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10.5.23

AMIEIRA DO TEJO: As flores do jardim - Texto de Jorge Pires

Quando no jardim da nossa casa desabrocha uma flor, fruto do amor e do carinho que lhe é dedicado por mãos delicadas, logo os nossos olhos se alegram como se tivesse nascido uma criança, mas quando passados alguns dias essa flor começa a desmaiar, não podemos deixar de sentir uma certa nostalgia e pensar que também nós, somos fruto do amor e do afecto, como a flor do nosso jardim e também como ela, vamos pela vida fora passando por várias metamorfoses, que no fundo, não são nem mais nem menos aquilo que se passa com tudo o que nos rodeia.
Também no jardim da vida, tal como no jardim das flores, existem as mais variadas espécies, umas de melhor qualidade e outras que, como diz o povo, não são flor que se cheire. Pode dizer-se que hoje, as flores que menos abundam no nosso mundo são sem dúvida os amores perfeitos, o que é pena, pois sem eles, cada vez mais se desmembrará o mundo em que vivemos, isto porque ao contrário, há cada vez mais rosas com espinhos que quer queiramos quer não, se irão cravando nas mentalidades mais desprotegidas.
Antigamente, isto é, até 1970, eram os “cravo/as” os inimigos nº 1 dos comerciantes devido ao dano que causavam às suas prateleiras e simultaneamente às suas economias; hoje, aquela espécie pelo menos cá no “nosso jardim”, está praticamente extinta, o que não deixa de ser um alívio para quem gosta de plantar e... colher!
Que bom seria que um dia, aqueles que vivem no meio de um jardim imenso, se lembrassem de tanta gente que nem uma pétala possui... Virá esse dia?
* Jorge PiresO Amieirense – nº 133 – Maio/ Junho de 1997

21.12.18

NISA - Natal: O Silêncio dos Inocentes

Mais um ano dado por passado, mais uma consoada se aproxima: luzes, prendas, é este o espírito natalício.
Para nós é um Natal sem neve, mas nem por isso deixa de ser Natal, o que para alguns, com neve ou sem neve, esta época é sempre como outra triste qualquer. Que diferença lhes faz comer bacalhau com a respectiva couve e batatas? Pois talvez já não conheçam o seu sabor!
Perante o frio cortante, debaixo de mantas ou dentro de caixas de papelão, vêem os pinheiros brilhantes nas moradias; ouvem as badaladas da meia-noite, e esta gente, simplesmente permanece na consoada de todas as noites.
É nestas alturas, principalmente, que nos devemos imaginar nessas condições, só assim a nossa opinião sobre esta quadra começa a mudar.
Natal é Verdade!
Natal é Justiça!
Natal é Amor!
Natal é Liberdade!
Diz a velha canção que a cada ano que passa entra pelos nossos ouvidos, mas, em plenas ruas, em plenas esquinas, o Natal de muita gente resume-se simplesmente em “nada”.
Pessoas que talvez, já nem se lembrem de como é abrir um presente, de como é estar em família e dizer: Feliz Natal.
De facto ninguém é igual, nem todos nasceram com um lugar no mundo. Claro que nem sempre podemos ajudar o próximo, mas pensar nas diferentes formas de viver o Natal faz parte da palavra Solidariedade, a primeira regra do Ser Humano.
Patrícia Porto – Notícias de Nisa” – 24 Dez. 1997