16.7.13
ALPALHÃO recebe 1º concerto da Rota dos Coretos
Aí está mais uma Rota dos Coretos do Norte Alentejano 2013, iniciativa da Fundação Inatel Portalegre, no quadro do seu Programa de Atividades Culturais, desenvolvida em estreita colaboração com o CCD da Federação de Bandas do Distrito. A iniciativa pretende promover a divulgação musical e a animação destes importantes espaços de cultura do Norte Alentejano.
A Rota tem início no próximo dia 20 de Julho, em Alpalhão, pelas 21,30h com um concerto pela banda da Sociedade Filarmónica Alpalhoense e a 13 de Agosto cabe à Sociedade Musical Nisense fazer as "honras da casa" com um concerto no centenário coreto da Praça da República.
A Rota começa em Alpalhão e termina em Póvoa e Meadas, abrangendo também Portalegre,
Gáfete, Nisa, Campo Maior, Elvas, Galveias, Alter do Chão,
Crato, Alegrete e Gavião.
15.7.13
NISA: Igreja do Espírito Santo com cara "nova"
Chegaram a bom porto ou a bom termo, as obras de pintura e recuperação das paredes exteriores da Igreja do Espírito Santo, uma necessidade que desde há muito era visível. Seiscentos litros de tinta, a que se juntou o labor incansável dos operários, deram um rosto limpo e bonito, ao gosto e ao estilo do Alentejo.
Casa asseada é casa escarolada e que se pode mostrar, com orgulho, não só aos residentes, católicos ou não, como aos visitantes.
O património, o bom uso que fazemos dele e da sua preservação, não tem religião. É de todos, de toda a comunidade. E, por isso, todos ficamos contentes com o brilho novo da Igreja do Espírito Santo.
A pintura da Casa Paroquial, igualmente prevista no contrato não pode, por agora, ser feita. Há problemas na estrutura do telhado e infiltrações de águas pluviais que têm de ser, primeiro, resolvidas, obras para as quais a Paróquia não tem, manifestamente, verba disponível.
À espera da intervenção que é tão necessária como urgente, vai ficar a capela do Calvário. O telhado precisa ser limpo, as ervas e dejectos removidos, a estrutura corrigida e, como se não fosse já muito, o Calvário anseia também pela "cara lavada" e pelo brilho que tem a sua "vizinha" do Espírito Santo.
A Câmara e as Juntas de Freguesia da vila poderiam dar uma ajuda e tentar resolver este "bico de obra".
O Calvário, dada a sua arquitectura e situação na praça mais central de Nisa é visto com interesse por muita gente e o seu aspecto não é, neste momento, muito convidativo.
Apela-se, por isso, às entidades públicas que unam esforços e contribuam para as obras de que o Calvário necessita. Nisa ficará, por certo, mais rica e bonita.
OPINIÃO: Os carrascos
Acabar é uma arte. E, como todos sabemos, esta função nem sempre é bem assumida pelos seus executantes, como veremos mais adiante, neste mesmo texto.
Nestas ultimas semanas, os portugueses têm assistido, estupefactos, a uma avalanche de acontecimentos surreais, na realidade da política nacional que, chegam mesmos a ultrapassar a própria ficção, não olhando a meios, para atingir os fins.
Tal como nas artes mais nobres, na política houve tempos em que havia, uma coisa chamada de “bom senso”, caracter, compromisso ou sentido de responsabilidade, mas que o tempo e as novas gerações têm feito desaparecer do panorama político-partidário, substituindo-o por outros conceitos mais vulgares, e próprios dos momentos que vivemos, como o clientelismo ou o servilismo, isto é, a força e o poder do capital sobre o cidadão e o homem livre.
Cada vez são menos, aqueles que têm sentido de missão e, desejam abraçar uma causa ou um compromisso com a sua comunidade, de forma a defende-la, resolvendo e lutando pela resolução dos reais problemas dessas populações. E, para isso existem governos, com poder executivo. O que contraria, o momento atual, em que não sabemos, literalmente, quem governa, este pedaço de terra.
Então, passemos a explicar, primeiro demite-se o Ministro de Estado e das Finanças, Victor Gaspar, numero dois do governo, afastando-se, sem antes, tornar publica uma polémica carta, dirigida ao Primeiro-Ministro, onde se retrata a si próprio e à sua errada politica, aplicada durante dois longos e pesadíssimos anos, sobre os portugueses.
Logo a seguir, demite-se o Ministro de Estado e dos Negócios Estrageiros, Paulo Portas, número três do governo, o qual não é aceite, pelo primeiro-ministro.
O presidente da República, fala ao país, num discurso codificado, somente acessível a seres extraterrestres adaptados com a box da MEO. O que a meu ver, só pode mesmo, ser entendida como uma medida de prevenção contra as escutas, criando uma situação de caos político, nunca antes assistido, num país democrático. Limitando-se a fazer uma espécie de jogos florais, dirigida por uma política inexistente, fazendo-se passar como um fantasma, que paira na política nacional, há mais de trinta anos!
Num outro registo, mais irritada e crispada, nos brindou a segunda figura do Estado, a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, na sessão plenária da passada quinta-feira, gritando de forma soberba, com os manifestantes, que se encontravam nas galerias, para que estes abandonassem as mesmas os mais rápido possível. Assunção Esteves não se enervou apenas. Caiu-lhe uma mascara que tinha mantido até então, e veio ao de cima o seu lado mais autoritário, fazendo uma sugestão, uma declaração e uma citação, após o acontecimentos.
A sugestão foi que se repensasse a possibilidade do público deixar de ter acesso à casa da democracia, a declaração foi a de que "não fomos eleitos para sermos amedrontados, desrespeitados". E a citação foi de Simone de Beauvoir: "Não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes".
Mas, afinal o povo é soberano, ou não? A constituição diz que sim, mas alguns políticos mais bolorentos, ainda pensam o contrário. Acabar, terminar ou saber sair no tempo certo, pode ser uma virtude, por isso a palavra tem que ser devolvida ao cidadão, já!
JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO
* Cartoon de Hermínio Felizardo in http://felizardocartoon.blogspot.pt
13.7.13
IN MEMORIAN: Morreu o Bana, a voz de Cabo Verde
O Bana foi dos primeiros grandes artistas
africanos que conheci. A sua “Pomba” ou o “António escadeirode”, animavam as
noites de fim de semana no Pilão ou noutros bairros sem luz de Bissau, refúgios
com o seu quê de aventureiro, a que muitos militares recorriam na ânsia de
esquecer a tortura da guerra e a dor da solidão e da ausência.
No início dos anos setenta, naqueles bairros periféricos e de má fama de
Bissau, mas cheios de gente boa, onde se vivia miseravelmente, mas nunca faltava a alegria, eram quase
obrigatórias as nossas visitas, principalmente nos fins-de-semana em que havia
ainda alguns "pesos" nos bolsos. Cantávamos e dançávamos ao som das “coladeras” e
das “mornas” tocadas num gira-discos a pilhas, em tabancas de terra batida,
iluminadas a petromax (um “luxo” apenas de algumas) ou à luz mortiça da torcida
embebida em petróleo numa garrafa.
Era um ambiente quase medieval, mas ao qual
habituávamos a vista e os sentidos em poucos minutos. Tinha de ser. Estávamos
em guerra, apesar de tudo, e não em Bali ou numa qualquer estância balnear do
Pacífico. Mas a música das “ilhas”, do Bana e de outras artistas, transportava-nos
para um estado de acalmia e de paz, fazia-nos esquecer a nossa condição de
ocupantes de terra estrangeira e como que um pacto de "não-agressão" se estabelecia naquelas noites africanas cheias luar e sons mágicos.
Bana actuou algumas vezes em Bissau com o
grupo “Voz de Cabo Verde” que integrava excelentes músicos, entre eles, Luís
Morais, um solista de primeira água e que viria muito justamente a ter projecção
internacional, aquém, talvez, do seu real valor.
Bana, para além de um grande cantor, era uma
figura de aspecto impressionante, nos seus quase dois metros de altura e na
simplicidade com que actuava, de sorriso permanente e rasgado, um timbre de voz
forte e firme que tanto projectava as canções mais alegres e ritmadas como as “coladeras”,
como, logo a seguir, convidava a uma “visita” contida e comovente, a Cabo
Verde, às suas ilhas e a conhecermos o seu povo humilde e pobre, através das
mornas e dos sons pungentes das guitarras e dos violinos.
O Bana morreu esta madrugada, aos 81 anos, mais
de sessenta dos quais a cantar e divulgar a música de Cabo Verde, a “nha terra”.
Devo-lhe o gosto pela música cabo-verdeana e a descoberta de intérpretes
(cantores e músicos) como Cesária Évora, Ildo Lobo, Luís Morais, Codé di Dona,
Travadinha (todos já falecidos) e de grupos como o referido “Voz de Cabo Verde”
Tubarões, Bulimundo, Finansom e outros, mais recentes como os Ferro Gaita. Impressiona,
aliás, como um país tão pequeno, tem tantas vozes e músicos de qualidade e que
tenho descoberto nos últimos anos, desde Mayra Andrade, Lura, Zeca di Nha
Reinalda, Tito Paris, Paulino Vieira, Tcheka e tantos outros.
O Bana morreu e com ele parte a arte de cantar e comunicar, a alma de Cabo Verde, um dos maiores cantantes da lusofonia.
Tive o gosto de o conhecer e recordo-o com profundo respeito, com reconhecimento devido a um grande intérprete que com as suas canções tornou menos penosos, dois anos de exílio forçado em terras africanas.
Como eu, muitos milhares de portugueses.
Morreu o Bana. Cantemos e recordemos as suas canções, a forma mais elevada de lhe testemunharmos a nossa admiração.
Mário Mendes
12.7.13
Tragédia atinge de novo a freguesia de Santana
Foi ontem encontrado por um grupo de
crianças, cerca das 19.00 horas, no Recinto das Festas, junto à Igreja de
Santana, no Concelho de Nisa, o corpo de Francisco S. Pedro, conhecido por
Chico Bucho. Aparentemente, dada a abundância de sangue no local, a vítima
ter-se-á precipitado de cabeça do alto das escadas do palco existente no local.
Desaparecido desde terça-feira, a GNR de
Nisa terá sido alertada pelos irmãos na quarta-feira, dando início a buscas nas
redondezas. Nas buscas, nomeadamente no rio Tejo, na zona do Cabecinho,
participaram também os Bombeiros Voluntários de Nisa.
A vítima, que tinha recentemente terminado
um tratamento com metadona, apresentava nos últimos dias sinais de alguma
perturbação mental, ameaçando desconhecidos, transportando consigo um machado e
procurando amigos a quem dizia querer acertar contas, pagando dívidas que teria
contraído. Segundo as informações que recolhemos, terá deixado a motorizada em
que habitualmente se fazia transportar junto ao Tejo, na zona do Cabecinho,
juntamente com os sapatos. A última vez que foi visto pelos irmãos, ao final da
tarde de terça-feira, apresentava-se descalço.
- José Monteiro in http://maladeporao.blogspot.pt
11.7.13
BELVER: Portugal tem um dos quatros Museus de Sabão do Mundo
No Mundo existem, apenas,
quatro Museus da Indústria do Sabão e Portugal tem o seu situado no Concelho de
Gavião, em Belver.
Pela tradição e cultura de
saboeiro, existente na Terra, a Câmara Municipal de Gavião apostou num Museu
que mostra a arte do saboeiro.
Para o Presidente da Câmara
Municipal de Gavião, Jorge Martins, “o projeto arquitetónico de recuperação e
transformação da antiga escola primária de Belver, no Museu do Sabão, pretende
criar um espaço de divulgação dos conhecimentos adquiridos pelos nossos
antepassados e homenagear a memória coletiva dos saboeiros de Belver”.
Este Museu dispõe de um
avançado sistema tecnológico, interativo, que permite aos visitantes terem um
conhecimento mais profundo sobre a história e a arte sobre sabão e dos
saboeiros.
A produção de Sabão tinha
grande importância económica e social na vila de Belver, nesta localidade foi
instalada uma Real Fábrica de Sabão que funcionava em regime de monopólio
régio, da qual ainda hoje se encontram vestígios.
As indústrias artesanais, ou
casas de Sabão Mole, como eram designadas, constituíam-se como pequenas
produções de carater familiar, passando de geração em geração. Após
embalado em sacas próprias de sarja e serapilheira, o sabão era utilizado na
lavagem de roupas, tecidos e sobrado de madeira.
A alcunha dos habitantes de
Belver perdura até hoje – Os Saboeiros.
O concelho de Gavião pertence
ao distrito de Portalegre e está situado no Norte Alentejano, na confluência do
Alentejo com o Ribatejo e a Beira Interior, partilhando, com estas duas províncias,
o Rio Tejo.
Gavião é um concelho
essencialmente rural, agora como sempre. A sua população mantém muitos dos
traços rurais que fizeram a sua história e etnografia. O artesanato aí está a
prová-lo, bem como uma gastronomia regional rica, variada e saborosa.
O Concelho de Gavião tem uma
beleza natural incontornável, podendo ter acesso a uma pequena mostra em www.cm-gaviao.pt.
10.7.13
PRAÇA PÚBLICA (VII): “Arranje-me trabalho!”
Assistimos, nos nossos dias, a
um constante ataque a direitos humanos, entre os quais o direito ao trabalho que,
num país democrático, julgaríamos intocáveis e indestrutíveis e que vão sendo aniquilados,
em nome de chavões como “mercados”, “competitividade”, “regularização das
contas públicas” e outros, que fazem abater sobre a cabeça das camadas mais frágeis
da população – trabalhadores e desempregados – o cutelo do desemprego, da miséria
institucionalizada e do retrocesso civilizacional.
Há um século (1913) a situação
económica e social do país não era muito diferente. País agrícola, Portugal
enfrentava, regularmente, as variações das condições climáticas e outras. Em
Nisa, a maioria da população, pós República vivia em extremas condições de miséria.
Abundavam os braços, rareavam as ofertas de trabalho, o flagelo dos expostos não
via solução e estávamos longe, muito longe, de “sonhar” com os emissários do
FMI e da alta finança mundial...
Perante esta situação de calamidade, o presidente da Comissão
Administrativa da Câmara de Nisa, António Maria de Matos Cardoso, dirigiu-se,
em carta de 21 de Agosto de 1913, ao Ministro do Trabalho e da Previdência
Social, nestes termos:
"Excelência
A Comissão Administrativa do Município
de Niza, vem perante Vossa Excelência, representar pedindo para que consiga do
Governo da República a imediata abertura de trabalhos públicos que, de algum
modo conjurar possam a angustiosa crise em que o operariado deste concelho se
debate.
O terrível anno que vai
correndo, tem sido sob o ponto de vista agrícola, verdadeiramente calamitoso. Quando
a poeira do tempo tiver embranquecido as cabeças dos rapazes d´hoje, hão de
eles recordar este fatídico 1913, como um pesadelo que lhes vincou na alma uma
inolvidável amargura.
As searas apresentaram-se
magnificas e assim se conservaram até que, os últimos dias de Maio, um fungo “pucimia
rubigovera”, as devastou.
Havia ainda a cultura do milho.
Uma última esperança bruxuleava!
Talvez, talvez que uma pequena
compensação trouxesse... também falhou! Todos os sonhos de prosperidade ruíram;
e os agricultores sem dinheiro, perdida também a enorme energia reduzem ao mínimo
o serviço que é costume efectuar. D´hai a crise de trabalho, agravada
confrangedoramente pela carestia de vida.
E a semente do sindicalismo,
que no inverno passado foi lançada nos espíritos rudes dos trabalhadores
ruraes, lá vae germinando, mercê d´esta circunstancia que lhe é imensamente
favorável: a miséria.
A Comissão Administrativa da
minha presidência comprehende muito bem a impossibilidade de o Estado remediar
por completo esta situação. Mas pode atenuál-a. E uma das formas de o
conseguir, consistirá em abrir trabalhos públicos.
No prosseguimento da
construcção da estrada do Tejo a Amieira, encontrariam muitos braços emprego
para a sua actividade, além de assim, se efectuar uma obra de incontestável
utilidade publica.
Nas mãos de Vossa Excelência,
depõe a Comissão Administrativa do Município de Niza, esta representação, na
antecipada certeza de que não encontraria quem melhor do que Vossa Excelência
faça triumphar a obra de justiça que n´ela se reclama.
Niza, 21 de Agosto de 1913
O Presidente da Comissão
António
Maria de Matos Cardoso
Era, assim, há precisamente cem anos. E, hoje, que projectos, que planos ou estratégias têm os nossos candidatos às autarquias locais para fazer face ao desemprego e criar condições para estancar a desertificação humana do concelho?
Mário Mendes
50 ANOS DE “OS VAMPIROS” (1963/2013)
CONCERTO DE TRIBUTO A ZECA
AFONSO
A Associação José Afonso (AJA)
e a Reitoria da Universidade de Lisboa promovem, com o apoio do SPGL, no
próximo dia 20 de julho, um concerto assinalando os 50 anos da primeira edição
de OS VAMPIROS.
O concerto evocativo dos 50 anos de OS
VAMPIROS realiza-se na Aula Magna, em Lisboa, pelas 21h, e conta com a
participação de uma dezena de artistas que juntam as vozes para comemorar José
Afonso e lembrar o emblemático refrão “Eles comem tudo, eles comem tudo/ eles
comem tudo e não deixam nada”.
Em palco estarão os músicos
Rogério Pires, Sérgio Caldeira, Pedro Syroh, o poeta José Fanha, o grupo
Ensemble VOCT, Rui Pato, João Afonso, Manuel Freire, Luis Pastor, Lourdes
Guerra, Pedro Fragoso e Francisco Fanhais.
9.7.13
PRAÇA PÚBLICA (VI): Quem zela pelo nosso património arqueológico?
Uma subscrição para o Menir do
Patalou
Primeiro, não se sabia quem
eram os donos do terreno. Depois, os contactos eram difíceis e complexos, do
tamanho da montanha erguida pelos burocratas da Praça do Pelourinho. Por
iniciativa privada, vieram os proprietários, derrubaram-se as barreiras,
desimpediram-se os burocráticos argumentos e pensou-se: É desta!
Qual quê. A maioria camarária
que enxameia os discursos de “cultura” e de “património” diz não ter, agora,
dinheiro para levantar o Menir, como se a tarefa ficasse tão dispendiosa como
uma visita das “tias”.
O Patalou fica lá para “cascos
de rolha” e uma pedra, mesmo gigante, está muito melhor deitada, dormindo a
sono solto, tal como está há milhares de anos. Por que é que querem, afinal,
levantar a pedra? Não estará melhor no sítio onde está? Sossegada e sem chatear
ninguém? Já viram o investimento que temos de fazer nas Termas, ou na Zona
Industrial? Não repararam, ainda, nos postos de trabalho que temos criado? E no
combate à desertificação do concelho?
Uma pedra... Ainda se fosse um
edifício de dez andares, uma rotunda, ou um monumento aos emigrantes...
Deixem-se disso e pensem mas é
no progresso do concelho!
in "Jornal de Nisa" -
241 - 17/10/2007
NOTÍCIA - Menir da Meada classificado como Monumento Nacional
Na sua reunião desta semana (24 Maio 2013) o
Conselho de Ministros “aprovou a classificação” definitiva do Menir da Meada
como monumento nacional, juntamente com outras cinco edificações e/ou sítios.
Fica assim concluído, ao fim de cerca de 19 anos,
um processo que obrigou mesmo à reconstituição em 2012 (com a ajuda da Câmara
Municipal de Castelo de Vide) do dossier que foi considerado como de “paradeiro
desconhecido”. A proposta final da Direcção Regional de Cultura do Alentejo que
o reconstituiu data de 3 de Junho de 2012.
O Menir da Meada, na Tapada do Cilindro, na
freguesia de Santa Maria da Deveza, concelho de Castelo de Vide, distrito de
Portalegre, foi “erguido no intervalo de tempo correspondente aos períodos
Neolítico e Calcolítico”.
Descoberto em 1965, o Menir da Meada é o maior
Menir da Península Ibérica com cerca de 4 metros de altura a
partir do solo, e um diâmetro máximo de 1,25 metros , pesando
cerca de 15 toneladas. Terá sido erguido no Período Neo-Calcolítico numa área
rica em vestígios megalíticos, aparentemente alinhados entre si.O Menir da Meada apresentava-se fragmentado,
tendo sofrido alguns trabalhos de restauro e consolidação (em 1993) que
possibilitaram restituir a aparência original deste monolítico granítico de
configuração fálica. Por despacho de 18 de Março de 1997 foi homologada a
proposta de classificação como Monumento Nacional.
Por que ficamos a "ver passar os comboios"?
O texto sobre o menir do Patalou, um dos muitos escritos por mim e por João Francisco Lopes desde 1998, chama a atenção, alerta e critica a impassividade - para não dizer o desleixo, a irresponsabilidade e a indiferença - dos poderes públicos locais (Câmara, Assembleia Municipal e Junta de Freguesia do Espírito Santo) sobre um monumento arqueológico de grande importância e que permanece, mesmo após as inúmeras denúncias públicas, ao abandono.
O que mais revolta, passados mais de 15 anos, já não é, sequer o mutismo e o silêncio comprometedor dos referidos poderes públicos, em especial, da Câmara de Nisa.
O que nos indigna é o facto de terem sido removidos, por diligências efectuadas pela associação Nisa Viva, os obstáculos à erecção do Menir do Patalou, constituindo esta obra - o seu levantamento e colocação ao serviço da promoção do concelho de Nisa - uma iniciativa de baixos custos, para a qual há arqueólogos e outros técnicos disponíveis e interessados na sua concretização, o que até hoje não tido em consideração.
O Menir da Meada, maior do que o do Patalou, mas, "colado", viu reconhecido o seu valor arqueológico, histórico e patrimonial com a classificação de Monumento Nacional, sendo um foco importantíssimo de atracção turística para o vizinho concelho de Castelo de Vide.
No concelho de Nisa, além do do Patalou há mais cinco ou seis menires. Como há, às dezenas, sepulturas escavadas nas rochas, antas, algumas das quais, como a dos Saragonheiros, em nada inferiores, em monumentalidade, à de S. Gens e outras classificadas, na região. A diferença é que, em Nisa, a Câmara tem outras "prioridades"; fala em descentralização e em participação, mas rejeita todas as ideias e propostas que lhe cheguem de pessoas ou de associações que tenham autonomia e pensem pela sua própria cabeça.
E, foi devido a esta "singular" forma de pensar e encarar o território concelhio, mais própria de um "aparatchik" do que de um órgão democraticamente eleito, que chegámos aonde chegámos: o concelho regride a passos largos, as intervenções urgentes e necessárias são adiadas sine die e a reabilitação do nosso património remetida para as calendas.
Resta-nos a esperança de que a nova Câmara - seja ela qual for - tenha, pelo menos, a virtude de saber ouvir.
Esse, o primeiro passo para poder analisar, avaliar, decidir e concretizar.
Mário Mendes
O texto sobre o menir do Patalou, um dos muitos escritos por mim e por João Francisco Lopes desde 1998, chama a atenção, alerta e critica a impassividade - para não dizer o desleixo, a irresponsabilidade e a indiferença - dos poderes públicos locais (Câmara, Assembleia Municipal e Junta de Freguesia do Espírito Santo) sobre um monumento arqueológico de grande importância e que permanece, mesmo após as inúmeras denúncias públicas, ao abandono.
O que mais revolta, passados mais de 15 anos, já não é, sequer o mutismo e o silêncio comprometedor dos referidos poderes públicos, em especial, da Câmara de Nisa.
O que nos indigna é o facto de terem sido removidos, por diligências efectuadas pela associação Nisa Viva, os obstáculos à erecção do Menir do Patalou, constituindo esta obra - o seu levantamento e colocação ao serviço da promoção do concelho de Nisa - uma iniciativa de baixos custos, para a qual há arqueólogos e outros técnicos disponíveis e interessados na sua concretização, o que até hoje não tido em consideração.
O Menir da Meada, maior do que o do Patalou, mas, "colado", viu reconhecido o seu valor arqueológico, histórico e patrimonial com a classificação de Monumento Nacional, sendo um foco importantíssimo de atracção turística para o vizinho concelho de Castelo de Vide.
No concelho de Nisa, além do do Patalou há mais cinco ou seis menires. Como há, às dezenas, sepulturas escavadas nas rochas, antas, algumas das quais, como a dos Saragonheiros, em nada inferiores, em monumentalidade, à de S. Gens e outras classificadas, na região. A diferença é que, em Nisa, a Câmara tem outras "prioridades"; fala em descentralização e em participação, mas rejeita todas as ideias e propostas que lhe cheguem de pessoas ou de associações que tenham autonomia e pensem pela sua própria cabeça.
E, foi devido a esta "singular" forma de pensar e encarar o território concelhio, mais própria de um "aparatchik" do que de um órgão democraticamente eleito, que chegámos aonde chegámos: o concelho regride a passos largos, as intervenções urgentes e necessárias são adiadas sine die e a reabilitação do nosso património remetida para as calendas.
Resta-nos a esperança de que a nova Câmara - seja ela qual for - tenha, pelo menos, a virtude de saber ouvir.
Esse, o primeiro passo para poder analisar, avaliar, decidir e concretizar.
Mário Mendes
NISA: I Torneio de Futsal inter associações e empresas do concelho
O Nisa Futsal Clube tem o
prazer de anunciar o I torneio de futsal entre associações/empresas do concelho
de Nisa.
Este é um torneio diferente de
todos os outros, trata-se de um torneio apenas para nascidos ou residentes no
concelho de Nisa e tem como particularidade que cada equipa apenas poderá ter 2
jogadores que tenham sido federados na época transacta (seja em futebol, ou em
futsal).
Uma brincadeira, onde o
convívio é principal objetivo, não importa a idade ou até mesmo o sexo, e o
jeito para a bola são apenas pormenores.
8.7.13
PRAÇA PÚBLICA (V): Muito se fazia com cinco contos...
Há menos de um século (1916) o
vice-presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Nisa escreveu ao
Ministro do Fomento, a agradecer a verba de cinco mil escudos destinadas à
conclusão de troços da estrada nacional entre Montalvão e o Rocio d´Abrantes,
na altura designada com o nº 131.
Carta ao Ministro do Fomento
(18/8/1916)
Tenho a honra de communicar a Vª
Exª que a Comissão Executiva da Câmara Municipal deste concelho de Nisa, em
sessão ordinária do dia 14 do corrente mês de Agosto, deliberou por
unanimidade:
1º Agradecer a Vª Exª a dotação
do corrente ano económico da verba de 5.000$00, tanto para a conclusão do lanço
de estrada de segunda ordem de Montalvão ao Rocio d´Abrantes, compreendido
entre Montalvão e o Monte Queimado, como para a construção do lanço da mesma
estrada entre a Horta da Vaquinha e Ares.
2º - Pedir a Vª Exª a imediata
aplicação de uma tal verba de dotação, e bem assim que seja destinada a quantia
de 1.000$00 para as reparações de que urgentemente carece a dita estrada nº
131, na parte já construída neste concelho de Nisa.
Posto isto, rogo a Vª Exª a
especial finesa de empregar os seus valiosos esforços para que uma tão justa e benéfica
pretensão seja levada a efeito.
O vice-presidente da Comissão
Executiva
José da Cruz Frade.
NISA: Actuações do Rancho Típico das Cantarinhas
O Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa tem efectuado no corrente ano diversas actuações, um pouco por todo o país, representando as tradições etnográficas e folclóricas do nosso concelho.
Uma série de actuações que tiveram início no 25 de Abril, em Nisa, prosseguindo em concelhos como Vila Velha de Ródão, Vila Nova de Gaia e Coimbra, onde actuaram no passado fim de semana.
Seguem-se participações em festivais de folclore nos concelhos de Castelo de Paiva (dia 13), Almada (Costa da Caparica, dia 3 de Agosto), Sertã e Sesimbra.
Pelo meio e a 27 de Julho, tem lugar em Nisa, mais uma edição do Festival de Folclore organizado pelo Rancho Típico das Cantarinhas.
O cartaz do espectáculo e os grupos participantes serão aqui anunciados, brevemente.
6.7.13
PRAÇA PÚBLICA IV: Vêm aí mais ofertas de Emprego?
As eleições autárquicas são, normalmente,
aproveitadas para a apresentação de promessas, muitas delas irrealistas, tendo
em vista seduzir o eleitorado e ganhar a confiança dos eleitores, o seu voto e
a obtenção da tão almejada vitória ou maioria.
Em tempo de “vacas magras”, com
as finanças locais e a administração autárquica a ser alvo, também, de cortes
brutais, a que se junta a perda de autonomia, os candidatos às câmara ou juntas
de freguesia são obrigados a conter-se nas promessas que fazem e a elaborar os
seus programas eleitorais com o máximo realismo possível e a apresentação de
propostas que sejam tanto exequíveis como necessárias.
Ontem, mostrámos, aqui, uma
Nota de Imprensa da Câmara de Janeiro de 2011, na qual se anunciava a instalação
de uma unidade laboratorial na área da bioenergia, em Nisa, ocupando uma área
de 300 metros quadrados
e um investimento elegível de 900 mil euros.
Não sabemos o que “sumiu”
primeiro: se o protocolo de financiamento, o projecto que lhe dava suporte. Tão
pouco sabemos se algum dia, o mesmo Protocolo e a Unidade laboratorial verá a
luz do dia. A Câmara, lesta a informar sobre o “acto de assinatura”, deixou de
dar notícias sobre assunto tão transcendente.
Não se pense, porém, que estas
ideias inovadoras sobre a criação de emprego, são exclusivas da actual maioria
camarária, pesem, embora, a Albergaria do Tejo, as Termas de Nisa e outros grandes
projectos - âncora, anunciados como tábua de salvação.
Adiante e lembremos.
Em 2001, o cabeça de lista do
PS à Câmara “tinha” uma lista de empresários à espera para se instalarem no
concelho, criando não sei quantas dezenas de empregos.
Em 2009, a candidata do PSD,
afinava pelo mesmo diapasão, garantindo, no caso de ganhar a presidência da Câmara,
a instalação de algumas empresas e a criação de postos de trabalho.
Não ponho em causa, a bondade e
a boa-fé dos dois candidatos, que apresentaram em comum, a mesma condição sine
qua non: haveria empresas e emprego se ganhassem a Câmara!
Não ganharam e o concelho “ficou
a ver navios”, em matéria de novos postos de trabalho.
O emprego e o desenvolvimento –
sustentável, como fizeram questão de vincar todos os candidatos – foram, de
resto, os temas mais “batidos” que não debatidos, nas últimas autárquicas. O
concelho, entretanto, continuou a perder população a um ritmo quase alucinante;
a perder serviços e postos de trabalho, a desertificação, tanto nas aldeias
como na própria sede do concelho, intensificou-se.
Nestas eleições e na campanha
eleitoral que lhe antecede espero bem que não haja mais promessas de empresas e
empregos no “caso de”, que soa a falso e cheira a chantagem sobre os eleitores.
A criação de emprego e a atracção
de empresas, são questões demasiado sérias para serem jogadas numa disputa
eleitoral, quando o que se precisa é de uma nova política a nível nacional que
olhe o interior e as pessoas que nele vivem, como parte integrante e de pleno
direito deste país que somos todos, sem o risco ao meio que divide o litoral e
as terras do Demo, os filhos e os enteados.
Mário Mendes
Foto: Rurais alentejano descortiçando o sobreiro
5.7.13
PRAÇA PÚBLICA (III): Por onde anda o Laboratório de Bioenergia?
Em Nota de Imprensa datada de 26 de Janeiro de 2011, a Câmara informava que "Nisa terá unidade de
experimentação do Laboratório de Bioenergia – BioErgos".
Isto, após ter sido assinado o "Protocolo de Financiamento
do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia", acto realizado na Universidade de Évora, presidido pelo Ministro da Economia, Vieira da Silva e em que, salientava a mesma Nota de Imprensa, participou a Presidente da Câmara de Nisa.
Passados mais de dois anos sobre tão importante acontecimento, urge perguntar:
1 - Por onde anda a "famosa" Unidade de Experimentação do Laboratório de Bioenergia?
2 - Ficou sem efeito o Protocolo de Financiamento para a instalação da referida Unidade?
3 - Se tal aconteceu, por responsabilidades que não podem ou não devem ser atribuídas à autarquia nisense, por que motivo e com o mesmo destaque em Nota de Imprensa, não foram informados os munícipes?
4 - O protocolo ainda é passível de ser implementado ou foi pura e simplesmente riscado das prioridades regionais e locais?
Esperemos que a senhora Câmara tenha a gentileza de responder a estas questões, não se fechando em copas, como é seu (mau) hábito.
Por nós e aqui neste espaço, continuaremos a colocar esta e outras questões. O exercício da transparência democrática nos actos públicos de gestão, não pode ser, apenas, um mero slogan para usar quando dá jeito.
Informar é Preciso! Os cidadãos têm o direito a ser informados, com verdade, rigor e em tempo útil sobre todas as questões que lhes dizem respeito. Esse, um dever fundamental de uma administração pública que preze os valores da democracia participativa.
Mário Mendes
FERNANDO EDUARDO CARITA (1961-2013): Um Testemunho
Para o Fernando.
Para os seus pais, irmãos e
sobrinhas. Aos seus alunos e colegas da Escola Secundária Ferreira Dias
Conheci o Fernando Eduardo
Carita em 2001/2002. Foi na esplanada do café «Nilo». Ou melhor: foi ainda nas
antigas mesas do café «Nilo» e não na esplanada, cá fora, pois não era
Primavera, nem Verão, mas um final de Inverno que anunciava o que viria a ser
um belo encontro humano. O Fernando, no seu porte distinto e discreto, com uma
caneta Bic, preta, apontava num pequeno caderno qualquer coisa que, pelo modo
como estava concentrado, deveria ser urgente, belo e necessário. Já há algum
tempo que eu tinha reparado no Fernando. Nesse dia não reprimi a vontade de o
conhecer e levantei-me da minha mesa, onde eu também passava as manhãs de
Sábado a ler ou a não fazer coisa nenhuma, para me dirigir àquela pessoa que -
lembro-me agora - parava de vez em quando de escrever e nos olhava, oblíqua ou
profundamente, regressando, baixando os olhos, à escrita ou à leitura.
Perguntei se me podia sentar e ele, surpreendido mas acolhedor, disse que sim.
Perguntei-lhe se era professor (porque me parecia ter a atitude, a presença dum
professor de facto) e o que estava a ler. Educadíssimo, esmerado, sensível a
quem, jovem e provocatório, assim se lhe dirigia de forma curiosa, disse-me que
estava a ler Poesia Vertical, dum poeta chamado Roberto Juarroz. Coindidência
incrível. Também eu estava a ler, não a poesia de Juarroz, mas um ensaio de
António Ramos Rosa sobre a poesia do poeta argentino.
Creio que o nosso encontro - e
as centenas de encontros que a esse se seguiram nos doze anos de partilha e
cumplicidade - teve o condão da poesia e da sua luminosa fraternidade. Nesse
mesmo dia combinamos novo encontro e como morávamos perto foi-se estabelecendo
um tácito acordo. Aos Sábados, e pelo menos duas vezes por semana, era certo o
café da manhã no «Nilo». À tarde, após o almoço, novo café, pretexto para
desfiar de comversas sobre livros, ideias, paixões. A urgência de viver. Entre
2001 e 2010/011 eu e o Fernando perdemos a conta aos jantares e almoços que
fizemos... nestes últimos tempos, por culpa minha, bem menos regulares (talvez
quando nos voltarmos a encontrar possamos, com Juarroz e outros da nossa
confraria, retomar esses jantares e cafés onde a vida irrompia simples, calma e
bela nas palavras que trocávamos...).
O Fernando Eduardo Carita, para
além da amizade profunda aos seus amigos, foi também, para mim, uma espécie de
misterioso orientador de leituras e um cúmplice fazedor de ideias. O Fernando é
das pessoas mais cultas e sensíveis que até hoje conheci. Jamais se envaideceu
com a sua cultura, com o seu transversal saber, que ia da Poesia europeia à
Filosofia, da música à pintura. Bilingue, dominando na perfeição a língua francesa, foi tradutor exímio do poeta belga Yves Namur. Para além desse seu
trabalho como tradutor, publicou três livros de poesia. O primeiro, em 1988, A Obscura
Espiritualidade da Matéria, em edição de autor e, em 2005 e 2008, dois livros:
A Salvação pelo Vazio e A Casa o Caminho, ambos traduzidos por Marie-Claire
Vromans e editados na Taillis Prés. Dum volume que lhe será póstumo, intitulado
O Deus do Inacabado (será também traduzido por Marie-Claire Vromans e com
chancela da editora de Yves Namur), saíram em Agosto de 2011, no número 177 da
revista Colóquio-Letras, dois poemas. Lembro-me da felicidade e surpresa com
que recebeu a notícia dessa publicação. Dava-se a curiosa coincidência de esse
número ser dedicado à «Poesia 61», o ano de nascimento do Fernando. Com os
olhos vivíssimos, o sorriso franco e aberto, numa voz pausada e forte, ora rápida
e incisiva, ora lenta e grave, disse-me: «António, tu já viste isto?! Então
agora já sou um poeta português?...» É que para o Fernando Eduardo Carita,
apesar de as edições dos seus livros serem bilingues, ele queria, na verdade,
que a sua poesia fosse publicada em português. Numa editora portuguesa. Acontecerá,
sem dúvida, por razões óbvias: a sua obra é, quanto a mim, das mais belas
expressões de espiritualidade que a poesia de língua portuguesa recente
produziu. Dar a conhecer o autor de A Salvação pelo Vazio impõe-se.
Fernando Eduardo Carita,
professor, poeta, tradutor, foi alguém com quem partilhei uma fase decisiva do
meu crescimento como homem, também eu professor. É para mim um motivo de
alegria ter ido, em três ocasiões, à escola do Fernando, a Escola Secundária
Ferreira Dias, por ele convidado, falar sobre poesia, sobre Literatura e
cultura. Unia-nos uma forte consciência quanto à urgência da Literatura e da
Cultura no ensino do Português. Cáustico, incisivo, irónico, o Fernando não
hesitava em condenar, em invectivar a mediocridade, o fanatismo, a
ignorância... Sempre com elevação, por muito revoltado que se sentisse em face
duma realidade europeia e portuguesa que, dizia-me, nos iria levar à barbárie
da ignorância... Certas frases do Fernando Eduardo foram, perante o que
vivemos, de uma terrível premonição...
Sei o quanto ele amou ser
professor. Sei o quanto exigia de si próprio para que as aulas fossem esse
encontro de espíritos com a cultura viva que, pela mão da poesia e da
filosofia, que ele sabia integrar como poucos, era para ele o fio condutor das
relações humanas. Em diversas ocasiões lhe disse que os seus alunos ganhavam
imenso ao ter um professor assim. Eles, os seus alunos, bem como os seus
colegas, sabem disso. Todavia, por ser discreto e humilde, respondia-me sempre:
«Não, António. Quem lhes deve agradecer sou eu por me darem a oportunidade de
estar aqui... Eu é que aprendo com eles...»
Aos seus pais - Manuela e João
-, aos seus irmãos - Filipe e João Paulo -, às suas sobrinhas e demais família,
mas aos seus queridos alunos, que nele tiveram um professor raríssimo, as
minhas palavras finais são de paz e de alegria e de entusiasmo. Paz, porque é
necessário tranquilizar os corações (o Fernando merece o seu descanso. O seu
corpo lutou dignamente e ganhou, saiu vitorioso) e alegria e entusiasmo para os
dias que o futuro nos reserva, porque o Fernando estará sempre connosco na sua
poesia e a sua obra chegará longe, assim como a sua memória será, por muitos,
celebrada.
Dele eu vou guardar as
conversas, os encontros, os cafés, a mesa cheia de livros e jornais. A sua
generosidade para comigo. A sua benevolência. A sua inigualável coragem e
constante amizade. Guardarei também estas palavras:
As mãos que colheram
verdadeiramente a rosa
Também colheram as tuas mãos
Eu, das mãos do Fernando, colhi
o seu desejo de viver, a sua serena aceitação do que os dias têm para nós. Ao
mesmo tempo colhi o seu entusiasmo; a sua entusiástica forma de ver que tudo
está em tudo, que nada se perde e em mim o Fernando Carita continuará vivo e
estará comigo.
António Carlos Cortez, Lisboa,
café «Nilo», 22 de Junho de 2013
4.7.13
Opinião: MAS TU NÃO...
I - Canto a minha terra que me
viu nascer..., que me viu crescer, o seu extraordinário património religioso e
humano... sequência física e espiritual curadora, compensadora da ausência
física dos meus insubstituíveis pais... reconhecer os nossos maiores valores,
alguns tantos tão próximos ,cujas vidas não valorizámos e ou relativizámos...
Reencontrar-me afinal com a
nossa riqueza espiritual que vale mais que a vulgar riqueza terrena...
elevar a simplicidade dos
nossos maiores e melhores valores... que em nada devemos secundarizar, antes
priorizar.
O penhor vitalício e
vinculístico de agradecimento à nossa gente, sensibilizando os jovens a não
cometer os nossos erros ... fazer tudo para que sejam felizes... lembrar-lhes
que é na riqueza dos seus pensamentos que se forjará a sua própria saúde e a felicidade única e plena,, impulsionar
sempre e em todas as circunstâncias todos ... jamais noutro local e fora de si próprios... dar o melhor aos nossos jovens, impulsionar
sempre e em todas as circunstâncias todos os contributos válidos para bem do
futuro individual e colectivo da nossa terra.
II - Mas tu não...! porque os outros se compram e se
vendem... mas tu não, senhor...!
porque os outros calculam...mas
tu não... senhora,... Senhora da Graça ... Nossa Senhora da Graça!... em Nisa.
agora e sempre ., sempre ;... sempre com Jesus... Nossa Senhora, senhora,... Senhora da Graça com o senhor ... (por força da intimidade com ele, a mesma
delicadeza de gestos e reacções dele, a mesma bondade, ... o mesmo poder dele,
... o mesmo anonimato dele,... a mesma arte do perdão,... da compreensão,...o mesmo
ser sociável,... agradável ...e relaxante como ele,...a mesma capacidade de
encorajar... o mesmo amor incondicional...um amor incondicional que ultrapassa toda a
lógica, ... como o dele, contra a violência, como ele, vencedora da morte como
ele,... que convidas ao triunfo sobre a morte, como ele,....alcançaste a
imortalidade como ele...que persistes em nos fazer acreditar que a vida
mortal se pode transformar em imortalidade, como ele, senhora,... Senhora da Graça... senhora de toda a graça nossa mãe, Nossa Senhora da Graça ,...advogada
nossa,... milagre de imedia(nisa)ção de todas as horas.... milagre permanente
que não vemos, não agradecemos todos os dias, apesar das evidências.
Que nos dizes, sempre. Sempre, sempre com Jesus ... e como ele... que a vida apesar das agruras, de dos dos
sofrimentos, vale a pena ser vivida...
(...Nossa Senhora.da Graça...íntima de Jesus... esta energia que nos intelegi(nisa) que nos
organiza este traço luminoso... este lastro... esta entidade fluída mas
concreta e viva, que ultrapassa os conceitos de entidade
para nós, mas para todos os nisenses material, próxima, curadora, cuidadora,
uma energia a existir em permanente serviço à nossa terra e a vivific(nisa)ar a
alma nisense. Personalidade e sensibilidade igual à de Cristo... nosso senhor... tal
a intimidade, tão bela, porque nós a
podemos testemunhar, ... samaritana tão íntima tão íntima de Cristo que assumes a sua história... gestos profundos e
sublimes como os dele... os nossos melhores sempre o
reconheceram... enriquecimento permanente
da nossa terra... triste (com) as nossas culpas mas pressuporosa
na imediata media(nisa)ção, justificação, daí a exigência de perspectiva com que nos devemos aproximar
de ti... porque perto d ´ele... a necessidade do silêncio e da nossa melhor
postura de aproximação, adoração e oração, agradecimento por tantos e tão
diversos momentos, dificuldades ultrapassadas: doença, dificuldades,
perdas, incompreensões, calúnias, injustiças, maledicências, erros
nossos,... tantos!).
Motivos suficientes para e por
que os nossos jovens se apressem a fazer o que
nós não fizemos porque a cultura
do novo tempo apesar de maltratada... mostra a verdadeira face dos jovens: um caudal de
generosidade, competência, sentido de luta com melhores armas das que não tivemos,
mais informação, mais liberdade, mais gente para os compreender, para os
considerar indispensáveis à mudança, pelo que tem de melhor..., a alegria,
o amor verdadeiro, a ausência de
preconceitos, o dom da humanidade, do respeito ,do desprendimento, a lealdade, treinar, organizadamente, em grupo de rapazes e raparigas um modo de presença
junto do santuário nas férias e mesmo em convívios, com tempos fortes de oração, coros falados, aproveitando para em
grandes períodos do ano sem prejuízo de
caminhadas , transformar, animar o santuário de modo quási permanente... novas
oportunidades para que a mudança ocorra,
protagonizar a mudança de que são capazes.
Um desafio para todos nós... não só para os jovens, falei neles como exemplo de generosidade!
Juventude na qual, porfiadamente, confiamos... acaso não ficaria bem aos jovens nisenses em grupo acercarem-se da
capelinha (para mim um santuário)?...
Não faz parte de um exercício
de mera abstracção... este animus, esta
alma nisense... que caracteriza o nosso
melhor, ...vossa graça junto do pai... milagre que se repete e que se
esquece,... não agradece,... quando a Senhora da Graça nunca se esquece de nós
como ele... não só graça,... mas milagre... esquecimento nosso versus o amor
vossa media(nisa)ção actual, de ontem ,hoje e sempre.)
Porque os outros se mascaram...
porque os outros têm medo de correr riscos... mas tu não!... mas tu não!... meu sempre bom e respeitado Mário, agregador de pessoas e virtudes, meu caro Mário, cujo abraço chega para todos sem cansaço, mediati(nisa) -se também,
e desde logo, em ti Mário... sem um
queixume, antes a alegria do serviço, o elevar todos mesmo aqueles que como eu
na minha pobreza de ser agigantados por ti... causa próxima... mas que
reporta o milagre espiritual
que se não quer ver a montante... o milagre de toda a graça da
alma nisense, efeito da causa maior que venho relevando que só não será
melhor e superior,.... se não quisermos .
Registo também com agrado e
agradecimento os escritos de uma figura
dos maiores nisenses vivos como é o
autor do belíssimo texto do carteiro da minha terra, registando em letras
preciosas e com a maior justiça a imagem desses nossos carteiros (implicitamente senhores Manuel Carita, João Melato, Maia, José Temudo, Vigora. Qual o melhor? Com toda a sinceridade... são pessoas, profissionais que como eles
nunca mais vi... em todos os aspectos e
envolventes de análise do desempenho pessoal e profissional.
Sempre vosso,
João Castanho
3.7.13
PRAÇA PÚBLICA (II) - Nisa tem (ainda) um Centro Histórico?
Centro Histórico: a poesia das
raízes e a utopia das miragens *
O deslumbramento pelo “moderno”
em oposição aos “antigo” colide, amiúde, com a “poesia das raízes”, traduzida
no viver e crer e sentir” de que falava Herculano no seu estudo “Duas épocas,
dois monumentos ou a Granja Real de Mafra (1843).
Dada a voragem do tempo que
corre e face á prioridade que é concedida a tudo o que começa do zero, em prejuízo
daquilo que já existe, torna-se imperioso opor à “utopia das miragens” o
desejo de reabilitar, vivificando o território herdado, sob o signo da
autenticidade humana, enquanto fundamento primacial dos centros históricos.
Como qualquer árvore, o centro
tem a sua raiz. Constitui o ponto de referência da cidade ou da vila. Se
estiver cuidado e limpo, se for seguro, poderá funcionar como um espelho para
todas as freguesias de cada município.
Em oposição às cidades e ás
vilas, há múltiplas experiências, ditadas por “miragens disruptivas”, que
servem somente para devorar as raízes, ajudando ao despovoamento do centro e ferindo de morte o comércio local, sem esquecer (passe a ironia) o "precioso" legado aos vindouros de montanhas de encargos por liquidar.
Não está em causa a lição de Augusto de Campos, inscrita no seu livro Verso, Reverso e Contraverso, apelando à luta até à morte pelo "novo" em relação ao "antigo" e até à vida pelo "antigo" em relação ao "novo", porquanto "o antigo que foi novo é tão novo como o mais novo".
Do que se trata é de evitar que as vilas e as cidades se destruam na razão directa do que, supostamente, nelas se "constrói" ou "reconstrói". Com efeito, é possível inovar sem perder o sentido do adquirido: basta "casar" a "modernidade" com o "fascínio original" das raízes de cada "árvore-cidade, de cada "árvore-vila", de cada "árvore-pessoa"
* texto de José Miguel Noras -Secretário-Geral dos Municípios com Centro Histórico e ex-presidente da Câmara Municipal de Santarém - 26/2/2008
É urgente travar a morte anunciada do Centro Histórico de Nisa
Na manhã do passado sábado,
voltei a percorrer as ruas do Centro Histórico, na tentativa de captar algumas
imagens relacionadas com os santos populares.As ruas da “Vila” estão cada vez
mais à mercê da indiferença, do desleixo, do abandono, da negligência dos
poderes locais (Câmara e Junta de Freguesia). A degradação, a ruína, a
sujidade, o entaipamento, forçado de edifícios, como “solução” para esconder o
seu interior, o lixo amontoado e a eminência de derrocada, são bem visíveis,
principalmente, na Rua das Adegas (Século), Angola e D. António Lobo da
Silveira. O centro que já foi histórico, mostra evidentes sinais de decadência
e abandono. Este estado lastimável do abandono e "deixa andar" chegou
já, para minha surpresa, à Rua Dr. Graça, uma das principais do núcleo urbano
original da vila de Nisa. Vi ali um cenário indigno: edifícios votados ao mais
completo desleixo, com portas e janelas arrombadas, o lixo e excrementos a
comporem uma imagem degradante, não só e principalmente para os residentes, mas
para todos os visitantes que, na Porta da Vila são "atraídos" pela
beleza deste monumento nacional e "convidados" a visitar os espaços
museológicos existentes no interior do mal amado "centro
histórico".Uma visita que começa logo com o "retrato" de um
edifício em avançado estado de ruína, o antigo forno, adquirido pela autarquia
e que não mereceu, em anos, qualquer operação de consolidação e restauro.Sendo
a própria Câmara a dar o (mau) exemplo, não será de admirar o cenário com que
nos deparamos a cada passo.O Centro Histórico de Nisa esta doente. Definha a
cada dia que passa. Há muito que não há ali investimento, intervenções de fundo
capazes de alterarem a "fisionomia" das casas, das ruas e dos largos.
Aqui e ali vão aparecendo algumas pessoas idosas que resistiram e foram ficando
nos edifícios degradados onde um dia, na lonjura do tempo, construíram os seus
lares e tiveram os seus filhos e cadilhos... O centro, a bastide, a Vila, espera
voltar a fazer História, se os homens que fazem promessas em tempo de eleições,
transformarem a retórica em acções concretas. Os planos e processo burocráticos
complexos em procedimentos simples e exequíveis. A informação, o esclarecimento
e a disponibilização de técnicos, como método de trabalho e de acção em tempo
útil.O Centro Histórico tem, ainda, uma réstia de esperança.
Esperemos que não a
matem, de vez!
Mário Mendes
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