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3.3.26

OPINIÃO: “A proteção da vida selvagem começa muitas vezes… em casa!”


A 3 de março assinala-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, uma data que nos convida a olhar para a biodiversidade não como algo distante ou abstrato, mas como parte integrante do equilíbrio que sustenta a vida no planeta — incluindo a nossa. Proteger a vida selvagem é, em última instância, proteger os ecossistemas de que dependemos para viver com saúde e qualidade.

A relação entre a ação humana e o impacto nos habitats naturais é hoje inegável. As escolhas que fazemos no quotidiano deixam marcas. Algumas são visíveis de imediato; outras permanecem silenciosas durante anos, acumulando efeitos nos solos, na água e nas cadeias alimentares. Entre essas escolhas está a forma como utilizamos e descartamos os medicamentos que já não precisamos ou ultrapassaram o seu prazo de validade.


Sabemos que os medicamentos são essenciais para tratar doenças, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. No entanto, quando não são corretamente encaminhados após a sua utilização, podem transformar-se numa fonte de contaminação ambiental com consequências profundas. Resíduos de fármacos deitados no lixo comum, ecopontos ou através dos esgotos domésticos acabam por atingir cursos de água, solos agrícolas e ecossistemas naturais, afetando espécies animais e vegetais.

Estudos internacionais têm vindo a demonstrar a presença de substâncias farmacêuticas em rios, lagos e aquíferos, com impacto direto na fauna selvagem — desde alterações comportamentais em peixes até perturbações nos sistemas reprodutivos de várias espécies. Estes efeitos não se limitam à vida animal: regressam até nós através da água, dos alimentos e do desequilíbrio dos ecossistemas.

É fundamental, por isso, compreender que a proteção da vida selvagem começa muitas vezes em casa. Cada embalagem vazia ou medicamento fora de uso e de prazo que não é corretamente encaminhado representa uma potencial marca negativa no ambiente. Em sentido inverso, cada entrega feita num ponto de recolha autorizado é um gesto simples que contribui para preservar a biodiversidade e proteger a saúde pública.

Em Portugal, a VALORMED tem vindo desde 1999 a assegurar a recolha e o tratamento adequado destes resíduos, prevenindo a sua libertação no ambiente e promovendo práticas responsáveis junto da população. Através de uma rede nacional de pontos de recolha em farmácias e parafarmácias, é possível garantir que os resíduos de medicamentos seguem um percurso seguro, sem colocar em risco os ecossistemas.

A campanha nacional VALORMED— “Há escolhas que deixam marcas no futuro do planeta” —, lançada no início deste ano, reforça precisamente esta mensagem: aquilo que descartamos não desaparece. As nossas escolhas diárias deixam marcas reais no futuro do planeta, na vida selvagem e, inevitavelmente, na nossa própria saúde. Já quando optamos pelo encaminhamento correto dos medicamentos, estamos a transformar uma potencial ameaça numa marca positiva de responsabilidade ambiental.

Assinalar o Dia Mundial da Vida Selvagem é, assim, reconhecer que a preservação da biodiversidade não depende apenas de grandes decisões políticas ou de ações globais. Depende também de gestos individuais, repetidos diariamente por milhões de pessoas. Separar os medicamentos fora de uso, entregá-los no local certo e adotar comportamentos conscientes são formas concretas de proteger os ecossistemas e as espécies que neles habitam.

A VALORMED continuará empenhada em mobilizar cidadãos, comunidades e parceiros para esta causa comum. Porque cuidar do ambiente é cuidar da vida em todas as suas formas. E porque as marcas que escolhemos deixar hoje determinam o planeta e a vida selvagem que existirá amanhã.

·         Luís Figueiredo

Diretor-Geral da VALORMED

28.8.24

OPINIÃO: EM AGOSTO, HÁ FÉRIAS E MAR…. E UM PLANETA PARA CUIDAR!

Agosto, aquele mês que associamos a descanso, férias, “seally season”, festivais, música, esplanadas, turismo, viagens, e tantas outras coisas que nos transportam para a descontração e alheamento daquelas que são as preocupações dos restantes dias do ano… Porém, agosto deste ano começa com a notícia de que o Dia da Sobrecarga do Planeta chegou mais cedo do que em 2023, ou seja, no dia 1 do nosso “querido mês de agosto”. E o mês de todas as despreocupações inicia-se com uma realidade que não pode ser ignorada ou alvo de interregno nas preocupações de quem vive neste planeta e o quer cheio de vida: a humanidade esgotou o “saldo” de recursos naturais da Terra. Significa isto que estamos já a utilizar os recursos que deveriam começar a ser utilizados apenas no virar do ano, em janeiro de 2025. De acordo com a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, organização não governamental de ambiente, o Dia da Sobrecarga do Planeta é calculado dividindo a biocapacidade do planeta –isto é, a quantidade de recursos naturais que a Terra consegue gerar num ano – pela pegada ecológica da humanidade, o uso de recursos que esta faz durante um ano. E nos dias de hoje, em que a procura por recursos naturais ultrapassa a capacidade de o planeta os regenerar, estamos a viver a “crédito”. Esta realidade leva-nos a uma reflexão sobre a sustentabilidade do Planeta, uma vez que a utilização excessiva de recursos compromete a vida dos oceanos, leva à desflorestação, à erosão dos solos, à perda de biodiversidade e ao aumento do dióxido de carbono na atmosfera, responsável pelo aquecimento global, que por sua vez provoca fenómenos meteorológicos extremos e aumento da insegurança alimentar. Ora, está visto que não podemos dar férias à preocupação - à forma como cada um de nós, individualmente - pode contribuir para um melhor cuidado e sustentabilidade da Terra que habitamos. É sob esta perspetiva que se torna pertinente abordar a preocupação com a eliminação de medicamentos fora de uso e de prazo. Mesmo em férias, é fundamental que se entreguem os medicamentos fora de uso e prazo num dos 3.247 pontos de recolha, disponíveis nas farmácias e parafarmácias de todo o país. Este é um hábito e um procedimento que devemos adotar como rotina e que deve fazer parte dos nossos dias, em férias ou fora delas. Convém relembrar que medicamentos fora de uso e de prazo colocados no lixo ou despejados nos esgotos domésticos geram contaminação nos solos e nas águas, o que prejudica o ambiente e o futuro do planeta.

Por outro lado, conservar em casa os medicamentos que já não são necessários ou ultrapassaram o prazo pode constituir um risco: ou por serem novamente utilizados (automedicação) ou por poderem causar acidentes domésticos (atingindo principalmente as crianças), pelo que a entrega destes resíduos nos pontos de recolha adequados, é também uma medida de proteção da saúde pública. Para este mês de agosto, deixo-vos um conselho para a época balnear: seja o frasco do xarope para a tosse, as cartonagens e os blisters, contendo ou não restos de medicação, os acessórios de administração como colheres ou copos medida, entregue-os na farmácia ou parafarmácia do local onde está a passar os seus dias de férias. Descanse o corpo e a mente, mas não dê descanso à sustentabilidade e às medidas que protegem os nossos recursos naturais. À semelhança do quase provérbio português ‘há mar e mar, há ir e voltar’, também há férias e descanso, mas um Planeta para cuidar! 

Luís Figueiredo Diretor-geral da VALORMED