30.7.10

Evocação de Cruz Malpique (I)

Arabescos em Água Corrente – Homo Duplex
O prazer de morrer de alma limpa vale bem a pena de viver de alma suja.
Isso o dizemos todos. Isso se disse, sempre, e em todo a parte.
Mas, ai de nós!, que só por excepção (quase tão rara como as esmeraldas azuis) somos a negação do homo duplex, o tal que vê o bem, que aprova, e se deixa escorregar no plano inclinado do mal, que reprova: video meliora proboque, deteriora sequor.
Ajustar ou não ajustar a letra à caneta, eis o bicudo problema. Levante o braço aquele dos leitores que nunca se deixou escorregar no plano inclinado da alma suja, em favor da alma quimicamente pura, feita de sem medo e sem mancha.
Se, como diz a sagrada teologia, nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus – a Suprema Perfeição – onde está, em cada um de nós, essa imagem e semelhança?
Homem, animal de contradições... É ouvir Bernardim Ribeiro, o da “menina e moça”:
Dentro do meu pensamento
que sento contra o que sento
há tanta contrariedade
vontade contra-vontade.
Cruz Malpique

27.7.10

NISA: No rastro da memória

A Feira de Artesanato e Gastronomia de 1991
"A cor, a música, o artesanato, estão de volta à Praça da República.
Mergulhe no mundo especial daqueles que souberam, melhor do que ninguém, trazer até nós a riqueza e a arte de outrora.
Vá de Barcelos a Lagoa; Dê um pulo a Santarém; Visite São Tomé e Príncipe; Passe pelo Quénia e, sobretudo, : Pare em Nisa!
... Nisa dos alinhavados, da olaria pedrada, das aplicações em feltro!
... Nisa dos xailes de pêlo de cabra, dos bordados, das rendas de bilros, das redes de pesca e de outras maravilhas!
Espere, não pare ainda: deambule um pouco pelos stands das empresas, saboreie o mel, os doces e o queijo de Nisa.
E, se os seus olhos já não puderem reter tanta cor, descanse um pouco. Vá jantar ou petiscar nas tasquinhas; prepare o seu espírito para uma agradável noite de música.
Aproveite a oportunidade de poder visitar uma feira que, de ano para ano, se torna maior e mais viva; uma feira que todos os dias tem diferentes motivos de interesse.
PARA NÓS, É UM PRIVILÉGIO RECEBÊ-LO!"
Assim abria em Nota de Abertura, o programa da Feira de Artesanato, Gastronomia e Outras Actividades Económicas do concelho de Nisa, realizada de 2 a 6 de Agosto de 1991 na Praça da República.
A animação musical trouxe até Nisa, as Majorettes de Azay le Rideau que abriram a Feira juntamente com a banda da Sociedade Musical Nisense, associação que à noite actuou através do Grupo de Música Popular e da Orquestra Ligeira.
Um festival de folclore organizado pelo Rancho da Casa do Povo trouxe até Nisa grupos etnográficos representando algumas regiões do país.
A Banda Juvenil do Município do Gavião, Francisco Ceia e o Rancho Folclórico “Portugal Canta Brasil”, do Rio de Janeiro, integravam o programa de animação musical.

21.7.10

SPORT NISA E BENFICA: 75 anos de vida (I)

Equipa de futebol (Juvenis) -Época 1977-78

O Sport Nisa e Benfica, fundado a 5 de Outubro de 1935 com a designação de Sport Lisboa e Nisa, completa em Outubro, 75 anos de existência.
No Portal de Nisa e em homenagem a atletas, técnicos e dirigentes, iremos divulgar, até à data do aniversário, algumas das fotos de equipas e acontecimentos que contribuíram para a história desta colectividade desportiva nisense.

10.7.10

HISTÓRIA: O Marquês de Nisa no bloqueio de Malta (1798‑1799)

Almirante Marquês de Nisa
Introdução
Há cerca de um ano, no passado dia 2 de Setembro de 2008, em cerimónia pública presidida pelo Presidente da República de Malta, Sr. Dr. Edward Fenesh Adami, teve lugar o descerramento de uma placa evocativa do auxílio prestado pela Esquadra Portuguesa, comandada pelo Marquês de Nisa, à revolta das populações das ilhas de Malta e Gozo, contra a então vigente ocupação francesa.
A cerimónia teve lugar nos “Upper Barracks Gardens” e foi iniciativa de um conjunto de intelectuais de Malta, entre os quais o Dr. Henry Frendo que, na altura, proferiu a palestra “Making Amends with History: a vindication of Maltese‑Portuguese Relations”. Neste evento estiveram presentes, o Embaixador de Portugal, Dr. Russo Dias, um representante da Marinha Portuguesa, o C/Alm. MN Rui Abreu, e muitas personalidades da sociedade local. Os media deram grande cobertura a este acontecimento, que se inseriu nas comemorações do aniversário da revolta pró‑indepêndencia de Malta, que ocorrera há precisamente duzentos e dez anos.
Enquadramento Histórico
Nos fins do séc. XVIII, Portugal era um pequeno Reino com cerca de três milhões de habitantes. A sua capital, Lisboa, com mais de 200.000 habitantes, florescia com o comércio do Brasil, da Índia e das Áfricas, sendo a sede de um importante império colonial. O Brasil, então já com cerca de três milhões de habitantes, de origem portuguesa, africana e indiana, fornecia produtos agrícolas e minérios, designadamente ouro e pedras preciosas.
A liberdade das comunicações marítimas era essencial para o funcionamento desta economia; daí, a importância da Aliança Britânica, com a potência marítima de então, com quem, a 16 de Setembro de 1793, foi assinado um novo tratado de Aliança, reforçando a aliança histórica entre os dois Reinos.
Com a vizinha Espanha existiam problemas de fronteira na América do Sul que foram resolvidas pelos Tratados de Santo Ildefonso (1777) e do Pardo (1778), a que se seguiram vários casamentos entre as Casas Reais de Bragança e de Bourbon. Estas boas relações foram consolidadas com o Tratado de Aliança assinado a 15 de Julho de 1793, pelo qual Portugal se comprometia a apoiar a Espanha, em caso de conflito militar.
Embora Portugal não tivesse declarado guerra à França Revolucionária, por força deste Tratado, envolveu‑se na Campanha do Rossilhão, onde participou uma divisão Portuguesa, com cerca de seis mil homens. Esta campanha, após alguns êxitos iniciais, acabou por correr mal, o que levou a Espanha a fazer a paz com a França, em Basileia, em Junho de 1795, e a tomar, posteriormente, uma posição política pró‑continental, abandonando assim o seu aliado português.
É neste enquadramento de política externa, entre uma França continental e uma Inglaterra marítima, que os interesses coloniais de Portugal levam a privilegiar a Aliança Britânica e a responder favoravelmente a um pedido de apoio naval para colaborar nas operações contra a França no Mediterrâneo.
Napoleão Bonaparte, então jovem general, a pedido das autoridades, comandou as forças militares que repõem a ordem pública em Paris, grangeando muito prestígio e tornando‑se assim politicamente incómodo. Apresentou, então, ao Directório, um projecto de expedição ao Egipto, com o objectivo de uma posterior ligação à Índia, onde grassava uma revolta contra a Inglaterra. A expedição foi prontamente aprovada, partindo de Toulon, com cerca de quarenta mil homens a bordo de mais de duzentos navios mercantes, escoltados pela Esquadra comandada pelo Almirante Brueys, composta por treze naus e quatro fragatas. Em princípios de Junho de 1798, entram em La Valetta, para reabastecer; como os Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, também conhecidos por Cavaleiros de Malta, não autorizassem, Napoleão desembarcou tropas e, a 12 de Junho, conquistou a cidade, onde deixou o General Vaubois com cerca de quatro mil homens. Os derrotados Cavaleiros de Malta foram expulsos para Itália, assim como todos os cidadãos ingleses, russos e portugueses, que viviam naquelas ilhas.
A Marinha Portuguesa nos fins do séc XVIII
Sob a orientação do Ministro Martinho de Melo e Castro, a Marinha Portuguesa vivia, nos finais do séc XVIII, um período de grande expansão. O nosso importante comércio marítimo, aliás, requeria, para o proteger, um adequado poder naval. A Marinha dispunha, então, no Portugal Europeu, de treze naus, dezasseis fragatas, três corvetas, sete bergantins e oito charruas, a que acresciam ainda as forças navais surtas no Brasil e na Índia. Os navios eram modernos, bem armados e tripulados por cerca de catorze mil homens. O serviço da escolta aos comboios, a caça aos piratas do norte de África e algumas expedições, como o apoio ao ataque espanhol a Argel, em 1784, mantinham as guarnições bem treinadas e motivadas. Com estes meios organizavam‑se três forças navais: a Esquadra de Guarda‑Costas, a Esquadra do Estreito, com base em Algeciras ou Gibraltar, e a Esquadra do Mar Oceano, que pairava ao largo dos Açores e protegia a navegação proveniente do Brasil ou da Índia.
Na Marinha Portuguesa, serviam numerosos oficiais ingleses, contratados, que nela tiveram um desenvolvimento de carreira mais rápido do que os seus antigos camaradas, que se mantiveram na “Royal Navy”. Esta aparentemente fútil circunstância, no entanto, esteve na base de algum mal‑estar, de atritos mesmo, com a Esquadra Britânica do Mediterrâneo, pois os captains ingleses não aceitavam ser mais modernos e terem de servir sob as ordens dos seus antigos camaradas. O Almirante Nelson, infelizmente, tomou o partido dos seus comandantes.
O Marquês de Nisa
D. Domingos Xavier de Lima, filho segundo do Marquês de Ponte de Lima, nasceu em 1765. Casou em Lisboa, com pompa e circunstância, em 1790, com sua sobrinha Eugénia Maria, filha única do 6º Marquês de Nisa, 10º Conde da Vidigueira e 10º Almirante do Mar da Índia. O Marquesado de Nisa foi um presente de casamento do Príncipe Regente, a D. Domingos, que assim passou a usar os titulos nobiliárquicos de sua mulher.
D. Domingos cedo ouviu o apelo do mar: em 1781 embarcou como voluntário, na nau “Nossa Senhora do Pilar”, frequentando no ano seguinte a recém‑criada Academia Real de Marinha. Promovido a tenente‑de‑mar, embarcou na nau “Nossa Senhora do Bom Sucesso”, tendo participado na expedição a Argel, como chefe do estado‑maior da força naval portuguesa, composta por duas naus e duas fragatas. O Príncipe Regente, satisfeito com o comportamento desta força, mandou promover ao posto imediato todos os oficiais que participaram na expedição, do que resultou a promoção de D. Domingos a capitão‑tenente, aos vinte anos de idade. Aos vinte e quatro anos, era capitão‑de‑fragata e comandante da fragata “Príncipe do Brasil”, de quarenta peças. Dois anos volvidos, aos vinte e seis anos de idade, era capitão de mar‑e‑guerra e comandante da nau “Vasco da Gama”, de setenta e quatro peças, na qual participou na Esquadra do Canal, de apoio à “Royal Navy”, que operou na Mancha, em 1793 e 1794.
Como voluntário, participou na Campanha do Rossilhão, em terra, onde se notabilizou nas tomadas de Colliure e Sainte Elne, após o que, voltou a Portugal e reingressou na Marinha.
Em Setembro de 1795, era promovido a chefe de divisão, equivalente a comodoro, e nomeado Comandante da Esquadra de Guarda‑Costas, a bordo da nau “Rainha de Portugal”, de setenta e quatro peças. Em Junho de 1797, com trinta e um anos de idade, é promovido a chefe de esquadra, o equivalente a contra‑almirante e nomeado Comandante de uma Esquadra composta por cinco naus e duas fragatas, com a missão de proteger a navegação dos corsários franceses.
Embora jovem, o Marquês de Nisa era um oficial prestigiado, conhecedor da arte e da ciência da navegação e da marinharia, com experiência de combate e de comando, quer ao nível de unidade naval, quer ao nível de força naval.
A Esquadra do Mar Oceano no Mediterrâneo
Em princípios de Maio de 1798, o Marquês de Nisa recebeu ordem para assumir o comando de uma Esquadra, que se destinava a cooperar com a “Royal Navy” no Mar Mediterrâneo, largando de Lisboa com este objectivo a cinco de Maio. Reuniu na Baía de Lagos, as suas forças, a saber:
– Nau “Príncipe Real”, de 90 peças, 948 tripulantes, Comandante Cdro Conde de Puysegur;
– Nau “Rainha de Portugal”, de 74 peças, 605 tripulantes, Comandante Cdro Thomas Stone;
– Nau “Afonso de Albuquerque”, de 64 peças, 576 tripulantes, Comandante Cdro Donald Campbell;
– Nau “S. Sebastião”, de 64 peças, 564 tripulantes, Comandante Cdro Simpson Mitchell;
– Fragata “Benjamim”,de 24 peças, 120 tripulantes, Comandante Cap‑ten George Thompson;
– Bergantim “Falcão”, de 24 peças, 100 tripulantes, Comandante Cap‑ten Miguel Oliveira Pinto.
A treze de Julho, depois de reabastecer, largou a Esquadra de Lagos, após Nisa se ter avistado com o Almirante Jervis, então embarcado ao largo de Cadiz, bloqueando aquele porto. Jervis, deu‑lhe então, instruções, para se juntar ao Almirante Bronte Nelson, seu subordinado, no Mediterrâneo. A Esquadra portuguesa passou ao sul da Córsega, a vinte e seis de Julho, desceu a costa italiana após o que, aproou a Creta e a Alexandria, onde chegou a vinte e sete de Agosto. Em seguida, meteu leme para o sul da Sicília, procurando encontrar Nelson que, no dia um de Agosto, havia surpreendido e destruído a Esquadra de Brueys, na Batalha do Nilo, em Aboukir. Em dezoito de Setembro, foram recebidas instruções escritas de Nelson, transmitidas pelo bergantim “Flora”, para bloquer a ilha de Malta, que se encontrava próxima, o que Nisa inicia logo no dia seguinte.
O primeiro período de bloqueio termina a vinte e seis de Outubro, largando, então, a Esquadra Portuguesa para Nápoles. Segue‑se a expedição a Liorne e, quando do ataque francês a Nápoles, a ingrata tarefa de destruir os navios napolitanos surtos no porto, para evitar a sua queda em mãos francesas, e a retirada para a Sicília. Posteriormente, os navios são utilizados, cada um de per si, em diversas tarefas, após o que, participam na reconquista da cidade de Nápoles, bloqueando a costa, ocupando ilhas e desembarcando tropas para atacar as guarnições francesas de alguns fortes.
Não existiam relações diplomáticas entre o Reino de Portugal e as Regências de Argel, Tunis e Tripoli, em cujos portos estavam baseados numerosos navios corsários que atacavam, com frequência, a navegação mercante portuguesa. Contudo, existia um tratado de paz entre o Reino Unido e aquelas Regências. O Marquês de Nisa sugeriu, então, a Nelson o envio da nau “Afonso de Albuquerque” a Tripoli, com a dupla missão de eliminar a influência francesa e negociar uma trégua com Portugal. Em Maio de 1799, depois de um curto bloqueio à cidade, são estabelecidas negociações que tiveram total sucesso; ficou assegurada a paz entre a Regência de Tripoli e o Reino de Portugal e foi eliminada a presença francesa, embarcando o consul os cidadãos franceses, ali residentes, a bordo da nau portuguesa. O sucesso alcançado, em Tripoli, levou o Marquês de Nisa a propor a Nelson uma acção semelhante em Tunis. Como não houvesse, na altura, um navio português disponivel, Nelson cedeu o brulote “Stromboli” onde embarcou o Capitão‑de‑mar‑e‑guerra Rodrigo Pinto Guedes, chefe do estado‑maior da Esquadra Portuguesa que, em Novembro de 1799, se deslocou a Tunis e negociou, com sucesso, um acordo de paz entre o Reino de Portugal e aquela Regência.
Em vinte e cinco de Agosto, Nelson designa, de novo, o Marquês de Nisa, para o bloqueio da ilha de Malta. Em nove de Outubro, contudo, o bergantim “Gaivota do Mar” trouxe ordens de Lisboa para dar por terminada a missão e regressar. O Marquês de Nisa porém, foi sensível aos pedidos instantes de Nelson para não abandonar Malta sem ser rendido, o que só veio a acontecer a treze de Dezembro. Depois de reabastecer e proceder a algumas reparações, em Palermo, Nisa inicia então, o regresso a Lisboa, a doze de Fevereiro, entrando a barra do Tejo em fins de Abril de 1800. Vejamos, então, mais em pormenor, o que se passou em Malta.
O Bloqueio de Malta (I período)
Como já anteriormente referido, a revolta da população de Malta contra a ocupação francesa ocorreu a dois de Setembro de 1798. De imediato, são enviadas cartas ao Rei das Duas Sicílias (ou de Nápoles) e a Nelson, pedindo auxílio em armas, munições, provisões e apoio militar. Os malteses, de uma população de cerca de cem mil habitantes, levantaram mais de dez mil voluntários, mas escasseava o armamento, a disciplina era fraca e faltavam conhecimentos militares. A situação militar era muito difícil, face às sortidas francesas, de mais de quinhentos soldados, provenientes dos fortes de La Valletta, onde se abrigavam.
A chegada da Esquadra Portuguesa, a dezanove de Setembro, teve grande importância psicológica, animando as forças maltesas que puseram cerco à cidade. Nisa recebe representantes de Malta e de Gozo, a quem promete apoio, cede‑lhes quinhentos mosquetes e vários barris de pólvora e desembarca o Cap‑ten António Gonçalves Pereira e vinte artilheiros para servirem em terra, junto dos malteses. De imediato estabelece um rigoroso bloqueio ao porto de La Valletta, onde se abrigavam a nau “Guillaume Tell” e as fragatas “Justice” e “Diane”, que haviam logrado escapar de Abukir. Em seguida, escreve uma carta ao General Vaubois, que intima a render‑se, mas que não tem resposta positiva.
Em vinte e seis de Outubro, após ter sido substituído pelo Captain Alexander Ball, Nisa retira‑se para Nápoles, para reabastecer. Em terra, a pedido dos malteses, deixou o Cap‑ten Gonçalves Pereira e mais alguns homens. Neste período foi mantido um rigoroso bloqueio a La Valletta, tendo sido apresados nove navios ou embarcações. De notar que, dois dias após a partida da Esquadra Portuguesa, a vinte e oito de Outubro, a guarnição francesa de Gozo se rendeu.
O Bloqueio de Malta (II período)
Em vinte e cinco de Agosto de 1799, Nelson nomeia, de novo, Nisa para assegurar o bloqueio de Malta. Desta vez, para além das unidades portuguesas, Nisa dispõe de três naus britânicas: “Alexander”, “Audacious” e “Lion”, todas de 74 peças. O Captain Ball, autorizado por Nelson, entregou o comando do navio ao seu Imediato e desembarcou, assumindo as funções de Comandante das Operações Terrestres, sem ficar subordinado a Nisa, como seria razoável.
Um rigoroso bloqueio a La Valletta é de novo instaurado e são desembarcados cerca de trezentos e cinquenta homens, de infantaria e de artilharia, comandados pelo já atrás citado Cap‑ten Gonçalves Pereira, que colaboram com as tropas de Malta e do Reino de Nápoles nas operações de cerco. Registam‑se diversas baixas, em combate ou por acidente, existindo referências, nos cemitérios de Tarxien e de Zejtung, à presença, entre outros, de Emmanuelle Francisco, Gonçalves Braga, Giochino Pereira e Johannes Silva, nomes que indiciam a presença portuguesa.
Em nove de Setembro é feita nova intimação de rendição ao General Vaubois, que é polidamente recusada.
Em nove de Outubro, como já atrás referido, chega o bergantim “Gaivota do Mar”, com despachos assinados a vinte sete de Julho e a um de Setembro, determinando o regresso imediato da Esquadra a Lisboa.
O Marquês de Nisa foi sensível aos aflitivos pedidos de Nelson e dos dirigentes malteses, tendo protelado por mais de dois meses, a execução das ordens recebidas de Lisboa. Com efeito, só após o desembarque de dois regimentos britânicos, vindos de Messina, é que reembarcou, a dez de Dezembro, a sua força de desembarque, largando de Malta a treze, após ter sido rendido pelo Comodore Troubridge. O “Congresso do Povo Maltês” enviou, nessa ocasião, a seguinte carta ao Marquês de Nisa:
“... são inumeráveis os motivos de agradecimento que esta fiel nação humildemente protesta a Vossa Excelência, com todo o respeito; ela renova este dever do seu reconhecimento e com unânime deliberação, o Congresso dos seus Representantes lhe envia quatro deputados, para exprimirem, a Vossa Excelência, os seus internos sentimentos...”
Conclusão
O auxílio prestado pelo Marquês de Nisa aos malteses, no início da revolta, quando poderiam ter sido presa fácil do exército regular francês, foi certamente determinante no sucesso daquela empresa. Por outro lado, ao não dar cumprimento imediato às ordens recebidas de Lisboa, mantendo‑se sob as ordens de Nelson, por mais cerca de dois meses, Nisa permitiu evitar uma quebra no bloqueio e um eventual reabastecimento das forças francesas.
Nos dois períodos em que comandou o bloqueio de Malta, Nisa e a sua força naval mostraram sempre grande determinação no cumprimento da missão: nenhum navio entrou ou saiu de La Valletta sem ser interceptado e inspeccionado, tendo sido feitos diversos apresamentos. A Esquadra Portuguesa concorreu assim, de modo significativo, para o sucesso aliado em Malta, e para a posterior rendição do General Claude‑Henri Vaubois.
O Marquês de Nisa mereceu, sem dúvida, as palavras de Nelson, algo avaro em elogios...
“A conduta de Vossa Excelência grangeou‑vos o amor e a estima do Governor Ball, de todos os oficiais e marinheiros Ingleses e de todo o povo maltês; e permita‑me que junte o nome de Nelson, como um dos vossos mais ardentes admiradores, quer como oficial, quer como amigo.”
Vice almirante Alexandre da Fonseca*
*Licenciado em Ciências Sociais e Políticas (ISCSP). Editor e director da publicação bimestral “Revista de Marinha”. É membro activo da Academia de Marinha, Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

6.7.10

NISA: Assembleia Municipal contra portagens na A23

Recentemente, contrariando a filosofia original de promover a acessibilidade ao interior e, assim, facilitar o seu desenvolvimento, tem estado no centro do debate político nacional a instalação de pagamento na utilização de auto-estradas SCUT.
A vingarem as perspectivas mais radicais, também será abrangida por esta medida a A23, auto-estrada que constitui o percurso natural de deslocação de Nisa para Lisboa e todo o Litoral Centro e Norte do País.
Tendo em conta que os indicadores de desenvolvimento socioeconómico da região são inferiores á media nacional, e entendermos ser da mais elementar justiça a coesão territorial, sendo que esta só é real se por parte do estado, for mantida uma descriminação positiva, de forma a contrariar o êxodo das populações para o litoral.
As populações do Concelho de Nisa, Distrito de Portalegre, Beira Baixa e Médio Tejo, irão sofrer um grave atentado ao seu desenvolvimento regional, pois não tenhamos a menor dúvida que a A23 foi, e é, uma via estruturante que contribui para aproximar as populações e para, através de uma evidente melhoria da mobilidade rodoviária, se fixem novas empresas em diversas localidades da região.
Decorrendo do exposto, a Assembleia Municipal de Nisa reunida em Sessão Ordinária no passado dia 28 de Junho de 2010, manifestou por unanimidade e entendeu fazer chegar com carácter de urgência ao governo e outros órgãos de soberania, toda a sua discordância com a decisão do governo em colocar portagens na A23, entendendo que a mesma deverá ser suspensa, manifestando também toda a solidariedade para com as autarquias e movimentos de cidadãos que têm vindo a contestar esta já previsível decisão do Governo.
Nisa, 28 de Junho de 2010

5.7.10

A verdade e a mentira sobre uma inqualificável manipulação de acta

Carta apresentada na sessão da Assembleia Municipal de 28/6/2010
"Exmos senhores presidente e eleitos da Assembleia Municipal de Nisa
No dia 28 de Dezembro trouxe ao conhecimento deste órgão do município, a forma prepotente e desrespeitosa como a presidente da Câmara tinha tratado um órgão de comunicação social regional.
Li em voz alta um documento no qual explicava todo o processo de pedido e aceitação de uma entrevista à edil Gabriela Tsukamoto, a aceitação e marcação da data da entrevista e por último, a falta da mesma eleita a um acto com data e hora por ela marcado. Falei também das diligências efectuadas posteriormente para que a entrevista se efectuasse, tendo, inclusive, enviado as perguntas por e-mail e solicitado a sua resposta pela mesma via, esperançado de que seria possível, desta forma, ultrapassar o diferendo colocado pela falta de cumprimento da presidente da Câmara.
Após a leitura do documento e face à reacção intempestiva e mal-educada da presidente da Câmara, pretendi intervir novamente, o que me foi negado pelo presidente da AM, e que me levou, acto contínuo, a abandonar a sala. Foi isto que se passou na referida sessão de 28/12/2009.
Muito diferente daquilo que foi escrito e aprovado na acta respeitante a essa sessão, onde se escreve no Ponto Nº 11 - Intervenção de Munícipes, e passo a citar:
“ O Dr. Mário Oliveira Mendes, de Nisa, apresentou um documento por si elaborado e que vai ficar arquivado em pasta anexa à presente Acta, relativo a diversas questões que colocou à Câmara Municipal e sobre o qual não obteve qualquer resposta até hoje. Era sua intenção proceder, aqui e hoje, à leitura do dito documento, mas o Presidente da Mesa da Assembleia Municipal não o autorizou a tal, uma vez que do mesmo já tinha enviado, previamente, uma cópia a cada um dos eleitos deste órgão. Não concordando com esta tomada de atitude por parte do Presidente da Mesa, o Dr. Mário Mendes retirou-se da sala, visivelmente agastado, chamando de mentirosa à Presidente da Câmara e referindo que era a última vez que aqui vinha.”
Face à mentira e manipulação constante desta acta, o visado, quer esclarecer o seguinte:
1 – Contrariamente ao descrito na acta, li o documento em voz alta, documento esse que, também e contrariamente ao que escreveu quem elaborou a acta, não tratava de diversas questões, mas tão só de uma: a falta de resposta e o desrespeito manifestado pelo titular da presidência da Câmara, a um órgão de comunicação social, “O Distrito de Portalegre”, por mim representado, entrevista essa que a própria tinha acordado.Mais, o elaborador da acta, num acto vergonhoso de manipulação, escondeu o principal conteúdo do documento (revolta e indignação perante os factos ocorridos), destacando, antes, mentindo, o que não disse e que consta do ponto seguinte.
2 - Em momento algum chamei mentirosa à presidente da Câmara. As sessões da Assembleia são gravadas e pelo direito à dignidade e ao bom nome, solicito que as mesmas sejam disponibilizadas e ouvidas pelos eleitos para que verifiquem por si mesmos o alcance de tão vergonhosa como grosseira manipulação que, neste caso, atinge a esfera da calúnia.
3 – O restabelecimento da verdade já não repara os danos morais que a acta provocou, ao ser divulgada ao longo de todo este tempo, no bom estilo dos seguidores de Goebbels: “uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade”.
4 – Face ao que deixo exposto, solicito, que a referida acta seja reformulada, no respeito pela verdade do que afirmei na citada sessão da AM e rejeitando, firmemente, uma insidiosa manobra de manipulação que visou colocar na minha boca expressões de calúnia e de difamação que não utilizei."Nisa, 28 de Junho de 2010Mário Mendes

4.7.10

NISA: MEMÓRIA(S) AUTÁRQUICA(S) - 1

Duas lembranças em forma de letra
(Proposta apresentada e aprovada por unanimidade na sessão da Assembleia Municipal de Nisa em 28 de Dezembro de 1995)
Tem o Município de Nisa, no âmbito da sua actividade cultural, procurado passar á estampa, algumas das obras mais significativas de conhecidos nisenses, numa acção editorial que não será demais salientar, embora sem a regularidade que esse tipo de investimento, a meu ver, justificaria.
Para o ano que se anuncia (1996) permito-me lembrar ao executivo municipal:
a) A “dívida”, que vamos acumulando, sobre a falta de divulgação da vida e obra de António Louro Carrilho e de José António Vitorino (ti Zé do Santo);
b) A necessidade de levantamento e posterior proposta de um plano de edições / reedições municipais contemplando as diversas áreas do saber.
Aqui e agora, por que injustamente esquecido, trago à lembrança um “livrinho” publicado no distante ano de 1942, da autoria de José Gomes Correia, um nisense já falecido e que em “Sombras que morrem, sonhos que ficam”, título do livro em referência, nos deixou um legado de poesia cristalina, sentida e bairrista (são exemplos os sonetos “Senhora da Graça” e/ou “À minha terra”) e que se torna sublime, quando, em “Meu Alentejo...” faz “renascer” Florbela, a grande poetisa alentejana.
O livro tem a edição esgotada desde há muitos anos.
Reeditá-lo, mais do que uma medida inteligente é um acto de cultura, neste caso, inquestionável.
O proponente - Mário Mendes

3.7.10

POETAS POPULARES DO ALENTEJO


Barro vermelho de Abril


Barro incerto do presente
Vai moldar-te a mão do povo
Vai dar-te forma diferente
P´ra que sejas barro novo!

A Olaria Alentejana
É de todas a mais bela,
Da mais trabalhada à mais singela
Vai ao palácio e à cabana
É conhecida a tua fama
Dos oleiros és expoente
És tudo o que o povo sente;
Tu és graça e solidez
És símbolo bem português
Barro incerto do presente

O trabalhador rural
Que anda com o corpo aos tombos
Cozinha em panela de Redondo
De norte a sul de Portugal,
Na aldeia ou na capital,
Tanto o velho como o novo
Cozinha no mesmo fogo
Barro de diversas cores,
Peças rústicas ou com flores
Vai moldar-te a mão do povo.

Tanta arte o oleiro pôs
Em obras de grande valor
Feitas com gosto e amor,
Tais como os bonecos de Estremoz
Trabalhos que o artista compôs
De maneira inteligente,
Tal como os vê e os sente
Abril amassou a revolução,
Que te alegra o coração
Vai dar-te forma diferente.

Barro com o suor do rosto amassado
Trabalho e canseiras mil
És mais vermelho em Abril,
Oleiro o teu filho fardado
Fizeste o barro molhado,
Pois foi esse homem do povo
Herói que admiro e louvo
Foi ele que afastou o perigo
Foi esse soldado amigo
P´ra que sejas barro novo!

José António Banha
- Décimas do I Encontro Regional de Olaria do Alto Alentejo
- Vila Viçosa: 4 a 15 de Junho de 1981

2.7.10

EVOCAÇÃO: O meu Avô Chaves, da honra ao carácter.

O meu Avô Chaves , como era conhecido em Nisa , era uma pessoa extraordinária como poucas mais vi no meu deambular por este mundo .
Filho como eu de Maria Augusta, porventura nome adequado à pessoa de sua mãe, como eu igualmente filho de Maria Augusta, sua filha, minha santíssima Mãe,por quem não há dia nenhum que não lembre , não chore a sua falta , não soluce como no dia da sua morte,bem como meu querido pai Joaquim Maria Castanho ( pedreiro ) cuja bondade , compreensão, amizade infinitas sempre louvarei.
Pois o meu avô Chaves , oriundo das terras de Viseu (nunca perdeu o sotaque característico apesar de tantos anos no Alentejo, e para quem minha mãe era tudo (e vive versa ), reformado da GNR, que tinha no Dr. António Granja, essa figura ímpar de médico e ser humano, um grande amigo (respeitavam-se profundamente ), era titular de uma medalha e louvor escrito da distinção de honra ao mérito, atribuída pelo Ministro da Tutela ao tempo, por ter salvo a vida de uma criança da investida de um touro bravo no Ribatejo, não hesitando em cobri-lo com o seu corpo com grave risco da sua própria vida, acabando por sofrer uma investida do touro que lhe perfurou o rosto (doc. que possuo mas que não consegui localizar hoje para aqui transcrever ).
Esse valente era o meu Avô Chaves aquele mesmo homem de uma integridade moral e nobreza sem limites que o levou a ser procurado desesperadamente em Nisa, na Ribeira do Porto de Arês ( creio ), onde pescava, para prestar testemunho abonatório de um grande amigo, seu antigo Comandante, preso por razões políticas, e a ser julgado no Tribunal Plenário de então.
Podia lá meu Avô faltar com a ajuda a esse seu grande amigo, e prestando depoimento perante as blagues de um ronceiro senhor Juiz Conselheiro, o meu Avô olhou-o fixamente uns instantes, com o seu olhar cortante, ( ... “o senhor também é militar” ... lembrava o conselheiro, a amedrontar a testemunha ), e repetiu mais alto e ainda de forma mais audível e mais uma vez , para nada mais acrescentar, o extraordinário depoimento que já levava consigo, em respeito e defesa de um amigo, seu saudoso comandante, a quem competia naturalmente ajudar.
Afundou-se na cadeira e calou-se o afadigado Juiz Conselheiro sem mais vontade para brincadeiras.

Nisa - Porta de Montalvão (1957
É que meu Avô gostava pouco de brincadeiras com coisas sérias, a esses ele ridicularizava com a maior das facilidades.
Por fim e para sua desgraça o meu Avô, vejam lá... tornou-se amigo de um senhor inglês que costumava passear com ele como uma sombra (o Senhor Parkinson), e conhecendo nós a anedota, exagerada claro, de um determinado político não poder ganhar as eleições para PR por causa de ser uma pessoa de certa idade e ter dois grandes amigos (um inglês Parkinson e outro alemão Alzheimer, o homem até parece que não tem isso...) vejam lá o drama e sofrimento deste meu avô, de ter esse tal inglês um tal Parkinson como amigo inseparável, e não é que um dia sorrateiramente também como uma sombra se faz meu amigo, e não me deixa nem de dia nem de noite....
Oh Avô... e dizia a mãe que eu era o neto que me identificava mais contigo, perdoem-me o meu irmão e primos o exagero, mas esse tal de Parkinson, nosso amigo comum com João Paulo II, é mesmo um mal ou doença muito perturbadores.
O que não é concerteza exagero é a tua subida honra ao carácter ser mais ajustada que a honra ao mérito que te foi atribuída, e que te queria entregar, com todo o amor de um neto, perante a grandeza de tal homem, com tal carácter.
João Castanho

1.7.10

Ricardo Mateus: Novo título nacional

O atleta nisense, Ricardo Mateus, em representação do Sporting Clube de Portugal, conquistou no passado fim-de-semana o título de campeão nacional dos 5 mil metros no escalão Sub 23.
Há 15 dias, Ricardo Mateus tinha ajudado o Sporting, a vencer o campeonato nacional de clubes (I Divisão) com uma vitória nos 3 mil metros.
Em boa forma no final da época desportiva, Ricardo Mateus promete uma nova época ainda com melhores resultados, uma vez que já venceu o período de adaptação às exigências da alta competição.
Para o atleta nisense, Ricardo Mateus, endereçamos os votos de uma temporada “atlética” em grande, confirmando as expectativas que fizeram dele um corredor de eleição.

30.6.10

PONTÁ BITÉFES - Quando a razão se sobrepõe à cegueira

O portão metálico instalado, indevidamente, no caminho público de acesso ao rio Tejo em Amieira foi retirado, de acordo com informação prestada pelo presidente da Junta, Rogério Dias, na sessão da Assembleia Municipal de 28 de Junho.
A decisão só peca por tardia, depois da denúncia sobre a colocação abusiva de tal estrutura ter chegado à Assembleia Municipal. Cumpre-se, assim, uma recomendação da mesma, evitando-se que o assunto transitasse para o Ministério Público.
Acredito que a colocação da estrutura metálica tivesse uma boa intenção e longe de mim pensar que o presidente da Junta de Freguesia de Amieira do Tejo agiu de má fé. Cumpria-lhe preservar um bem público, o barco para a travessia do rio e propriedade da autarquia, só que, talvez por desconhecimento, ao pretender resolver um problema (a segurança de um bem colectivo) criou um outro, ao limitar e impedir nalguns casos, o acesso público ao rio.
O Tejo é património da humanidade. Aprendemos todos na primária que nasce na serra de Albarracin em Espanha e para nós, nisenses, alentejanos e portugueses, já nos bastam as "tropelias" que nuestros hermanos cometem sobre o rio, uma das quais, a mais grave, é o sugamento das suas águas através de transvases, muitos deles ilegais e sem qualquer controlo.
Andou bem, por isso, a Junta de Freguesia de Amieira do Tejo e o seu presidente, ao reconhecerem a justeza de uma denúncia e crítica sobre um acto ilegal, repondo a livre passagem de acesso ao rio.
Bom seria que outros autarcas de freguesia do concelho e o próprio de Amieira do Tejo, tomassem a mesma atitude em relação aos caminhos vicinais públicos, um dos problemas mais graves existentes no nosso concelho, no que se refere à usurpação e vedação de parcelas do território que são de todos.
Quando o bom senso e o uso da razão se sobrepõem à "cegueira política" é possível resolver problemas para o bem de toda a comunidade.
Amieira do Tejo fica mais rica sem "o muro metálico" de acesso ao rio.
É que, para "guetos", já nos bastam os da Faixa de Gaza...
Mário Mendes

15.6.10

Marchas populares evocaram o Santo António






Realizaram-se em Nisa nos dias 11,12 e 13 de Junho, as populares festas em honra de Santo António. Um programa variado que integrou manifestações profanas e religiosas, música e muita animação e que teve o seu ponto alto com o desfile da Marcha Popular de Santo António, no domingo.

Crianças e adultos saíram à rua, com arquinhos e balões, a darem ainda mais graça e colorido aos tradicionais trajes de Nisa, animando a vila e lembrando que é mês dos santos populares.


29.5.10

IN MEMORIAN: Luz e trevas em Heysel Park



Passam hoje, 29 de Maio, 25 anos sobre a tragédia no Heysel Park. Disputava-se o jogo da final da Taça dos Campeões Europeus, entre o Liverpool e a Juventus, quando um grupo de “hooligans” ingleses desencadearam um espiral de violência que culminou na morte de 39 espectadores, entre os quais 32 adeptos italianos.
Em 1988, três anos após a tragédia do Heysel Park, escrevi e publiquei em diversos jornais, este texto evocativo e de homenagem às vítimas da violência no desporto.
Eram não sei quantos mil, naquele fim de tarde luminoso, no estádio de Heysel, em Bruxelas.
Estou a vê-los, como se fosse ontem: bandeiras multicolores, rubras na sua maioria, empunhadas por jovens de corpos agitados, delirantes, olhos esbugalhados e vozes roucas.
Entoavam cânticos, como os guerreiros antes da batalha, num ritual próprio das grandes finais.
Eram não sei quantos mil em Heysel Park.
Estavam ali, vindos da Grã-Bretanha e da Itália, gritando pelos “reds” e pela “juve” num jogo de futebol que, como tantos outros, deveria ser sinónimo de festa, alegria, participação...
Eram não sei quantos mil em Heysel Park, esperando o apito do árbitro, o início do “match” ou, simplesmente, o fim de todas as angústias.
Pressente-se no ar um bafo de terror. Mas, não. É apenas um jogo de futebol, entre campeões, num fim de tarde de Primavera.
A relva verde e viva da terra de Balduíno, flamengos e valões é um enorme tapete de esperança, que não deixa adivinhar a tragédia iminente.
De repente, como um vulcão irrompendo, a violência explode. São cenas de terror, de barbárie, animalescas, projectadas para todo o mundo através da televisão.
O sangue, a morte, a irracionalidade à solta, a tingirem de surpresa e vergonha, como punhais cravados, os écrans da nossa impotência...
O jogo pára e recomeça, indiferente às vítimas que tombam. O espectáculo televisivo também. Há outros jogos, de milhões, em disputa.
O que era suposto ser festa, convívio, vibração, transformara-se, num ápice no “circo romano”.
A violência, a dor e a morte, a brutalidade dos novos bárbaros modernos é ali exaltada, “ao vivo”, como se fora um concerto de “heavy metal” com milhões de (tele) espectadores.
Eram não sei quantos mil no estádio do Heysel, em Maio de 1985.
A relva verde esperança do chão belga que se oferecia como palco do encontro entre campeões, foi subitamente manchada, agredida, violada e pela Primavera, ao anoitecer, ainda se ouvem os gritos dos infelizes perseguidos pela “horda dos monstros”, ecoando como súplicas lancinantes, desesperadas...
Eram não sei quantos mil em Heysel Park. Faz hoje 25 anos. Para que a memória não esqueça e a tragédia não se repita!
Nunca mais!
Mário Mendes

24.5.10

ALPALHÃO: Novo Empreendimento de Turismo de Natureza




Apresentação do Projecto “MONTE FILIPE HOTEL & SPA”
No dia 30 de Maio pelas 15H30, ocorrerá no Complexo Termal de Nisa a apresentação do projecto do Monte Filipe Hotel & SPA, unidade hoteleira a construir em Alpalhão, com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Nisa e do empreendedor do projecto.
A nova unidade hoteleira a implantar no Monte Filipe, Alpalhão, concelho de Nisa, é um empreendimento classificado como Hotel de 4 Estrelas, e o projecto obteve já parecer favorável do Turismo de Portugal.
O Monte Filipe Hotel & SPA, após a entrada em funcionamento aderirá à Associação de Hotelaria da região e integrará a Naturtejo – EIM, gestora do Geoparque, permitindo-lhe beneficiar de uma estratégia de promoção integrada. O promotor do projecto tem como objectivo o reconhecimento da unidade como “Empreendimento Turístico de Natureza” pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade. Na memória descritiva é referido que o projecto contempla os critérios legalmente previsto para a obtenção dessa classificação, visto inserir-se numa área com valores naturais, potenciando a visitação de áreas naturais, o desporto de natureza e a interpretação ambiental.
O Monte Filipe Hotel & SPA localizar-se-á a menos de 5 Km do Complexo Termal da Fadagosa - o principal equipamento turístico da região, recentemente inaugurado, reconhecido pelas características medicinais das suas águas. A vertente saúde ficou assim reforçada, complementando as vertentes já existentes no Município e consagradas ao longo dos anos: - artesanato, com destaque para a olaria, bordados e rendas; - produtos alimentares, queijo, enchidos e mel; - património natural, o que justificou a adesão ao Geoparque Naturtejo – primeiro Geoparque português.
O edifício que acolherá a unidade hoteleira resulta de um entendimento e estudo das potencialidades e especificidades de terreno e de toda a envolvente e de uma procura de diálogo formando um todo harmonioso. O edifício terá 3 pisos: - Na cave tem lugar o Spa com 4 gabinetes para massagens, tratamentos de beleza e bem-estar, sauna, banhos turcos, jacuzzi, piscina interior e exterior biológica; - No rés do chão localizam-se as zonas de recepção/atendimento, restaurante,,sala de formação e convenções,; loja de artesanato, instalções sanitárias, quartos, cozinha, zonas de serviços, armazenagem e áreas técnicas; - No piso 1 localiza-se a unidade de alojamento com 50 quartos - 48 quartos duplos, 2 quartos preparados para pessoas de mobilidade condicionada , 2 suites. A capacidade máxima da unidade é de 100 pessoas
O tratamento dos espaços verdes e espaços exteriores pretende valorizar as áreas e incluí-las num todo estruturado e coerente. Procura-se a funcionalidade, conforto e versatilidade nos espaços públicos. O mobiliário urbano e equipamentos terão urbanidade e design de qualidade. A estrutura pedonal assegurará os melhores parâmetros de mobilidade e acessibilidade. A valorização da estrutura verde contribuirá para a preservação da fauna, flora e geologia local. A área destinada ao estacionamento contempla 1 lugar para veículos de transporte colectivo e 51 lugares individuais, 3 dos quais destinados a pessoas com mobilidade condicionada.

10.5.10

NISA: Terra de Fenómenos

UM ESPARGO CAMPEÃO!
No mesmo dia em que o Benfica se tornou campeão nacional e fez a festa em todo o país, no mundo e principalmente no "Marquês", este homem, com Marquês no nome conseguiu um "feito" digno de registo: encontrou e colheu um espargo selvagem (só no nome, porque continua a fazer as delícias gastronómicas de muitos nisenses e não só) com a envergadura que a imagem documenta. Querem saber a medida? Então aí vai: um metro e setenta e três centímetros (1,73m) medidos a rigor.
Francisco da Graça Marquês, um nisense duplamente feliz, mostrou com orgulho o fruto da sua "pesquisa" e perspicácia. No domingo, na Sociedade Artística Nisense ostentou, orgulhosamente, o seu trofeú, enquanto a 200 quilómetros, 64 mil benfiquistas rejubilavam com a conquista do título.
Como apregoam os cauteleiros: há dias felizes!
E este foi, seguramente, para um dos Marqueses de Nisa, um dia para recordar e partilhar.
Viva o Benfica!
Mário Mendes

... E o Glorioso foi CAMPEÃO!















Foi um título há muito aguardado e festejado efusivamente em Nisa, tal como as imagens demonstram. Venham mais títulos! Viva o Glorioso, SLB!

8.5.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (17)

Continuação e conclusão da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 17/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
Qual é a política autárquica relacionada com o património cultural e natural?
Vejamos quais foram neste aspecto, e adentro dos critérios que temos seguido, as promessas, propostas ou compromissos políticos de cada um dos partidos/coligações candidatos à Presidência da Câmara de Nisa nas recentes eleições autárquicas, 11 de Outubro. Não comentaremos aqui e agora, ficará ao critério do leitor, que poderá eventualmente confrontar com o que foi escrito atrás.
Bloco de Esquerda
No documento informativo distribuído aos eleitores – juntar forças - os assuntos estão titulados. Retiramos de “Cultura e Património”:
“requalificar e revitalizar os Centros Históricos do Concelho;”
“reabilitar e revitalizar todo o património arqueológico/monumental colocando-o ao serviço da população e visitantes.”
De “Ambiente”:
“Implementar os circuitos pedestres, nas freguesias onde não existem (Espírito Santo, N. ª Sr.ª da Graça, Alpalhão e Tolosa);”
“Defesa da floresta, apostando na sua diversidade e combatendo a monocultura do eucalipto;” E de “Não à exploração do urânio”:
“Exigimos a requalificação ambiental das minas que existem no concelho: Nisa e Tolosa, a exemplo do que foi feito noutras regiões uraníferas.”
CDS-PP (Partido do Centro Democrático e Social – Partido Popular)
Numa pequena folha volante pode ler-se:
“Teremos uma atenção especial para o turismo e para as nossas riquezas gastronómicas, tradicionais, culturais e artesanais pois, no entender do CDS/PP, são uma aposta para desenvolver e publicitar a nossa terra.”
CDU – PCP-PEV (Coligação Democrática Unitária - Partido Comunista Português e Partido Ecologista “Os Verdes”)
Do discurso proferido na apresentação de candidatura da cabeça de lista, cujo documento escrito se subordina a títulos, transcrevemos:
“Cultura”:
“Na Cultura temos trabalho feito, confirmado no Museu do Bordado e do Barro, o artesanato é a nossa identidade e a nossa cultura …”
“Apostamos na diversificação da actividade cultural, que terá de ser cada vez maior e com mais oferta, para aqueles que nos visitam e que querem estar connosco. Realço, ainda, a construção do projecto do Centro de Artes, já aprovado pela Câmara Municipal.”
“Urbanismo”:
“Existem projectos que deverão ser continuados, nomeadamente na Devesa e Cevadeira em Nisa ou no Centro Histórico …”
“O centro histórico de Nisa tem um projecto que neste momento já está concluído …”
“Desenvolvimento Económico e Social”:
“- A valorização do Património natural com o investimento no âmbito do Geoparque através da cooperação transfronteiriça com a construção de cais no Tejo …”
“Serviços Municipais”:
“ …. Temos obras para fazer no Hospital Velho e o Arquivo Municipal, que vai em breve iniciar as suas obras.”
PS (Partido Socialista)
Do “manifesto eleitoral” copiamos :
Do título “Melhor apoio social mais, solidariedade, melhor qualidade de vida”:
“Reabilitar o parque habitacional (fazendo intervenções nos prédios mais degradados do concelho e menos infraestruturados, nomeadamente no Centro Histórico de Nisa …”
“Melhorar arruamentos e acessos e corrigir certos pormenores em algumas obras já realizadas – ex.: Rua Júlio Basso, Praça da República em Nisa (…), Rua da Igreja e envolventes, em Tolosa ….”
E do assunto “Mais desenvolvimento, mais emprego, mais pessoas”:
“Imortalizar estas artes [artesanato] … alindamento da Praça da República e das Rotundas, com esculturas e outros símbolos representativos dos barros, dos feltros, dos bordados e alinhavados, bem como dando nomes às Ruas que deles estão a precisar, alusivos a estes temas – ex.: Rua da Bordadeira, Rua do Oleiro, Rua do Emigrante, etc.”
“Inventariar todo o património arquitectónico e arqueológico relevante procedendo a obras de requalificação e valorização de protocolos com Instituições Religiosas e o Ministério da Cultura;”
“Criar um Roteiro Turístico do concelho;”
“Criar eventos temáticos … através da valorização de interesses comuns em áreas como o património edificado (castelos), ou natural (rios) …
“Criar pequenos Museus nas freguesias alusivos a antigas profissões: moleiro, ferreiro, sapateiro, ferrador, corticeiro, nos seus ambientes de trabalho e com as respectivas ferramentas;”

PSD (Partido Social Democrata)
Tem os assuntos arrumados por títulos porém nenhum está titulado de património ou cultura, mas conseguimos respigar:
Em “Urbanismo e Habitação”:
“- Definir estratégias de desenvolver planos de recuperação dos centros históricos ….”
“- Requalificar a Praça da República em Nisa, adequando-a às suas tradições e finalidades de zona de lazer e de convívio, com, nomeadamente, a recolocação da “Fonte do Rossio” no seu lugar “original …”

“- …. instalar sistemas de iluminação exterior nos principais edifícios públicos ou considerados de relevante interesse turístico, nomeadamente igrejas;”
Em “Desenvolvimento Rural”:
“- Apostar na realização da Bienal da Pedra com acções a nível internacional de promoção e divulgação das nossas riquezas naturais;”
E em “Comércio e Turismo”:
“- Elaborar um roteiro turístico, actualizando itinerários, zonas comerciais e parques de estacionamento bem como identificação e legendagem dos principais pontos de interesse turístico;”
(Nota: Os símbolos/logotipos dos partidos/coligações políticos candidatos à Presidência da Câmara Municipal de Nisa não foram incluídos no texto original de “Retratos …”)
Estes retratos pequenos e breves irão modificar o panorama do património cultural e natural do concelho de Nisa?
José Dinis Murta / Dezembro, 2009

28.4.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (16)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 16/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
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Deixamos mais algumas perguntas e sugestões para quem de direito:
Será muito difícil evitar que os fios/cabos eléctricos prejudiquem a imagem visual e degradem o brasão do bispo de Portalegre, D. Manuel Tavares Coutinho e Silva, sito na frontaria do edifício n.º 13 (foi paço, palácio episcopal), na Rua do Mourato, ao Palácio (Nisa)? Foi este bispo que, em visita, achando a capela de S. João Baptista de Monte do Claro já era muito pequena … e arruinada a mandou ampliar através de alvará passado nesta sua residência de Nisa em 5 de Maio de 1795 (Figura 12).
Figura 12 - Brasão do Bispo de Portalegre D. Manuel Tavares Coutinho e Silva (1788)
Na frontaria do edifício que foi palácio episcopal - Rua do Mourato, n.º 13 (ao Palácio), Nisa
Para que servem as escadas que contornam a Torre das Portas de Montalvão em Nisa? Por um lado conservam-se e preservam-se as ruínas de antigas habitações (algumas servem de lixeira), que se adossaram às muralhas e por outro introduz-se a vulgaridade da moda da modernice de umas desnecessárias e deselegantes escadas que distorcem a leitura arquitectónica, histórico-militar e estética deste monumento nacional.
A Praça do Município não é aviltada na sua beleza pelo desordenado estacionamento? E o pelourinho (Imóvel de Interesse Público) não merece ser dignificado com o corte dos cedros que com ele concorrem em altura? (Figura 13)
Onde estão as floreiras que embelezavam o Jardim Municipal de Nisa? Quem disse que não eram património cultural?
Por que foi trasladada a Fonte do Rossio e não se deu uma resposta ao abaixo-assinado que pedia a não deslocação?
Sabemos que as lápides que estiveram na Porta da Vila já estão no Museu do Bordado e do Barro (núcleo do bordado), à chuva e ao sol, às baixas e altas temperaturas, sem qualquer tipo de informação. Se estão ao relento porque não a sua recolocação na Porta da Vila?
Por que não há um plano/programa de acções de carácter patrimonial (anual, quadrienal/mandato autárquico) – limpeza de monumentos, pinturas/caiações, desinfestação, sinalização, informação … nas quais, por exemplo, os jovens participariam?
Por que é que não se realizam debates, conferências sobre o património e a cultura? (a Associação Nisa Viva tem promovido alguns).
Hoje fala-se muito no orçamento participativo. A autarquia nisense já pensou na participação dos munícipes (foram eleitores e não perderam a cidadania nas urnas) na elaboração do orçamento, mormente no que concerne ao património cultural e natural?
As comissões municipais têm-se multiplicado porém não há nenhuma de Cultura, Património … Porquê?


Figura 13 - Pelourinho de Nisa – Imóvel de Interesse Público
Já se pensou numa Carta Municipal ou num Livro Branco sobre Património e Cultura?
O que é que nós, cada um de nós, pode fazer pelo nosso Património?
Para que servem os painéis de suporte pintado de amarelo erguidos junto de alguns monumentos?
Por que não tem o Jornal de Nisa, propriedade da Associação para o Desenvolvimento de Nisa (ADN), que é presidida pela presidente da Câmara (ou é pela Câmara representada pela presidente do executivo?), uma secção sobre Património? As recentes intervenções no castelo de Montalvão (Agosto/Setembro), da responsabilidade do Município, foram esquecidas pelo jornal. Porquê?
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Dia Nacional dos Centros Históricos e o Dia Nacional dos Castelos são olvidados, não constam do calendário municipal. Porquê?
No Cine-Teatro, antes da projecção de cada um dos filmes, não seria interessante publicitar algo sobre o património - fotos, pequenos filmes, música, recomendações, ditos populares, novidades, informações ...
Como se tem reagido à campanha que se implementou a nível nacional para acabar com as marquises e caixas de ar condicionado exteriores?
A afixação de cartazes, painéis de propaganda/publicidade política não deveria respeitar o património?
A Nisa-Agenda (periodicidade mensal, edição da Câmara Municipal de Nisa) raramente agenda actividades associadas ao património cultural, em flagrante contraste com as desportivas. Porquê? Não há?
A ocupação dos jovens nas férias de Verão em actividades promovidas pelo município não poderia contemplar as de carácter patrimonial?
Quais os projectos desenvolvidos pela autarquia para aproximar as escolas do património cultural?
Houve recentemente escavações arqueológicas no Conhal (Arneiro). Noticiou-se a priori para que as escolas, e não só, pudessem tomar contacto in situ com esta realidade?
(continua em 17/17) - José Dinis Murta

23.4.10

NISA: Delegação de Azay le Rideau (França) visitou o concelho


De 16 a 19 de Abril, uma delegação de Azay Le Rideau esteve de visita ao concelho de Nisa, no âmbito da geminação existente entre os dois municípios.
A Delegação francesa foi presidida pelo Maire daquela localidade do Vale do Loire, Michel Verdier e integrou 18 personalidades do Comité de Geminação entre as quais o Maire de Cheillé, Jean Serge Hurtevent. O objectivo desta visita a Nisa foi o de fortalecer os laços que unem as duas localidades e revitalizar o processo de Geminação formalizada com a assinatura do Protocolo em Abril de 1990.
Os elementos da delegação de Azay Le Rideau, durante a sua estadia, foram acolhidos em casa de famílias nisenses, tendo o programa da visita incluído, uma recepção no salão nobre dos Paços do Concelho, no sábado, 17 de Abril, pelas 10 horas, seguindo-se um almoço na zona da ermida de Nossa Senhora da Graça.
Durante a tarde efectuou-se uma visita ao Complexo Termal de Nisa e à noite a delegação francesa assistiu ao XVI Festival de Folclore organizado pelo Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa. No domingo, 18 de Abril, durante a manhã, ocorreu uma visita às Portas de Ródão e um passeio de barco no Rio Tejo. O almoço teve como ponto de encontro a aldeia de Monte do Arneiro, sendo a tarde preenchida com uma visita ao Museu do Bordado e do Barro, e a assistência ao documentário “Enxoval”, exibido no âmbito do 7ªartINdoc - Festival de Cinema Documental. Não faltou, por último uma visita à Adega “Terras de Nisa”.