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20.3.24

PORTALEGRE: Recital “Versos Imperfeitos” celebra Dia Mundial da Poesia

No próximo dia 21 de março, às 18h30, o Auditório do Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino será palco de um emocionante recital de poesia intitulado “Versos Imperfeitos”, em celebração do Dia Mundial da Poesia.
Organizado pelas turmas de 12º ano da Escola Secundária Mouzinho da Silveira, com o apoio do Município de Portalegre, o evento promete uma noite repleta de emoção, criatividade e inspiração poética.
Os versos declamados pelos jovens talentos irão abordar uma variedade de temas, refletindo as experiências, sentimentos e perspectivas únicas de cada um dos participantes. Será uma oportunidade para celebrar a arte da poesia e partilhar momentos de reflexão e beleza com a comunidade.
A entrada é livre e aberta a todos os amantes da poesia e da cultura, sendo uma excelente oportunidade para desfrutar de uma noite enriquecedora e inspiradora no coração de Portalegre.


18.3.22

PORTALEGRE celebra o Dia Mundial da Poesia


A 21 de março Portalegre celebra o Dia Mundial da Poesia com atividades na Biblioteca Municipal de Portalegre e na Casa Museu José Régio.
Tendo como público-alvo os Agrupamentos de Escolas e o público em geral, a Biblioteca Municipal de Portalegre associa-se a estas comemorações através da "MARATONA DE POESIA SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN", que consiste em ler ininterruptamente poemas da autora entre as 10h00 e as 18h00.
A escolha recaiu nesta autora, uma vez que no dia 22 de março se assinala o Dia Mundial da Água e que a presença recorrente deste elemento na obra de Sophia é uma constante.
Este evento, aberto a toda a comunidade, pretende reforçar o ato de ler e divulgar a obra de uma das mais importantes poetisas portuguesas.
A Casa Museu José Régio junta-se à Escola Secundária de São Lourenço, à Banda Juvenil Euterpe e à Euterpe Five, para realizar uma atividade lúdico-pedagógica que liga artes várias (poesia, música, pintura e ilustração) e património, num itinerário pela cidade, com destaque para José Régio e outros poetas de língua portuguesa.
Com início às 10h30 o percurso começa no Calvário e passa pelo Largo da Câmara Municipal de Portalegre, Largo António José Lourinho, Largo do Café Central, Café Alentejano e Praça da República.
Em cada ponto do percurso, serão feitas pequenas referências ao local e à sua ligação ao poeta José Régio e lidos poemas pelos alunos do 9ºA da ESSL.
Para culminar, na Casa Museu José Régio, haverá um momento musical pela Banda Juvenil Euterpe e Euterpe Five, bem como a mostra de um trabalho coletivo, uma tela alusiva a Camões feita por alunos do 9º A da Escola Secundária de S. Lourenço.
A coordenação da atividade está a cargo das professoras Helena Antunes e Helena Nabais, com a colaboração do Agrupamento de Escolas do Bonfim e do Agrupamento de Escolas José Régio.


21.3.18

Dia Mundial da Poesia – P´ra não dizer que não falei das flores

A canção de Geraldo Vandré, celebrizada pelo próprio, pelo Chico Buarque e tantos outros cantores brasileiros, tornou-se um hino contra a ditadura militar que sufocava o Brasil. O “falar das flores” convocava, em mensagem simples e directa, à união dos brasileiros e ao combate à ditadura pela Liberdade.
Hoje como ontem, no Dia Mundial da Poesia e no ano em que se evocam os 50 anos do Maio 68, tornou-se, de novo, imperioso e urgente, falar das flores e lembrar a Liberdade, a conquista de direitos, entre estes, o de expressão, de reunião e de associação.
A cantiga é uma arma, sem balas, sem mortes, sem violências. Tal como a poesia que lhe dá sentido e vida. Há quem pretenda, mesmo ao nosso lado, que a Poesia seja um hino de exaltação do Poder e da Prepotência, a negação da vontade dos cidadãos.
Anuncia-se a feitura de um livro de poesia “popular”, mas no qual não cabem todos os poetas populares, do concelho, vivos. Uns, porque são “eruditos”; outros, porque já publicaram um livro; outros ainda porque têm caras esquisitas e modos extravagantes. São os poetas malditos, sem aspas nem sufixos. Não se vergam aos ditames de um poder que, como todos os poderes, é provisório. São excluídos porque mantêm a coluna vertebral direita, assumem a sua liberdade e militância política. São, na sua essência, “vermelhuscos” para a alcaidesa que quer subjugar o concelho. São discriminados por um poder que não tem uma política cultural, que recusa a cedência de salas municipais (de todos os munícipes e não propriedade da edil) para a realização de actos culturais e que, a nível editorial, recusa a uns, o que dá de mãos largas a outros (amigos).
E tudo isso é feito em nome da defesa do “Património” e da “Cultura”.
Parece seguir os "ensinamentos" do outro: “quando ouço falar em c(o)ultura puxo logo da pistola”.
Hoje, como ontem e amanhã, cantaremos os poetas da Liberdade. Os poetas malditos que, por serem “malditos” tiram o sono e atormentam as consciências dos poderes que apregoam a rectidão, mas praticam, deliberadamente, uma política de discriminação e afrontamento.  
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razões

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não

Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer


22.3.14

No Dia Mundial da Poesia, recordar Fernando Eduardo Carita.

O Dia Mundial da Poesia foi ontem. É hoje, amanhã e sempre. Todos os dias. Como bem lembra um amigo, que nos fez chegar estes poemas do nosso conterrâneo Fernando Eduardo Carita, publicados no blog Um Campo de Girassóis. Quem quiser passe por lá http://umcampodegirassois.blogspot.pt/2013/12/homenagem-ao-fernando-eduardo-carita.HTML 
e deleite-se. A foto é de 2009, na qual podem ver-se o Fernando, o António Ramos Rosa e a Gisela Ramos Rosa. E... Viva a Poesia! Ontem, hoje, amanhã e sempre!
Poema 5
 A meditação no adro da igreja
Era um sonho adiado de sermos consentâneos
A todos os ritos religiosos
Que afastariam de nós o caos a divinis

Crianças acostadas a um rio seco
Na estrada de Benfica pressentíamos já tão infindamente
mastigando um pão de deus
Embrulhado a celofane na padaria
Mais ignota do mundo

Poema 6
 O que é a experiência
De longínquos ramos de sol
Sem abeirar-me do êxtase não sei a extensão de um cabo de telefone
Na adormecida noite

Tudo é paz e saudade
Para que possam adormecer os nossos olhos

Numa árvore arrancada ao terreno por uma rajada
De aragem estrondosa neste Natal

Lá fora o vento pia e já nasce uma criança
És o recém -nascido para a tua mãe
Desdobrada em amor

São assim as mães que perdem um filho
Mães da ternura com que acalentam o coração de todos
Mães nascidas renascidas ouvidas por todos nós
E também pelos que já pairam noutra esfera

Mães que só falam de Amor com as mãos erguidas
Para o sacrário que se dilata pela terra inteira

Mãe tua mãe nossa
a quem quero dar um abraço ainda assim
E chamar-lhe “minha filha”

Poema 7
Vem amigo
Restabelece o instante nos meus olhos
Nesse júbilo de antigamente
Que nunca pôde morrer por não ter nome

O que se extraviou não foi o ser
Foram folhas limpas

Vem amigo
Quero entregar-te as minhas mãos
De criança arrependida
Por uma única vez ter lançado uma flecha a um melro
Que se despenhou num só grito
A sonhar

Quantos ângulos
Tem essa extensão sem fim

É um lago pedregoso
Onde estão os anjos

A rotação de uma galáxia imóvel
Assemelha-se à casca de um ovo fresco

Acredito que és Vida
Fora do mercúrio
Longe de todos os labirintos

Experiência de uma lamparina
Alumiada a azeite

Entoas por nós a prece muda do Amor
Energia transformada em indizível Amor

Prece por ti que nunca mais acaba
Prece por nós sem fim

Poema 8
A claridade da chama branca da vela
Não formula a aragem da noite do imenso

Ressoam na tua Casa
As sementinhas que nasceram fora do tempo

E por isso a tua Noite é iluminadora
Repartem por todos o pão tangente
Os poetas que aí estão

Qualquer dia dá para outro mundo
Para ti caminhamos

Desde o início de que nascemos
Porque tudo é impulso

Para te darmos Amor

Viste uma criança a soprar numa caninha de bambu

Antiquíssimo Coração que nos deste o sopro na hora certa

Encontro à descida das minhas escadas
As figuras dos teus pais
Amando-te sempre e cada vez mais
Entrego-lhes as minhas orações numa folha de cartão translúcido

O que não se vê com os olhos vê-se à mesma
Os vizinhos perguntam por ti e atá um cão vadio está mais pensativo

E o texto mais secreto
Despega-se da pele das nossas mãos
Como a prece de um crente
Se despega da sua boca
Num formigueiro intermitente
Para que não esqueçamos alguma vez nada

A parte que aclama as nossas tristezas
Emerge de uma distância de lumes mais puros de alegrias
Muitas vezes arrumamos os talheres da ceia sem vontade de comer

Só podemos comer peixe
Já dentro da rede o bodião salta para o mar
A aragem desprende um fumo branco da cheminé
Nunca nos desampares querido antiquíssimo na tua juventude perene

21.3.14

Celebremos o Dia Mundial da Poesia

Ode ao Pão
Poema de Pablo Neruda* (trad. Fernando Assis Pacheco)
Pão,
com farinha
água
e fogo
te levantas.

Espesso e leve,
reclinado e redondo,

repetes
o ventre
da mãe,
equinocial
germinação
terrestre.

Pão,
que fácil
e que profundo tu és:
no tabuleiro branco
da padaria
estendem-se as tuas filas
como utensílios, pratos
ou papéis,
e de súbito a onda
da vida,
a conjunção do germe
e do fogo,
cresces, cresces
de súbito
como
cintura, boca, seios,
colinas da terra,
vidas,
sobre o calor, inunda-te
a plenitude, o vento
da fecundidade,
e então
imobiliza-se a tua cor de oiro,
e quando já estão prenhes
os teus pequenos ventres
a cicatriz escura
deixou sinal de fogo
em todo o teu doirado
sistema de hemisférios.

Agora,
intacto,
és
acção de homem,
milagre repetido,
vontade da vida.

Ó pão de cada boca
não
te imploraremos,
nós, os homens,
não somos

mendigos
de vagos deuses
ou de anjos obscuros:
do mar e da terra
faremos pão,
plantaremos de trigo
a terra e os planetas,
o pão de cada boca
de cada homem,
em cada dia
chegará porque fomos
semeá-lo
e fazê-lo,
não para um homem, mas
para todos,
o pão, o pão
para todos os povos
e com ele o que possui
forma e sabor de pão
repartiremos:
a terra,
a beleza,
o amor,
tudo isso
tem sabor de pão,
forma de pão,
germinação de farinha,
tudo
nasceu para ser compartilhado,
para ser entregue,
para se multiplicar.

Por isso, Pão,
se foges
da casa do homem,
se te escondem,
se te negam,
se o avarento
te prostitui,
se o rico
te armazena,
se o trigo
não procura sulco e terra,
pão,
não rezaremos
pão,
não mendigaremos,

lutaremos por ti com outros homens,
com todos os famintos,
por todos os rios, pelo ar
iremos procurar-te,
a terra toda repartiremos
para que tu germines,
e connosco
avançará a terra:
a água, o fogo, o homem
lutarão junto a nós.

Iremos coroados
de espigas,
conquistando
terra e pão para todos,
e então
também a vida
terá forma de pão,
será simples e profunda,
inumerável e pura.

Todos os seres
terão direito
à terra e à vida,
e assim será o pão de amanhã,
o pão de cada boca,
sagrado,
consagrado,
porque será o produto
da mais longa e dura
luta humana.

Não tem asas
a vitória terrestre:
tem pão sobre os seus ombros,
e voa corajosa
libertando a terra
como uma padeira
levada pelo vento.

* Pablo Neruda (1904-1973)**