Mostrando postagens com marcador o amieirense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o amieirense. Mostrar todas as postagens

10.5.23

AMIEIRA DO TEJO: As flores do jardim - Texto de Jorge Pires

Quando no jardim da nossa casa desabrocha uma flor, fruto do amor e do carinho que lhe é dedicado por mãos delicadas, logo os nossos olhos se alegram como se tivesse nascido uma criança, mas quando passados alguns dias essa flor começa a desmaiar, não podemos deixar de sentir uma certa nostalgia e pensar que também nós, somos fruto do amor e do afecto, como a flor do nosso jardim e também como ela, vamos pela vida fora passando por várias metamorfoses, que no fundo, não são nem mais nem menos aquilo que se passa com tudo o que nos rodeia.
Também no jardim da vida, tal como no jardim das flores, existem as mais variadas espécies, umas de melhor qualidade e outras que, como diz o povo, não são flor que se cheire. Pode dizer-se que hoje, as flores que menos abundam no nosso mundo são sem dúvida os amores perfeitos, o que é pena, pois sem eles, cada vez mais se desmembrará o mundo em que vivemos, isto porque ao contrário, há cada vez mais rosas com espinhos que quer queiramos quer não, se irão cravando nas mentalidades mais desprotegidas.
Antigamente, isto é, até 1970, eram os “cravo/as” os inimigos nº 1 dos comerciantes devido ao dano que causavam às suas prateleiras e simultaneamente às suas economias; hoje, aquela espécie pelo menos cá no “nosso jardim”, está praticamente extinta, o que não deixa de ser um alívio para quem gosta de plantar e... colher!
Que bom seria que um dia, aqueles que vivem no meio de um jardim imenso, se lembrassem de tanta gente que nem uma pétala possui... Virá esse dia?
* Jorge PiresO Amieirense – nº 133 – Maio/ Junho de 1997

15.6.19

DO ALTO DA TORRE - Evocações de outros tempos

Quando este vosso amigo foi convidado para exercer o cargo de redactor de "O Amieirense" mil e uma dúvidas passaram pelo meu cérebro devido às limitações gramaticais, próprias de um homem que não pôde ir mais além - os tempos eram outros e ter a quarta classe já era um privilégio, principalmente para quem como eu, viveu em extrema pobreza.
Não quero apenas salientar a quanto as dificuldades nos obrigam, pois foi na universidade da vida que tirei o curso mais importante, aquele que infelizmente faz parte do "curriculum" de muita gente. É pouco, realmente, sou o primeiro a reconhecê-lo, mas quando deparo com estudantes (nem todos, claro) já avançados nos estudos, a contar pelos dedos, a enxovalhar com termos inadequados a nossa língua, a não saberem qual foi o primeiro rei de Portugal, a encolherem os ombros quando se lhes pergunta, por exemplo, onde nasce o rio Douro; quando se vê na televisão aquelas legendas com tantos disparates; quando um engenheiro responde com o ar mais natural deste mundo que a capital da Colômbia é o Perú, não posso deixar de reconhecer como eram infundados os meus receios.
Não fazem ideia os caros leitores, a tristeza que sinto ao descrever estes factos, uma tristeza que tem toda a justificação, pois sabemos que um dia poderá acontecer que um estudante que conta pelos dedos, seja professor de matemática, ou aquele engenheiro venha a ser, por necessidade, professor de geografia!
É que antigamente havia professores por vocação e hoje não é bem assim. Hoje, mesmo que a pessoa não se sinta vocacionada, tende a apanhar o que mais depressa lhe aparece e é assim que as instituições por vezes não funcionam como deviam.
Não é isso que acontece com o redactor do nosso jornalinho, que embora com limitações, está a fazer aquilo que gosta. É verdade, meus amigos, desde sempre gostei da escrita, da leitura, da poesia, do teatro, da música e por isso, estou no meu ambiente preferido. Tantas noites que passei a escrever peças de teatro! Que saudades, meu Deus! Que saudades que eu tenho daqueles ensaios. Daquelas noites de teatro. Dos aplausos. A emoção não me deixa continuar, as lágrimas começam a cair...
Jorge Pires - O Amieirense - Outubro 1994