23.1.23

OPINIÃO: Alguém vai ter de ceder

Como numa dança, também numa mesa negocial entre partes desavindas tem de haver espaço para cada um dos parceiros ensaiar movimentos. Marcar o passo. Porém, na coreografia que, nas últimas semanas, tem juntado no mesmo palco professores, sindicatos e Governo, só tem havido pisadelas. A tal ponto que as negociações entraram num novo impasse.
A bonomia que o ministro da Educação mostrou após mais uma conversa falhada não foi condizente com a veemência com que os sindicatos voltaram a dizer "não" às tréguas. Não só não suspenderam as greves, como anunciaram novas manifestações. Ainda há corda para esticar.
Ora, independentemente do que possamos pensar acerca dos expedientes utilizados pelos professores para fazerem valer os seus argumentos, não é de todo aceitável que um docente (nem, na verdade, nenhum trabalhador) tenha de esperar uma média de 16 anos para ter um vínculo contratual; como não é aceitável que os professores vivam mergulhados em burocracia e sejam forçados a efetuar largas dezenas (quando não centenas) de quilómetros para ensinar. As suas reivindicações são, no essencial, válidas, mas têm uma limitação de base: não podem ser atendidas todas ao mesmo tempo. Não é possível resolver num passe de mágica problemas que se arrastam há anos. E que custam muitos, mas muitos, milhões de euros.
Por isso, só há uma saída possível: negociar com realismo e bom-senso. A bem dos professores, mas sobretudo da escola, das famílias e dos alunos, as maiores vítimas indiretas desta batalha. Dar pouco não é melhor do que não dar nada, como exigir tudo também não será certamente a melhor tática para conquistar mais alguma coisa. É verdade que as greves só são eficazes se doerem. Mas o prolongamento deste bloqueio até meados de fevereiro pode fazer perigar todo o segundo período escolar, o que não favorece nenhuma das partes. Alguém vai ter de ceder. Melhor seria se fossem todos. Não há outra forma de dar sentido a este protesto.
* Pedro Ivo Carvalho in Jornal de Notícias - 21/1/2023

22.1.23

PÉ DA SERRA: Perguntar não ofende!

 
Três ou quatro perguntas sobre o criminoso "esquecimento" da RUA DAS CARRETAS
1 - Com tanta propaganda - e utilização do autocarro municipal para reforçar a política eleiçoeira - com o Seguro de "Saúde", será que a edil de Amieira irá desencantar um Seguro que trate da Saúde a esta enfermidade que grassa há quase três anos na principal Rua da aldeia do Pé da Serra?
2 - O que justifica a ira da autarca amieirense para não tratar, igualmente e sem DISCRIMINAÇÃO, as populações desta terra que já foi uma das mais antigas freguesias do concelho?
3 - O que leva a Protecção Civil concelhia, sob a alçada da edil de Amieira, mais as Comissões Municipais de Protecção Civil e de Segurança a ignorar, desde há quase TRÊS ANOS uma situação que constitui um problema, gravíssimo, de segurança rodoviária, de pessoas e veículos, para além de atentar, contra os direitos, legítimos, de mobilidade dos cidadãos?
Para que servem, afinal, estas "Comissões"? Para protegerem os cidadãos ou "protegerem-se" a eles próprios e a "dama de ferro"?
4 - Por que motivo a Assembleia Municipal que conhece, pela denúncia, esta grave situação, não actua, pressionando o executivo para a realização das obras que desde há quase três anos, se tornam tão urgentes como inadiáveis, desta forma salvaguardando a segurança de pessoas e bens, objectivo primeiro da existência deste órgão municipal? O que estão a fazer os deputados municipais? A defender os interesses gerais (de todos os munícipes) do concelho ou os de uma criatura política que não respeita a Lei fundamental do país, ao discriminar cidadãos do mesmo município?
Mário Mendes

OPINIÃO: O elogio da panfletagem

 
Cada local exige um hábito, uma técnica, um sacrifício diferente no momento de panfletar ― de distribuir panfletos, boletins, comunicados. Tal como cada momento da vida política: uma greve, uma campanha eleitoral, um cinzento dia aleatório.
O sol nasce lá ao fundo, sobre o Mar de Palha, e temos como companhia a «Poderosa» e a «Vigorosa», duas gruas-lancha, de manhã sempre atracadas no terminal de contentores de Santa Apolónia, em Lisboa. Um a um, os estivadores entram ao serviço, passando a cancela gradeada, que roda pesada sobre eles. Raras vezes são mais de vinte ou trinta em cada um dos terminais. Recebem os panfletos na mão, surpreendidos, mas reconhecidos. São 7h50 da manhã.
À hora do almoço, troca o turno na Autoeuropa: aí, é uma torrente de gente, diversa sob todos aspetos, que quase nos atropela, retirando-nos da mão os panfletos. Panfletar é parecido com isso também à porta da Visteon, na Volta da Pedra, em Setúbal; ou na troca de turno na OGMA, em Alverca ― ainda que nenhuma se compare à corrente humana que a fábrica de Palmela expele a horas certas.
Cada local exige a sua arte e a sua tática na distribuição de propaganda. No aeroporto de Lisboa, a maioria dos trabalhadores entra de carro e, se estivermos de madrugada, num horário quase sem transportes públicos, junto à cancela que se levanta para entrem nas instalações, os vidros do carro baixam-se para receber a palavra da luta. Já na central dos CTT, em Cabo-Ruivo, um grande centro logístico, aglomeram-se à porta, e, antes da meia-noite, enquanto uns pegam e outros «depesgam» ao trabalho, formam-se grupos que conversam, os efetivos de um lado, os «contratados» do outro.
Cenários diversos, mas com parecenças, vemos país fora, na EFACEC, na Leça do Balio, na Bosch em Braga, na Dan Cake em Coimbra… em milhares de grandes e médios locais de trabalho: fábricas, centros logísticos, terminais de transportes. Há um mundo secreto do trabalho que não dorme e que só se torna visível em momentos de luta: quando à porta da fábrica ou do armazém as câmaras filmam um piquete de greve ou a concentração de operárias que impedem que o patrão retire as máquinas da fábrica falida. A panfletagem nesses lugares é, para começar, um ato de visibilização política ― desde logo para quem milita. Trata-se de romper um cerco.
Outra coisa ainda é distribuir panfletos, em interfaces de transportes públicos, a multidões apressadas que voltam a casa ― aí a massa proletária é como o rio de Heráclito, diferente de cada vez que nela mergulhamos. Os mercados têm outra dinâmica e outras gentes (ou as mesmas, mas noutras circunstâncias). E o mesmo é verdade para as faculdades ― que diferem entre si, gerando receções distintas, exigindo abordagens diversas. Cada local exige um hábito, uma técnica, um sacrifício diferente no momento de panfletar ― de distribuir panfletos, boletins, comunicados. Tal como cada momento da vida política: uma greve, uma campanha eleitoral, um cinzento dia aleatório.
Em cada um destes momentos e locais auscultam-se diferentes aspirações da nossa classe. Afere-se a receção, as conversas, a frieza e ― por vezes ― o desprezo. Tudo isso ensina quem quer aprender, forja quem milita. Em cada um se mede a temperatura das águas políticas. As distribuições podem e devem ser um batismo de fogo, um ginásio para manter a forma, um artesanato da ação militante, um laboratório onde se testam ideias.
Admito que nem todos o sintam, mas o prazer que disso resulta pode ser revigorante.
E quando, em vez do panfleto genérico, distribuímos um boletim, redigido por quem está dentro dos locais de trabalho (ou por militantes que, não o estando, aí estabeleceram vínculos), tudo muda. O reconhecimento das denúncias que vêm de dentro impacta de outra forma quem, numa madrugada fria, recebe um A4 fotocopiado. Rapidamente, a entrega do papel gera uma conversa; por vezes despoleta um burburinho. Então, já não estamos a distribuir papelada: em golfadas, gente sai porta fora para recolher os papéis, que nos voam das mãos. Uma roda de conversa espontânea discute uma denúncia e já ensaia uma assembleia. Trocam-se contactos e, entredentes, combina-se um encontro no café à hora de saída. A luta já começou.
Por vezes demora meses, até anos, até ao dia em que da panfletagem começa a brotar a organização. Outras, é rápido. Nunca sabemos até tentar. E os «nãos» secos, de quem se recusa a aceitar os panfletos, ensinam quase tanto como o entusiasmo que deflagra o combate. Sobretudo quando verificamos que ambas as atitudes podem vir de uma mesma pessoa: quem ontem recusou as denúncias e as propostas, amanhã enuncia-as com um brilhozinho nos olhos, antecipando as palavras-de-ordem impressas, passadas de mão em mão.
Quem faz panfletagens regularmente conhece bem um fenómeno: numa correnteza de gente, quando alguém recusa um panfleto, é quase certo que o seguinte recusará também. E o seguinte, e o seguinte, numa longa cauda de negas. Somos seres sociais. O exemplo conta: para recusar, mas igualmente para aceitar a luta. A maré muda: não só a recusa, mas também o entusiasmo, a revolta e a confiança se propagam. As ideias contam, os momentos também. É também isso a política e por isso vale a pena o sacrifício de acordar cedo para, num qualquer subúrbio frio, entre gruas, contentores e paletes, passar a palavra, olhos nos olhos, sem ecrãs nem algoritmos. A panfletagem, como a luta, continua.
Janeiro, 2023 - Manuel Afonso

TRADIÇÃO ORAL: Provérbios de Janeiro (IX)

- Janeiro gear. Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer. Junho ceifar, Julho debulhar, Agosto engavelar. Setembro vindimar, Outubro revolver. Novembro semear, Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
- Janeiro geoso, Fevereiro nevoso. Março frio e ventoso, Abril chuvoso e Maio pardo, fazem um ano abundoso.
- Janeiro geoso. Fevereiro nevoso, Março mulinhoso. Abril chuvoso. Maio ventoso, fazem o ano formoso.
- Janeiro greleiro, não enche o celeiro.
- Janeiro molhado, bom para o tempo e mau para o gado.
- Janeiro molhado, se não cria pão, cria gado.
- Janeiro molhado, se não é bom para o pão, não é mau para o arado.
- Janeiro molhado, se não é bom para o pão, não é mau para o gado.
- Janeiro não choveu, o temporão se perdeu.
- Janeiro quente, traz o diabo no ventre.
* Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


LABORAL: Câmara Municipal de Nisa ataca a liberdade sindical

Idalina Trindade, presidente da autarquia eleita pelo PS, impediu que dirigentes e delegados sindicais do STAL contactassem com trabalhadores do município. Sindicato já apresentou queixa.
«A presença dos elementos da estrutura sindical perturbará o normal funcionamento dos serviços» decidiu Idaliana Trindade, presidente da Câmara Municipal de Nisa (CMN), eleita pela maioria PS. Por essa razão, uma potencial perturbação, a autarca decidiu ignorar o disposto na Constituição da República Portuguesa, que consagra no seu Artigo 55.º: o exercício da liberdade sindical.
Nessa situação, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL/CGTP-IN), confrontado, com «grande surpresa», com o impedimento de contactar «legitimamente» os seus associados e demais trabalhadores de Nisa, «solicitou de imediato a presença das forças de segurança, junto de quem participou de tal ilicitude».
O sindicato deciudiu avançar, igualmente, com uma queixa junto da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).
O STAL frisa que Idalina Trindade «não pode proibir ou impedir a legítima actividade sindical na autarquia», considerando que este «lamentável atropelo» não passa de uma «prepotente tentativa de coarctar a liberdade e o direito» de o sindicar exercer, livremente, a sua actividade.
Sendo esta prática a «todos os níveis condenável», além de «ilegal», a atitude da autarquia PS no ano em que se assinala o 49.º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, que «consagrou o direito e a liberdade sindical como um dos princípios fundamentais do regime democrático», reveste-se de particular perversidade.
«A defesa das conquistas de Abril, e o seu nobre ideário de liberdade, continua hoje a dar-nos ânimo e razão nas lutas que travamos», afirma a Direcção Regional do STAL de Portalegre. As «tentativas vãs de amedrontamento ou silenciamento por parte da actual presidente da CMN não passam disso mesmo, mas reforçam a necessidade de reafirmar, sempre e em cada momento, o respeito pela liberdade da actividade sindical, e que a luta e a união dos trabalhadores são o garante da defesa dos seus direitos, da liberdade e da democracia».
AbrilAbril - 21/1/2023

PORTALEGRE: Buzinão exige medidas concretas para travar o aumento do custo de vida

O movimento “Os Mesmo de Sempre a Pagar” promoveu, este sábado, um buzinão na cidade de Portalegre, contra o aumento do custo de vida.
O movimento, que tem expressão em várias zonas do país, apela “a todos os que sentem o agravamento do preço dos combustíveis, energia e de todos os bens essenciais, em particular os bens alimentares, que se unam para travar este processo de roubo e exijam ao Governo medidas concretas para impedir que mais uma vez haja quem se aproveite da crise”.
A fixação e regulação dos preços dos combustíveis, da energia e dos bens essenciais, a imediata redução do IVA de 13 para 6 por cento no gás e de 23 para 6 por cento na eletricidade e o desvio dos dividendos das grandes empresas das contas dos acionistas para um fundo de emergência nacional, são as principais reivindicações.
No caso concreto de Portalegre, a porta voz do movimento, Ana Nóvoa, sublinha que as dificuldades em fazer face ao aumento do custo de vida assumem proporções ainda mais gravosas, numa capital de distrito onde o pequeno comércio tem vindo a desaparecer, onde não há renovação do mercado de trabalho e onde a maioria dos idosos vive com baixas reformas.
A mesma responsável lamenta que, quando muitos lutam para conseguir adquirir bens essenciais, se multipliquem os casos de corrupção, envolvendo membros do Governo.

21.1.23

OPINIÃO: Nos 50 anos do assassinato de Amílcar Cabral

Lembrar um dos principais dirigentes e ideólogos do movimento anticolonial africano, no dia em que se assinalam 50 anos do seu assassinato, é um gesto imprescindível para que seja convocada a reflexão sobre um passado colonial que ainda deixa demasiados e dolorosos vestígios em Portugal.
Um dos fundadores do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em 1956, Amílcar Cabral estudava muitos anos antes os problemas respeitantes ao colonialismo português e participara em diversas actividades na defesa da emancipação dos povos coloniais.
Da necessidade de se criar o PAIGC, diz-nos Amílcar Cabral: «Em África não houve tais fenómenos que engendrassem partidos. Podemos pois dizer que trouxemos qualquer coisa de estranho introduzindo na nossa terra um partido, mas isto era necessário, assim como é necessária a charrua que não existe na nossa terra ou o tractor que não resultou do desenvolvimento económico do nosso país.» (1)
Amílcar Cabral e Aristides Pereira serão apresentados por Sofia Pomba Guerra, farmacêutica e militante do PCP a cumprir degredo em Bissau. (2) Era em sua casa que estes dois e muitos outros cabo-verdianos se encontravam para ouvir as emissões em português do serviço da Rádio Moscovo, ou ainda para ler romances e jornais proibidos, como o Avante!, órgão central do PCP. (3) E nestes encontros irão desenvolver paulatinamente o seu método de conspiração: formam pequenos grupos para discutir diversos assuntos culturais, e vão destacando os elementos considerados mais conscientes para com eles desenvolver posteriormente um trabalho político mais arriscado.
Amílcar Cabral, nascido na Guiné-Bissau a 12 de Setembro de 1924, de pais cabo-verdianos, tinha passado a infância em São Vicente e viria a prosseguir os seus estudos no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, onde chega em 1945. Na altura em que se inicia a Guerra Colonial, Cabral tinha um conhecimento sobre a geografia, a economia e a sociologia dos povos do seu país comparativamente superior ao de muitos nacionalistas em fases similares noutras regiões. Uma das razões foi o facto de ter realizado o primeiro recenseamento agrícola do território. Este trabalho dar-lhe-ia a oportunidade de conhecer a estrutura agrária da Guiné profunda e pô-lo-ia em contacto directo com as pessoas mais influentes dos vários grupos étnicos.(4)
É no seguimento desse conhecimento que o PAIGC vai fixar como objectivos políticos do partido a liquidação da dominação colonial portuguesa, a criação das bases indispensáveis para a construção de uma vida nova para o povo da Guiné e Cabo Verde, a construção da paz, do bem-estar e do progresso contínuo. Define-se como partido democrático, progressista, anticolonialista e anti-imperialista. Estas posições são reveladoras, indiscutivelmente, do carácter antifascista do PAIGC e do movimento de emancipação que este dirigia. Num apelo aos portugueses feito num artigo na revista Partisans em 1962, Amílcar Cabral explica como encaram o regime fascista português: «É preciso reafirmar claramente que, embora sendo contra toda a espécie de fascismo, os nossos povos não lutam especificamente contra o fascismo português: nós lutamos contra o colonialismo português. A destruição do fascismo em Portugal deverá ser obra do próprio povo português, a destruição do colonialismo português será obra dos nossos próprios povos.» (5) A realidade de outras guerras coloniais, nomeadamente a guerra na Argélia, não podia fazê-lo chegar a outra conclusão. Os regimes democráticos das potências ocidentais estavam longe de garantir por princípio a independência das respectivas colónias.
Tendo como prioridade política a libertação do território do domínio colonial português, Cabral deixará pistas em vários momentos sobre o tipo de sociedade que deve ser construída quando alcançado esse objectivo, que reflectem a sua proximidade a convicções socialistas: «Na base da vida do nosso Partido, queremos destruir toda a possibilidade de aqueles que libertam a terra ou outros, que venham abusar do nosso povo amanhã. [sic] O nosso objectivo não pode ser o de ir tomar conta do palácio do governador para fazer na nossa terra o que aquele governador queria fazer.» (6) Basil Davidson, citando Cabral, dá-nos mais um elemento sobre a posição deste em relação ao caminho a seguir: [construir uma nova sociedade], «nestas circunstâncias será necessariamente por meios socialistas, pois só existem dois caminhos abertos para uma nação se tornar independente agora: voltar à dominação imperialista (via neocolonialismo, capitalismo, capitalismo de Estado) ou mover-se rumo ao socialismo.» (7)
A partir de 1961, o partido decide instalar o seu secretariado-geral em Conacri, capital da República da Guiné. Entre outros, praticará uma política de estreitas relações internacionais com a Argélia e com a República Árabe Unida, inscrevendo-se num movimento mais amplo do que apenas o da luta contra o colonialismo português.
Também a aliança com os países socialistas era estreita e o contributo em meios técnicos, humanos, e em apoio para a formação nos seus países foi significativo. O discurso em relação ao sistema socialista era claro: «Como toda a gente sabe, os países socialistas têm uma clara posição anticolonialista e anti-imperialista. Tal não acontece por acaso. Os partidos políticos que dirigiram a conquista do poder pelo povo nos países que hoje são socialistas eram partidos comunistas, cuja ideologia consistia na defesa intransigente dos interesses das massas exploradas – operários, camponeses e outros trabalhadores explorados – e que preconizavam a luta política, através da organização dessas massas exploradas, para acabar definitivamente com a sociedade capitalista e, em consequência, com a exploração do homem pelo homem.» (8) Mas a política de não-alinhamento era considerada fundamental para alargar ao máximo uma base de apoio internacional que contribuísse para a conquista da independência: «É esta política que é a mais conveniente aos interesses dos nossos povos na etapa actual da nossa história. Estamos convencidos disso. Mas, para nós, não-alinhamento não quer dizer voltar as costas aos problemas fundamentais da humanidade, à justiça. Não-alinhamento para nós é não se comprometer com blocos, não alinharmos pelas decisões dos outros.» (9)
A escolha pela luta armada vai em grande medida depender dessa rede de solidariedade internacional, e a decisão só será tomada quando se consideram esgotadas as tentativas de acção legal dos grupos nacionalistas, que chocaram sempre com a barreira levantada pelas autoridades colonialistas portuguesas. É só após o massacre dos marinheiros do cais de Pidjiguiti, que exigiam direitos laborais, a 3 de Agosto de 1959, que o partido declarará a luta armada como única via possível para a independência. Os acontecimentos convencem Cabral da impossibilidade de desenvolver uma contestação baseada em métodos pacíficos.
Numa acção de formação de quadros em 1965, Cabral apresentará a luta armada como o prolongamento da luta política, como último recurso: «O povo em armas. Essa deve ser a característica fundamental duma resistência armada, dum povo que luta pela sua liberdade. (…) Nunca é demais repetirmos que o objectivo fundamental da nossa resistência armada é realizar aquilo que não conseguimos só com política.» (10)
Mas não podemos desvalorizar o peso e a eficácia da acção diplomática levada a cabo por Amílcar Cabral durante os anos da Guerra Colonial, que seriam também os últimos anos da sua vida. O seu tempo era passado entre Conacri e as múltiplas viagens onde dinamizava conferências de imprensa, dava entrevistas sobre a situação da Guiné e realizava reuniões para motivar o apoio de outros países e instituições.
Em Junho de 1962, Cabral representa pela primeira vez o PAIGC perante a ONU, através de um documento intitulado «O povo da Guiné perante as Nações Unidas».
Em Janeiro de 1966, será em Havana, no decorrer da Tricontinental – Organização de Solidariedade dos Povos da Ásia, África e América Latina, que fará a intervenção considerada como uma contribuição teórica original no plano historico-filosófico, desenvolvendo a análise da marcha da luta dos movimentos de libertação nacional. 
«Se é verdade que uma revolução pode falhar mesmo alimentada por teorias perfeitamente concebidas, ainda ninguém realizou uma revolução vitoriosa sem teoria revolucionária. Os que afirmam – e com razão – que a força motora da história é a luta de classes estariam certamente de acordo para rever esta afirmação, a fim de a precisar e de lhe dar um campo de aplicação ainda mais vasto, se conhecessem mais profundamente as características essenciais de certos povos colonizados, quer dizer dominados pelo imperialismo. Com efeito, na evolução geral da humanidade e de cada um dos povos que a compõem, as classes não aparecem nem como fenómeno generalizado e simultâneo na totalidade destes grupos, nem como um todo acabado, perfeito, uniforme e espontâneo. A definição de classes, no seio de um ou vários grupos humanos, é uma consequência fundamental do desenvolvimento progressivo das forças produtivas e das características da distribuição das riquezas produzidas por este grupo ou confiscadas a outros grupos. (…) Tudo isto permite levantar a seguinte questão: será que a história só começa a partir do momento em que se desenvolve o fenómeno «classe» e por consequência a luta de classes?
Responder afirmativamente seria situar fora da história todo o período de vida dos grupos humanos que vai da descoberta da caça, e posteriormente da agricultura nómada e sedentária, até à criação dos rebanhos e à apropriação privada da terra. Seria então também – o que nos recusamos a aceitar – considerar que muitos grupos humanos da África, da Ásia e da América Latina, viviam sem história, no momento em que foram submetidos ao jugo do imperialismo. (…) Admitimos sem custo que este factor da história de cada grupo humano é o modo de produção – o nível das forças produtivas e o regime de propriedade – que caracteriza esse agrupamento. Mais ainda, como se viu, a definição de classe e a luta de classes são elas próprias o efeito do desenvolvimento das forças produtivas conjugadas com o regime de propriedade dos meios de produção.
Parece-nos pois correcto concluir que o nível das forças produtivas, elemento determinante essencial do conteúdo e da fórmula da luta de classes, é a verdadeira e permanente força motora da história. Se aceitarmos esta conclusão, desfazem-se as dúvidas que perturbaram o nosso espírito. Porque, se de um lado verificamos que está garantida a existência da história antes da luta de classes e evitamos assim reduzir alguns grupos humanos dos nossos países – e talvez do nosso continente – à triste condição de povo sem história; por outro lado, pomos a claro a continuidade da história, mesmo após o desaparecimento da luta de classes ou das próprias classes. (…) A eternidade não é deste mundo, mas o homem sobreviverá às classes e continuará a produzir e a fazer a história, já que não se pode libertar do fardo das suas necessidades, das suas mãos e do seu cérebro, que estão na base do desenvolvimento das forças produtivas».(11)
Em Fevereiro de 1972, desloca-se a Addis Abeba para prestar depoimento perante a 163.ª Sessão do Conselho de Segurança. No final da sua intervenção, Cabral convida o organismo a enviar uma comissão ao interior da Guiné para confirmar a existência das zonas já libertadas pelo PAIGC. A visita terá lugar de 18 de Março a 9 de Abril de 1972. Por razões de segurança, os observadores são forçados a ficar mais tempo no terreno, o que constituirá uma importante vitória política. 
Este esforço diplomático será, desta forma, acompanhado da criação de uma organização económica e política nas zonas libertadas. Toda a orientação económica do PAIGC tem por preocupação a gradual melhoria do nível de vida das populações destas zonas. Aumentam-se as produções e diversificam-se as culturas, criam-se os Armazéns do Povo para fornecer à população artigos de primeira necessidade. O governo das regiões libertadas efectua-se através de vários órgãos, desde o Congresso, ao Conselho Superior da Luta, o Comité Executivo da Luta, o Comité Nacional das regiões libertadas. O trabalho político continua intimamente ligado à acção militar, já que corresponde às condições de clandestinidade a que o partido é forçado. 
O reconhecimento internacional da independência da Guiné deveria seguir o processo de eleição da primeira Assembleia Nacional Popular nas zonas libertadas, que se realizaria por sufrágio directo e universal, dando prova do controlo de território em certas zonas do país: o PAIGC mostrava uma máquina administrativa capaz de realizar um processo eleitoral em tempo de guerra, num território delimitado, e com uma população específica. A independência será proclamada unilateralmente a 24 de Setembro de 1973 e será consagrada a 10 de Setembro de 1974, após a revolução de 25 de Abril em Portugal. Amílcar Cabral já não assistiria ao desfecho da luta à qual tinha dedicado a sua vida, tendo sido assassinado a 20 de Janeiro de 1973.
Estas são algumas notas de um percurso singular e que, por si só, impõe respeito. Pela inteligência com que articulou politicamente as posições de um povo em luta pela sua libertação, sem cedências de princípio, mas sem multiplicar trincheiras que poderiam ser contraproducentes, Amílcar Cabral foi capaz de propor, junto das reivindicações de uma luta anticolonial, um projecto de país que se transformaria muito para além da independência formal.
* Sofia Lisboa in Abril, Abril - 19/1/2023
NOTAS

1.s.a., Manual Político, p. 10
2.PEREIRA, Aristides, Uma Luta, um Partido, dois Países, Guiné-Bissau e Cabo Verde, p.85
3.TOMÁS, António, O Fazedor de Utopias, uma biografia de Amílcar Cabral, p. 88
4.SOUSA, Julião Soares, Os movimentos unitários anti-colonialistas (1954-1960), o contributo de Amílcar Cabral in Estudos do século XX, p.336
5.CABRAL, Amílcar, Textos políticos de Amílcar Cabral, p. 64 «Se a queda do fascismo em Portugal poderia não conduzir ao fim do colonialismo – hipótese aliás admitida por alguns dos líderes da oposição portuguesa – nós estamos certos de que a liquidação do colonialismo português arrastará a destruição do fascismo em Portugal. Através da nossa luta de libertação, nós contribuímos eficazmente para a queda do fascismo português e damos ao povo de Portugal a melhor prova da nossa solidariedade.»
6.CABRAL, Amílcar, Análise dos tipos de resistência: resistência política, pp. 3-4
7.DAVIDSON, Basil, The Liberation of Guiné, aspects of an African Revolution, p.78
8.s.a., Manual Político, pp. 65-66.
9.idem, p. 96 (intervenção na 2.ª Conferência da C.O.N.C.P. em 1965).
10.CABRAL, Amílcar, Análise dos tipos de resistência: resistência armada, pp. 16, 23.
11.CABRAL, Amílcar, Textos políticos de Amílcar Cabral, pp. 35-39

AVIS: 36º Corta-Mato de Figueira e Barros

No próximo dia 28 de janeiro, a Freguesia de Figueira e Barros volta a servir de palco à realização de mais uma edição, a 36.ª, do Corta-Mato de Figueira e Barros, uma prova de Atletismo cuja competição se apresenta integrada no Circuito AADP de Corridas.
Promovida pelo Centro Cultural de Figueira e Barros, com o apoio do Município de Avis e da Freguesia de Figueira e Barros, irá decorrer, entre as 15h00 e as 17h00, nos terrenos anexos ao Campo de Futebol da localidade.
De acordo com o traçado previamente estabelecido, e tendo em conta a intransitabilidade da Ponte de Figueira e Barros, os acessos far-se-ão pela Ponte de Ervedal ou pela estrada de Alter do Chão.
Os aspetos técnicos da competição serão deixados ao cuidado da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre, entidade credenciada nessa matéria, que irá reger-se pelo Regulamento da Prova.
A participação na 36ª edição do Corta-Mato de Figueira e Barros obedece a uma inscrição prévia, a realizar em formulário disponível em www.aadp.pt até ao dia 25 de janeiro.
Consulte o Regulamento em: 
https://tinyurl.com/Corta-Mato-Figueira

TRADIÇÃO ORAL: Provérbios de Janeiro (VIII)

 
- Fermento de Janeiro, de quarteiro.
- Janeiro e Fevereiro, enchem ou vazam o celeiro.
- Janeiro frio e molhado não é bom para o gado.
- Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado.
- Janeiro frio ou temperado, passa-o enroupado.
- Janeiro geadeiro afoga a mãe no ribeiro.
- Janeiro geadeiro, Fevereiro aguadeiro. Março chover cada dia seu pedaço. Abril águas mil coadas por um funil, Maio pardo celeiro grado, Junho foice em punho.
- Janeiro geadeiro, nem boa meda nem bom palheiro.
- Janeiro gear, Fevereiro chover. Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar. Agosto engavelar, Setembro vindimar. Outubro revolver. Novembro semear. Dezembro nascer.
- Janeiro gear, Fevereiro chover. Março encanar, Agosto recolher. Setembro vindimar.

* Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com



NISA: A Festa do Mártir Santo e o Carnaval I (1946)

Se o Entrudo é o intróito da Quaresma, o intróito do Carnaval em Nisa fixou-se, desde tempos imemoriais, em 20 de Janeiro, dia em que se festeja o glorioso Mártir Santo S. Sebastião.
Talvez porque no glacial desconforto que se evola dos rigores hibernais a festa do Mártir é como que um parêntesis de alegria ou um prenúncio das graças primaveris, tão desejadas e ainda tão distantes.
Certo é que, a partir desse dia, a mocidade nisense saturada de hipocondria, espaneja-se, liberta de cuidados e sem preocupações pelo dia de amanhã.
Recolhe os repiques anunciadores da festividade do Mártir Santo com o dealbar apetecido das folias carnavalescas.
Nos tempos em que os arraiais se faziam no largo onde se encontra a capelinha do heróico soldado de Cristo, suplicado pela intransigência de Diocleciano, a festa assumia proporções esplendorosas, com avultados réditos, sobretudo nos anos de epidemias ou outras calamidades.
O horror da varíola obrigava as mães a generosa oferta, em dinheiro ou ramos (fogaças), todas rivalizando em propiciar as boas graças do taumaturgo ou agradecer-lhe o seu patrocínio com os enxudiosos galináceos, médios borregos, grandes travessas de arroz doce, perfumados pudins e outras apetitosas guloseimas, não faltando nunca as amplas bandejas com as melhores peças do fumeiro ou o melhor vinho da adega.
Vulgar era também pesarem-se nesse dia os pimpolhos indemnes da bexigada, para ofertar ao santo. Igual peso de trigo, por garridas moças conduzido em reluzentes bacias de cobre.
À meia tarde, quando a filarmónica da terra se dirigia para os ramos, era interessantíssimo ver desfilar, pelas ruas convergentes ao largo da festa, dezenas e dezenas de bébés, com suas melhores galas, com outros tantos ex-votos que as mães, vestidas com a esbelteza do anigo trajo regional, levavam nos braços até junto do andor do Mártir Santo, em sinal de gratidão por lhes ter mantido, são e escorreito, o mimoso e lindo fruto das suas entranhas.
Dentro em pouco, todo o recinto, em que a vibração metálica da fanfarra e o estralejar dos foguetes sobressalam na sussurrante e jubilosa vozearia da massa popular mal permitindo ouvir os lanços que sucessivamente iam valorizando as ofertas leiloadas, dentro em pouco, o acolhedor largo do Mártir era um policrómio ramalhete em que, sobre a tonalidade variegada de lindíssimos xailes, se destacavam, risonhos e gracílimos, os botões aveludados das róseas faces dos bambinos.
Era uma viva e encantadora corbeille de graça e inocência a rebrilhar na meiguice dos olhos, a fremir nas mãozinhas que se agitavam irrequietas e a ecoar por toda a parte em incipentes articulações de riso ou em rasgadas notas de rabujenta compleição.
Junto à capela rodopiavam incessantemente inúmeros pares, ora no ritmo marcial dum passo dobrado ou na cadência da langorosa valsa ou vaporosa polca, ou gargantear de de moça afamada nas modas da época.
E então era certo que a primeira ária a sair dos lábios da primadona era invariavelmente a tradicional:
Aldeia de Vendas Novas
De Vendas Novas aldeia
É uma praça fechada
Onde o meu amor passeia

Onde o meu amor passeia
Onde a flor-da-murta assiste;
Diz-me amor como passaste
Os dias que me não viste
Era o Carnaval que, naquela voz argentina, dava ingresso no burgo. Daí por diante, até terça-feira de Entrudo, não havia baile ou soirée que não se iniciasse por aquela ouverture...
Não há nisense algum, de mais de quarenta anos que, ao ter esta singela evocação, não recorde com saudade, se estiver longe da terra-mãe, os bailes carnavalescos da sua mocidade, noites de ruidosa folia em que a célebre Aldeia de Vendas Novas era o persistente e característico refrain que, volta e meia,, animava a dança, dinamizando os próprios velhos e fazendo até azougar as mulheres do maragoto...
Hoje ainda assim é. Esta persistência ou, melhor esta resistência da velha cantiga no domínio das canções contemporâneas do jazz é muito do meu agrado, pelo inveterado culto que me merece tudo o que é tradicional.
Oxalá que, com a Aldeia de Vendas Novas se mantivesse a indumentária que outrora impnha as minhas patrícias ao incondicional apreço de todas as pessoas de bom gosto.
Mas não! As lindas saias e roupinhas de Nisa são hoje raridades. E, com franqueza, uma rapariga de Nisa, com uma inestética blusa e uma exígua e pretensiosa saia, a cantar a Aldeia de Vendas Novas, é, para não dizer outra cousa, um lamentável e detestável anacronismo...
Que ao menos, nas noites de Carnaval, as donzelas da Corte das Areias procurassem reconstituir os bailes de outros tempos usando os trajos tradicionais: a rubra saia de linda faixa, o característico lenço do pescoço e, sobre ele a reluzir, a áurea riqueza dos seus cordões, grilhões e gargantilhas...
Isto sim que era lindo! E único em todo o país!...
E era assim que nós, os velhos, os que ainda recordamos, com enternecida saudade, as noites de arraial em que se queimavam no pequeno largo do Mártir, as grandes peças de efeito, concebidas e executadas por afamados pirotécnicos João Leitão e Filhos e Braz Rufino, e assistíamos, extasiados, à ascensão dos lindíssimos balões que a escuridão das noites invernosas tornava ainda mais deslumbrantes; era assim, em plena revivescência do que Nisa tinha de melhor na beleza do trajar e na riqueza e originalidade folclóricas, que seria de maior encanto ouvir nos bailes de Carnaval, as lindas nisenses a cantarem, como suas mães e avós, a tradicional Aldeia de Vendas Novas...
* J. Figueiredo - "Correio de Nisa" - 26/1/1946


20.1.23

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 
Tomada de posse - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

VILA VIÇOSA: Ciclo de Diálogos Ibéricos

 
- Arte, História e Património | 27 de janeiro, 9h30 
Tivemos uma alteração de última hora no programa do evento que se realiza no próximo dia 27 de janeiro, a partir das 9h30 - um encontro do Ciclo de Diálogos Ibéricos – Arte, História e Património, do qual o Centro de Estudos CECHAP é uma das entidades organizadoras.  
O evento, dedicado à temática "Arquivos para a História do Património. Novas perspetivas das fontes documentais" decorrerá no auditório do Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Patrimónios (CECHAP), em Vila Viçosa e já conta com a participação do Vice Presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa - Dr. Tiago Salgueiro e com a apresentação do arquiteto Nuno Lopes sobre a Candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial da UNESCO. 
O programa inclui ainda apresentações de representantes das entidades organizadoras e parceiras. 
Na parte da tarde o programa é cultural, e inclui visita guiada pelo Património de Vila Viçosa com os guias da Rota Do Mármore do Anticlinal de Estremoz. 
O seminário de abertura vai acabar com degustação de produtos regionais com o patrocínio da CARMIM - O melhor do Alentejo num copo de vinho. 
O evento é gratuito e aberto ao público em geral!
Divulgamos o novo cartaz!

PORTALEGRE: Passeio Micológico - Nova data

Vimos por este meio divulgar a nova data do passeio micológico -  dia 28 janeiro de 2023 - na localidade de Reguengo. O passeio micológico terá o acompanhamento do biológo Nuno Alegria da NaturBoscus, seguido da degustação e inclui ainda, visita guiada ao Museu dos Bonecos.
Para se inscrever basta responder a este email ou contactar através do telemóvel 925 590 356. Deverá facultar as seguintes informações:
Nome completo;
Data de nascimento;
Área de residência;
Número de telefone;
Para validar a inscrição deverá fazer a transferência com o valor da inscrição (para associados 10 'operários', para não associados da COP 15 'operários').
IBAN: PT50 0018 000009732433001 44
Posteriormente, deverá enviar comprovativo por este meio.
Estamos disponíveis para qualquer esclarecimento adicional.


SANGUE É VIDA! 27 dadores de sangue em Nisa


A primeira colheita 2023, da responsabilidade da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre (ADBSP), decorreu na capital dos barros do norte alentejano. A iniciativa envolveu a Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSNA.
Ao centro de saúde de Nisa, rumaram 27 voluntários. E 13 eram do sexo feminino (48,1 %). 
Nem todos estavam em perfeito estado de equilíbrio para concretizar a doação, pelo que se conseguiram em Nisa 19 sempre bem vindas unidades de sangue.


Quatro dos presentes doaram sangue pela primeira vez na vida. Em termos do Registo Português de Dadores de Medula Óssea refira-se que contou com cinco valiosas inscrições.
No final, teve lugar o almoço convívio que contou com o apoio da Câmara Municipal Nisa.
Castelo de Vide a 21 de janeiro.
As colheitas da ADBSP são em sábados, da parte da manhã. No centro de saúde de Castelo de Vide decorre mais uma dádiva a 21 de janeiro. Contamos convosco e saiba mais em: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/
JR

19.1.23

CANTAR AS JANEIRAS: Pelas Ruas da freguesia de Santana

 
A Associação Clube Desportivo e Recreativo de Santana mantém viva a tradição de cantar as janeiras, nas aldeias de Arneiro, Duque e Pardo. 
Contamos com todos.

OPINIÃO: Não há greves fofinhas

 
Não há greves fofinhas. Se há um impasse negocial e os trabalhadores decretam uma greve, o objetivo é causar dano e forçar o patrão a negociar. No Estado ou nas empresas privadas. É assim também com as greves dos professores. Reconhecer essa legitimidade não invalida, no entanto, que se questionem alguns dos métodos que estão a ser utilizados.
Em várias escolas, os professores quotizaram-se para pagar os funcionários que se juntaram à greve. Não foi solidariedade, foi um truque para conseguir fechar as escolas. Um método inaceitável em cima de um pré-aviso de greve, pelos vistos legal, que aposta na imprevisibilidade e permite que cada um falte quando achar melhor. Ou quando achar que o impacto é maior. Uma soma que gera o caos nas escolas.
Os pais, naturalmente, protestam. Porque já são muitos dias sem aulas. Em cima de dois anos letivos de pandemia. E porque, de repente, é impossível saber se as aulas começam na hora prevista, ou na seguinte. Se é preciso voltar a meio da manhã ou da tarde, abandonando o posto de trabalho.
Alguns professores reagiram com a soberba de quem se julga o único defensor da escola pública: as escolas não são depósitos de crianças, dizem. Certíssimo. Mas o que é que isso tem a ver com a necessidade de pais e alunos saberem com que escola podem contar? Que interesse terá alienar pais e alunos de forma cega e, com isso, retirar o foco a um conjunto de reivindicações mais do que justo?
A precariedade de professores e funcionários, com contratos sucessivamente caducados e renovados (quando corre bem), é inaceitável. Os salários estão entre o mau (os dos professores) e o miserável (o dos funcionários). As perspetivas de progressão na carreira são quase nulas.
Mas quem tem de resolver este conflito é o Governo. Dentro do que o Orçamento do Estado for capaz (não é um saco sem fundo). Hoje começa nova ronda de negociações. É tempo de trocar proclamações inúteis por negociações sérias.
* Rafael Barbosa in Jornal de Notícias - 18/1/2023

18.1.23

TRADIÇÃO ORAL: Provérbios de Janeiro (VII)

 
- De flor de Janeiro ninguém enche o celeiro.
- Em Janeiro deixa a fonte e vai ao ribeiro.
- Em Janeiro deixa o rábano ao rabaneiro.
- Em Janeiro faz a cama em palheiro.
- Em Janeiro todo o burro é sendeiro.
- Em Janeiro meia o celeiro; se o vires meado, come regrado.
- Em Janeiro não metas obreiro.
- Em Janeiro neve e frio, é de esperar ardor no estio.
- Em Janeiro pasta a lebre no lameiro e o coelho à beira do regueiro.
- Em Janeiro põe-te no outeiro e se vires verdear, põe-te a chorar, e se vires terrear, põe-te a cantar.
* Hernâni Matos in https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com


ESTREMOZ: Conferência sobre "Património e História Pública"

O Museu Berardo Estremoz vai receber no dia 27 de janeiro, pelas 16:00 horas, uma Aula/Conferência sobre "Património e História Pública", pelo Professor Doutor José Newton Coelho Meneses.
Os interessados devem inscrever-se no email: hugo.a.guerreiro@cm-estremoz.pt ,dado que estão disponíveis apenas 50 lugares.
Esta iniciativa é uma organização do Cidheus da Universidade de Évora, com o financiamento da FCT -  Fundação para a Ciência e Tecnológica, e apoio do Município de Estremoz e será transmitida online através dos meios do município: CONFERÊNCIA.
Entrada livre.

CASTELO DE VIDE: Fados e Sopas Solidárias

 

MEMÓRIA: Comemoram-se hoje os 89 anos da Revolta da Marinha Grande

A 18 de Janeiro de 1934, a Marinha Grande acordou com um levantamento operário vidreiro contra a fascização dos sindicatos enquadrada pelo Estatuto Nacional do Trabalho. Os revoltosos conseguiram tomar o poder por algumas horas, mas a repressão de Salazar acabaria por esmagar a revolta e enclausurar os revoltosos nos cárceres do fascismo, onde alguns jaziram. Em 29 de Outubro desse ano, 57 marinhenses que participaram no 18 de Janeiro inauguraram o Campo do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde 
Para assinalar os 89 anos da Revolta da Marinha Grande, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira organizou um programa de comemorações às quais se juntará Isabel Camarinha, Secretária-Geral da CGTP-IN.
A Revolta da Marinha Grande está inscrita na História como uma grandiosa etapa da luta da classe operária contra o fascismo seguida por uma violenta repressão. O dia 18 de Janeiro de 1934 marca a tentativa da classe operária tomar o que é seu, numa profunda consciência de que por mais duros que sejam os tempos, a organização da classe operária pode aspirar a tudo. 
Este ano comemoram-se os 89 anos desta importante etapa da história do movimento operário português e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira - STIV, fiéis herdeiros dos construtores da revolta da Marinha Grande, está a organizar as celebrações. Iniciada no sábado passado, amanhã as comemorações terão continuidade de forma a assinalar a data.
O dia de amanhã, que contará com Isabel Camarinha, começará logo às 10 horas com uma romagem aos cemitérios Casal Galego e Marinha Grande e com a colocação de flores nas campas dos prisioneiros que participaram na Revolta. Nesse momento será ainda linda uma intervenção de homenagem aos falecidos. Às 11 horas, fazendo jus ao exemplo dado pelos revoltosos, haverá uma manifestação com o mote «Por mais salários, pelo fim da precariedade» com o ponto de partida no cemitério da Marinha Grande. 
Já às 12 horas, junto ao Monumento do Vidreiro, para além da actuação do Grupo de percussão Tocándar, haverá também uma cerimónia pública com intervenções sindicais, entre as quais da Secretaria-Geral da intersindical e contará também com a participação da Comissão Executiva da CGTP-IN. 

17.1.23

SAÚDE: Projeto “Cancro sem Temor” está de volta

 
Saúde sexual no doente oncológico é o tema em destaque
Está de regresso o projeto “Cancro sem Temor”, uma iniciativa do IPO do Porto, com o lançamento episódio intitulado “Na saúde e na doença”, dedicado à saúde sexual dos doentes oncológicos. Este é o primeiro episódio da segunda temporada do podcast que procura alertar para a importância de aprender a viver com o diagnóstico de cancro e desmistificar conceitos e ideias sobre esta vivência.  
O tema da sexualidade continua a ser, nos dias de hoje, um tabu na sociedade e, como tal, também no contexto clínico continuam a existir dificuldade em abordá-lo. Os diagnósticos de cancro, bem como as diferentes abordagens terapêuticas, afetam o bem-estar psicológico e a qualidade de vida do doente, da vida do casal e do/a seu parceiro/a. Contudo, a sexualidade é um importante indicador do bem-estar e da qualidade de vida dos doentes.
No primeiro episódio da segunda temporada participam Mafalda Cruz, radioncologista, Isaac Braga, urologista e Ana Amaral, psiquiatra, que irão abordar a sexualidade no doente oncológico e a forma como os fatores físicos e psicológicos podem limitar a atividade e o desejo sexual, reforçando a necessidade de um diálogo aberto entre o doente e o seu médico assistente.
“Cabe aos profissionais de saúde dispor de novas estratégias com o doente de forma a introduzir o tema da sexualidade logo no início do percurso oncológico, e abordá-lo ao longo de todo o processo. Dois terços dos doentes oncológicos não partilham com o seu médico que estão a vivenciar problemas de natureza sexual”, afirma Mafalda Cruz.
O urologista Isaac Braga reforça que “deve ser um tema falado e bastante discutido com o doente, em especial as consequências adversas do tratamento na vida sexual, mais do que da taxa de cura, temos de falar do espectro que as sequelas vão deixar, por isso o doente deve optar por estar informado”, reforçando a mensagem: “para se ter saúde, tem de ser ter uma boa vida sexual, não podemos desconsiderar esta parte da vida”.
Já Ana Amaral aborda a “culpa” que a maior parte dos doentes sentem ao falar com o médico assistente sobre esta temática: “Salvou-me a vida! Quem sou eu para estar a pedir ainda mais? Para estar a falar sobre sexo”.
Este episódio conta ainda com a participação especial de Vanda Patrício, ginecologista, e de Graça Braz, Enfermeira.
“Cancro sem Temor” é um projeto do IPO do Porto, dirigido a toda a população, com o objetivo de realçar a importância de aprender a viver com o diagnóstico de cancro e desmistificar conceitos e ideias sobre esta vivência. Através de diferentes testemunhos e perspetivas, procura-se simplificar e retirar a carga negativa, o medo associado à doença, clarificando diferentes aspetos, para ajudar a lidar melhor com ela. Olhar para a doença de diferentes perspetivas, psicológico, emocional, farmacológico, médico e social. O impacto do diagnóstico no indivíduo e no seu mundo.
O podcast, que conta com o apoio da Novartis, está disponível no canal Youtube do IPO do Porto e nas plataformas de podcast (Spotify e Apple Podcasts).
Sobre o IPO do Porto:
O Instituto Português de Oncologia do Porto é uma Instituição de Saúde de referência nacional e internacional no domínio do tratamento, investigação e ensino do cancro. Posiciona-se na rede pública de cuidados hospitalares como Instituição altamente diferenciada e é a unidade de referência de última linha em cuidados oncológicos da Região Norte, para a qual são referenciadas as situações mais complexas. O IPO do Porto tem por missão principal a prestação de cuidados de saúde hospitalares oncológicos à população com a máxima qualidade, humanismo e eficiência.

AVIS: Atelier "O Taleigo dos Saberes" na Biblioteca Municipal

 
No âmbito da sua programação anual, a Biblioteca Municipal José Saramago vai realizar, entre os dias 19 e 27 de janeiro, “O Taleigo dos Saberes”.
Sob o lema “O saber não ocupa lugar”, este Atelier, organizado pelo Município de Avis e dirigido ao público Sénior, integra um leque de atividades educativas e de animação e promoção do livro e da leitura (sessões de contos, ateliers de expressão plástica e dramática, jogos de intervenção terapêutica, animação de leitura) e vai andar, todos os meses, pelas Freguesias/Uniões de Freguesias do Concelho a distribuir saberes, numa ação de combate ao analfabetismo e ao isolamento social deste grupo etário.
Em Avis, “O Taleigo dos Saberes” vai decorrer na Biblioteca Municipal José Saramago, no dia 20, às 15h00.
Fora de portas, os Polos da Biblioteca Municipal de Benavila e de Valongo, assim como a Fundação Arquivo Paes Teles, em Ervedal, serão os palcos destas sessões agendadas, respetivamente, para os dias 19, 26 e 27, sempre às 15h30.
A iniciativa conta com o apoio da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e da Fundação Arquivo Paes Teles.
A participação nesta atividade não requer inscrição prévia, bastando para tal aparecer nos respetivos locais.