7.4.26
21.10.25
NISA: Conheça os poetas do concelho (LIII): Jorge Pires
A
mulher é perfeição
É
coisa doce fofinha
Já
ouvi dizer que não
Mas
eu cá mantenho a minha.
Diz-se
aí à boca cheia
Que
só querem é luxar
E
que até a mais feia
Não
está p´ra se ralar
Cá
por mim não caio nessa
E
se alguma vejo passar
Até
faço uma promessa
Para
a levar ao altar
Ela
é pureza é doçura
A
mulher é um encanto
E
quando tem formosura
Não
se safa nem um santo
A
mulher é a rainha
No
mundo não há igual
Estou
contente com a minha
E
delas não digo mal.
E
que seria de nós
Se
a mulher não existisse?
Viveríamos
a sós
Sem
nada que nos distraísse?
É
por isso que eu digo
Que
elas são sensacionais
Alguns
dizem que é castigo
Mas
para mim podem vir mais.
* Jorge Pires
** Desenho de Álvaro Cunhal
16.7.25
NISA: Conheça os poetas do concelho (XXXIX) - Jorge Pires
Ele era um filho inteligente
Seu pai um homem honrado
Ele era aquela semente
Que a mãe tinha gerado.
***
Tinha nascido em Abril
Aquele filho tão amado
Tinham chovido águas mil
Naquele humilde povoado.
***
Era a esperança que entrava
Naquela casa velhinha
Era o pai que o amava
E também sua mãezinha
***
Era uma flor que nascia
Numa noite de luar
Era uma voz que dizia
Isto agora vai mudar
***
Passaram-se alguns anos
Esse filho foi crescendo
Vítima de alguns enganos
Pouco a pouco vai morrendo.
***
Pobre filho, pobres pais
Já não sabem que fazer
Uns fogem outros dão ais
Já não dá p´ra entender
***
Vêm ajudas de fora
Vêm ministros e doutores
Mas o rapaz não melhora
E vão murchando as flores
***
Desperta ó Primavera
Anda ver o teu amado
Já não parece o que era
Teu lindo cravo encarnado.
***
Não queremos que ele morra
Grita o povo indignado
Ainda que o sangue corra
Há-de ser recuperado.
* Jorge Pires
10.5.23
AMIEIRA DO TEJO: As flores do jardim - Texto de Jorge Pires
27.1.22
NISA: Conheça os Poetas do Concelho (II) - Jorge Pires
AMIEIRA, TÃO LINDA ÉS!
Oh Amieira do Tejo
Do casario tradicional
Igual a ti eu não vejo
Neste lindo Portugal.
Tens o castelo a teus pés
E o Calvário á cabeceira
Tão bonita que tu és
Nobre vila d´ Amieira
Altaneiro e imponente
Bem ao fundo do povoado
Tens um castelo diferente
Dos muitos que há no condado.
De forma rectangular
E uma cisterna no meio
Quatro torres a enquadrar
Esse magnífico esteio.
Recordação gloriosa
Dum homem que não morreu
Só descansa em Flor da Rosa
Pelo muito que viveu.
Casas pequenas muito antigas
Feitas por outra geração
Cenário de algumas brigas
Quando não havia pão.
Lá ao fundo e a teu lado
Passa o Tejo encantador
Que está por ti apaixonado
Pelo teu grande valor.
Também tens uma Barragem
Cujo nome está errado
Pois toda a sua montagem
Foi feita cá deste lado.
Tens ainda boas águas
E um vinho excepcional
Onde afogo as minhas mágoas
Se por acaso me sinto mal.
Também tens o Mártir Santo
À esquerda de quem desce
Tens o teu maior encanto
Quando a Oliveira floresce.
À direita a Capela
Da milagrosa Padroeira
Toda a gente gosta dela
Nesta vila d ´Amieira.
Tu tens a Misericórdia
De grande significado
Também tens muita discórdia
Que herdaste do passado.
Tinhas um santo que se evaporou
Que coisa levada da breca
Há quem diga que abalou
Por não gostar da charneca.
Capelas muitas capelas
Capelas com linda vista
Mas a mais bonita delas
É a de S. João Baptista
Tens a igreja principal
Majestosa que ela é
Onde se prega afinal
O culto da nossa fé.
Mas a tua maior beleza
Está na simplicidade
Conserva pois essa riqueza
Até à eternidade.
Jorge Pires
Foto: Armando Gaspar













