou à sua criação permanece inalterado. Podemos resumir esse impulso em três pontos: mostrar a realidade viva do Jazz, na sua pluralidade e riqueza; envolver a cidade através de uma densa rede de parcerias que permite a realização de concertos em salas, espaços patrimoniais e no espaço público; e fazer dos Encontros um lugar de criação."
O Festival é co-organizado pela Câmara Municipal de Coimbra, pelo que para a Diretora do Departamento de Cultura e Turismo da Câmara Municipal de Coimbra, Maria Carlos Pêgo, presente na conferência de imprensa, "os Encontros Internacionais de Jazz revelam-se, ano após ano, como um evento fundamental para o panorama cultural de Coimbra. A programação diversificada, que abrange desde concertos de grandes nomes do jazz internacional até apresentações de novos talentos locais e nacionais, demonstra o compromisso do festival em mostrar a pluralidade e a riqueza deste género musical. O facto de o mesmo decorrer em diversos espaços da cidade e envolver uma ampla rede de parcerias, fortalece o seu vínculo com a comunidade. O Festival não se limita a apresentar concertos, mas também a fomentar a criação artística, através de residências e projetos de imersão que envolvem músicos de diferentes gerações e origens. Dessa forma, contribui para a formação de novos talentos e para a revitalização do cenário musical local."
22º Festival Jazz ao Centro
Ficha técnica
Direção Artística José Miguel Pereira  Administração Adriana Ávila Direcção Técnica João P. Miranda Equipa Técnica Carlos Neves, Carlos Carvalho Produção e acompanhamento Bernardo Rocha, Manuel Pissarro, Germana Duarte Comunica Alexandra Neto Ferreira Redes Sociais Adelaide Martins Design Gráfico Joana Monteiro Fotografia João Duarte Vídeo Simão Lopes

AMIEIRA DO TEJO: Festas em louvor da Senhora da Sanguinheira

 


Marvão comemora o seu Feriado Municipal

 
Festa em Honra de Nossa Senhora da Estrela
Marvão comemora o seu Feriado Municipal a 8 de setembro, com a Festa em Honra de Nossa Senhora da Estrela. O programa deste dia engloba as habituais celebrações religiosas, a cerimónia de atribuição das Medalhas de Bons Serviços Municipais e um espetáculo com os Bandidos do Cante.
Após o Hastear das Bandeiras, agendado para as 9h30, no átrio dos Paços do Concelho, realiza-se a Sessão Solene com as intervenções do presidente da Assembleia Municipal, Jorge Marques, e do presidente da Câmara Municipal, Luís Vitorino, e a cerimónia de atribuição das Medalhas de Bons Serviços Municipais.
As celebrações religiosas incluem a Missa em Honra da Padroeira do Concelho, com início às 12h00, na Igreja de Nossa Senhora da Estrela, o tradicional almoço de confraternização entre os irmãos da Santa Casa da Misericórdia, e a procissão que vai percorrer as ruas da vila de Marvão, a partir das 17h00, abrilhantada pela Banda Euterpe.
As comemorações do Feriado Municipal de Marvão encerram com um grande espetáculo musical dos Bandidos do Cante, que tem entrada gratuita. O grupo bejense, composto por Duarte Farias, Francisco Pestana, Francisco Raposo, Luís Aleixo e Miguel Costa, sobe ao palco do Largo de Santa Maria pelas 21h30.
Já com diversos concertos e participações nos Coliseus, os Bandidos do Cante lançaram, recentemente, a sua primeira canção original, “Amigos Coloridos”. A banda propõe-se a novas sonoridades de fusão, sem perder ou desvirtuar a identidade de um Património elevado a Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

28.8.24

COMENDA: Festa em louvor da Senhora das Necessidades

 

OPINIÃO: EM AGOSTO, HÁ FÉRIAS E MAR…. E UM PLANETA PARA CUIDAR!

Agosto, aquele mês que associamos a descanso, férias, “seally season”, festivais, música, esplanadas, turismo, viagens, e tantas outras coisas que nos transportam para a descontração e alheamento daquelas que são as preocupações dos restantes dias do ano… Porém, agosto deste ano começa com a notícia de que o Dia da Sobrecarga do Planeta chegou mais cedo do que em 2023, ou seja, no dia 1 do nosso “querido mês de agosto”. E o mês de todas as despreocupações inicia-se com uma realidade que não pode ser ignorada ou alvo de interregno nas preocupações de quem vive neste planeta e o quer cheio de vida: a humanidade esgotou o “saldo” de recursos naturais da Terra. Significa isto que estamos já a utilizar os recursos que deveriam começar a ser utilizados apenas no virar do ano, em janeiro de 2025. De acordo com a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, organização não governamental de ambiente, o Dia da Sobrecarga do Planeta é calculado dividindo a biocapacidade do planeta –isto é, a quantidade de recursos naturais que a Terra consegue gerar num ano – pela pegada ecológica da humanidade, o uso de recursos que esta faz durante um ano. E nos dias de hoje, em que a procura por recursos naturais ultrapassa a capacidade de o planeta os regenerar, estamos a viver a “crédito”. Esta realidade leva-nos a uma reflexão sobre a sustentabilidade do Planeta, uma vez que a utilização excessiva de recursos compromete a vida dos oceanos, leva à desflorestação, à erosão dos solos, à perda de biodiversidade e ao aumento do dióxido de carbono na atmosfera, responsável pelo aquecimento global, que por sua vez provoca fenómenos meteorológicos extremos e aumento da insegurança alimentar. Ora, está visto que não podemos dar férias à preocupação - à forma como cada um de nós, individualmente - pode contribuir para um melhor cuidado e sustentabilidade da Terra que habitamos. É sob esta perspetiva que se torna pertinente abordar a preocupação com a eliminação de medicamentos fora de uso e de prazo. Mesmo em férias, é fundamental que se entreguem os medicamentos fora de uso e prazo num dos 3.247 pontos de recolha, disponíveis nas farmácias e parafarmácias de todo o país. Este é um hábito e um procedimento que devemos adotar como rotina e que deve fazer parte dos nossos dias, em férias ou fora delas. Convém relembrar que medicamentos fora de uso e de prazo colocados no lixo ou despejados nos esgotos domésticos geram contaminação nos solos e nas águas, o que prejudica o ambiente e o futuro do planeta.

Por outro lado, conservar em casa os medicamentos que já não são necessários ou ultrapassaram o prazo pode constituir um risco: ou por serem novamente utilizados (automedicação) ou por poderem causar acidentes domésticos (atingindo principalmente as crianças), pelo que a entrega destes resíduos nos pontos de recolha adequados, é também uma medida de proteção da saúde pública. Para este mês de agosto, deixo-vos um conselho para a época balnear: seja o frasco do xarope para a tosse, as cartonagens e os blisters, contendo ou não restos de medicação, os acessórios de administração como colheres ou copos medida, entregue-os na farmácia ou parafarmácia do local onde está a passar os seus dias de férias. Descanse o corpo e a mente, mas não dê descanso à sustentabilidade e às medidas que protegem os nossos recursos naturais. À semelhança do quase provérbio português ‘há mar e mar, há ir e voltar’, também há férias e descanso, mas um Planeta para cuidar! 

Luís Figueiredo Diretor-geral da VALORMED


CAMPO MAIOR: Detido por tráfico de estupefacientes

O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Campo Maior, no dia 26 de agosto, deteve um homem de 29 anos, por tráfico de estupefacientes, no concelho de Campo Maior.
No decorrer de uma ação de patrulhamento, os militares da Guarda detetaram um indivíduo que manifestou um comportamento suspeito, perante a sua presença. No âmbito das diligências policiais procedeu-se à abordagem do suspeito e foi efetuada uma revista pessoal de segurança que culminou na detenção do suspeito por tráfico de estupefacientes.
No seguimento da ação foi apreendido o seguinte material:
20 doses de haxixe;
354 euros;
Um telemóvel.
O detido foi constituído arguido e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Elvas.

TEXTOS DE AUTORES NISENSES (18)– Joaquim Marques - Os Corticeiros

Os Corticeiros
Maio era um mês de intensa actividade agrícola. As mulheres ocupavam-se nas sachas e mondas. Já os homens se dividiam em grupos e se dedicavam á ceifa dos fenos, tosquia dos rebanhos e descortiçamento. É desta dura actividade que hoje aqui trazemos à lembrança, e que ocupava todos os anos um considerável número de homens da nossa terra que percorriam os campos do Alentejo descortiçando milhares de sobreiros.
De nove em nove anos repete-se o ritual, numa sequência que não é eterna mas dura muito mais do que a vida de qualquer tirador. É de Maio a Agosto que a cortiça se tira, e é bom que tenha chovido bem na Primavera e venha o Verão quente sem ser abrasador. Sendo assim, sairão melhor as pranchas de cortiça.
O primeiro corte é feito à altura do peito de um homem, em redondo à volta da árvore. Depois faz-se um fio de alto a baixo, de cada lado do sobreiro, e começa-se a desagarrar a cortiça, com a unha da machada, que é como se chama o cabo dela, muito característico, em forma de cunha. A primeira prancha é tirada de cima para baixo, até ao chão; as restantes, sempre de baixo para cima.
Se o sobreiro for muito grosso, fazem-se vários fios, três ou quatro, para saírem várias pranchas. É assim até às pernadas. Quando se chega aí, depende da grossura delas: tira-se em prancha, a dois fios, se der para isso, ou em caneleiros, a cortiça toda de uma vez com a forma de um canudo.
A primeira tiragem que se faz ao chaparro, tirando a cortiça virgem, toma o nome de desboia.
Na vez segunda é secundeira. Daí por diante é simplesmente amadia, a que tem maior cotação no mercado.
Um sobreiro dá em média cerca de três arrobas de cortiça (45 quilos), o suficiente para fazer aproximadamente 1400 rolhas naturais de primeira qualidade e quase outras tantas a partir do granulado resultante das aparas.
As herdades maiores tinham grupos de 50 a 70 corticeiros. A foto que reproduzimos é de um grupo de corticeiros do Arneiro, em pleno Alentejo e remonta ao final da década de 50.
Para lhes matar a sede, no calor do Verão, ia o aguadeiro, rapaz que tinha essa função, levar barris de água, trazida da fonte mais próxima, das muitas que então havia pela charneca. E para matar a fome e ter forças para o trabalho da tarde, ia a panela com o comer adiantado que se cozinhava no local e que se comia em pé, cada qual chegando-se a ela, tirando a sua colherada e afastando-se de seguida para dar lugar a outro.
Aconteceu na “cortiça”…
Todas as fainas agrícolas eram duras, mas era costume fazer brincadeiras e partidas que levavam a suportar melhor a dureza do trabalho. Os corticeiros dormiam em cima dos sobreiros, para se protegerem de bicharada e do gado bravo, dentro de uma coucha de cortiça, onde faziam o “colchão” com carqueja ou palha. Para subirem aos sobreiros faziam uma tosca escada de uma forca dom entalhes para ajudar a subida, mais penosa para os mais velhos.
Certo dia, a rapaziada mais nova resolveu fazer uma partida ao Ti António Diogo Rosa, que era dos mais velhos, quando fosse dormir na sua “coucha”, num sobreiro jovem de tronco frágil.
Combinaram atar uma corda ao chaparro, e quando ele já dormisse, puxassem a corda e o abanassem violentamente.
Acontece que Ti Manel Diogo Rosa também um dos mais idosos e tio daquele, sabendo da tramóia, avisou-o para ele se precaver.
Chegada a noite, escura por sinal, os rapazolas em silêncio total, vai de agarrar na corda e puxar, puxar, puxar… quando uma voz conhecida, em jeito trocista, se faz ouvir do cimo do chaparro: - Puxa, Puxa… que puxas o que é teu!
Ti António tinha atado a ponta da corda ao saco das batatas do rancho, e os rapazolas bem se esforçavam para abanar o chaparro que nem bulia, perante a galhofa dos mais velhos!
Episódio contado por Francisco Morais, protagonista do grupo dos rapazolas, a quem agradecemos o relato
* Joaquim Marques in “O Montesinho” nº 11 – Maio 2010
FOTO – Extraída do mesmo boletim e texto

27.8.24

ÉVORA: Jornadas Europeias do Património

O Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo preparou um conjunto de actividades para celebrarmos as Jornadas Europeias do Património, que este ano se subordinam ao tema «Rotas, Redes e Conexões». Planeámos a Rota Barahona, que percorrerá alguns espaços em Évora que os colecionadores e filantropos Inácia e Francisco Barahona ajudaram a construir ou que a eles se referem no final do séc. XIX e início do XX, teremos uma mesa-redonda em que se pensará e debaterá como as redes podem potenciar a salvaguarda do Património, uma visita-oficina em que conheceremos de onde vêm os pigmentos das cores, entre outras actividades. Esteja atento ao programa específico e participe!
21 Setembro 2024 - 22 Setembro 2024
Sábado e Domingo
Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Largo Conde de Vila Flor, 7000-804 Évora
Entrada Livre
mais informação

CAMPO MAIOR: Dois arguidos por furto de água da rede pública de distribuição

O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Campo Maior, no dia 22 de agosto, identificou dois homens de 34 e 45 anos, por furto de água da rede pública de distribuição, no concelho de Campo Maior.
No âmbito de uma ação de patrulhamento, os militares da Guarda detetaram a presença dos indivíduos no interior de um complexo de abastecimento de distribuição de água. Na sequência da ação os suspeitos foram intercetados pelos militares da Guarda, tendo sido, posteriormente constituídos arguidos.
Os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Elvas.
A Guarda Nacional Republicana relembra que o furto de água tem como consequências os elevados custos de reposição, falhas na distribuição da rede pública, poluição ambiental, perdas comerciais, danos na rede de distribuição pública, e aumento do risco de incêndio, entre outras.

MONTALVÃO: Festas da Vila em louvor da Senhora dos Remédios

 

OPINIÃO: As mulheres afegãs estão a ser apagadas da História

Quando, em 2021, os talibãs recuperaram o poder no Afeganistão, 20 anos depois de terem sido derrubados por uma coligação liderada pelos EUA, e juraram que desta vez seria diferente, que as meninas iam poder ir à escola, que o uso do hijab seria apenas aconselhado, que não haveria discriminação de mulheres no âmbito da sharia (a lei islâmica), o mundo ocidental desconfiou.
O ceticismo não tardou a provar-se justificado. Meses depois, as meninas foram proibidas de frequentar escolas secundárias e universidades, as mulheres impedidas de trabalhar e viajar sozinhas, as apresentadoras e jornalistas televisivas intimadas a cobrir o rosto. E os talibãs estavam só a começar. Três anos depois do seu regresso ao poder, a lista de retrocessos é impressionante.
Salões de beleza encerrados, afegãs perseguidas e torturadas, a mulher totalmente arredada da vida pública, um apartheid de género brutal. No ano passado, um relatório com a chancela da Amnistia Internacional classificava mesmo a perseguição de género no Afeganistão como um crime contra a humanidade.
O próprio Parlamento Europeu aprovou, em março, uma resolução que apelava à criação de um mecanismo de investigação independente das Nações Unidas a este propósito. Mas o ímpeto opressivo e segregador do regime talibã (que até hoje não foi reconhecido por nenhum país do Mundo) não conhece limites.
Agora, as autoridades ratificaram uma lei moral que reforça a repressão de mulheres e raparigas. Graças ao artigo 13, anunciado por um aberrante “Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício”, as mulheres ficam impedidas de cantar, falar ou sequer ler em público. Além de se reforçar que não podem ter uma nesga de pele à vista.
“Asseguramos que esta lei islâmica será uma grande ajuda na promoção da virtude e na eliminação do vício”, vincou o porta-voz do dito Ministério. Parece saído de um filme delirante, mas não, é real e está a acontecer em pleno século XXI. A lei reflete “uma visão desoladora do futuro”, reconheceu a missão das Nações Unidas no Afeganistão.
Mas o indizível atentado às mulheres afegãs prossegue, à vista de todos, e perante a confrangedora inércia da comunidade internacional. Até quando? E nós - que apesar de ainda termos uma longa luta pela frente no que à igualdade de género diz respeito, gozamos, pelo menos, do pleno direito de erguer a nossa voz bem alto -, vamos continuar a fingir que não é nada connosco?

* Ana Tulha – Jornal de Notícias - 26 agosto, 2024

MEMÓRIA(S) NISENSE(S): Capa do "Boletim Municipal" - Julho 1987

 

OPINIÃO: O teto de vidro do azedume

Na última noite da convenção democrata, as sobrinhas de Kamala Harris protagonizaram um momento divertido, carregado de significado político. Subiram ao palco para ensinar a pronunciar corretamente o nome da candidata presidencial, que tem sido ridicularizado por Donald Trump. Pegando nas armas do adversário, que enfatiza a estranheza do nome para acentuar a diferença e racializar os ataques, a equipa de Kamala desmascara a intolerância e vinca a riqueza dessa diversidade.
Nos últimos dias foi muito sublinhada a possibilidade de a atual vice-presidente quebrar várias barreiras, sobretudo o teto de vidro que nunca permitiu a uma mulher ocupar a Sala Oval. O efeito dessa eventual novidade não deixa de ser inspirador noutras geografias (incluindo a nossa, onde também nunca uma mulher foi chefe de Estado e onde houve um recuo no número de deputadas eleitas nas últimas legislativas), mas o género não vale por si só. Olhar para o que irá acontecer nos Estados Unidos importa devido às políticas e importa por algo que parece menos relevante, mas conta: a forma de estar na vida pública.
Nos milhares de artigos escritos pelo mundo, Kamala tem sido descrita como a candidata da alegria, da esperança, da festa democrática, do humor. Rodeada de figuras carismáticas como o casal Obama ou a apresentadora Oprah Winfrey, mostrou-se capaz de estilhaçar o teto de vidro de azedume que tem asfixiado o ambiente político e social – nos Estados Unidos e não só. Com conflitos à escala mundial a sucederem a uma pandemia global, conflitos geracionais causados pelo combate climático, inflação e incerteza a minarem a evolução das economias, xenofobia e extremismo a crescerem em oposição à tentativa de construir sociedades mais equitativas e inclusivas, não falta terreno fértil para políticos zangados.
Tenho sempre na mesa de trabalho um lápis que me foi oferecido num momento particularmente duro, com uma frase de Almada Negreiros, “A alegria é a coisa mais séria da vida”. Num mundo com tantas razões para o pessimismo, tenho-a como cada vez mais certeira, até porque, como justificou o artista, “alegria é saber muito bem por onde se vai”. A mudança que une energias e pessoas é a que se alimenta de esperança e perspetiva algo melhor. A alegria e a ternura são não apenas assuntos sérios, mas verdadeiros atos de coragem.
Inês Cardoso – Jornal de Notícias - 25 agosto, 2024

ÉVORA: Chamada para Apresentações | Call for Papers

O Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo em parceria com a Biblioteca Pública de Évora está a organizar um Colóquio intitulado - Para a «Felicidade Pública»: no Tricentenário do nascimento de Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas (1724 – 1814) - e convida toda a comunidade cultural e científica de todas as áreas a apresentar propostas de comunicação. As apresentações serão de 30 minutos e devem incidir especificamente sobre a vida e obra de Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas, tendo em conta as seguintes secções:
História do Livro;
Arqueologia;
Museologia;
História da Arte;
Filosofia;
Teologia;
História da Ciência;
Património material e imaterial.
IDIOMAS DO COLÓQUIO
O português, o inglês e o castelhano serão os idiomas oficiais do colóquio. Os resumos podem ser enviados e as comunicações apresentadas em qualquer uma destas línguas.
PROPOSTAS
A data limite para a apresentação das propostas é o dia 20 de Setembro de 2024.
Deve enviar para o email: felicidadepublica@gmail.com o seguinte conteúdo:
1: Título;
2. Resumo – com o máximo 250 palavras;
3. Nota curricular – com o máximo de 200 palavras.
A recepção e aceitação de propostas será anunciada por correio electrónico. A Comissão Científica fará uma selecção das propostas e comunicará a sua decisão até dia 1 de Outubro de 2024.
PUBLICAÇÃO
Encontra-se prevista a publicação das Actas do Colóquio e após a aprovação das propostas enviar-se-ão as normas.
COMISSÃO CIENTÍFICA
António Carvalho
António Gil Malta
Ausenda Cáceres Balbino
Francisco Lourenço Vaz
João Brigola
Joaquim Caetano
José Alberto Machado
Manuela Domingos
Maria João Pereira Coutinho
Miguel Figueira de Faria
Miguel Telles Antunes
Sandra Leandro
Teresa Vale
Zélia Parreira
INSTITUIÇÕES ORGANIZADORAS
Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
Biblioteca Pública de Évora
ENTIDADES PARCEIRAS
Academia das Ciências
Biblioteca Nacional de Portugal
Museu Nacional de Arqueologia
Província Portuguesa da Ordem Franciscana
Universidade Autónoma de Lisboa
Universidade de Évora

PÓVOA E MEADAS: Cinema ao Ar Livre

No dia 31 de Agosto, a RONCA viaja até Póvoa e Meadas, no âmbito da Retrospectiva a Vasco Santana, com duas exibições ao ar livre, uma no Lar Nossa Senhora da Graça e outra no Largo  do Museu  em Póvoa e Meadas, vamos todos ver as famosas comédias clássicas à Portuguesa.
Não Percam!

26.8.24

TEXTOS DE AUTORES NISENSES (17) - Álvaro Pires - Estou velho

 
Estou velho
O Tio João Ratinho vivia naquela rua que lhe chamam agora a Rua da Missa.
Nunca percebi porque lhe puseram aquele nome. Mas também, diga-se em abono da verdade, nunca fiz o menor esforço para saber o porquê da Rua da Missa. Só se viviam ali muito beatos ou beatas, já que a igreja foi (e é) distante dessa rua. No outro ponto da aldeia.
Toda a rua era (e é) calcetada. De «cónhos", como sempre ouvi dizer. Daqueles redondos e de outras formas, mas bastante lisos e rijos. De cores variadas, discretas, mas bonitas. Uma variante de seixos, mas grandes. De difícil desgaste e portanto duradouros. Lembro-me das faíscas que saltavam dos canelos dos burros, machos, bois ou cavalos, quando por ali passavam. Como era (e é) uma rua estreita, tínhamos que nos encostar bem às paredes das casas, para não sermos pisados. Se fossem então os cavalos da Guarda Nacional Republicana, o melhor era fugir, tal o respeito e medo que eles impunham.
A casa do Tio João Ratinho era a última à direita. Tinha uma porta de madeira com um postigo. Não tinha janelas. Olhando lá para dentro só se via escuridão. Apesar de ter mulher, filhos e netos, para mim, catraio, o Tio João Ratinho naquele tempo vivia só. Ainda me recordo das pessoas - pequenos e grandes se meterem com ele, a que respondia invariavelmente com a sabedoria do povo. Quem vai vai, quem está... está!
Há três dias e duas noites que fugíamos deles. Ou eles de nós. Os ruídos que ouvíamos durante a noite e de dia - e só quem andou pelas matas de África sabe o que isso é - dava-nos indícios e que andávamos muito próximos uns dos outros. Só que na mata, ou melhor na guerrilha, tal como no jogo do gato e do rato, vence sempre aquele que for mais esperto. Ou então aquele que for mais bafejado pela sorte. Por outro lado, em mais de dois anos de guerrilha já era nossa obrigação saber o que por ali nos andavam a mandar fazer.
Tínhamos acabado de cruzar um trilho, com todas as cautelas que se impunham. A minha secção era a última, e eu, na bicha de pirilau, era o penúltimo. Com todo o cuidado e segurança, aguardei com o dedo no gatilho que o Soares se aproximasse mais de mim. De repente vejo o meu camarada mudar de semblante e sussurrar me baixinho: Meu alferes... eles vão ali! Ainda vi os últimos três... Instintivamente respondi. Ouve lá seu caralho - na tropa era assim - Quem vai... vai! Quem está… está!
Eles seguiram o seu trajecto e nós, o nosso.
O relatório do comandante da operação rezava assim por não ter sido possível localizar o IN...
           Nos almoços anuais o Soares recorda sempre este episódio. Ele mira a mulher, e os nossos olhos ao cruzarem-se deixam-se vencer por uma lágrima mais traiçoeira.
O Tio João Ratinho era uma pessoa de baixa estatura. Usava um barrete preto, que tombava sobre a nuca. Para a esquerda ou para a direita, não me recordo. Como também era usual naquela época, não dispensava a sua cinta preta, que enrolava à cintura para poder segurar as calças. Com um cós alto, sem passadores para o cinto, que à data não se usava. Do mesmo modo que as camisas tinham um peitilho, do qual saía uma presilha com uma casa na ponta para se abotoar nas ceroulas. De maneira a estas não caírem, como as calças - aos pés de quem as vestia.
Tinha um andar curvado, inclinado para a frente. Não sei como ganhava a vida, mas lembro-me de o ver cavar a horta do meu avô. Aos camalhões, muito bem feitos, todos iguais, como se a cada camalhão correspondesse uma quantidade certa de cavadelas. A distância que os separava era simétrica, como se ele andasse com uma fita métrica a separá-los. Usava umas polainas para não sujar as calças e as ceroulas. Suava muito enquanto cavava, ou porque a idade era avançada, ou porque o calor apertava. O suor caía-lhe pelas faces e principalmente pelo nariz.
Nos dias que ia cavar a horta do meu avô, era lhe oferecido o almoço ou o­ jantar. Nesse tempo o almoço era o jantar e o jantar era a ceia. Comia na mesma mesa que ainda hoje lá esta, mais empenada e com uma perna que já não é dela. Eu devia ser da altura da mesa e distraía-me a ver o Tio João Ratinho a comer. Quando cerrava os dentes, ou melhor as gengivas, para mastigar os alimentos, o seu queixo empurrava para cima os lábios e por sua vez estes faziam com que o nariz também subisse, de maneira que o queixo, boca e nariz, subiam e desciam em uníssono. Subiam todos, quando ele tentava mastigar e desciam também todos, quando ele abria a boca.
Sempre gostei de observar como comem os outros. A semana passada, como todos os sábados, almocei com a minha mulher num restaurante habilmente decorado com muitos espelhos pela sala. De variadas formas e colocados em várias posições.
Ficámos numa mesa onde se podia avistar toda a sala e nomeadamente a entrada e saída do restaurante. Mas também não foi preciso escolher a mesa porque de modo que os espelhos estavam colocados, dava perfeitamente para ver tudo. E vi.
No meu lado esquerdo estava um espelho que mostrava como um cliente comia. Tal e qual como o Tio João Ratinho. O queixo, a boca e principalmente o nariz, moviam-se num sobe e desce desenfreado e em conjunto.
* Álvaro Pires

25.8.24

OPINIÃO: O que arde na Madeira

 

Já estamos habituados a que um incêndio origine um rol de críticas (ano após ano repetidas) e trocas de galhardetes entre os atores políticos. O que há mais de uma semana arrasa a Madeira acumula, ainda assim, uma sucessão de incidentes que mostra de forma exemplar o ambiente político muito próprio do arquipélago.
Se é verdade que o PS se mostrou precipitado ao pedir uma comissão de inquérito para apurar o que falhou na resposta ao fogo, o presidente do Governo Regional foi generoso a dar balas ao adversário. Não tanto por ter demorado a interromper as férias (com mais relevância simbólica do que efeito direto na gestão de emergência), mas pela arrogância e sobranceria que foi demonstrando em diversas intervenções.
Desde logo pela recusa de meios auxiliares numa fase mais precoce do incêndio. Só após vários dias foi admitida a necessidade de meios aéreos adicionais (que a Madeira já teve em 2022 mas cortou devido à despesa) e aceite a colaboração de equipas da Força Especial de Bombeiros e dos Açores.
A aparente desvalorização inicial do fogo foi mantida com insistência por Miguel Albuquerque mesmo quando os milhares de hectares ardidos tornaram evidente a dimensão dos danos e as chamas começaram a atingir a floresta Laurissilva. Repetindo a tese de que o importante é não haver pessoas ou habitações atingidas, o líder regional minimizou as  
consequências nos ecossistemas e rematou com a lapidar declaração de que não aceita “lições” de ninguém.
A cereja no topo do bolo foi a alegada tentativa de impedir o acesso da Comunicação Social e o relato de pressões sobre jornalistas que assinaram notícias sobre o tema. As limitações foram denunciadas pelo Sindicato dos Jornalistas e obrigam a refletir sobre os vícios de quem está habituado ao poder monocromático. Em momentos de crise, a incapacidade de lidar com o escrutínio é o sinal mais revelador de que muito falhou por estes dias na Madeira.

Inês Cardoso – Jornal de Notícias - 23 agosto, 2024

VENEZUELA: a “jóia da coroa” da América Latina e a farsa da mídia hegemónica

Quando consideramos o contexto político que vivemos na América Latina nos últimos anos, no qual parte considerável dos países vive uma crise das instituições democráticas, observamos que as críticas da mídia hegemónica recaem, apenas, sobre o governo da Venezuela. Por que será que isso acontece?
Não é raro que os informativos televisivos, os jornais impressos ou digitais, as emissoras de rádio analógicas ou digitai, disseminem o quanto o governo da Venezuela é antidemocrático. De fato, chegam a ser ridículos a ponto de adjetivar o Presidente Nicolás Maduro como ditador. E essa estigmatização, assim como os consequentes bloqueios econômicos, se dão porque o país ousa afrontar os Estados Unidos e sua tentativa de controlar o mundo – política, cultural, econômica e militarmente. O “país mais poderoso do mundo” não aceita que governantes de países considerados “subdesenvolvidos” ousem enfrentá-lo – ou apenas que não acatem todas as suas condições referentes às prerrogativas de comercialização, de relações exteriores, entre outras – e busquem salvaguardar sua soberania.
A não-subserviência de países como Cuba e Venezuela, que, diferentemente da maioria das nações latino-americanas, trabalham para manter a soberania nacional e criar modelos de desenvolvimento econômico que não signifiquem acatamento incondicional dos ditames dos “donos do mundo”, pagam um preço muito alto, sobretudo porque a visão dos grupos hegemônicos moldam a opinião pública internacional, que se encontra assentada desprezo daquelas duas nações. Independentemente das inúmeras críticas que possamos tecer aos respectivos governos, o que salientamos aqui é o trabalho sistemático dos meios de comunicação hegemônicos em retratá-los unicamente a partir de perspectivas negativas.
Golpes de Estado e Massacres
Esse mesmo comportamento da mídia hegemônica não vemos acontecer em relação aos países aliados e alinhados com as políticas estadunidenses. Na Colômbia, por exemplo, durante o governo do presidente Ivan Duque, um grande subserviente do Ocidente, e especialmente dos EUA, uma onda de assassinatos de líderes sociais e de ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi levada a cabo, sem que o governo adotasse qualquer providência para cessá-la. Mas as mídias hegemônicas não foram contundentes no sentido de cobrar os direitos humanos naquele país. Aliás, o Escritório de Direitos Humanos da própria ONU notificou 36 massacres em 2019 em território colombiano, classificados como recordes desde a contagem iniciada no ano de 2014. No entanto, o Alto Comissariado para os Direitos Humanos, à época sob o comando da ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet, afirmava estar “profundamente preocupada”, conforme uma nota publicada em janeiro daquele ano.
No Equador, os cadáveres de vítimas da Covid-19 que enchiam as ruas de Guayaquil, a segunda maior cidade daquele país, não foram suficientes para motivar uma Resolução da ONU contra o então governo de Lenín Moreno. Tampouco a violência com a qual aquele mesmo governo enfrentou os mais de mil protestos em todo o país, em outubro de 2019, que pediam diminuição do preço da gasolina e, principalmente, o fim da Reforma Trabalhista que, da mesma maneira como a realizada no Brasil, precarizou o trabalho dos servidores públicos e privados. A insensibilidade demonstrada pelo presidente Lenín Moreno através do pacote econômico neoliberal que deixou ainda mais vulnerabilizado o povo equatoriano não foi vista como ataque aos direitos humanos.
Da mesma maneira, não vimos uma condenação ao Golpe de Estado que ocorreu na Bolívia e obrigou o presidente eleito democraticamente, Evo Morales, a renunciar e se exilar na Argentina. Não bastasse isso, Jeanine Áñez, que assumiu o governo após o golpe, manipulou os números da Covid-19, ao tempo em que o Estado boliviano sob a sua liderança não brindou a assistência adequada e deixou milhares de pessoas morrerem vitimizadas pelo vírus. Isso, aliado às reações violentas das forças do Estado equatoriano contra as manifestações que clamavam pelo retorno à democracia naquele país, também não foi suficiente para motivar a mídia hegemônica latino-americana e mundial a produzir materiais jornalísticos contra o governo da ditadora. De fato, Áñez nunca recebeu este adjetivo dos meios de comunicação ocidentais. Além disso, as tentativas de manipulação do processo eleitoral pela então “presidenta” Áñez, que adiou por diversas vezes as eleições presidenciais com medo da vitória dos candidatos e candidatas da oposição que apareciam com vantagem expressiva, tampouco motivaram um repúdio por parte da mídia hegemônica latino-americana e global.
No Chile, principalmente no último mandato do falecido Sebastián Piñera, cujos protestos de estudantes e da classe trabalhadora tornaram-se contumazes, sobretudo em rechaço à política previdenciária ultraliberal que deteriorou ainda mais a qualidade de vida dos mais pobres, assim como em repúdio ao alto custo de vida, assim como aos altos preços dos remédios e do transporte – protestos brutalmente reprimidos pelo governo – não houve uma indignação e crítica contundente por parte da mídia hegemônica. Embora o governo de Piñera, sucessor de Michelle Bachelet, tenha ignorado o sofrimento do povo chileno, e tratado os manifestantes com muita violência, gerando mortes e mutilações, não vimos a mídia neoliberal classificar o comportamento do mandatário como brutal e ditatorial. Inclusive, em outubro de 2019, por exemplo, policiais foram acusados de crucificar manifestantes, um deles adolescente, o que motivou a abertura de várias denúncias pelo Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) daquele país, mas não vimos uma cobertura midiática recriminando o fato.
Vamos sair do passado recente e nos voltar para o presente. Na Argentina, desde a assunção de Javier Milei como Presidente da República, em dezembro de 2023, a população trabalhadora e também estudantil já realizou várias mobilizações para protestar contra as medidas neoliberais que brutalmente têm empobrecido aquele povo. A situação está tão crítica que, conforme a própria ONU, todos os dias mais de um milhão de crianças e adolescentes menores de 18 anos vão dormir sem se alimentar. Mas, quando o povo se levanta em protesto, tem sido brutalmente reprimido pelas forças policiais. Até jornalistas têm sido alvos da repressão, de modo a ver subtraído o seu direito a informar. Os meios de comunicação neoliberais “fecham os olhos” para o que acontece na Argentina de Milei. E insistem em se focar na Venezuela.
E nos perguntamos: por que todos esses países latino-americanos afrontam, desrespeitam os direitos humanos, e apenas a Venezuela é enxergada como alvo? Os motivos são vários. Mas aqui nos concentraremos em alguns deles.
Riquezas naturais e geopolítica
Não é segredo que as reservas de petróleo venezuelanas são maiores que as sauditas e ainda bem maiores que as estadunidenses. Isso, logicamente, leva os países que dependem desse tipo de energia a “ficarem de olho no ouro negro” da Venezuela, país que não se alinha às políticas capitalistas lideradas pelos Estados Unidos e a União Europeia, as quais estão baseadas principalmente na espoliação das riquezas de terceiros.
Apesar de produtor de petróleo, os EUA sempre dependeram das importações. De acordo com vários estudos, esse combustível é responsável por mais de 80% da demanda de energia do setor de transporte estadunidense. Desta forma, controlar fontes petrolíferas faz parte das grandes prioridades daquele país. Esse é um dos motivos, mas não o único. Apesar de Nicolás Maduro haver concordado em fornecer petróleo a Joe Biden, de permitir a dolarização das atividades comerciais, ainda assim não é suficiente. Os Estados Unidos querem controle total.
O segundo motivo é o fato de a Venezuela ser rica em outros recursos naturais. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) mostram que a região latino-americana e o Caribe possuem 65% das reservas mundiais de lítio, 38% de cobre, 42% de prata, 21% de ferro, 33% de estanho, 18% de bauxita e 14% de níquel. E que a Venezuela, além do petróleo, também é muito rica em alumínio, cobre, ferro, gás natural, entre outros recursos que também interessam aos Estados Unidos e às demais potências do Norte Global.
O terceiro motivo é que, tanto os Estados Unidos como também a União Europeia defendem seus interesses geoestratégicos em território latino-americano. E, neste sentido, estão buscando neutralizar as influências que China e Rússia vêm tendo na região, com a importante e estratégica parceria com o país bolivariano.
Por esses e outros motivos os países do Norte Global, liderados pelos EUA, se empenham tanto em fragilizar a Venezuela, infelizmente com o apoio de “satélites” localizados em outras partes do mundo –, inclusive na própria América Latina e Caribe, como os que compõem o Grupo de Lima, completamente subservientes às vontades e desejos dos “donos do mundo”.
As tentativas de dominar a Venezuela são muitas, inclusive contrariando todas as normas internacionais e reconhecendo um presidente que se autoproclamou, como Juan Guaidó. Os Estados Unidos, a União Europeia e todos os “poderosos” do Norte Global e seus lacaios querem, de fato, esconder suas verdadeiras intenções em relação ao país bolivariano. Querem “carta-branca” para dominar a “jóia da Coroa” da América Latina. E personagens como Maduro são um obstáculo.
O processo eleitoral venezuelano é uma questão que cabe somente àquele povo. Não cabe a observadoras e observadores internacionais, não cabe a governantes de outros países, não cabe à mídia hegemónica mundial. O povo venezuelano tem capacidade suficiente para decidir se as eleições foram ou não legítimas.
* Verbena Córdula/Diálogos do Sul Global
** Verbena Córdula é graduada em História, Doutora em História e Comunicação no Mundo Contemporânea pela Universidad Complutense de Madrid e Professora Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus, BA.