A operação "Irmandade" contou com cerca de 300 elementos de
diversas unidades da PJ e foram realizadas 65 buscas domiciliárias e não
domiciliárias em Lisboa, Porto, Gaia, Guimarães, diversas cidades da margem Sul
do Tejo, Algarve e Maia. O objetivo, segundo um comunicado da PJ, era
"desmantelar uma organização criminosa responsável pela prática de crimes
de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação
agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas
proibidas"
As buscas visavam elementos afetos ao grupo 1143, liderado por Mário
Machado, que se encontra a cumprir uma pena de prisão. Foram detidos 37
suspeitos "com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de
ódio internacionais", indica a PJ. Foram ainda constituídos mais 15
arguidos.
Os detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos,
"adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura
nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos
racistas e xenófobos". Segundo informações recolhidas pelo JN, a
investigação acredita que atuavam de forma organizada para perseguir, ameaçar e
agredir cidadãos de comunidades imigrantes.
No âmbito da operação, também foi apreendido "material de
propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta,
nomeadamente neonazi, bem como armas diversas", acrescenta o comunicado.
Os detidos serão presentes amanhã no Tribunal Central de Instrução
Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial, tendo em vista a
aplicação das respetivas medidas de coação.
Mário Machado, de acordo com a CNN, continuará a dar instruções a
partir da prisão assegurando a difusão de conteúdos xenófobos e racistas nas
redes sociais, associados a ações violentas e ao incitamento ao ódio.
Uma fonte próxima do processo, citada pela Lusa, disse que a cela de Mário Machado também tinha sido alvo de buscas hoje de manhã.
Alexandre Panda e Reis Pinto – Jornal de Notícias
Foto:André Rolo
